Os dias estão cada vez mais belos em Cracóvia

Igreja de Santa Maria, na Praça do Mercado, em Cracóvia

Igreja de Santa Maria, na Praça Principal do Mercado, em Cracóvia

Se você obedecer às regras básicas do turismo, conhecerá, primeiro, os lugares mais renomados do planeta, notáveis por suas belezas naturais e arquitetônicas ou por suas influências na história da humanidade. Inevitavelmente, visitará palácios monumentais, jardins deslumbrantes e museus famosos. Caminhará por solos consagrados, cumprindo, quase à risca, trajetos feitos por personalidades imortalizadas. Gastará uma fortuna em artigos típicos e irá se deliciar com aquela iguaria nativa tão peculiar e tão comentada – ou você deixaria de comer uma pizza na Itália ou um Pastel de Belém em Portugal? À medida em que for fincando alfinetes no seu mapa-múndi, fará comparações entre um lugar e outro. Com o tempo, irá notar uma infinidade de semelhanças. A convencionalidade se tornará menos atraente, orientando seus desejos para o imprevisível. Nesse ponto, você irá procurar pelo inusitado. Estará mais sensível e receptivo às culturas, e sempre que voltar para casa, cada período de seus relatos será finalizado com “Você tem que estar lá para entender o que estou falando”. Não haverá máquina fotográfica que traduzirá suas visões. O mundo ficará mais fantástico a cada latitude ou longitude percorrida.

Assim temos feito eu, o Élcio e quem mais se aventura conosco mundo afora. Na Europa, começamos pelos lugares mais procurados pelos turistas. Fomos a Paris, Roma, Londres, Barcelona, Amsterdam, Viena, Berlim, Istambul… Voltamos a algumas dessas cidades, inclusive. Aí chegou o momento de diversificar. O que deixamos para conhecer depois por entendermos ser menos interessante, revelou-se uma de nossas melhores experiências. Isso aconteceu com Cracóvia, lugar a que pretendo voltar o quanto antes e sempre que possível.

Bem como as principais metrópoles europeias, Cracóvia possui suas qualidades arquitetônicas, naturais e culturais. Sua história é uma das mais fascinantes, especialmente se contada pelos próprios polacos, que adicionam aos fatos uma carga emocional impressionante.

Praça do Mercado, em Cracóvia

Praça Principal do Mercado, em Cracóvia

PRIMEIRO DIA – Segunda-feira, 9/2/2015

Parque Planty, Teatro Juliusz Słowacki, Monumento Grunwaldzki, Barbacã de Cracóvia, Portão de São Floriano, Rota Real, Rua Floriańska, Praça Principal do Mercado, Igreja de Santa Maria, Sukiennice, torre do relógio da antiga prefeitura, Igreja de São Adalberto, Igreja da Santíssima Trindade, bares da Rua Stolarska

Nesta viagem, fomos somente eu e o Élcio. Chegamos a Cracóvia às 13h15. Mal nos instalamos no modesto, mas confortável Hotel Wyspiański e fizemos o que mais gostamos: saímos para bater perna. Nevava um pouco, e a cidade estava esbranquiçada.

Passeio da Igreja católica da Freguesia de Santa Cruz

Calçada da Igreja católica da Freguesia de Santa Cruz

Parque Planty (via Instagram)

Parque Planty (via Instagram)

Primeiro, fizemos uma pequena caminhada em um trecho do Parque Planty (Planty Park), que contorna toda a Cidade Velha (Stare Miasto). Em seguida, passamos pelo Teatro Juliusz Słowacki (Teatr im. Juliusza Słowackiego w Krakowie), construído em 1893 no estilo barroco. Belíssimo!

Teatro Juliusz Słowacki

Teatro Juliusz Słowacki

De lá, seguimos pisando a neve até o Monumento Grunwaldzki (Pomnik Grunwaldzki), situado na Praça Jana Matejki. A imponente estátua de Ladislau II sobre um cavalo comemora a vitória do Reino da Polônia e do Grão-Ducado da Lituânia sobre a Ordem Teutônica.

Monumento Grunwaldzki

Monumento Grunwaldzki. Ao fundo está a Igreja de São Floriano

A estátua foi destruída pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O que se vê hoje é uma reprodução de 1976.

Poucos metros adiante, está a Igreja de São Floriano (Kościół św. Floriana w Krakowie), onde se inicia a Rota Real (Droga Królewska), caminho que monarcas, enviados estrangeiros e convidados importantes da realeza percorriam cerimonialmente até o Castelo de Wawel (Zamek Królewski), cruzando boa parte do Centro Histórico.

Não muito distante da igreja e de frente para o Monumento Grunwaldzki, está o Barbacã de Cracóvia (Barbakan w Krakowie), uma fortificação no estilo gótico construída em 1498 como parte das muralhas que protegiam a cidade real. O edifício, que se encontra muito bem preservado, servia como posto de controle para todos que entravam em Cracóvia.

Barbacã de Cracóvia

Barbacã de Cracóvia

Barbacã de Cracóvia (via Instagram)

Barbacã de Cracóvia (via Instagram)

Cruzamos o barbacã e seguimos até o Portão de São Floriano (Brama Floriańska), uma torre de granito vermelho construída no século 14 também como parte das muralhas protetoras de Cracóvia. Dava acesso à Cidade Velha.

Portão de São Floriano

Portão de São Floriano

Rumamos caminhando pela Rota Real. Estávamos na Rua Floriańska, uma das mais prestigiadas da cidade. A grande maioria dos seus edifícios abrigam lojas, restaurantes, cafés entre outros estabelecimentos. Suas vitrines são bem sedutoras, mas as lojas de souvenirs não são o melhor lugar de Cracóvia para se comprar lembrancinhas. Há locais mais baratos.

Rua Floriańska

Rua Floriańska

Como mosquito para a luz, fui atraído sem resistência para dentro da loja Staropolskie Trunki, especializada em vodcas polonesas. Se você lê meus posts regularmente, já deve saber que sou um bom consumidor desse elixir.

Loja de bebidas Staropolskie Trunki, na Rua Floriańska

Loja de bebidas Staropolskie Trunki, na Rua Floriańska

Naquele pequeno paraíso de bebidas, tomei três shots, suficientes para incrementar minha paixão por vodca (a Polônia prometia!). Experimentei uma dose da comum e duas doses de nalewka, uma infusão alcoólica que pode ser feita à base de frutas vermelhas (a de cereja é enfeitiçante!), limão, ervas, entre outros sabores. É mais suave do que a vodca pura. Embora pareça um suquinho inofensivo, tem 32% de graduação alcoólica.

Nalewka de cereja servida na Staropolskie Trunki

Nalewka de cereja servida na Staropolskie Trunki

Continuamos nossa caminhada pela Floriańska. Por algum motivo, eu já estava amando Cracóvia além do esperado. Há um sentimento de paz generalizado. As pessoas são extremamente educadas, o custo de vida é baixíssimo e a vodca é excepcional. E olha que ainda não falei da comida!

Rua Floriańska

Rua Floriańska

Chegamos a uma das principais atrações da cidade: a Praça Principal do Mercado (Rynek Główny), uma das maiores praças medievais do mundo. Lá, visitaríamos, primeiro, a magnífica Igreja de Santa Maria (Kościół Mariacki), construída, originalmente, no século 13 e reconstruída em 1365. Seu edifício no estilo gótico possui 80 metros de altura. No seu interior, destaca-se o famoso altar esculpido pelo artista alemão Veit Stoss.

Igreja de Santa Maria, na Praça do Mercado

Igreja de Santa Maria, na Praça Principal do Mercado

Enquanto eu fazia fotos no lado de fora da basílica, o Élcio entrou, mas pela saída, portanto não pagou ingresso. Fiquei procurando pelo rapaz, que encontrei deixando a igreja minutos mais tarde. Aí bateu uma preguiça estúpida e preferi não entrar. Eu estava com muito frio, e só de pensar que teria de caminhar até a bilheteria, tirar as luvas, pegar o dinheiro, fechar a bolsa, calçar as luvas, ajeitar os penduricalhos no ombro etc. etc., já dava sono. Se fosse para comprar vodca, a história seria outra. Preciso urgentemente rever minha espiritualidade.

Dica balao 2

A Igreja de Santa Maria pode ser visitada diariamente, exceto durante as missas. De segunda a sábado, fica aberta das 11h30 às 18h, e aos domingos e feriados, das 14h às 18h. A bilheteria funciona das 9h às 17h30. A visita à torre da igreja pode ser feita de 1º de abril a 31 de outubro (exceto nos feriados religiosos), em excursões a cada 30 minutos, das 9h10 às 17h40, com pausa entre 11h30 e 13h10. Para mais informações, acesse www.mariacki.com.

Depois da igreja, fomos ao Sukiennice, um belíssimo edifício renascentista localizado no meio da praça.

Sukiennice, na Praça do Mercado

Sukiennice, na Praça Principal do Mercado

O Sukiennice foi um importante centro de comércio internacional. No século 15, auge de sua atividade, seus mercadores lidavam com a importação de produtos orientais e com a exportação de artigos têxteis, chumbo e sal. Durante séculos, recebeu muitos convidados ilustres e ainda hoje é utilizado para entreter monarcas como o Príncipe Charles e o Imperador Akihito. Foi local de bailes e de outros eventos como a palhinha dada pela banda The Who aos funcionários das embaixadas polonesa e inglesa, em 1976. Possui uma feira de artesanato até interessante, mas, como na Floriańska, os preços não são bons.

Galeria do Sukiennice

Galeria do Sukiennice

O andar de cima do Sukiennice abriga uma das divisões do Museu Nacional (Muzeum Narodowe w Krakowie), que exibe uma coleção de pinturas e esculturas polonesas do século 19. Preferimos não visitá-lo.

Dica balao 2

A feira do Sukiennice funciona aos domingos, terças, quartas a quintas-feiras, das 10h às 18h, e sexta e sábado das 10h às 20h. Já o terraço do edifício e o Museu Nacional abrem diariamente, das 10h às 23h30 e das 10h às 18h, respectivamente.

Na Praça Principal do Mercado, havia o edifício da antiga prefeitura (Ratusz), que foi demolido em 1820. De sua construção, restou apenas a torre do relógio, que se mantém majestosa em um dos cantos da praça. Foi erguida, originalmente, em 1316 no estilo gótico e remodelada em 1780. No verão, é aberta para visitação.

Torre do relógio da antiga prefeitura

Torre do relógio da antiga prefeitura

No outro canto da praça, está a pequena Igreja de São Adalberto (Kościół Świętego Wojciecha), uma das mais antigas da cidade. Foi construída em madeira no final do século 10 e reconstruída em pedra no século seguinte, antes mesmo da demarcação da praça, que aconteceu somente em 1257. Entre 1611 e 1618, passou por uma remodelagem no estilo barroco.

Igreja de São Adalberto

Igreja de São Adalberto

Após uma rápida espiada no interior da igrejinha, deixamos a Praça Principal do Mercado e retomamos a Rota Real pela Rua Grodzka. Logo no início, debruçamos famintos no balcão de uma lanchonete para experimentar um pouco da comida de rua polonesa. O cardápio do pequeno estabelecimento oferecia, principalmente, panquecas de batata, lá chamadas de placki ziemniaczane, que podem ser servidas com bacon, goulash ou molho de carne, além de creme azedo, queijo cottage e molho de maçã ou de cogumelo. Seu aspecto gorduroso não é seu cartão de visitas, mas, mesmo assim, resolvi encarar a gororoba.

Panqueca de batata (placki ziemniaczane), servida em estabelecimento da Rua Grodzka

Panqueca de batata (placki ziemniaczane), servida em estabelecimento da Rua Grodzka

Tirando a textura encharcada, o gosto da panqueca é muito bom, mas arreguei na metade do prato. Preferi reservar o que resta da parte rosada do meu fígado para outras gulodices polonesas mais interessantes. O Élcio, que também não se simpatizou com a aparência da iguaria, pediu um modesto cachorro-quente. Fiquei com inveja.

Cachorro-quente servido em estabelecimento da Rua Grodzka

Cachorro-quente servido em estabelecimento da Rua Grodzka

De estômagos generosamente forrados, descemos a Grodzka até a Praça Dominicana (Plac Dominikański), onde viramos à esquerda e seguimos até a Igreja da Santíssima Trindade (Bazylika Świętej Trójcy).

Igreja da Santíssima Trindade

Igreja da Santíssima Trindade

Da igreja, rumamos pela Rua Stolarska, onde vimos poucas, mas boas opções de bares. Encerramos a nossa primeira jornada em Cracóvia com ótimas cervejas e shots de vodca e de nalewka.

Praça do Mercado Pequeno (Mały Rynek)

Praça do Mercado Pequeno (Mały Rynek)

SEGUNDO DIA – Terça-feira, 10/2/2015

Castelo de Wawel, Catedral de Wawel, Museu Papa João Paulo II, Rua Kanonicza, Igreja de Santo André, Igreja de São Pedro e São Paulo, Igreja de São Francisco de Assis, Collegium Maius (Universidade Jaguelônica), Galeria Plakatu, noite na Praça Principal do Mercado

Começamos o dia por uma das atrações histórica e culturalmente mais importantes de Cracóvia: o Castelo de Wawel, construído no século 14 por ordem do Rei Casimiro, o Grande. Foi reconstruído décadas mais tarde pelos reis Ladislau II e Edviges de Anjou e reformado tantas outras vezes nos anos seguintes. Por séculos, foi residência da monarquia polonesa e símbolo da soberania nacional.

Castelo de Wawel

Castelo de Wawel

Hoje, o Wawel abriga um dos museus mais importantes do país. Fundado em 1930, sua exposição compreende os Salões de Estado, os Apartamentos Reais Privados, os Tesouros da Coroa e Armaduras, a coleção de arte oriental e a exibição Wawel Perdido. Não era nosso interesse explorar todos esses espaços, queríamos visitar apenas os Apartamentos Privados. Contudo, chegamos à bilheteria às 11h, e o próximo tour aconteceria às 14h30. Desistimos, portanto.

Pátio interno do Castelo de Wawel

Pátio interno do Castelo de Wawel

Para não dizer que não conhecemos o interior do edifício, vimos a pintura A dama com arminho, de Leonardo da Vinci, exposta temporariamente em umas das salas do castelo. Normalmente, a obra encontra-se no Museu Czartoryski (Muzeum Książąt Czartoryskich), que, naqueles dias, estava fechado para reforma.

Outras atrações do castelo são o Antro do Dragão (Smocza Jama) e os jardins do complexo. Destes, não se via uma folhinha verde por causa da camada espessa de neve. De qualquer forma, ver planta também não figurava no nosso rol de interesses. Entretanto, manifesto meu arrependimento por não ter ido ao Antro do Dragão, uma caverna de 276 metros de comprimento por 15 de largura, que deu origem à primeira versão da história do Dragão de Wawel, uma das mais antigas lendas polonesas. Graças à minha displicência na hora de planejar o roteiro, não tomei conhecimento dessa atração.

Fomos também à admirável Catedral de Wawel (Katedra wawelska), destino final de figurões religiosos e da antiga monarquia polonesa. Construída no século 14 no estilo gótico, a igreja abriga os restos mortais de São Estanislau (Stanisław), dos reis Sigismundo I e II e de outros 39 monarcas. É local de coroação da realeza e sede da Arquidiocese de Cracóvia. Foi lá que o Papa João Paulo II celebrou sua primeira missa como padre, em 2 de novembro de 1946.

Torres da Catedral de Wawel

Torres da Catedral de Wawel

Ainda na catedral, subimos até o sino de Sigismundo (Dzwon Zygmunta), o maior dos cinco sinos pendentes do edifício, com 3,09 metros de largura por 4,6 metros de altura, pesando 12,6 toneladas.

Sino de Sigismundo, na Catedral de Wawel

Sino de Sigismundo, na Catedral de Wawel

Da catedral, caminhamos alguns metros até o Museu Papa João Paulo II (Muzeum Katedralne Jana Pawła II). Para os admiradores de Karol Józef Wojtyła, um dos papas mais carismáticos da história, essa exposição é atração imprescindível. Sua coleção é composta por objetos pertencentes ao ex-líder mundial da igreja católica.

Dica balao 2

O Monte Wawel, onde o castelo se encontra, fica aberto diariamente, das 6h às 17h. Para informações sobre tarifas e horários de funcionamento de cada uma das atrações do museu, bem como do Antro do Dragão, dos jardins e das exposições temporárias, clique aqui. Não existe bilhete combinado para conhecer todas essas exibições. Os ingressos devem ser adquiridos separadamente. A última entrada é feita uma hora antes do encerramento. Já o acesso à Catedral de Wawel é gratuito, exceto para as Tumbas Reais, o sino de Sigismundo e o Museu Papa João Paulo II. Para se informar sobre a visita à catedral e suas dependências, clique aqui.

Deixamos o castelo. Descemos o Monte Wawel em direção à Rua Kanonicza (Ulica Kanonicza), o último trecho da Rota Real. No número 19 dessa via pitoresca, situa-se a casa onde o Papa João Paulo II viveu como sacerdote e bispo entre 1951 e 1967.

Rua Kanonicza

Rua Kanonicza

Não muito longe dali, no número 54 da Rua Grodzka, está a Igreja de Santo André (Kosciol Swietogo Andrzeja), construída entre 1079 e 1098, um dos edifícios mais antigos de Cracóvia. É um exemplo raro de igreja fortificada erigida com fins de defesa na Europa, sendo a única da cidade a resistir à invasão mongol, em 1241. Desde 1320, vem sendo utilizada pela Ordem das Clarissas.

Igreja de Santo André

Igreja de Santo André

Entramos para dar uma espiada na igreja. Parecia não haver ninguém lá dentro, e o único ruído era um sussurrar contínuo de uma monja.

Logo ao lado da Igreja de Santo André, está a Igreja de São Pedro e São Paulo (Kościół Św. Apostołów Piotra i Pawła), primeira igreja barroca da cidade, construída entre 1597 e 1619. Se você é uma pessoa nada religiosa, mas ama física, saiba que o edifício abriga um pêndulo de Foucault. As demonstrações do funcionamento desse instrumento acontecem nas terças-feiras às 10h, 11h e 12h.

Igreja de São Pedro e São Paulo

Igreja de São Pedro e São Paulo

Estátuas dos 12 apóstolos da Igreja de São Pedro e São Paulo. Igreja de Santo André ao fundo

Estátuas dos 12 apóstolos da Igreja de São Pedro e São Paulo. Igreja de Santo André ao fundo

Após uma rápida visita ao interior da igreja, subimos a Grodzka até a Praça de Todos os Santos (Plac Wszystkich Świętych), onde viramos à esquerda e caminhamos poucos metros até a Igreja de São Francisco de Assis (Klasztor i Bazylika Franciszkanów św. Franciszka z Asyżu), que fica na Rua Franciszkańska, 2.

Igreja de São Francisco de Assis

Igreja de São Francisco de Assis

Já estávamos meio saturados de igrejas. Quase blasfemei na porta daquele que seria o quarto templo religioso do dia, de tanta má vontade para entrar. Os céus também não deveriam estar satisfeitos comigo. Não abaixei a cabeça diante das catacumbas dos ilustres falecidos da Catedral de Wawel, fiz piada com a irmã sussurrante da Igreja de Santo André e dei mais importância ao pêndulo de Foucault do que às 12 estátuas dos apóstolos da São Pedro e São Paulo. Mais um pecado e eu seria esfarinhado por um raio, então não me restou outra opção senão focar na fé e visitar o interior da São Francisco de Assis.

Igreja de São Francisco de Assis

Igreja de São Francisco de Assis

“Puta que pariu!”, eu disse logo que entramos. “Que coisa maravilhosa!”, complementei. O sacrilégio do palavrão só foi perdoado porque o sentimento era de aclamação e júbilo intensos. Aquela igreja é coisa de Deus! As belíssimas padronagens nas paredes e no teto, a interação arrojada das ilustrações com a arquitetura gótica e a luz suave que atravessava os vitrais desenhados pelo artista polonês Stanisław Wyspiański eram dignas de um terço rezado três vezes.

Construída no século 13, a magnitude da Igreja de São Francisco de Assis está mais na criatividade dos desenhos do que na riqueza material. Apesar das várias calamidades sofridas ao longo dos séculos, nenhuma foi tão severa quanto o incêndio de 1850, que reduziu a cinzas documentos importantes e artefatos inestimáveis.

Igreja de São Francisco de Assis

Igreja de São Francisco de Assis

A igreja também abriga uma réplica exata do Santo Sudário, situada na Capela da Paixão. A peça foi consagrada no Vaticano pelo Papa João Paulo II, em 19 de março de 2003.

Eu poderia ter excluído do roteiro o número excessivo de igrejas, mas as que visitamos naquele dia encontravam-se tão próximas umas das outras que não custava nada uma passada rápida. Todas são atrações indicadas nos principais guias turísticos, mas a São Francisco de Assis foi minha favorita – considerando que não entrei na belíssima Igreja de Santa Maria.

Já passava da hora de almoçar. Ainda não tínhamos nos servido de um verdadeiro banquete polonês. Eu havia anotado uma sugestão da internet, que indicava um restaurante chamado Bar Mleczny Pod Temidą, localizado na Grodzka, 43. Segundo a descrição, a comida é simples, barata e cheia de tradição. Em português, bar mleczny significa “bar de leite”. Durante o comunismo, foram criados vários restaurantes para atender a classe trabalhadora, oferecendo, em seu menu, refeições à base de laticínios e vegetais, além de iguarias feitas de ovos, cereais e farinha. Com a queda do regime, a maioria dos bar mleczny faliu. Uns se transformaram em restaurantes convencionais, outros foram preservados como relíquias do comunismo. Há pouquíssimos bar mleczny espalhados pelo país, todos subsidiados pelo Estado Polonês. O Pod Temidą é um deles, e para lá seguimos. Mas, no caminho, um velhinho nos entregou um folheto bem atraente do restaurante U Czarnego. Numa abordagem extremamente cortês, convidou-nos para entrar no estabelecimento, que ficava no número 21 da Grodzka. O lugar não era um bar mleczny, mas não nos importamos. Queríamos mesmo era uma comida típica e, obviamente, boa.

Os preços do U Czarnego eram ótimos! Pedi salada de legumes e vegetais e costeleta de porco (kotlet tatry), que veio acompanhada de uma espécie de sopa de vegetais.

Salada de legumes e vegetais servida no U Czarnego

Salada de legumes e vegetais servida no U Czarnego

Kotlet tatry (costeleta de porco), servida no U Czarnego

Kotlet tatry (costeleta de porco), servida no U Czarnego

Sopa de vegetais servida no U Czarnego

Sopa de vegetais servida no U Czarnego

Já o Élcio pediu uma espécie de tabuleiro variado (koryto rozmaitosci), um prato com 3 tipos de carne, batatas assadas e batatas recheadas com carne moída. Era muita comida!

Tabuleiro variado (koryto rozmaitosci) servido no U Czarnego

Tabuleiro variado (koryto rozmaitosci) servido no U Czarnego

No U Czarnego, não sei se fiquei mais encantado com o rango, com os preços ou com a aptidão comercial do velhinho. Acredito que ele tinha por volta de 80 anos, e sua disposição era inspiradora. Nos dias que se seguiram, vimos outros trabalhadores como ele, ativos e persuasivos.

De estômagos muito bem forrados, andamos poucos quarteirões até uma das atrações mais célebres de Cracóvia: A Universidade Jaguelônica (Uniwersytet Jagielloński), fundada em 1364 por Casimiro, o Grande. É uma das universidades mais antigas do mundo. Originalmente, chamava-se Academia de Cracóvia (Akademia Krakowska), mas, no século 19, teve seu nome alterado em homenagem à Dinastia Jaguelônica. Entre os alunos mais notáveis de sua história, destacam-se o Papa João Paulo II e Nicolau Copérnico.

Pátio central do Collegium Maius, na Universidade Jaguelônica

Pátio central do Collegium Maius, na Universidade Jaguelônica

Na universidade, conhecemos o Collegium Maius, edifício mais antigo da instituição. Seu museu é composto por salões históricos, obras de arte, instrumentos científicos, peças medievais e uma memorabilia fascinante, especialmente as relíquias que pertenceram a Copérnico. É atração indicadíssima em Cracóvia.

Instrumentos de Nicolau Copérnico, no Collegium Maius

Instrumentos de Nicolau Copérnico, no Collegium Maius

Facsimile do manuscrito de Nicolau Copérnico, no Collegium Maius

Fac-símile do manuscrito de Nicolau Copérnico, no Collegium Maius

Câmara da Biblioteca Velha, no Collegium Maius

Câmara da Biblioteca Velha, no Collegium Maius

Salão da Assembleia, no Collegium Maius

Salão da Assembleia, no Collegium Maius

Dica balao 2

O museu do Collegium Maius situa-se na Rua Jagiellońska, 15, quase esquina com a Rua Świętej Anny, a um quarteirão da Praça Principal do Mercado. Abre de segunda a sexta, das 10h às 15h, e aos sábados, das 10h às 14h. Exclusivamente entre abril e outubro, nas terças e quintas, encerra suas atividades às 18h, e nas terças de novembro a março, o encerramento se dá às 16h. Para todos os dias, o último ingresso é feito 40 minutos antes do fechamento. A entrada é gratuita às terças entre 15h e 18h, de abril a outubro, e entre 14h e 16h, de novembro a março. Para mais informações sobre a visita ao museu, clique aqui.

Impregnados de espírito acadêmico, deixamos a Universidade Jaguelônica, atravessamos a Praça Principal do Mercado e chegamos à Rua Stolarska, onde havíamos tomado umas na noite anterior. Nos números 8 e 10, encontra-se a Galeria Plakatu, uma pequena loja de cartazes que me encheu de inspiração. Na Polônia, existe uma tradição fortíssima na produção dessas peças gráficas, fomentada, principalmente, pela mundialmente reconhecida Escola Polonesa de Cartazes (Polska Szkoła Plakatu), movimento que teve início na década de 1950. Após a Segunda Guerra Mundial e sob o domínio soviético, a excelência do design gráfico polonês se voltou para a reconstrução da imagem de um país devastado, visando à prosperidade e adquirindo, gradativamente, uma estética stalinista. Independentemente das intenções da propaganda ou da ideologia socialistas, os cartazes se tornavam cada vez mais belos, com metáforas concisas e layouts impactantes. Essa inventividade e qualidade visual são mantidas até hoje.

Galeria Plakatu

Galeria Plakatu

Após esperar a vendedora da Galeria Plakatu conversar fiado ao telefone por mais de 20 minutos, folheei os catálogos – as opções de artes eram infinitas! – e comprei meus cartazes. Sou publicitário com habilidades em direção de arte e design gráfico, e ver aquela miríade de imagens pra lá de sensacionais rendeu-me uns cinco anos de boas ideias.

Deixei a loja com um canudo enorme debaixo do braço. Voltamos para o hotel, descansamos um pouco e, à noite, retornamos à Praça Principal do Mercado para umas biritas. Fomos verificar se as vodcas, cervejas e vinhos poloneses continuavam excepcionais. Sim, continuavam.

TERCEIRO DIA – Quarta-feira, 11/2/2015

Excursão ao complexo de Auschwitz e às minas de sal de Wieliczka, Praça Nova (Kazimierz)

O dia amanheceu bem cinzento. A sensação monocromática e serena que cobria a cidade parecia uma ambientação intencional para o principal passeio daquela quarta-feira. Conheceríamos os campos de concentração e de extermínio de Auschwitz, a representação mais perversa do Holocausto.

Entre 1940 e 1945, os nazistas deportaram pelo menos 1.300.000 pessoas para Auschwitz. Desse montante, por volta de 1.100.000 eram judeus, 150.000 eram poloneses, 23.000 eram ciganos, 15.000 eram prisioneiros de guerra soviéticos e os demais pertenciam a outros grupos étnicos. Cerca de 1.100.000 prisioneiros morreram por lá. Dessas vítimas, 90% eram judeus, assassinados, em sua maioria, nas câmaras de gás.

Dica balao 2

Várias empresas fazem a excursão ao complexo de Auschwitz. Além da visita aos campos de concentração, nosso passeio incluía um tour pelas minas de sal de Wieliczka. O Élcio adquiriu os pacotes ainda no Brasil, pela Krakow Shuttle. Como também comprou o transfer do aeroporto para o hotel pela mesma empresa, ao final da operação, recebeu um desconto de 10% por todos os serviços. Para mais informações, acesse krakowshuttle.com.

O micro-ônibus nos buscou na porta do hotel às 9h. Às 11h, já estávamos em Auschwitz I, conhecido como Stammlager, campo principal e centro administrativo do complexo, parte do Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum. Foi inaugurado em 20 de maio de 1940.

A frase “Arbeit Macht Frei”, no portão da entrada principal de Auschwitz I

Frase “Arbeit macht frei”, no portão da entrada principal de Auschwitz I

A frase “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta), disposta no portão da entrada principal, incita uma certa indignação nos visitantes. Há quem a interprete como zombaria ou falsa promessa de liberdade para os prisioneiros que trabalhassem no campo até a exaustão. Mas Rudolf Höss, que comandou Auschwitz I de maio de 1940 a novembro de 1943 e ordenou a fixação da inscrição no local, acreditava que se sacrificar no trabalho sem fim era uma forma de se liberar espiritualmente. Sem comentários.

Nosso passeio foi conduzido pela guia Illona Kapcza. Havia muita emoção no tom com que informava sobre cada espaço e cada acontecimento. Em momento algum, era possível identificar, em seu discurso, uma atitude ensaiada. A melancolia de suas expressões, as mãos postas e a voz aparentemente embargada comoviam a todos.

Edifícios de Auschwitz I

Edifícios de Auschwitz I

Stammlager serviu, basicamente, para utilização de trabalho forçado. Apenas 300 de seus prisioneiros conseguiram fugir, ao passo que outros 70 mil, divididos em poloneses e soviéticos, morreram no local. Nesse campo, também foram efetuados os primeiros experimentos com câmara de gás utilizando o pesticida Zyklon-B, uma substância à base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio. O primeiro teste, ocorrido em 1941, matou 850 pessoas.

Os edifícios dos blocos 4, 5, 6, 7 e 11 abrigam exposições emocionantes, com elementos originais ou parcialmente reconstruídos. A riquíssima coleção é formada de cômodos, móveis, fotografias, fotocópias, documentos, modelos, vestimentas, objetos, entre outros. A intensidade dos fatos exibidos parece não permitir ao visitante vislumbrar um instante isento de crueldade. A história é literalmente materializada quando se chega às salas onde estão os pertences apreendidos dos judeus. Os relatos, que até então sobrepuseram barbárie sobre barbárie, parecem ter sido incorporados em acessórios pessoais. Amontoados de calçados, de pares de óculos, de escovas de barbear e de engraxar, de muletas e de pernas mecânicas deixam os visitantes perplexos.

Objetos que pertenciam aos judeus, expostos no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Objetos que pertenciam aos judeus, expostos no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Sapatos que pertenciam aos judeus, expostos no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Sapatos que pertenciam aos judeus, expostos no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Objetos que pertenciam aos judeus, expostos no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Objetos que pertenciam aos judeus, expostos no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Os prisioneiros que chegavam a Auschwitz recebiam a instrução de identificar suas malas, iludidos pelos soldados da SS de que recuperariam seus pertences assim que fossem libertados. Mal sabiam essas vítimas de que tudo o que tinham logo seria apropriado pelos nazistas. No museu, a espera eterna daquelas bagagens vazias pelos seus donos é a mais perfeita simbologia de vidas extorquidas.

Malas que pertenciam aos judeus, expostas no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

Malas que pertenciam aos judeus, expostas no Auschwitz-Birkenau Memorial and Museum

É impossível olhar para cada objeto sem personificar um proprietário e imaginar a dimensão do seu sofrimento. Tal associação ganha força quando se passa pela enorme sala onde estão os emaranhados de cabelos humanos. Não é permitido fotografar o espaço. A foto abaixo foi retirada do site do museu.

Cabelos humanos. Foto: Paweł Sawicki. Disponível em http://auschwitz.org

Cabelos humanos. Foto: Paweł Sawicki. Disponível em http://auschwitz.org

No final da guerra, ao libertar os prisioneiros de Auschwitz, o exército soviético encontrou sete toneladas de cabelos empacotados em sacos de papel, que representavam apenas uma pequena fração dos cabelos que foram cortados dos judeus mortos na câmara de gás. O restante dos fios havia sido enviado para confecção de tecidos e produtos manufaturados como meias, mantas e redes de cabelo.

Deixamos Auschwitz I e retornamos ao micro-ônibus, que nos levou até Auschwitz II, 0 campo de extermínio do complexo. Também conhecido como Birkenau, ali foram executados mais de 1.000.000 de judeus e ciganos. Começou a ser construído em outubro de 1941, a fim de descongestionar Stammlager.

Entrada para Auschwitz II

Entrada para Auschwitz II

Trilho de trem próximo à entrada de Auschwitz II

Trilho de trem próximo à entrada de Auschwitz II

Torres de vigia, em Auschwitz II

Torres de vigia, em Auschwitz II

Cerca elétrica, em Auschwitz II

Cerca elétrica, em Auschwitz II

Para os nazistas, Auschwitz II era a “solução final para o problema judeu“. O trilho de trem que atravessa a entrada do campo direciona os visitantes até a réplica de um vagão que era utilizado para transportar as vítimas. O primeiro comboio chegou àquele campo em 1942, seguido de vários outros que desembarcavam diariamente trazendo judeus de quase toda a Europa.

Réplica de vagão utilizado para transportar judeus até Auschwitz II

Réplica de vagão utilizado para transportar judeus até Auschwitz II

As vítimas eram transportadas em condições sub-humanas, sem lugar para se assentar e sem comida. Havia um balde com água para saciar a sede e outro que servia como privada. Não sabiam sequer para onde estavam sendo levadas. A viagem poderia durar dias, e, no trajeto, muitos morriam doentes, com fome ou sufocados.

A réplica do vagão marca o ponto onde os judeus desembarcavam. Durante o Holocausto, era possível ver dali uma enorme coluna de fumaça que se propagava pelo céu de Birkenau, resultante da incineração dos corpos já executados nas câmaras de gás. Famintos, cansados e quase sem esperanças, muitos prisioneiros acreditavam que, em breve, tomariam um banho quente, receberiam roupas limpas e seriam alimentados com sopa, pão, café e água, conforme encorajavam os soldados da SS. A falsa promessa foi um recurso que os nazistas utilizavam para ter maior controle sobre a enorme multidão de judeus que chegava ao campo, evitando confusões, motins ou outra forma de insurreição.

Os prisioneiros eram forçados a deixar suas bagagens para trás. Em seguida, recebiam ordens para se enfileirar. Nesse momento, os nazistas faziam a seleção de quem iria direto para as câmaras de gás e de quem permaneceria vivo temporariamente. Mais de 80% eram enviados para execução, e a maioria dos que eram poupados da morte imediata padecia de exaustão pelo trabalho forçado, de fome ou de doença.

Do vagão, observamos um aglomerado de visitantes caminhando em direção às ruínas das câmaras de gás. Isso dava uma péssima impressão! O tempo encoberto impedia que víssemos o horizonte claramente, e aquelas pessoas rumando em direção de algo que não podia ser avistado era simplesmente macabro.

Visitantes seguem em direção às ruínas das câmaras de gás, em Auschwitz II

Visitantes seguem em direção às ruínas das câmaras de gás, em Auschwitz II

Após conhecermos as ruínas das câmaras de gás e dos crematórios, passamos pelos pavilhões de madeira em que estão os alojamentos e banheiros utilizados pelas vítimas. 

Alojamentos de Auschwitz II

Alojamentos de Auschwitz II

Dica balao 2

A excursão por Auschwitz havia chegado ao fim. Foi um dos passeios mais interessantes que já fiz na minha vida. Por seu uma atração lúgubre, muita gente prefere não fazê-lo, contudo é uma experiência e tanto! Para mais informações sobre o complexo, acesse auschwitz.org.

Retornamos ao micro-ônibus e rumamos para Wieliczka, cidade situada na área metropolitana de Cracóvia, onde está a Kopalnia Soli, uma das minas de sal mais antigas do mundo. Antes de conhecê-la, paramos para almoçar. Devoramos – literalmente, o tempo era curto – um delicioso peito de peru com cogumelos e batatas fritas. Estávamos cada vez mais certos de que o tempero polonês é um espetáculo.

Peito de peru com cogumelos e batatas fritas, servido em restaurante próximo a Wieliczka

Peito de peru com cogumelos e batatas fritas, servido em restaurante próximo a Wieliczka

Dica balao 2

O passeio pelas minas de sal é feito em grupos orientados por um guia. Segundo o site da instituição, não há necessidade de se fazerem reservas, e o visitante não espera mais do que uma hora até a próxima partida. As excursões em inglês acontecem de outubro a maio, das 9h às 17h, com partidas a cada 30 minutos entre as 10h e as 13h e a cada 60 minutos nos horários restantes. De junho a setembro, acontecem das 8h30 às 18h, com partidas a cada 30 minutos. Aos que preferem passeios em espanhol, os horários são bem restritos. As excursões ocorrem às 16h20 nos meses de abril, maio e outubro e às 11h20 e 16h20 entre junho e setembro. Para se informar sobre passeios em outros idiomas (não há língua portuguesa), clique aqui.

Poço Daniłowicz, entrada das minas de sal de Wieliczka

Poço Daniłowicz, entrada das minas de sal de Wieliczka

Começamos o passeio, que teve início no Poço Daniłowicz. Eu esperava por um megaelevador que nos levasse às profundezas daquele lugar. Assim que a porta da entrada se abriu, nada de elevador. Iniciamos a descida por salgados – aplique aqui o sentido que preferir – 800 degraus. Eu não sabia o que era pior: o movimento de flexionar os joelhos ou ficar rodando em espiral. Pelo menos consumimos as calorias da refeição ingerida momentos antes. Se eu soubesse, teria bebido uma cerveja também.

Assim que chegamos ao final da escadaria, começou a compensação pelo esforço. Pouquíssimas coisas nas minas não são feitas de sal. Quase tudo é cloreto de sódio na sua forma mais magnífica.

Estátua do Rei Casimiro, o Grande esculpida em sal, mas minas de sal de Wieliczka

Estátua do Rei Casimiro, o Grande esculpida em sal, mas minas de sal de Wieliczka

Gnomos esculpidos em sal, nas minas de sal de Wieliczka

Gnomos esculpidos em sal, nas minas de sal de Wieliczka

Num percurso de quase três quilômetros, passamos por câmaras enormes, estátuas sensacionais, lagos hipnotizantes e capelas lindíssimas, além de algumas exposições, tudo cavado e esculpido em sal. Dava vontade de lamber cada canto para conferir se o que via não era outra coisa, senão sal. Confesso, fiz isso. Era sal.

Minas de sal de Wieliczka

Minas de sal de Wieliczka

A maldita escadaria inicial foi só uma parte da descida. Passamos por outros 350 degraus durante o percurso até atingirmos 135 metros de profundidade. Felizmente, não havia a sensação de abafamento ou clausura. Os espaços são amplos e bem iluminados, e como o sal é um excelente bactericida, o ar das minas é extremamente puro e inodoro.

As minas de sal de Wieliczka iniciaram suas atividades no século 13. Desde então, dezenas de gerações vêm trabalhando pesado na produção de sal de mesa. Em 1978, o lugar foi inserido na lista de Patrimônios da Humanidade da UNESCO.

A parte mais fascinante do passeio é a Capela de Santa Cunegunda, localizada a 101 metros de profundidade. Beatas, noivas e demais visitantes vão à loucura naquele espaço religioso de puro sal. Há uma bela série de obras de arte esculpidas por mineiros e artistas locais, além de lustres majestosos feitos de rochas de sal que foram dissolvidas e reconstituídas para adquirir uma aparência cristalina.

Capela de Santa Cunegunda, nas minas de sal de Wieliczka

Capela de Santa Cunegunda, nas minas de sal de Wieliczka

Capela de Santa Cunegunda, nas minas de sal de Wieliczka

Capela de Santa Cunegunda, nas minas de sal de Wieliczka

Compramos alguns produtos na loja de souvenirs e seguimos para o final do passeio. Obviamente, fiz à guia a pergunta que não queria calar: “Moça, teremos que subir toda aquela escadaria de volta?!”. Ela respondeu “Não se preocupe, o retorno é de elevador”. Acho que ela tem joelhos e quadris de titânio, pois faz o trajeto várias vezes ao dia. Neste momento, você deve estar questionando sobre acessibilidade e diretrizes para pessoas com deficiências cardíacas ou respiratórias. Em relação aos cadeirantes, o site das minas diz que há uma rota adaptada, mas é recomendado que se faça uma reserva para tanto. Talvez essa mesma rota seja sugeria às pessoas com doenças cardíacas e respiratórias, não sei ao certo.

Dica balao 2

Há outras recomendações importantes. A temperatura nas minas pode variar entre 4º e 16º C, portanto aconselha-se que se levem agasalhos. Tendo em vista as árduas escadarias, é sugerido o uso de calçados confortáveis, mesmo porque o percurso é longo. E se você tem uma bexiga tão pequena quanto a minha, controle a ingestão de líquidos, pois as instalações sanitárias encontram-se a 40 e 90 minutos após a partida. Por fim, deve-se pagar uma permissão para se tirar fotografias. Acho esse tipo de obrigação um oportunismo absurdo, uma vez que seu valor poderia estar incluído no ingresso. De qualquer forma, não deixe de adquirir a autorização. Custa pouco e seria um pecado não registrar as belezas do local. Para essas e outras informações como horários, tarifas, instalações e rotas turísticas, acesse www.wieliczka-saltmine.com.

Como diriam os mineiros, era hora de voltar ao mundo. Pegamos um elevador estranhíssimo e chegamos sãos, salvos e encantados à superfície.

O motorista do micro-ônibus perguntou aos passageiros onde desejariam descer em Cracóvia. Não pretendíamos voltar ao hotel, e como havíamos planejado uma esticada noite afora pelo distrito judaico de Kazimierz, precisamente na Praça Nova (Plac Nowy), solicitamos ao rapaz que nos deixasse lá.

Costumo dizer que se o bairro é judaico, a vida noturna é ótima, e isso vem sendo confirmado a cada viagem que faço pela Europa. São regiões com estabelecimentos bem administrados, de vida cultural efervescente e clima extremamente amistoso. Assim é Kazimierz. Honestamente, deveríamos ter ido lá nas noites anteriores. O bairro é sensacional! Concentramos a beberrança na Praça Nova, o coração boêmio (mas o fígado…) da região. Lá, há diversos lugares para se beber, comer e ver gente bonita passando. Por acaso, já falei do tanto que as mulheres polonesas são bonitas? Elas aparecem em filas!

Bar Baroque, em Kazimierz

Bar Baroque, em Kazimierz

Fizemos um pub-crawl mais brando. Sentávamos em determinado um bar, tomávamos uma ou duas e pulávamos para o estabelecimento ao lado. Era tudo muito barato! Eu bebia coquetéis bem sofisticados a preços de banana. Aproveito e mando um recado para os bartenders, mixologistas e beberrões em geral: Cracóvia possui uma cultura bem desenvolvida na arte da coquetelaria. As bebidas são muito bem preparadas, decoradas com maestria e, como não poderiam deixar de ser, deliciosas. Também, com vodcas como as polonesas, até uma freira saberia preparar bons drinques. O Élcio focou nos vinhos e nas cervejas, que também custavam pouco.

Bar Kochanka, em Kazimierz

Bar Kochanka, em Kazimierz

Já devo ter mencionado neste blog que não tenho muita educação para comer. Meus pais até tentaram me ensinar bons modos, mas sem muito sucesso. Enquanto tem tira-gosto na mesa, vou traçando. Eu já havia comido um bocado nos bares de Kazimierz, mas ainda havia espaço para aquele sanduíche de fim de noite. Existe um mercado no meio da Praça Nova que funciona durante o dia, mas que à noite se encerra e cede lugar à boemia. Algumas lojas ainda estavam abertas. Duas delas vendiam a típica zapiekanka, uma espécie de pizza-baguete coberta com queijo, cogumelos e ingredientes diversos. Conforme dizem, ir a Cracóvia sem comer uma zapiekanka é como ir a Roma e não comer uma pizza ou ir a Dublin e não tomar uma cerveja. Então cumpri meu papel de turista glutão e preenchi o espaço restante no estômago com essa delícia de rua polonesa. Pedi um chłopska (queijo, cogumelo, bacon e ameixa defumada) e o Élcio z salami (queijo, cogumelo e salame).

Devorando um zapiekanki, na Praça Nova (via Instagram)

Devorando uma zapiekanka, na Praça Nova (via Instagram)

A área estomacal destinada a comidas chegou ao limite, mas havia seções reservadas para mais um pouco de diversão na Praça Nova. Já bem saciados, retornamos caminhando até o hotel, que não ficava muito longe dali. Fim de noite perfeito!

QUARTO DIA – Quinta-feira, 12/2/2015

Distrito de Podgórze, Monte Krakus, antiga fábrica de Oskar Schindler, Gueto de Cracóvia, Praça dos Heróis do Gueto, Farmácia da Águia, fragmento da muralha do Gueto de Cracóvia, Rio Vístula, distrito de Kazimierz, Velha Sinagoga, Cemitério de Remuh, Sinagoga de Remuh, Basílica de Corpus Christi, noite em Kazimierz

Quinta-feira de sol e neve em Cracóvia

Quinta-feira de sol e neve em Cracóvia

Ah… Já nos encontrávamos apaixonados por Cracóvia! De ressaca? Claro que não! Estávamos prontos para mais uma jornada de longas caminhadas e muita história. E o céu estava lindo! A frieza alvacenta dos dias anteriores transformou-se num azul profundo e límpido. Acordamos – não tão cedo – e seguimos para o Monte Krakus (Kopiec Krakusa), que se acredita ser o túmulo do legendário Rei Krakus, fundador da cidade.

Monte Krakus

Monte Krakus

Dica balao 2

O monte situa-se na no distrito de Podgórze. Para chegar lá, pegamos o tram 3 e descemos no ponto Cmentarz Podgórski, que fica na Av. Wieliczka. Subimos um pequeno trecho da Rua Wapienna, viramos à direita na Pod Kopcem e seguimos ladeando o cemitério judaico até o local.

A origem do monte é desconhecida. Escavações feitas na década de 1930 revelaram que é sustentado por uma estrutura sólida de madeira. Dentro, foram encontrados alguns objetos dos séculos 8 e 10, mas nada de restos humanos, eliminando, em parte, a possibilidade de ser um túmulo. Sendo ou não o local de repouso eterno do mítico rei, o Monte Krakus é maravilhoso!

Monte Krakus

Monte Krakus

Subi até o topo, de onde se tem uma vista fenomenal de um lado de Cracóvia. O outro lado mostra uma paisagem decadente, com destaque para as enormes chaminés da Elektrociepłownia Kraków, companhia elétrica polonesa.

Cracóvia vista da base do Monte Krakus

Cracóvia vista da base do Monte Krakus

Cracóvia vista da base do Monte Krakus. Destaque para as chaminés da Elektrociepłownia Kraków

Cracóvia vista da base do Monte Krakus. Destaque para as chaminés da Elektrociepłownia Kraków

Deixamos o monte e viramos à esquerda na Av. Wieliczka. Caminhamos alguns metros e entramos na via Jana Tarnowskiego. Viramos à esquerda na Hetmańska, à direita na Jana Henryka Dąbrowskiego e novamente à esquerda na Tadeusza Romanowicza. A poucos metros dali, na Rua Lipowa, está uma das atrações imperdíveis de Cracóvia: o prédio da antiga fábrica de Oskar Schindler.

Prédio da antiga fábrica de Oskar Schindler

Prédio da antiga fábrica de Oskar Schindler

Hoje, o edifício abriga o Museu Histórico de Cracóvia – Fábrica de Oskar Schindler (Muzeum Historyczne Miasta Krakowa – Fabryka Emalia Oskara Schindlera). Entre outros fatos que marcaram a Polônia durante a Segunda Guerra Mundial, o museu expõe, em documentos, objetos, cômodos e móveis, a história de Oskar Schindler, membro do Partido Nazista que evitou a morte de 1.200 judeus. Em 1939, quando adquiriu a fábrica, ele empregava 1.750 poloneses na produção de utensílios de cozinha. À medida em que fazia fortuna, tornava-se cada vez mais sensibilizado com as atrocidades praticadas contra a comunidade judaica. Decidiu então empregar mais de mil judeus como forma de poupá-los dos campos de concentração e da morte. Ao final da guerra, já havia gastado toda a sua riqueza subornando oficiais nazistas para garantir a segurança dos seus empregados.

Vitrine de panelas em exposição na Fábrica de Oskar Schindler

Vitrine de panelas em exposição na Fábrica de Oskar Schindler

Fábrica de Oskar Schindler

Exposição da Fábrica de Oskar Schindler

Exposição da Fábrica de Oskar Schindler

Exposição da Fábrica de Oskar Schindler

Dica balao 2

Se você for a Cracóvia, não deixe de visitar a antiga fábrica de Schindler. Entre abril e outubro, funciona das 10h às 16h nas segundas e das 9h às 20h de terça a domingo. Na primeira segunda-feira de cada um desses meses, encerra suas atividades às 14h. De novembro a março, abre das 10h às 14h nas segundas e das 10h às 18h de terça a domingo. A última entrada é feita 90 minutos antes do fechamento. Em altas temporadas, devido ao grande número de visitantes, aconselha-se fazer reserva em www.bilety.mhk.pl. Para mais informações, clique aqui. E caso ainda não tenha assistido ao filme A Lista de Schindler, antes de partir para a Polônia, veja-o e torne sua visita à antiga fábrica ainda mais emocionante.

Do museu, caminhamos alguns quarteirões até a Praça dos Heróis do Gueto (Plac Bohaterów Getta), anteriormente conhecida como Praça da Concórdia (Plac Zgody). Situa-se dentro do antigo Gueto de Cracóvia, uma área delimitada pelo governo alemão em 1941 para aprisionar os judeus que não foram enviados aos campos de concentração. Foram confinadas quase 20.000 pessoas, separadas do outro lado por arames e muros de pedra. Entre os dias 1º e 8 de junho de 1942 e em 28 de outubro do mesmo ano, houve deportações em massa de judeus do gueto para o campo de extermínio de Bełżec, diminuindo o contingente populacional consideravelmente. A partir de então, a área foi dividida nas seções A e B, que abrigavam, respectivamente, judeus empregados e desempregados. Em 13 de março de 1943, os nazistas liquidaram a área. Os habitantes da seção A foram enviados ao campo de Płaszów para trabalho forçado, e os da seção B, em sua maioria mulheres, crianças e idosos, foram deportados para os campos de Auschwitz.

Praça dos Heróis do Gueto

Praça dos Heróis do Gueto

A Praça dos Heróis do Gueto foi o ponto de embarque de judeus para os campos de trabalho forçado e de extermínio. As várias cadeiras em bronze espalhadas pelo local representam mil judeus cada uma, lembrando, também, os pertences descartados por aqueles que dali partiram.

No número 18 da praça, está a antiga Farmácia da Águia (Apteka pod Orłem), do heróico Tadeusz Pankiewicz, um polonês católico. Antes da ocupação alemã, havia, na região, quatro farmácias pertencentes a não judeus, que foram autorizados pelos nazistas a deslocarem seus negócios para o lado “ariano” de Cracóvia. Pakiewicz foi o único a recusar a oferta dos alemães. Ele e seus funcionários tinham permissão para entrar e sair do gueto para trabalhar.

Exposição da Farmácia da Águia

Exposição da Farmácia da Águia

Mesmo escassos, os medicamentos e produtos farmacêuticos da Apteka pod Orłem eram fornecidos aos judeus, muitas vezes gratuitamente, ajudando a melhorar a qualidade de vida no gueto. Além de cuidar da saúde da comunidade judaica, Pankiewicz costumava aplicar tinturas de cabelo nos residentes para disfarçar suas identidades. Durante os ataques da Gestapo, dava tranquilizantes às crianças para que mantivessem o silêncio. Junto a seus funcionários, correu grandes riscos realizando inúmeras operações clandestinas como contrabando de alimentos e de informação e oferecendo abrigo no local aos judeus prestes a serem deportados para os campos de concentração.

Dica balao 2

Hoje, a farmácia abriga o Museu Histórico de Cracóvia – Farmácia da Águia (Muzeum Historycznego Miasta Krakowa – Apteka pod Orłem), que expõe a atuação de Pakiewicz e de sua equipe durante os tempos de guerra, numa exibição da história do Gueto de Cracóvia. Abre diariamente. Nas segundas, a entrada é gratuita, e o museu funciona das 10h às 14h. De terça a domingo, funciona das 9h às 17h. Encontra-se fechado na segunda terça-feira de cada mês. Clique aqui para mais informações.

Ali perto, no número 29 da Rua Lwowska, está um pequeno fragmento da muralha que delimitava o gueto.

Fragmento da muralha do Gueto Judaico de Cracóvia, na Rua Lwowska

Fragmento da muralha do Gueto de Cracóvia, na Rua Lwowska

Foi a última atração que visitamos no distrito de Podgórze. De lá, atravessamos o Rio Vístula até o distrito de Kazimierz, onde estivemos na noite anterior. 

Rio Vístula

Rio Vístula

Primeiro, passamos pela Velha Sinagoga (Synagoga Stara), construída em 1570.

Velha Sinagoga

Velha Sinagoga

Seu edifício foi severamente devastado durante a Segunda Guerra Mundial. Os alemães saquearam relíquias e obras de arte. Foi renovado entre 1956 e 1959 e atualmente abriga um museu voltado aos judeus de Cracóvia. Infelizmente, não sei por qual motivo, encontrava-se fechado na temporada de janeiro a março, portanto não pudemos conhecê-lo.

Dica balao 2

A Velha Sinagoga de Cracóvia abre diariamente. Entre novembro e março, funciona das 10h às 14h nas segundas, das 9h às 16h nas terças, quartas, quintas, sábados e domingos e das 10h às 17h nas sextas. Entre abril e outubro, funciona das 10h às 14h nas segundas e das 9h às 17h nos dias restantes. Fica na Rua Szeroka, 24. Para mais informações, clique aqui.

Da sinagoga, seguimos para outra atração judaica, o Cemitério de Remuh (Cmentarz Remuh), também conhecido como Cemitério Velho de Cracóvia. Durante a ocupação alemã, os nazistas o destruíram e retiraram suas lápides para vendê-las ou utilizá-las como pavimentação nos campos de concentração. Não sei qual o propósito deste uso, se foi uma questão meramente funcional – da lógica nazista – ou um escárnio infinitamente cruel e doentio. Pensando bem, funcional, não foi, pois seria bem mais fácil retirar partes de outras construções não sagradas localizadas próximas aos campos. No filme A Lista de Schindler, algumas das cenas ambientadas em Płaszów mostram essas lápides.

Cemitério de Remuh

Cemitério de Remuh

Após a guerra, o cemitério passou por várias restaurações, e algumas das lápides foram trazidas de volta e reerguidas. Uma das poucas que se mantiveram intactas foi a do Rabino Moses Isserles, falecido em 1572.

Cemitério de Remuh

Cemitério de Remuh

Dica balao 2

O Cemitério de Remuh localiza-se no número 40 da Rua Szeroka. As visitas podem ser feitas de domingo a quinta, das 10h às 18h, e às sextas, das 10h às 14h. Encontra-se fechado aos sábados.

Rente ao cemitério está a Sinagoga de Remuh (Synagoga Remuh), uma das duas sinagogas em funcionamento em Cracóvia. Foi construída em 1557, tendo passado por várias modificações nos séculos 17 e 18. Durante o Holocausto, o pequeno edifício foi ocupado pelos alemães, que o utilizaram como escritório de agente fiduciário (Treuhandstelle), além de armazém de armas de fogo. Felizmente, a sinagoga não foi destruída, e uma grande reforma ocorrida em 1957 trouxe de volta boa parte de sua aparência pré-guerra.

Teto da Sinagoga de Remuh

Teto da Sinagoga de Remuh

Rua Szeroka

Rua Szeroka

Rua Szeroka

Rua Szeroka

Já eram quase 15h e estávamos rachando de fome. Ali na Szeroka, havia uma série de restaurantes bem tentadores. Enquanto procurávamos por um lugar para encher as panças, uma moça linda e supergentil nos convidou para conhecer o cardápio do Awiw. Sem motivos para recusar a oferta, sentamos à mesa do restaurante. Fiz uma ótima escolha ao pedir um prato de pierogi, que são pastéis cozidos típicos da Polônia. Optei pelos recheados com frango, espinafre, muçarela e molho de alho (pierogi szpinak-kurczak i mozzarellą z sosem czosnkowym). O menu oferece uma grande variação de recheios como boi, pato, cordeiro, vitelo, queijo feta, cogumelos, entre outros ingredientes.

Pierogi recheados com frango, espinafre, muçarela e molho de alho

Pierogi servidos no Awiw

Já o Élcio se esbaldou num bem ornamentado joelho de cordeiro (giczka jagnięca), servido com batatas assadas e salada de cenoura e brócolis.

Joelho de cordeiro servido no Awiw

Joelho de cordeiro servido no Awiw

Refeições tão fabulosas deveriam custar caro, mas, no Awiw, pagamos um valor muito justo. E se você pensa que somos turistas de escolher lugares refinados para comer, está completamente enganado. Desde que o estabelecimento seja limpo e o tempero delicioso, qualquer espelunca nos serve. Contudo, em Cracóvia, os preços são bem baixos, então nos dávamos o direito de uma refeição do tipo gourmet ao menos uma vez por dia.

Deixamos o restaurante e seguimos nosso passeio pela região. Conforme mencionei no relato da noite anterior, a vida cultural efervescente e o clima amistoso são preciosidades características das comunidades judaicas. Ali em Kazimierz, isso era comprovado a cada esquina. Naquela tarde, não havia eventos específicos ou movimento grande de pessoas, porém era possível entrever uma qualidade de vida invejável, além de ótimas opções de entretenimento. Passamos por oficinas de artesanato, galerias de arte, pubs, bares, boates, cafeterias, casas de chá descoladas e áreas destinadas à comida de rua.

Área destinada a food trucks, na via Świętego Wawrzyńca, em Kazimiers

Área destinada a food trucks, na via Świętego Wawrzyńca, em Kazimierz

Parede exterior de uma oficina de cerâmica da Rua Bartosza, em Kazimiers

Parede exterior de uma oficina de cerâmica da Rua Bartosza, em Kazimierz

Kazimierz

Kazimierz

Kazimierz (via Instagram)

Kazimierz (via Instagram)

Fomos à espetacular Basílica de Corpus Christi (Bazylika Bożego Ciała), uma igreja no estilo gótico fundada em 1335 pelo Rei Casimiro, o Grande. Sua construção se estendeu pelas décadas seguintes, sendo concluída em meados do século 15.

Basílica de Corpus Christi

Basílica de Corpus Christi

A arquitetura gótica do interior da basílica prevaleceu até 1655, quando os soldados suecos, durante a Segunda Guerra do Norte, invadiram, saquearam e destruíram a igreja. A partir de então, foi reformada e adquiriu características barrocas, que podem ser percebidas no esplendor do altar, no órgão e no púlpito em formato de barco.

Interior da Basílica de Corpus Christi

Interior da Basílica de Corpus Christi

Dica balao 2

A Basílica de Corpus Christi abre diariamente. Aos domingos, funciona das 6h30 às 20h. Neste período, não são permitidas visitas turísticas durante as missas, que ocorrem às 6h30, 8h, 9h30, 11h, 12h15, 16h e 19h. Nos outros dias da semana, funciona das 8h30 às 12h e das 13h às 19h, com missas às 6h30, 8h, 12h e 19h. A entrada é gratuita e podem-se tirar fotografias.

Próximo à basílica, nas esquina das ruas Bożego Ciała e Józefa, fizemos uma pausa para um café. A vitrine da loja, repleta de doces, bolos e outras delícias, laçava quem passasse por ali. Na verdade, deixei de ser um afeiçoado extremo por doces há algum tempo, e o Élcio nunca o foi. Mas era tudo tão bem decorado, tão colorido e tão polonês, que valia a pena arriscar uma guloseima para acompanhar o espresso. Não me lembro exatamente dos sabores das tortas que pedimos, eram iguarias feitas de maracujá, frutas cristalizadas ou algo do tipo. O importante é que estavam sensacionais!

Torta servida em estabelecimento de Kazimiers

Torta servida em estabelecimento de Kazimierz

Torta servida em estabelecimento de Kazimiers

Torta servida em estabelecimento de Kazimierz

Segundo o Élcio, os confeitos poloneses não são tão doces, o que é perfeito para ele. Se meu amigo que tem aversão a coisas açucaradas gostou, está aprovado.

Estávamos batendo perna desde o Monte Krakus, e assim prosseguimos até o hotel. Nossos heroicos quadris, joelhos e panturrilhas mereciam um descanso.

Dica balao 2

Por falar em batidas de perna, Cracóvia é muito pequena e seus principais pontos turísticos encontram-se bem próximos uns dos outros, possibilitando caminhadas mais curtas. Obviamente, há atrações mais distantes, além da possibilidade do visitante ter dificuldade de locomoção ou mesmo detestar andar a pé. Aí, não tem outra alternativa, senão fazer uso de táxis ou do transporte público, que é servido, basicamente, por tram e ônibus (não existe metrô em Cracóvia). São várias linhas cruzando a cidade, o que pode, muitas vezes, confundir o turista. Dessa forma, o uso de aplicativos de transporte público é uma boa opção, além, é claro, de mapas e do bom e antigo hábito de perguntar. Para baixar alguns dos mapas do transporte público da cidade, clique aqui. Outra alternativa são os ônibus do tipo hop on hop off das empresas Wow Krakow! e City Sightseeing, que têm paradas nas principais atrações. Por fim, se preferir algo mais pitoresco, faça turismo em um dos carros elétricos espalhados pela cidade, que também vão aos lugares mais procurados. As empresas Be Krakow, Cracow Planet, Prime Tours Krakow e See Krakow são uma das várias que oferecem esse serviço.

Carro elétrico para passeios turísticos

Carro elétrico para passeios turísticos

Um pouco mais tarde, lá estávamos novamente em Kazimierz. Entre os vários estabelecimentos gastronômicos do bairro, existem algumas casas de chá. Não somos fãs dessa bebida, mas os fregueses de uma loja na esquina das ruas Brzozowa e Miodowa tomavam seu chá tão descontraidamente que dava vontade de fazer parte daquele ritual pré-night. “Topa um chá?”, convidou o Élcio. Demorei alguns segundos e respondi “Por que não?! Vai que faz bem para o fígado…”.

Casa de chá de Kazimierz

Casa de chá em Kazimierz

Se o chá regulou nossas funções hepáticas, não sei, mas deu uma boa aquecida nos músculos e juntas. Estávamos prontos para mais uma noite divertida na Praça Nova. Repetimos alguns bares frequentados na noite anterior, pois mereciam uma atenção especial. Destes, destaco o Pijalnia Wódki i Piwa, um bar temático que remonta ao comunismo soviético, localizado no número 7 da praça. Se não me engano, é uma franquia, pois existem mais dois estabelecimentos iguais na cidade, inclusive em Varsóvia. Lá, vendem-se shots variados de vodca, um tipo de cerveja da marca Warka, um tipo de vinho, refrigerantes, chá e café, além de tira-gostos simples como arenque ao óleo (śledzie w oleju), salsichas frankfurter (serdelek), batatas com queijo cottage (gzik), patê de sardinha com requeijão (awanturka) e carne de porco confitada (zimne nóżki). O serviço é muito rápido. Todas as bebidas custavam 4 zł (złoty), que valiam, na época, por volta de 1 €. Já os petiscos custavam 8 zł. Baratíssimo! Viva Cracóvia!

Pijalnia Wódki i Piwa, em Kazimierz

Pijalnia Wódki i Piwa, em Kazimierz

Se eu fosse polonês, pulverizaria tudo o que me lembrasse o comunismo. Os anos que se seguiram ao término da Segunda Guerra Mundial foram um dos piores da história nacional. Se você perguntar a um polonês o que ele acha dos alemães – o Élcio fez isso –, provavelmente responderá que não guarda rancor, afinal não tinham ou têm culpa das atrocidades cometidas pelo ex-líder lunático. Em contrapartida, o cidadão possivelmente dirá que teme mais aos russos. De qualquer forma, deixemos o Pijalnia como está. Digamos que sua decoração temática seja uma homenagem invertida e debochada a Lenin e Stalin. Que o capeta os tenha.

QUINTO E ÚLTIMO DIA – Sexta-feira, 13/2/2015

Monte Kościuszko, Museu Ulica Pomorska, retorno à Cidade Velha, noite em Kazimierz

Mais uma manhã ensolarada! Encerraríamos a estadia em Cracóvia debaixo de céus azuis. No último dia na cidade, acordamos um pouco mais tarde e seguimos para o Monte Kościuszko (Kopiec Kościuszki), construído em 1823 pelos cidadãos poloneses para homenagear o herói Tadeu Kosciusko, general e líder da revolta contra a Rússia, ocorrida em 1794.

Monte Kościuszko

Monte Kościuszko

O Kościuszko, que se situa na colina Sikornik, oferece um panorama bem legal. A vista estratégica para a cidade motivou os austríacos a erguerem, entre 1850 e 1856, uma fortaleza de tijolos ao redor do monte. Logo após a Segunda Guerra Mundial, parte da fortificação foi demolida.

Monte Kościuszko

Monte Kościuszko

Monte Kościuszko

Monte Kościuszko

Monte Kościuszko

Monte Kościuszko

Dica balao 2

O bilhete para o Kościuszko dá direito às exposições permanentes e temporárias, situadas no interior da fortaleza. O monte fica aberto das 9h até o por do sol (assim diz o site). Entre 1º de maio e 31 de setembro, de sexta a domingo e nos feriados, pode ser visitado até as 23h, no entanto as exposições fecham ao entardecer. Cartões de crédito não são aceitos, somente dinheiro. Para chegar lá, pegamos o tram 52 (sentido Czerwone Maki) e descemos dois pontos após o Rio Vístula, na Av. Monte Cassino. No mesmo lugar, embarcamos no ônibus 101 e descemos no ponto final. O ônibus 100, que tem parada na estação Salwator, também vai até o monte. O bilhete de transporte adquirido foi o do tipo “zones I + II suburban services”. Para mais informações sobre o Monte Kościuszko, acesse kopieckosciuszki.pl/ne.

O retorno é que foi fod@#$&! Um frio do cão, eu louco para ir ao banheiro e a carruagem nada de chegar. Os ônibus não estavam atrasados, os horários é que eram péssimos. A cada cinco minutos trançando as pernas, eu matutava se realmente valeu a pena ter ido ao Kościuszko. O busão demorava tanto que, se tivéssemos voltado a pé, teríamos chegado antes ao local pretendido, segundo previsão otimista do Google.

Depois de três séculos, chega o ônibus 100. Descemos no ponto Salwator, na Av. Tadeusza Kościuszki, a poucos metros do riacho Rudawa. De lá, iríamos ao Museu Nacional (Muzeum Narodowe w Krakowie) e ao Museu de Vitrais (Muzeum Witrażu). Contudo, preferimos dispensar arte para sorver mais história, então decidimos ir direto ao Ulica Pomorska, museu que abriga a exposição Povo de Cracóvia em tempos de terror 1939-1945-1956 (Krakowianie wobec terroru 1939–1945–1956). Estávamos bem longe de lá, mas não foi difícil chegar ao local. Sugeridos por uma polonesa muito gentil – eu já estava achando isso redundante – e bonita – pleonasmo –, cruzamos a ponte sobre o Rudawa e caminhamos pela Rua Kasztelańska até a Av. Focha, onde viramos à direita e pegamos o ônibus 292 no ponto Instytut Reumatologii, desembarcando em Plac Inwalidów.

Parque Jordana, às margens da Av. Focha

Parque Jordana, às margens da Av. Focha

O número 2 da Rua Pomorska foi o quartel general da Gestapo. A exibição Povo de Cracóvia em tempos de terror 1939-1945-1956 trata da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial e da luta dos cidadãos contra o poder sobre eles imposto no período de 1945 a 1956.

Exibição Povo de Cracóvia em tempos de terror 1939-1945-1956, no museu Ulica Pomorska

Exibição Povo de Cracóvia em tempos de terror 1939-1945-1956, no museu Ulica Pomorska

Exibição Povo de Cracóvia em tempos de terror 1939-1945-1956, no museu Ulica Pomorska

Exibição Povo de Cracóvia em tempos de terror 1939-1945-1956, no museu Ulica Pomorska

O museu é pequeno, mas bem interessante. Expõe documentos, fotos, objetos, móveis, entre outros. Também abriga celas onde vários cidadãos de Cracóvia foram presos, torturados e assassinados. É uma síntese da atuação perversa do Nazismo e do Comunismo. Pela localização, não o considero atração imperdível, mas valeu a visita. Honestamente, arrependo-me um pouco por ter dispensado os outros dois museus – tínhamos tempo de sobra naquela sexta-feira –, que são bem mais notáveis do que o Ulica Pomorska.

Deixamos a exposição famintos! Rodávamos pela região atrás de um restaurante, mas não encontrávamos nada. A fome era tanta que cometeríamos o pecado de abrir mão da suculenta culinária nativa para entrar num McDonad’s, Subway, Pizza Hut, Burger King, restaurante chinês, carrinho de cachorro-quente ou qualquer outra espelunca que consumasse o sacrilégio. Em situações como essa, meu humor vai de mil a zero em poucos minutos. Quando a fome se junta à vontade enlouquecida de comer e à sensação de desperdício de tempo procurando por algo que deveria estar logo ao lado, torno-me um colega de viagem parcialmente insuportável. Pobre Élcio… Aliás, pobre nada! Ele também estava varado atrás de um prato de comida, tão mal-humorado quanto eu. Finalmente, depois de muita sola de sapato despendida, eis que, no número 11 da Józefitów, rua paralela à Pomorska, achamos um restaurante. Tão perto assim! Provavelmente, a fome comprometia nossas habilidades de caça. O lugar chamava-se Pod Pretekstem. A monotonia da fachada me dava uma sensação estranha, mas não pior do que a voracidade do meu apetite. Ainda no lado de fora, eu tinha a impressão de que seria atendido por uma matrona polonesa do tipo “buço a fazer”, que me serviria uma carne fria e borrachuda, acompanhada de farináceos com gosto de prateleira. De sobremesa, ela me entornaria um café de cereais frio na perna. Entramos, sentamos à mesa e comemos. O rango estava sensacional! O lugar era decerto estranho, e sua decadência lembrava um estabelecimento comunista. Essa impressão foi até interessante, que encarei como uma ambientação temática. A matrona?! Era uma espetacular jovem polonesa. Nada cansa a beleza das raparigas de lá.

Satisfeitos, deixamos o Pod Pretekstem e seguimos para o Centro Histórico. O sol ainda brilhava, então aproveitamos para ver a beleza aqruitetônica da Praça Principal do Mercado sem neve.

Parque Planty. Igreja de Santa Ana ao fundo

Parque Planty. Igreja de Santa Ana ao fundo

Praça do Mercado

Praça Principal do Mercado. Destaque para o Sukiennice

Praça do Mercado

Praça Principal do Mercado. Destaque para a Igreja de Santa Maria

Praça do Mercado (via Instagram)

Praça Pricnipal do Mercado (via Instagram)

Praça do Mercado. Destaque para a torre do relógio da antiga prefeitura

Praça Principal do Mercado. Destaque para a torre do relógio da antiga prefeitura

Na praça, como já de costume, sentamos em um café, comemos uma torta, esgotamos o wi-fi atualizando os diálogos via redes sociais e recarregamos os telefones. De lá, passamos novamente na Rua Floriańska – tive que comprar um tênis que vinha namorando desde o primeiro dia na cidade –, cruzamos o Portão de São Floriano e fomos até o Barbacã de Cracóvia.

Rua Floriańska. Portão de São Floriano ao fundo

Rua Floriańska. Portão de São Floriano ao fundo

Rua Floriańska. Igreja de Santa Maria ao fundo

Rua Floriańska. Igreja de Santa Maria ao fundo

Rua Floriańska. Igreja de Santa Maria ao fundo

Rua Floriańska. Igreja de Santa Maria ao fundo

Barbacã de Cracóvia

Barbacã de Cracóvia

Do barbacã, passamos diante do Teatro Juliusz Słowacki e voltamos ao hotel para a triste tarefa de arrumar as malas, pois, no dia seguinte, partiríamos para Varsóvia.

Teatro Juliusz Słowacki

Teatro Juliusz Słowacki

Para nos despedir de Cracóvia, retornamos a Kazimierz, é claro! Permitimo-nos grandes quantidades de bebidas e petiscos, além de diálogos com os poloneses sobre as novelas brasileiras. Eu as detesto, a última que assisti foi Vale Tudo, mas descobrir num boteco que o sucesso intercontinental de Lucélia Santos não abrange somente a China, mas também a Polônia, foi muito especial. Enquanto a conversa tomava rumo, a proprietária sexagenária dividia shots de vodca com os clientes, que, mais do que nós tabajaras, demonstravam conhecimento da teledramaturgia brasileira e de seus atores. Arremataram sua extensão cultural citando grandes nomes da nossa música, dos antigos aos contemporâneos.

Em Kazimierz

Em Kazimierz

Cracóvia é uma cidade espetacular! Não é uma metrópole europeia das mais badaladas, mas possui peculiaridades que nenhum outro lugar poderia adquirir nem mesmo em 500 anos. Seu povo é cordial, sua cultura é rica, suas ruas são limpas e pacíficas. Nos olhares, não há muita alegria, mas é transmitido um sentimento de dignidade e humanismo muito forte. Uma pena o destino ter lhe reservado longos anos de tragédias e incertezas, mas seus dias estão cada vez mais belos. Embora seu futuro seja promissor, parece erguer-se com feridas ainda em cicatrização. Com efeito, haverá sequelas, mas que serão só sequelas. Amo sua história, mas completamente livre de pensamentos mórbidos ou curiosos. Admiro sua luta, sua resistência e suas vitórias. Por tudo isso, é um dos lugares mais especiais do planeta. Deixar de conhecê-la por medo de sentir o peso dos fatos é uma grande bobagem. Cracóvia surge forte e à espera do mundo para compartilhar os encantos que lhe renderam o título de Capital Cultural da Polônia.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

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Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. Gerson

    Muito bom o relato, PARABÉNS..

  2. Maíra

    Adorei. Já quero minha passagem 😀

    • Alessandro Paiva

      Obrigado, Maíra! Torço para que você encontre uma promoção e vá à Polônia o quanto antes 🙂 Eu mesmo não vejo a hora de voltar lá.

  3. Encantada Alessandro! Tenho uma história de alma com a Polônia, que era o primeiro país que eu sempre sonhava em conhecer, e foi! Já estive em Cracóvia e agora fui de novo, através de seu relato! Deu vontade de voltar…beijos e obrigada!

    • Alessandro Paiva

      Puxa, Normélia, obrigado 🙂 Também estou louco pra voltar! Abraço e, mais uma vez, obrigado pelo prestígio ao blog!

  4. Eu fico impressionada com o seu nível de detalhes, viu? E as fotos estão impressionantes. Ai que saudades de Cracóvia!!! Amo muito 😀

    • Alessandro Paiva

      Rsrsrs! Nicole, dá trabalho, mas é uma terapia pra mim 🙂 É uma forma que tenho para lembras as viagens. Abração!

  5. Adilson

    Muito bom!!! Estou indo em março para Polônia e teu blog ajudou muito na elaboração do roteiro. Obrigado por compartilhar tuas experiências de viagem!

    • Alessandro Paiva

      Ôpa, Adilson! Muito obrigado! Aproveitando, estou escrevendo sobre Varsóvia. Acredito que termino daqui a 10 dias. Quando for publicado, dê uma lida. Dê uma olhada também no site da Free Walking Tour (http://www.freewalkingtour.com). Eles têm uns passeios a pé muito interessantes, tanto em Cracóvia quando em Varsóvia. Abraço e ótima viagem!

      • Adilson

        Valeu pela dica do Free Walking Tour Alessandro. Irei pesquisar. Que bacana que vai ter post de Varsóvia também!!! Eu e minha esposa passaremos 3 dias por lá. Também vamos passar por Cracóvia e Wroclaw. Começaremos a viagem por Berlim, depois pegamos o Polskibus para Wroclaw. Mais uma vez parabéns pelo material que publica, pois são muito ricos em detalhes, o que facilita na hora de fazer o roteiro. Ainda mais que sobre a Polônia são poucos os sites e blogs que trazem um detalhamento tão bem feito como você faz. Se não te importares irei te incomodar com algumas dúvidas que surgirem! Um grande abraço

  6. Pingback: Não há como negar a alma de Varsóvia | Fui e vou voltar

  7. acabei de voltar de wroclaw e krakow, amei!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Bia! Não conheci Wroclaw, mas todo mundo que foi fala a mesma coisa que você. Um dia passo por aquelas bandas 🙂

      Abraço e obrigado pela visita ao blog!

  8. Karynne Vieira

    Estou impressionada com a maneira de vc relatar tudo, cada detalhe, cada historia. Dá gosto de ler!! Isso só aumenta a vontade de viajar logo.

    • Alessandro Paiva

      Oi, Karynne! Muito obrigado 🙂 É tanta coisa bacana que a gente vê por aí que fica difícil não fazer um relato 🙂 E Cracóvia tem é história, viu! Abraço e ótimas viagens sempre!

  9. Mauricio

    Oi Alessandro!..
    Como é o acesso ao sino do Sigismundo? a escada é em caracol?
    Estamos pensando em fazer um bate e volta no dia 23/12, que horas devo chegar no castelo?
    Valeu..obrigado mais uma vez.

  10. Mauricio

    Oi Alessandro!..
    Como é o acesso ao sino do Sigismundo? a escada é em caracol?
    Estamos pensando em fazer um bate e volta no dia 23/12, que horas devo chegar no castelo?
    Valeu..obrigado mais uma vez.

    • Alessandro Paiva

      Oi, Maurício! A escada, se não me engano, não era em caracol. Era como a escadaria de um prédio comum, acho que de madeira.

    • Alessandro Paiva

      Quanto à chegada ao castelo, verifique os horários de abertura no site deles. Nessas atrações mais populares, eu gosto de chegar por volta das 10h, 10h30.

    • Alessandro Paiva

      Se não me engano, o castelo abre às 9h30 de segunda a sexta e às 10h nos sábados e domingos. Como sua viagem é bate-volta, sugiro que você chegue ao Wawel logo na abertura, assim não perde tempo.

    • Alessandro Paiva

      E perdão pela resposta atrasada!!! Eu estava viajando e acabei me atrapalhando com as mensagens, rs! Abraço e ótima viagem! Se tiver outra dúvida, é só perguntar.

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