Realizando um sonho quase olímpico em Seul

Placas luminosas do Noryangjin Fisheries Wholesale Market, em Seul

Placas luminosas do Noryangjin Fisheries Wholesale Market, em Seul

As competições de natação das Olimpíadas de Los Angeles foram emocionantes! Nas disputas de 30 de julho, meu ídolo Ricardo Prado não levou o ouro nos 400 metros medley, mas, mesmo assim, eu estava louco de vontade de cair na água no dia seguinte para começar meus treinos. Era 1984. No término dos jogos, eu tinha 11 anos. Meu pai notou minha empolgação e disse “Mantenha-se firme no rumo da faixa preta da piscina até conseguir chegar a ‘CU’.” Olhei para ele de soslaio na expectativa de encontrar alguma comicidade na sua expressão. Mas seus olhos eram de um chefe guerreiro, que acabara de convocar seu melhor soldado para uma batalha importante. “CU?”, perguntei tentando entender a piada. Ele respondeu “Sim, Seul, capital da Coreia do Sul, sede dos próximos jogos olímpicos.” Eu nunca havia ouvido falar da cidade, contudo já estava doido para conhecê-la.

O tempo passou. Fui um bom nadador, mas longe de conseguir um índice olímpico. Até tentei a carreira nos saltos ornamentais para chegar à Coreia do Sul, mas meu sonho era muito maior do que a estrutura dos parques aquáticos de Belo Horizonte. As Olimpíadas de Seul começaram e eu continuava aqui no Brasil, acordado de madrugada assistindo às competições. Mesmo que eu não estivesse ali no outro lado do globo, para mim, aqueles foram os melhores jogos de todos. Sem desculpas para boicote, os Estados Unidos e a URSS voltaram a se enfrentar e o nível das disputas era excepcional. Seul se tornara sinônimo de competição, motivação e festa.

Nos anos que se seguiram aos jogos de 1988, pratiquei mais esportes. Fui bicampeão mundial de Ginástica Aeróbica Esportiva em 1993 e 1994 e, tempos mais tarde, voltei a praticar saltos ornamentais e natação por hobby. Encerrei a carreira esportiva, deixei a barriga crescer e comecei a beber. Em novembro de 2014, advinha onde fui tomar umas! Isso, em Seul! O sonho se realizara 30 anos mais tarde, longe das piscinas e dos tablados, mas com muito alterocopismo e, obviamente, passeios fascinantes.

PRIMEIRO DIA – Segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Palácio Gyeongbokgung, National Folk Museum, Samcheong-dong, Aldeia Hanok de Bukchon, Sejongno, Cheonggyecheon, Parque Tapgol, Insa-dong

O voo de Singapura para Seul atrasou bastante. Já na capital da Coreia, passamos por um controle de passaporte inacreditavelmente lento. Para piorar, enfrentamos um trânsito monumental até o hotel. As primeiras impressões de Seul não eram as melhores, mas não durou muito para essa imagem ruim ser desfeita.

Dica balao 2

Para ir do Aeroporto Internacional de Incheon até o hotel, que se situa no escondido Ikseon-dong, bairro superpeculiar de Seul, pegamos a linha de ônibus 6011. A passagem, que pode ser comprada no guichê próximo à saída do aeroporto, custou 10.000 wones (moeda sul-coreana).

Descemos no ponto que fica de frente para a estação de metrô Anguk. Caminhamos alguns metros até nos entranhar no labiríntico Ikseon-dong. À medida em que nos aproximávamos do hotel, as ruas se estreitavam num caos arquitetônico formado por fios e construções singulares. Eu sabia que levaria um certo tempo para me acostumar com aquilo tudo. Sinceramente, não estava gostando. E acho que o Élcio também não. Éramos só nós dois naquela viagem, que teve início em uma belíssima jornada por Singapura.

Graças ao aplicativo de mapas do meu smartphone, chegamos ao hotel. Não demorou e já estávamos começando o roteiro daquela belíssima manhã de domingo. Nossa primeira atração seria assistir à troca da Sumunjang, a guarda do Palácio Gyeongbokgung. No entanto, os atrasos sucessivos da viagem não nos permitiram ver esse que é um dos rituais mais tradicionais de Seul. Eram 11h30, e a exibição havia acontecido às 10h.

Soldado da Sumunjang, a guarda do Palácio Gyeongbokgung

Soldado da Sumunjang, a guarda do Palácio Gyeongbokgung

Soldados da Sumunjang, a guarda do Palácio Gyeongbokgung (via Instagram)

Soldados da Sumunjang, a guarda do Palácio Gyeongbokgung (via Instagram)

Dica balao 2

As apresentações da Sumunjang acontecem diariamente (exceto às terças-feiras), no pátio situado entre os portões Gwanghwamun e Heungnyemun, às 10h, 13h e 15h. A cerimônia dura cerca de 20 minutos. No portão Gwanghwamun, às 11h, 14h e 16h, ocorrem as performances dos guardas de plantão, com duração de 10 minutos. O visitante também pode assistir ao treinamento militar, que acontece duas vezes ao dia no lado de fora do portão Hyeopsaengmun, às 9h35 e às 12h35, com duração de 15 minutos.

Não assistimos à troca da Sumunjang, mas deu para tirar algumas fotos junto aos bem trajados guardas de plantão no Gwanghwamun, maior e principal portão do palácio. Em seguida, visitamos o complexo do Gyeongbokgung.

Portão Gwanghwamun

Portão Gwanghwamun

Pintura no teto do Portão Gwanghwamun

Pintura no teto do Portão Gwanghwamun

Pátio de entrada do Palácio Gyeongbokgung

Pátio de entrada do Palácio Gyeongbokgung. Portão Heungnyemun ao centro

Também conhecido como Gyeongbok, o Gyeongbokgung foi o principal palácio real da Dinastia Joseon, estado coreano que durou por volta de cinco séculos. Era o principal e o maior dos Cinco Grandes Palácios daquela dinastia.

Palácio Gyeongbokgung

Palácio Gyeongbokgung

Foi construído originalmente em 1395. Mais tarde, o edifício foi incendiado, ficando abandonado por quase 300 anos. Sua reconstrução aconteceu somente em 1867.

Palácio Gyeongbokgung

Palácio Gyeongbokgung

No início do século 20, grande parte do palácio foi arruinada pelo implacável Império Japonês. Desde então, o complexo vem sendo restaurado até atingir sua forma de origem. E palmas para os restauradores! Os detalhes da construção são tão apurados que cheguei a pensar que tudo era original, desde as estruturas dos edifícios até as pinturas meticulosamente trabalhadas nas sustentações dos telhados.

Detalhe de telhado de um dos pavilhões do Palácio Gyeongbokgung

Detalhe de telhado de um dos pavilhões do Palácio Gyeongbokgung

Detalhe de telhado de um dos pavilhões do Palácio Gyeongbokgung

Detalhe de telhado de um dos pavilhões do Palácio Gyeongbokgung

Complexo do Palácio Gyeongbokgung

Complexo do Palácio Gyeongbokgung

Pavilhões do complexo do Palácio Gyeongbokgung

Pavilhões do complexo do Palácio Gyeongbokgung

Pavilhão do complexo do Palácio Gyeongbokgung

Pavilhão do complexo do Palácio Gyeongbokgung

Era improvável que alguém não se encantasse com a vegetação que coloria o complexo do palácio de vermelho verde e amarelo! Tudo estava maravilhosa e naturalmente ornado por essa combinação tricolor típica do outono boreal. E já falei do céu azulado? Pois é, o cenário era impecável!

Complexo do Palácio Gyeongbokgung

Complexo do Palácio Gyeongbokgung

O complexo do Gyeongbokgung também abriga o National Palace Museum of Korea (Museu do Palácio Nacional da Coreia), especializado na Dinastia Joseon e nos artefatos da corte imperial, e o National Folk Museum (Museu do Folclore Nacional), que expõe objetos da cultura coreana desde o período pré-histórico até os tempos modernos. Visitamos somente o segundo, que possui uma exposição bem bacana e a entrada é gratuita. Para mais informações sobre esse museu, acesse www.nfm.go.kr.

National Folk Museum, no complexo do Palácio Gyeongbokgung

National Folk Museum, no complexo do Palácio Gyeongbokgung

Exposição do National Folk Museum

Exposição do National Folk Museum

Dica balao 2

Atrás dos muros do palácio está a Cheong Wa Dae, internacionalmente conhecida como Blue House, sede do executivo e residência do Presidente da Coreia do Sul. Preferimos não visitá-la, mas quem se interessar por conhecer essa belíssima construção de telhas azuis deve fazer a reserva com no mínimo 10 dias de antecedência. Acesse english.president.go.kr e clique na aba “Cheong Wa Dae Tours” para mais informações.

Deixamos o Gyeongbokgung e rumamos para o sofisticado Samcheong-dong, região de incontáveis galerias de arte, cafés e restaurantes; baluarte de designers, artistas, fashionistas e admiradores das últimas tendências. Sentimos esse requinte assim que começamos a caminhar pela via Samcheong-ro. Estávamos trajados como turistas comuns, de roupas ligeiramente surradas e despretensiosas – isso mesmo, quase mal arrumados! –. E não sabíamos que os sul-coreanos tinham um gosto apurado para moda. Ali, com os olhos presos às telas dos seus smartphones, desfilavam sem arrogância alguma com modelitos muito bem assentados, de estética aguçada e gradações moderadas de glamour. Diferentemente de Viena, em que me senti intimidado pela garbosidade dos austríacos, em Seul, eu andava bem à vontade, mesmo não estando à altura dos frequentadores do Samcheong-dong. O fato é que os sul-coreanos não aparentam emular. Mesmo que ter estilo pareça ser algo imprescindível por lá, a população não empina o nariz diante dos menos notáveis. Ser chic é um direito fundamental.

Já era hora de almoçar, e temíamos os preços das refeições servidas nas redondezas. Eu também tinha medo do que comeria, pois TODOS os meus amigos que foram à Coreia reclamaram da culinária local. Faziam careta ao falar da “gororoba”, dizendo terem sido salvos por Ronald McDonald’s. Mas em um determinado ponto da Samcheong-ro, vimos uma placa que anunciava pratos atraentes com um custo reduzido. O restaurante se chamava Goshen. Para se ter uma ideia do valor das refeições, o Élcio pediu um espaguete com molho de tomate e ostra, com direito a sobremesa e café. Isso custou apenas 14.000 wones, que, na época, valiam uns R$ 30. Nada mal para um bairro como o Samcheong-dong, muitas vezes comparado ao Soho de Nova Iorque. Nossas refeições não eram típicas da Coreia, mas estavam deliciosas!

Espaguete com molho de tomate e ostra servido no Goshen, em Samcheondong

Espaguete com molho de tomate e ostra servido no Goshen, em Samcheong-dong

Após almoçar, adentramos o bairro até uma das atrações mais conhecidas de Seul, a Aldeia Hanok de Bukchon.

Aldeia Hanok de Bukchon

Aldeia Hanok de Bukchon

O lugar delineia um espaço urbano de 600 anos. Durante a Dinastia Joseon, ali, viveram os funcionários do alto escalão da nobreza. É de um charme sem igual!

Aldeia Hanok de Bukchon

Aldeia Hanok de Bukchon

Os becos e as casas hanok representam um estilo arquitetônico tipicamente coreano, em que as construções levam em consideração o posicionamento do imóvel em relação às imediações, com atenção especial à terra e às estações.

Dica balao 2

Quando deixamos a vila, deparamo-nos com uma moça vestida de um uniforme vermelho dando informações turísticas. Seu chapéu era marcado pelo símbolo ⓘ. Viajante que se perde na cidade, sai aliviado após uma breve consulta com esses profissionais. Portanto, amigo turista, quando o alfabeto ou o idioma coreanos lhe impedirem de compreender mapas ou qualquer outra fonte de informação, não entre em pânico. Pode ser que você esteja perto de um desses anjos da guarda, que se comunicam, principalmente, em inglês, chinês e japonês. O serviço é gratuito e os guias estão espalhados pelas regiões de Myeong-dong, Namdaemun, Gangnam, Itaewon-dong, Jongno, Dongdaemun, Insa-dong, entre outras localidades.

Funcionária do serviço de informações turísticas de Seul

Funcionária do serviço de informações turísticas de Seul

Os cidadãos de Seul quase não falam inglês. Poucos dominam a língua, mas isso não é um problema. Mesmo que as únicas mensagens que consigam proferir sejam gestos desajeitados seguidos de expressões frustradas por não conseguirem ajudar o turista plenamente, no final das contas, o estrangeiro sai satisfeito com o trato recebido. São pessoas encantadoras!

Retornamos à Samcheong-ro na altura do Palácio Gyeongbokgung, onde caminhamos pelo lado externo da muralha em direção à Sejongno, uma via de 600 metros que atravessa o distrito de Jongno-gu, coração de Seul.

Sejongno

Sejongno

Mascote do distrito de Jongno-gu. Embora pareça uma banana, é um sino (via Instagram)

Mascote do distrito de Jongno-gu. Embora pareça uma banana, é um sino (via Instagram)

O nome da via se deve a Sejong, o Grande, quarto rei da Dinastia Joseon. Ali, existe uma bela estátua em sua homenagem.

Estátua do Rei Sejong, na Sejong-ro

Estátua do Rei Sejong, na Sejongno

A estátua do Almirante Yi Sun-sin também se encontra no local.

Estátua do Almirante Yi Sun-sin, na Sejongno

Estátua do Almirante Yi Sun-sin, na Sejongno

Importantes edifícios administrativos estão localizados na Sejongno, entre eles a sede do Ministério Público e a embaixada dos Estados Unidos. As esquinas são ocupadas por amistosos guardas armados. Na verdade, não sei o motivo de tanta precaução, pois Seul é uma cidade tranquila e segura. Talvez temam alguma ação por parte da Coreia do Norte.

O que mais gostei de visitar na Sejongono foi a estação de metrô Guanghwamun. Nela, não fiz uso do transporte e nem vi nenhum trem passando, mas poder usar seu banheiro limpinho e gratuito foi o apogeu daquela tarde. Em Seul, ninguém fica apertado. Se a bexiga encher, basta andar poucos metros e logo aparecerá uma instalação sanitária cheirosa e sem custo para o usuário. Que povo asseado!

Poucos metros após passarmos pela estátua do Almirante Yi Sun-sin, viramos à esquerda no riacho Cheonggyecheon, exemplo de renovação e de bom uso do dinheiro público. O que hoje é o maior parque urbano do planeta, em 1940, era um esgoto entupido a céu aberto, margeado por um comércio de mercadorias baratas de segunda mão. O caos e a poluição eram tamanhos que, em 1960, o riacho foi completamente tapado com placas de concreto. Graças à iniciativa do prefeito Lee Myung-bak, em julho de 2003, começaram as obras de revitalização do Cheonggyecheon, tornando-o um espaço de lazer e de contemplação da natureza em meio ao ambiente urbano. Alguns ambientalistas criticaram a façanha devido aos altos custos e à falta de autenticidade ecológica e histórica do projeto, mas duvido que hoje não estejam se deleitando às margens do riacho, de mãos dadas com suas namoradas igualmente trajadas. Sim, casal coreano que se ama passeia vestido de forma semelhante, dos pés à cabeça. Nem todos, é claro.

Cheonggyecheon

Cheonggyecheon

Festival de lanternas no Cheonggyecheon

Festival de lanternas no Cheonggyecheon

Rumamos pelo riacho até a via Samil-daero, onde viramos à esquerda e seguimos até o Parque Tapgol. Ali, encontra-se o Wongaksa, um pagode de mármore de 12 metros de altura, protegido por uma redoma de vidro. Foi erigido em 1467 para fazer parte do templo Wongak-sa.

Wongaksa, no Parque Tapgol

Wongaksa, no Parque Tapgol

Deixamos o parque e fomos embora descansar. O hotel em que ficamos hospedados chamava-se Icon Hotel. Não possuía luxo algum, mas era muito bem cotado pelos turistas devido ao seu bom custo-benefício. Eu nunca vi nada mais típico! Para entrar no quarto, tínhamos que deixar os sapatos na entrada. Na hora da ducha, o banheiro inteiro se convertia num box, onde tudo ficava encharcado. Aos poucos, fomos desenvolvendo técnicas de uso do espaço, e o que era desconfortável ficou cômodo. O wi-fi funcionava perfeitamente, mas não era do hotel. O sinal vinha da rua, de um serviço gratuito oferecido em vários pontos da cidade. Em Seul, fica desconectado quem quer. Por lá, a internet não só é velocíssima, mas também bastante abrangente. Como havíamos feito log in em quase todos os servidores gratuitos, toda vez em que passávamos por um hotspot, as notificações dos aplicativos esgoelavam em nossos smartphones. Seul é uma mãe!

Se você leu algum de meus relatos neste blog, já sabe que eu e o Élcio somos chegados numa birita. Se determinado estabelecimento serve álcool, nossas barrigas vão de encontro aos balcões, quase sempre com moderação. Mas, naquela noite, sairíamos somente para comer. Ok, uma cervejinha coreana não faria mal. Pedimos sugestão ao recepcionista do hotel de um lugar próximo para nos abastecer. O senhor desalinhou as sobrancelhas, levantou o queixo e nos olhou com a cabeça meio torta, para, em seguida, nos perguntar se estávamos afim de uma típica culinária coreana picante. “Claro!”, respondi prontamente. “Então vão a Insa-dong“, ele disse. “Nesse bairro, encontram-se vários restaurantes típicos”, acrescentou.

Em Insa-dong, pimenta e comida boa não faltam. Para chegar lá, andamos alguns poucos quarteirões. Já no bairro, deparamo-nos com uma infinidade de restaurantes, mas como decifrar os cardápios expostos pelas calçadas?! Felizmente, os textos em coreano eram ilustrados com belas fotografias, e os funcionários não poupavam esforços para nos ajudar. Diziam “pork“, “chicken“, “beef“, “rice” e “salad“, complementando sempre com “spicy“, “very spicy” ou “not too spicy“. Só não me lembro de ter escutado “no spice“.

Escolhemos um restaurante bem bacaninha, de móveis rústicos e decoração bem genuína, onde os membros de uma família coreana, que acreditávamos ser os proprietários do local, assistiam a uma novela aparentemente dramática. Mais singular, impossível! Pedi carne de porco, e o Élcio, um macarrão de arroz com vegetais.

Carne de porco picante servida em Insa-dong

Carne de porco picante servida em Insa-dong

Macarrão de arroz com vegetais servido em Insa-Dong

Macarrão de arroz com vegetais servido em Insa-Dong

Também nos foram servidos os tradicionais banchan (acompanhamentos), numa combinação formada de kimchi, que são vegetais fermentados e condimentados; de kongjaban, uma espécie de feijão preto preparado com molho de soja, açúcar, óleo e sementes de gergelim, e de kong-namul, um preparado à base de brotos de soja, alho, cebola verde e pimenta chili.

Kimchi,

Porção de kimchi, kongjaban e de kong-namul servidas em Insa-dong

O meu prato, que a garçonete disse ser um pouco picante, abrasava horrores! Se aquilo era pouco picante, imagina as refeições mais apimentadas! Suei a cerveja inteira. E quer saber? Estava tudo uma delícia! Do exotismo dos banchan ao ardor dos pratos principais, nossa primeira experiência com a culinária local foi sensacional. Flamejante, mas sensacional.

SEGUNDO DIA – Terça-feira, 4 de novembro de 2014

Palácio Gyeonghuigung, Seoul Museum of History, Mercado de Kwangjang, City Hall, Mercado de Dongdaemun, Dongdaemun Design Plaza, Mercado de Gyeongdong, Itaewon-dong

Mais um dia superensolarado na capital da Coreia do Sul! Começamos o roteiro do dia no Palácio Gyeonghuigung, outro dos Cinco Grandes Palácios da Dinastia Joseon.

Palácio Gyeonghuigung

Palácio Gyeonghuigung

O edifício data de 1620, sendo completamente destruído durante a Ocupação Japonesa da Coreia, que ocorreu entre 1910 e 1945. Ali, os invasores construíram uma escola para cidadãos japoneses. A reconstrução teve início em 1990, parte de uma iniciativa do governo sul-coreano de reerguer os Cinco Grandes Palácios, todos arruinados no período da famigerada ocupação.

O Gyeonghuigung fica aberto para visitação de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h. A entrada é gratuita. Para chegar lá, pegue a linha 5 do metrô (lilás) e desça na estação Gwanghwamun (saída 6) ou na Seodaemun (saída 4).

Ainda não posso comprovar o que vou dizer, mas tenho quase certeza de que coreanos e japoneses não se bicam. E não é por pouco. Nos dias que se seguiram, presenciamos boa parte da história da Coreia do Sul, marcada pela perversidade dos vizinhos nipônicos. O Seoul Museum of History (Museu de História de Seul), próxima atração visitada naquela segunda-feira, mostra muito dessa barbárie que assolou o povo sul-coreano.

Mapa gigante de Seul, no Seoul Museum of History

Mapa gigante de Seul, no Seoul Museum of History

O museu é espetacular! A entrada é gratuita e a exposição muito bem organizada, sendo o percurso orientado por períodos. Localiza-se ao lado do Gyeonghuigung. Funciona de terça a sexta das 9h às 20h e aos sábados, domingos e feriados das 9 às 19h. De novembro a fevereiro, aos sábados domingos e feriados, fecha às 18h. Para mais informações, acesse eng.museum.seoul.kr.

Do museu, pegamos o metrô até a estação Jongno 5(o)-ga, onde descemos na saída 8 e seguimos caminhando poucos metros até o Mercado de Kwangjang, reduto gastronômico de coreanos e de turistas mais ousados.

Mercado de Kwangjang

Mercado de Kwangjang

Logo que entramos no Gwangjang – como também é conhecido –, vimos uma infinidade de bancas vendendo produtos de consumo diário como cafés, chás, doces, materiais de limpeza, vitaminas, entre outros. Até então, nada de mais. Contudo, à medida em que nos entranhávamos pelas movimentadas galerias do mercado, a variedade alimentar adquiria um exotismo incrível, pormenorizado em cores vibrantes, formas inusitadas e aromas indistinguíveis. Na minha opinião, era tudo muito bacana apenas para ser visto, pois a aparência das iguarias não me apetecia. Se você me conhece bem, sabe que, se não fosse a bebida, meu fígado seria rosadinho, de tão sensível que sou a manjares extravagantes.

Mercado de Kwangjang

Mercado de Kwangjang

Mas não custava nada tentar. O que parecia feio, poderia ser saborosíssimo. Sentaríamo-nos portanto diante das habilidosas ajummas para comer suas especialidades? Seríamos comensais em uma das mais tradicionais manifestações da culinária coreana? Ou arregaríamos? Arregamos. As texturas e formas dos alimentos não nos convenceram.

Ajummas servem refeições típicas no Mercado de Kwangjang

Ajummas servem refeições típicas no Mercado de Kwangjang

Todavia, não saímos do Kwangjang com o bucho vazio. Servimo-nos do delicioso bindaetteok, uma espécie de panqueca feita à base de ovos, carne de porco, repolho e feijão-mungo. Acho que o meu tinha broto de feijão também. É um prato bastante popular, podendo ser servido com outros ingredientes. Seu preparo é feito em uma chapa quente encharcada de óleo, o que deve ter me descontado uns três meses de vida, de tanta gordura que ingeri.

Aguardo o preparo do bindaetteok, no mercado de Kwangjang

Aguardo o preparo do bindaetteok, no Mercado de Kwangjang

As lojas comuns do Mercado de Kwangjang funcionam de segunda a sábado, das 8h30 às 18h. Já os restaurantes funcionam todos os dias e fecham bem mais tarde, às 23h. Por fim, num horário bem inusitado, as lojas de roupas funcionam das 21h até as 10h do dia seguinte, também abertas de segunda a segunda.

Vixe! Na hora de pagar pela oleosa panqueca, percebemos que nossas reservas de wones haviam se esgotado. O restante das cédulas que tínhamos trocado no aeroporto eram suficientes apenas para custear aquela rápida e barata refeição e uma passagem de metrô. No lado de fora do mercado, perguntamos a um jovem casal onde encontraríamos uma casa de câmbio por ali. Eles, num inglês um pouco escasso, mas de maneira bastante cortês (os coreanos são um doce!), disseram que em Dongdaewongbongchung%$#@*!! (entendi algo desse tipo) encontraríamos uma. Também disseram que poderíamos trocar nossas moedas nos bancos situados no entorno da City Hall (prefeitura). Com recursos para apenas uma passagem de ida, não dava para arriscar no lugar de nome estranho. Fomos à região da prefeitura, que fica a alguns quarteirões de onde começamos nosso roteiro daquele dia. Tivemos que voltar no percurso, portanto.

Edifício da prefeitura de Seul

Edifício da prefeitura de Seul

Já com dindim coreano nos bolsos, retomamos o roteiro. Pegamos a linha 4 do metrô (azul) e desembarcamos na estação Dongdaemun, precisamente pela saída 8. Ali perto, estaria a próxima atração visitada: o Portão Heunginjimun, também conhecido como Dongdaemun, um dos oito portões da Fortaleza de Seul, que protegia a cidade durante a Dinastia Joseon. Fica próximo ao Mercado de Kwangjang.

Portão Heunginjimun

Portão Heunginjimun

Depois de uma rápida visita pelo lado de fora do portão, caminhamos pela Yulgok-ro até a via Jangchungdan-ro, onde está localizado o Dongdaemun Design Plaza (DDP), uma construção neofutirística de tons metalizados e curvas expressivas. Esse edifício abriga um magnífico centro de convenções. Mas antes de conhecê-lo, demos conta de que estávamos passeando pelo Mercado de Dongdaemun, centro comercial que se divide nos distritos de compra A, B, C e D. São 26 shopping centers instalados ao longo de 10 quarteirões, que abrigam lojas de todo o tipo, com destaque para roupas e calçados.

Ainda na Jangchungdan-ro, passamos por uma feira de bugigangas de dar gosto. Era mercadoria barata de todo o tipo. Advinha o que mais tinha nessa feira! Uma das casas de câmbio indicadas pelo amistoso casal de coreanos. Você se lembra de que não compreendemos o nome do lugar sugerido por eles e por isso achamos mais seguro ir à prefeitura? Pois é, o nome era “Dongdaemun”. A tal casa de câmbio ficava na entrada de um dos shoppings verticais da Jangchungdan-ro. Sem precisar de ir até a prefeitura, bastava caminhar do Mercado de Kwangjang até ali, trocar nosso dinheiro e economizar uma hora e meia (sim, perdemos uma hora e meia de passeio!). Pelo menos conhecemos o prédio da City Hall (grande coisa).

Feira na Jangchungdan-ro, no Dongdaemun Market

Feira na Jangchungdan-ro, no Mercado de Dongdaemun

Já no fabuloso DDP, visitamos algumas exposições temporárias e demos um rolé pelo prédio. Dali, retornamos à estação Dongdaemun e pegamos o metrô até Jegi-Dong. Desembarcamos pela saída 2 e esticamos poucos quarteirões até o Mercado de Gyeongdong, um dos lugares mais bacanas (minha opinião) da cidade.

Dongdaemun Design Plaza (DDP)

Dongdaemun Design Plaza (DDP)

Também conhecido como Kyungdong, o Mercado de Gyeongdong é a meca das ervas medicinais e do ginseng. Foi inaugurado em 1960, e desde então vem tratando a saúde dos sul-coreanos com uma variedade monumental de produtos naturais de origem nacional, além do comércio de grãos, de hortaliças, de frutos do mar e de alguns tipos de carnes, muitas não identificadas por nós. Segundo o Élcio – e ele afirma em tom assertivo –, duas bancas vendiam pata de cachorro.

Barraca de ginseng do mercado de Gyeongdong

Comércio de ginseng, no Mercado de Gyeongdong

Éramos os únicos turistas por ali. Mesmo assim, feirantes e fregueses não se incomodavam com a nossa curiosidade nem com a indiscrição da minha máquina fotográfica. Amontoavam-se em meio uma miríade de barracas espalhadas pelo local, umas cobertas e organizadas, outras desordenadas e ao ar livre. Estávamos adorando aquele caos!

Mercado de Gyeongdong

Mercado de Gyeongdong

Mercado de Gyeongdong

Mercado de Gyeongdong

Ali, conhecemos o beondegi, iguaria coreana bastante popular. Trata-se da pupa do bicho-da-seda. Carne exótica, para mim, nem pensar, mas um insetinho eu não recusaria. Sempre tive vontade de experimentar gafanhotos, escorpiões, grilos, entre outras criaturas de textura fina e crocante, e comer a pupa seria a minha primeira experiência do tipo. Mas meu banquete à base de animais com exoesqueleto quitinoso não aconteceria naquele dia. No Gyeongdong, comprei apenas alguns tipos de chá.

Beondegi

Beondegi, no Mercado de Gyeongdong

Larva

Inseto não identificado, no Mercado de Gyeongdong

Mercado de Gyeongdong

Lagarta não identificada, no Mercado de Gyeongdong (via Instagram)

Deixamos o mercado e retornamos ao hotel para descansar. À noite, embarcaríamos na primeira noitada em Seul. Fomos ao Itaewon-dong, bairro repleto de ótimos bares e restaurantes. Pegamos o já familiar metrô e descemos na estação Itaewon, saída 4. Nossa peregrinação à base de hidroxilas e carbonos saturados (sua professora lhe ensinou que isso é álcool) englobou somente as adjacências da rua Bogwang-ro. Ir além dessas imediações resultaria em coma alcoólico.

De birita em birita, conhecemos o soju, um destilado coreano feito de arroz. O que experimentamos era dos mais fracos (ou menos fortes), então acreditamos que poderíamos nos esbaldar. Não é que nos esbaldamos?…

“Degustação” de soju, em Itaewon-dong

Entre um soju e outro, um moço coreano, ao ver que conversávamos em português, virou as costas para sua belíssima e taciturna namorada e se inseriu no nosso bate-papo de falas já arrastas, dizendo que morou em São Paulo, no bairro do Bom Retiro. Num interrogatório ingenuamente indiscreto, perguntou a nossa idade. Quando eu disse ter quase 42, ele se explodiu em breves gargalhadas (como assim, fdp?!), mas logo retomou a simpatia. Ao se despedir, disse que sua estonteante amada nos achou bonitos. E você acha que eu duvidaria disso?! Claro que não! Acreditei piamente nas palavras do mancebo. Embora meu ego estivesse tilintando, não deixei de pensar, mesmo por um átimo, que poderíamos estar participando do início de uma negociação sexual, fosse comercial ou apenas um convite para uma suruba descompromissada entre habitantes de terras distantes. Mas não. Os jovens, como legítimos coreanos, eram realmente corteses. A moça, que eu juro não ser cega e não estar embriagada, na hora em que fomos elogiados pelo seu namorado sem noção, timidamente abaixou a cabeça e delicadamente tapou o sorriso com a mão. Foi tudo muito estranho, mas fofo.

Voltar para o hotel só não foi difícil graças à ajuda de Steve Jobs (???).

TERCEIRO DIA – Quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Palácio Changedeokgung, Palácio Changgyeonggung, Santuário de Jongmyo, Mercado de Namdaemun, Hongdae

Steve Jobs que nos olhai daí de cima, dai-nos um aplicativo que cura a ressaca e que nos deixa prontos para mais um dia de passeio, amém.

Dica balao 2

Na verdade, nem sei se Steve Jobs chegou a criar algum aplicativo. De qualquer forma, devo muito ao seulense que inventou o Subway Korea, um aplicativo muitíssimo eficiente do metrô de Seul. Por ele, é possível saber as melhores rotas, o tempo de cada corrida, horários etc. O Subway Korea – Jihachul, em coreano – é da Yello Mobile e está disponível na App Store ou na Google Play.

É, nem Jesus estava disposto em ajudar na minha causa. Naquela manhã de terça, o céu poderia estar no mais belo tom de azul, mas havia uma nuvem cinza chumbo pairando sobre minha cabeça. Não sei porque ainda reclamo de bebedeira, afinal não é a primeira vez que submeto meu organismo aos excessos de uma noite irresponsável. Com a missão de não fod#@%?er o dia, segui caminhando com o sorrisinho amarelo até Changedeokgung, outro dos Cinco Grandes Palácios da Dinastia Joseon.

Palácio Changedeokgung

Palácio Changedeokgung

O palácio situa-se num maravilhoso parque do distrito de Jongno-gu, a poucos quarteirões de onde estávamos hospedados. Foi construído em 1395 e destruído pelos japoneses durante a Guerra Imjin, ocorrida entre 1592 e 1598. Sua reconstrução aconteceu somente em 1609, mas, em 1623, devido a uma revolta política, foi novamente ao chão. Após tantas quedas e reerguimentos, hoje, o Changedeokgung impera majestoso junto aos seus 13 edifícios e 28 pavilhões.

Pavilhão Injeongjeon, no Palácio Changedeokgung

Injeongjeon, pavilhão principal do Palácio Changedeokgung

Um dos edifícios do Palácio Changedeokgung

Um dos edifícios do Palácio Changedeokgung

Detalhe de um dos edifícios do Palácio Changedeokgung (via Instagram)

Detalhe de um dos edifícios do Palácio Changedeokgung (via Instagram)

Para chegar ao Changedeokgung, pegue a linha 3 do metrô (laranja) e desembarque em Anguk. Deixe a estação pela saída 3 e siga pela via Yulgok-ro. O palácio funciona de terça a domingo. De abril a outubro, fica aberto das 9h às 18h30; de dezembro a fevereiro, das 9h às 17h, e nos meses de novembro e março, das 9h às 17h30. As bilheterias encerram suas atividades uma hora antes do fechamento.

Ao lado do Changedeokgung, está mais um dos Cinco Grandes Palácios: o Changgyeonggung. Sua história de construções e reconstruções não se diferencia muito da do vizinho. Aliás, os palácios de Seul são tão parecidos em nome e arquitetura que hoje só consigo falar deles consultando meu diário de viagem. E isso não é uma coisa boa. Assim como não aconselho que se visitem vários museus num único dia, sugiro que, em Seul, o mesmo não seja feito em relação aos palácios. Embora sejam magníficos, quando comparados, não expõem particularidades significativas, e a repetição torna o passeio enfadonho. Obviamente, cada visitante tem um ponto de vista, mas, para mim, o Changgyeonggung restou banalizado. Também não posso deixar de relatar que eu estava numa ressaca do cão.

Complexo Nakseonjae, no Palácio Changgyeonggung

Complexo Nakseonjae, no Palácio Changgyeonggung

Dica balao 2

Para tirar maior proveito das visitas, faça os passeios guiados pelos palácios de Seul. Dessa forma, você desbarata o nhen nhen nhen de viajante beberrote que confunde ressaca com monotonia. No Changedeokgung, o tour em inglês acontece às 10h30 e às 14h30. Já o tour pelos seus jardins acontece às 11h30 e às 14h30, com duração de uma uma hora e meia. Por fim, no Changgyeonggung, o tour acontece às 11h e às 16h. O horário de funcionamento deste palácio, bem como o encerramento da venda de ingressos, é idêntico ao do Changedeokgung.

O que mais gostei no palácio foi de uma vending machine que servia, entre outros produtos, um milagroso elixir. Fabricada pelos japoneses – os sul-coreanos não os devem odiar tanto assim –, essa bebida isotônica de sabor suave e exótico se embrenhou pelo meu organismo debilitado, entrando em súbita harmonia com cada mililitro do meu plasma sanguíneo. Como numa alucinação típica de anime japonês, nos primeiros goles, meus olhos mangá se arregalaram ao tilintar de estrelas de quatro pontas, enquanto os braços e as pernas faziam movimentos sinuosos e fluidos. Essa maravilha chama-se Pocari Sweat. Minha ressaca estava semicurada!

Curando a ressaca com Pocari Sweat

Curando a ressaca com Pocari Sweat

Deixamos o Palácio Changgyeonggung e andamos até Jongmyo, que fica no parque ao lado. Esse santuário confuciano é dedicado à memória dos reis e rainhas da Dinastia Joseon. Os serviços de cerimonial são executados até hoje, mantendo uma tradição que teve início no século 14.

Diferentemente dos palácios, a visita ao Jongmyo é feita exclusivamente por meio de tour guiado. Os passeios com narração na língua inglesa acontecem às 10h, 12h, 14h e 16h, com duração de uma hora. Com sorte, chegamos lá faltando 15 minutos para o meio-dia. Aproveitamos esse quarto de hora e demos uma chegadinha numa praça ao lado, onde um senhor, rodeado por dezenas de pardais, dava de comer a dois deles, um em cada mão. A cena era comovente!

Senhor dá de comer a pardais, em praça ao lado do Santuário de Jongmyo

Senhor dá de comer a pardais, em praça ao lado do Santuário de Jongmyo

Mais adiante, em outro setor da praça, a cena não era melancólica como a dos pardais sendo alimentados, mas fascinante tanto quanto. Vários idosos se divertiam com o go, um jogo de tabuleiros bastante popular no leste da Ásia.

Senhores se divertem com o go, em praça ao lado do Santuário de Jongmyo

Senhores se divertem com o go, em praça ao lado do Santuário de Jongmyo

Senhores se divertem com o go, em praça ao lado do Santuário de Jongmyo (via Instagram)

Senhores se divertem com o go, em praça ao lado do Santuário de Jongmyo (via Instagram)

E essa não foi a única concentração de velhos que vimos em Seul. Nos dias seguintes, passamos por tantos outros grupos do tipo. Lá, homens e mulheres de idade avançada se reúnem em pontos estratégicos como praças e estações de metrô para se socializar. Alguns aglomerados são mais animados, outros, completamente silenciosos. O importante é interagir, mesmo que com apenas um olhar cansado.

O tour guiado pelo Jongmyo começou pontualmente às 12h. Sua história e suas curiosidades são fascinantes e seus edifícios e pavilhões são belíssimos. A combinação tricolor em vermelho, verde e amarelo da vegetação era ainda mais intensa que nos outros locais em que estivemos.

Santuário de Jongmyo

Santuário de Jongmyo

Santuário de Jongmyo

Santuário de Jongmyo

Santuário de Jongmyo

Santuário de Jongmyo

Deixamos o santuário. No caminho, passamos por outra vending machine e nos abastecemos com algumas latinhas do extraordinário Pocari Sweat. Em seguida, fomos ao Mercado de Namdaemun. Para chegar lá, pegamos o metrô na estação Jongno 3-ga e descemos em Hoehyeon. Antes de conhecer essa cidadela das bugigangas, paramos para almoçar no Yookssam Naengmyeon, um dos restaurantes das redondezas. O estabelecimento era de certa forma popular, com cartazes chamativos que mostravam pratos fotogênicos e preços bem em conta. Acredite, foi uma das melhores experiências gastronômicas da minha vida! Comi arroz com salada de vegetais (muitos desconhecidos por mim). Já o Élcio optou por arroz com kani-kama, gergelim, ovas de peixe, broto de feijão, repolho, carne moída e cogumelo. Tanto o meu prato quanto o dele vieram acompanhados por uma porção de carne bovina picante. Estava tudo delicioso! Viva Seul!

Arroz com salada de vegetais e carne bovina, no Yookssam Naengmyeon

Arroz com salada de vegetais e carne bovina, no Yookssam Naengmyeon

Arroz com kani, gergelim, ovas de peixe, broto de feijão, repolho, carne moída e cogumelo, no Yookssam Naengmyeon

Arroz com kani, gergelim, ovas de peixe, broto de feijão, repolho, carne moída e cogumelo, no Yookssam Naengmyeon

Para deixar a gororoba ainda mais fabulosa, pagamos singelos 6.000 wones cada, que, naquela época, valiam em torno de R$ 13. Essa é uma das maravilhas da capital sul-coreana. Os produtos e serviços são excelentes e os preços muito baixos. Somente a hospedagem não foi barata, mas também não foi cara. Eu só não torrei todo o meu dinheiro porque tinha no ombro um gnomo otário que me foi controlando os impulsos. Não fosse esse maldito anão, minha bagagem teria se quintuplicado de tamanho.

Empanturrados e com a boca em chamas – era muita pimenta! –, seguimos para o Mercado de Namdaemun. Fiquei estupefato com o número de pessoas que circulavam no local.

Mercado de Namdaemun

Mercado de Namdaemun

Para o turista que gosta de um badulaque e que sempre traz na mala um agrado para os mais chegados, esse mercado é uma excelente opção. Tentar se controlar por ali é um esforço em vão. Os estímulos coloridos das placas e das mercadorias variadas fazem qualquer sovina enfrentar o escorpião do bolso.

Mercado de Namdaemun

Mercado de Namdaemun

Deixamos o mercado, passamos diante do portão de Namdaemun e retornamos para o hotel. À noite, conheceríamos outro paradis de l’irresponsabilité: o bairro universitário de Hongdae. O que? Minha ressaca?! O Pocari Sweat curou.

Drinque servido no Mint, em Hongdae

Drinque servido no Mint, em Hongdae

Para ir a Hongdae, pegamos o metrô e descemos na estação Sangsu (linha 6). As estações Hongik (linha 2) e Hapjeong (linha 6) também dão acesso ao bairro.

Dica balao 2

Hongdae é coroado com restaurantes baratos, bares sofisticados (também baratos), boates badaladas e cultura indie. Gente da minha idade e outros bem mais velhos também frequentam o local, destino imprescindível para quem gosta de bebida, comida, vadiagem, azaração, cair pela rua, fazer carão, bagunça arrumada ou gandaia. Sirva-se com moderação.

Boate em Hongdae

Boate em Hongdae

De fígado renovado e sorriso radiante, experimentei drinques bem adornados e tira-gostos saborosos, voltando para o hotel sem qualquer ajuda de Steve Jobs. Mais uma vez, viva Seul!

QUINTO DIA – Sexta-feira, 4 de novembro de 2014

N Seoul Tower, Noryangjin Fisheries Wholesale Market, Myeong-dong, Lotte Dutty Free, Insa-dong, Sinchon-dong

Cheguei a falar do tanto que estávamos amando Seul? Pois é, a capital sul-coreana já figurava entre as nossas cidades favoritas. Além de sua cultura, de sua história e de sua gastronomia, seu povo é de uma amabilidade fora do comum! São corteses, respeitosos e, mesmo que o inglês seja pouco falado por lá, tentam sempre ajudar os visitantes. E como as moças são bonitas! Rapariga do tipo modelo tem a rodo. Sejam descoladas, tímidas ou compenetradas, exuberam um charme oriental capaz de vender qualquer perfume. Todavia, como nem tudo são maravilhas, os seulenses têm um problema (se é que isso é problema): não desgrudam os olhos de seus smartphones. O vício é tanto que há campanhas educativas no metrô alertando para os perigos de não se prestar atenção por onde anda. E o hábito não atinge somente os mais jovens. Pessoas de meia idade e idosos já aderiram à tecnologia. Também, com uma internet abrangente e rápida daquelas, até eu viveria agarrado no meu radinho.

Seulenses com seus smartphones no metrô (via Instagram)

Seulenses com seus smartphones no metrô (via Instagram)

Seulenses com seus smartphones no metrô (via Instagram)

Seulenses com seus smartphones no metrô (via Instagram)

Começamos o roteiro do dia indo a uma das atrações mais emblemáticas da cidade: a N Seoul Tower, uma torre de comunicação e de observação localizada no Monte Namsan, ponto mais alto da cidade.

N Seoul Tower, no Monte Namsam

N Seoul Tower, no Monte Namsam

N Seoul Tower, no Monte Namsam

N Seoul Tower, no Monte Namsam

Geralmente, a vista lá de cima é sensacional, mas como aquela manhã estava um pouco nebulosa, não se viam os pontos mais distantes com muita clareza.

Seul vista do Monte Namsam

Seul vista do Monte Namsam

A área no entorno da torre é muito bacana. O amontoado de cadeados e objetos que os apaixonados afixaram nas grades criou uma textura alegre e jovial, característica da cultura pop sul-coreana. A atmosfera de amor é acrescida de uma trilha sonora do tipo “música de corno”. Quem está só, acaba dando um jeito de arrumar uma companhia.

Cadeados no entorno da N Seoul Tower

Cadeados no entorno da N Seoul Tower

No entorno da N Seoul Tower

No entorno da N Seoul Tower

Café da N Seoul Tower

Café da N Seoul Tower

Dica balao 2

Para ir à N Seoul Tower, pegue as linhas 3 (laranja) ou 4 (azul) do metrô e desembarque pela saída 2 da estação Chungmuro, na avenida Toegye-ro. No ponto de ônibus que fica ao lado da saída, pegue as linhas 2 ou 5 rumo à Torre de Seul. Se preferir, pegue a linha 6 do metrô (marrom) e desembarque pela saída 4 da estação Itaewon, para, em seguida, pegar o ônibus 3. O observatório da torre fica aberto das 10h às 23h, de domingo a quinta-feira, e das 10h às 24h, às sextas e sábados. Outro meio de transporte é o teleférico, que opera das 10h às 23h. O acesso se dá por um elevador situado na via Sogong-ro, pouco antes do túnel que atravessa o Parque Namsan. As estações de metrô mais próximas são a Myeong-dong e Hoehyeon. Para mais informações sobre a N Seoul Tower, acesse www.nseoultower.co.kr.

Preferimos não subir ao observatório da torre. Depois de tomar um espresso, deixamos o local e retornamos à cidade pelo teleférico, de onde se tem uma visão muito interessante.

Teleférico da N Seoul Tower (via Instagram)

Teleférico da N Seoul Tower (via Instagram)

Via Sogong-ro, vista de dentro do teleférico da N Seoul Tower

Via Sogong-ro, vista de dentro do teleférico da N Seoul Tower

Caminhamos até o metrô. Pagamos a linha 4 e baldeamos na estação Seul, onde embarcamos na linha 1 (azul marinho), descendo na estação Noryangjin pela saída 1. Bastou atravessarmos uma passarela para chegar a uma das minhas atrações prediletas dessa viagem: o Noryangjin Fisheries Wholesale Market, um mercado atacadista de frutos do mar.

Noryangjin Fisheries Wholesale Market

Noryangjin Fisheries Wholesale Market

Neste blog, já falei zilhões de vezes que odeio peixe. Contraditoriamente, para mim, o Noryangjin representa uma das essências mais puras da cultura coreana. E sem me fazer valer do trocadilho, o mercado não é assolado pela pior das essências, que é o cheiro de frutos do mar. Mesmo que seu imenso galpão esteja repleto de criaturas como camarão, moluscos, polvo, caranguejo, pepino do mar, linguado e tantas outras feiuras não identificáveis, o aroma ambiente não é desagradável. E olha que são mais de 800 bichos!

Banca de frutos do mar, no Noryangjin Fisheries Wholesale Market

Banca de frutos do mar, no Noryangjin Fisheries Wholesale Market

Dica balao 2

Dica n.º 1: jamais vá ao Noryangjin calçado de chinelo ou rasteirinha. O chão inundado poderá encharcar seus pés de uma mistura aquosa feita de resíduos de várias bancas. Dica n.º 2: se gosta de frutos do mar, reserve o horário do almoço para ir a esse mercado e se empanturrar de comida da melhor qualidade.

Polvo ainda vivo, à venda no Noryangjin Fisheries Wholesale Market

Polvo ainda vivo, à venda no Noryangjin Fisheries Wholesale Market

Obviamente, não comi nada. Estava contente só por estar ali. Já o Élcio comprou uma bandeja espetacular de sashimi por digníssimos 20.000 wones. Para comê-la, o peixeiro nos indicou um restaurante situado nas dependências do mercado, onde cada cliente paga 3.000 wones para fazer uso das mesas e talheres e servir-se de alguns molhos e acompanhamentos. Lá, instalamo-nos à moda coreana e meu amigo devorou cada peixe cru de sua recém-adquirida bandeja.

Peixeiro do Noryangjin indica ao Élcio onde comer

Peixeiro do Noryangjin indica ao Élcio onde comer

Élcio degusta sua bandeja de sashimi, em restaurante do Noryangjin

Élcio degusta sua bandeja de sashimi, em restaurante do Noryangjin

Deixamos o Noryangjin, pegamos o metrô e fomos a Myeong-dong, um centro comercial bastante badalado. Antes de explorar as redondezas, forrei meu estômago com um “coreaníssimo” Burger King.

Caminhando pelas ruas de Myeong-dong, era impossível não cruzar com uma loja de cosméticos. Elas estão por todos os cantos, às vezes uma do lado da outra. Os fregueses têm a disposição marcas como Nature Republic, Innisfree, Tonymoly, Skinfood, Royal Skin, The Body Shop, Missha, Lioele e Etude House. Algumas são populares, outras mais sofisticadas. E não existe apenas uma loja de cada marca. É comum ver dois estabelecimentos de mesmo nome em um único quarteirão. Com tanta opção, é de se pensar que coreana feia é sinônimo de coreana descuidada. Para ir a esse paraíso dos cosméticos e de compras em geral, pegue a linha 4 do metrô e desça na estação Myeong-dong.

Myeong-dong

Myeong-dong

Ainda na região, dirigimo-nos a um dos pontos mais cobiçados pelos turistas, a Lotte Dutty Free, situada no topo da Lotte Department Store. Logo na entrada desta loja de departamentos, passamos pela cafeteria do renomado Paul Bassett, premiado barista australiano responsável pelo espresso mais delicioso que já tomei na minha vida. Eu achava que os cafés que provei na Itália eram imbatíveis, mas as dezenas de mulheres sentadas às mesas daquela cafeteria – eu e o Élcio éramos os únicos homens – concordariam comigo de que os diversos blends ali servidos não são encontrados em qualquer canto do planeta. A Paul Bassett é parada obrigatória para quem vai à Lotte! Já a Lotte Dutty Free é uma das piores atrações de Seul. É um free shopping como os dos aeroportos, que vendem os produtos de sempre, sem muita inovação. Os preços não são os melhores, mas vale a pena dar uma subidinha até lá para ver japoneses e chineses se esbofeteando por uma caríssima bolsa da MCM.

Entrada do Lotte Dutty Free

Entrada do Lotte Dutty Free

Deixamos o maldito free shopping, pegamos o metrô na estação Euljiro 1-ga e descemos na Anguk para dar outra passeada por Insa-dong. Estivemos ali à noite no nosso primeiro dia em Seul para provar da tradicional e apimentada comida nativa. Mas o bairro oferece muito mais do que refeições picantes. É também conhecido por suas mais de 100 galerias de arte, pelas lojas de artesanato e de cerâmica, pelos antiquários, pelas lojas de artigos de papelaria e pelas famosas casas de chá. Numa mistura de passado com presente, sua cultura erradia cores, delineia formas e exala aromas.

Caminhamos ao longo da Insadong-gil, principal rua do bairro, desde a Yulgok-ro até o ponto de não aguentarmos mais tanta cultura sul-coreana. Trançamos de um lado ao outro, infiltramo-nos nos becos adjacentes e nos perdemos em meio a inúmeros convites para consumo. Até entrevistados por adoráveis estudantes seulenses nós fomos.

Eu e estudante universitária, na Insadong-gil, em Insa-dong

Eu e estudante universitária, na Insadong-gil, em Insa-dong

Em um determinado ponto da Insadong-gil, cruzamos com um vendedor da injustiçada beondegi, a pupa do bicho-da-seda, odiada por ser feia. Seria tão ruim assim? Bem, eu ainda não estava preparado para mastigar e talvez engolir uma. O Élcio também passou a vez, no entanto encheu o coração de ômega 3 ao ingerir um semiborrachudo espetinho de tentáculos de polvo. Para ele, a gororoba estaria perfeita não fosse a calda adocicada em que foi marinada. Drogas, tô fora!

Beondegi sendo cozido (via Instagram)

Beondegi sendo cozido (via Instagram)

Espetinho de tentáculo de polvo, servido na Insadong-gil, em Insa-dong

Espetinho de tentáculo de polvo, servido na Insadong-gil, em Insa-dong

Arrependo-me muito por não ter trazido um pacote de chá para o Brasil. Na Insadong-gil, entramos em um estabelecimento bem grande, onde um caldeirão tostava uma erva muito cheirosa. Infelizmente, não lembro o nome dessa casa de chá, mas o aroma do lugar está gravado na minha mente! Possuía um perfume tão verde quanto o chá que provamos, oferecido como amostra grátis. Não tinha nada a ver com esse capim de sétima categoria que encontramos nos supermercados brasileiros. Por que não comprei o chá? Porque o preço não era de supermercado brasileiro. Fui pão duro o suficiente para ignorar o custo benefício daquela deliciosa graminha fragrante, que certamente valia mais do que estava sendo cobrado.

Não comprei chá, mas lotei minhas malas com o tradicionalíssimo kkultarae (dois “K” mesmo), um doce de aparência delicada feito de mel e malte e recheado com ingredientes diversos como nozes, chocolate e amêndoas. Essa coisa deleitosa é a verdadeira ligação da matemática à gastronomia, em que uma dura resina à base de mel é misturada a uma farinha. Numa apresentação bem performática, os carismáticos doceiros esticam e dobram a mistura várias vezes até ela se transformar em 16.000 fios. Em seguida, envolvem o recheio com esses fios, formando uma espécie de travesseiro de cabelo de vó. Delícia! Compramos seis caixas cada. Os simpáticos doceiros sugeriram: “Comam gelado. É mais gostoso.” Verdade pura!

Doceiros preparam o kkultarae, na Insadong-gil, em Insa-dong

Doceiros preparam o kkultarae, na Insadong-gil, em Insa-dong

Kkultarae

Kkultarae

À noite, fomos a outro polo da vida boêmia de Seul, o bairro de Sinchon-dong. Para chegar lá, pegamos a linha 2 (verde) do metrô e descemos na estação Sinchon.

Quando montei nosso roteiro, li na internet que a região é conhecida pelo vai e vem alegre de estudantes, que alternam a jornada entre salas de aula e escapadelas para um café com os amigos ou para compras. À noite, a aura acadêmica dá espaço ao movimento dos bares, restaurantes e boates.

Sinchon-dong

Sinchon-dong

A iluminação supercolorida das ruas de Sinchon-dong proporcionava um clima perfeito para o burburinho já instaurado. Como mosquitos estúpidos que perseguem a luz – uns acabam morrendo eletrocutados –, guiamo-nos pelo lampejo das placas à procura de uma bela birita e de uma comida coreana da melhor qualidade. Rodamos, rodamos, rodamos e não encontramos o tipo de bar que nos agrada. Havia, sim, zilhares de restaurantes, mas um boteco estilo gente desajustada não tinha. Focamos então na comida. Foi o momento propício para experimentarmos o famoso bulgogi, o churrasco coreano. Depois da dificuldade ao tentar decifrar os cardápios expostos na porta de cada estabelecimento, entramos em um restaurante. Nada era traduzido. Tivemos que nos virar para pedir nosso banquete. A garçonete, uma senhora de trejeitos pra lá de nativos, não sabia falar nem Good night, quanto mais traduzir o extenso menu. Insistia em repetir uma frase em coreano, e quanto menos compreendíamos o que dizia, mais ela tentava se explicar, com a impaciência circulando nas veias da testa. Na mediocridade de seu modus comunicandi, nem gesticular a dona sabia. De qualquer forma, isso foi divertido.

Bulgogi servido em restaurante de Sinchon-dong

Bulgogi servido em restaurante de Sinchon-dong

Melhor do que comer um bulgogi é poder prepará-lo. O ritual se inicia na cozinha do restaurante, em que a carne, geralmente bovina, é marinada em uma mistura à base de molho de soja, açúcar, óleo de gergelim, alho e pimenta, além de outros ingredientes que podem variar de acordo com a receita do chef. Essa deliciosa cerimônia culmina com o pedido do cliente, que tem à disposição, no centro da mesa, uma grelha circular abastecida com carvão em brasa. O garçom traz a carne e o próprio comensal grelha sua refeição. Os banchan também são servidos.

Satisfeitos com a comida, retomamos nossa busca em Sinchon-dong pelo bar perfeito. Mas não o encontramos. Diferentemente do que li na internet, o bairro não parecia ser o melhor lugar para uns goles, embora estivesse abarrotado de gente se divertindo. Não estávamos gostando da região, mas valeu a pena passar ali para comer a carne na chapa. Tivemos também a oportunidade de assistir a uma breve apresentação de pré-adolescentes esquisitos aspirantes a uma carreira estelar como boy band estilo k-pop. Enquanto dublavam um hit coreano, faziam uma coreografia bem uén-uén, na certeza de que estavam arrasando corações naquela praça perto da estação do metrô. Arrependo-me por não ter filmado a cena.

Deixamos o bairro e retornamos ao hotel. Felizmente, a poucos metros de onde estávamos hospedados, encontramos um bar superbacana chamado Brew 3.14. Mal sabíamos que aqueles becos apertados de Ikseon-dong eram um lugar e tanto para se passar a noite em Seul. Mas isso eu conto adiante.

Brew 3.14, em Ikseon-dong (via Instagram)

Brew 3.14, em Ikseon-dong (via Instagram)

SEXTO DIA – Sábado, 5 de novembro de 2014

Statue of Brothers, Memorial da Guerra da Coreia, Parque Olímpico de Seul, Mongchontoseong, Seoul Olympic Museum, Itaewon-dong

Iniciamos o dia com uma visita ao Memorial da Guerra da Coreia. Para ir até lá, pegamos a linha 4 (azul) do metrô e descemos na estação Samgakji.

Antes de conhecer o memorial, passamos pela emocionante Statue of Brothers (Estátua dos Irmãos), um monumento de 11 metros de altura, símbolo da Guerra da Coreia. Essa estátua retrata o reencontro de dois irmãos que foram separados durante a divisão do país. Nessa belíssima representação de reconciliação, amor e perdão, um oficial da Coreia do Sul abraça seu irmão mais novo, um soldado da Coreia do Norte. O domo em que a estátua está posicionada possui uma rachadura, simbolizando a divisão do país e a esperança pela reunificação.

Statue of Brothers

Statue of Brothers

Em seguida, fomos ao Memorial da Guerra da Coreia, construído em homenagem aos heróis e vítimas das batalhas que assolaram a nação. É composto por sete exibições, que expõem uma coleção sensacional de mais de 13.000 objetos. Sua exposição foi inaugurada em 1994 no local onde funcionou o quartel general do exército. Não há quem não se encante com as enormes máquinas de guerra, localizadas na parte de fora do edifício.

Memorial da Guerra da Coreia

Memorial da Guerra da Coreia

Exibição externa do Memorial da Guerra da Coreia

Exibição externa do Memorial da Guerra da Coreia

Exibição externa do Memorial da Guerra da Coreia

Exibição externa do Memorial da Guerra da Coreia

O Memorial da Guerra da Coreia funciona de terça a domingo, das 9h às 18h. A última entrada é feita até as 17h. O ingresso é gratuito. Para mais informações, acese www.warmemo.or.kr.

Deixamos o memorial. Finalmente, chegara o momento da viagem mais esperado por mim: conhecer o Parque olímpico de Seul. O recalque que já durava mais de 30 anos estava prestes a ser desmantelado. Na verdade, essa visita estava agendada para o segundo dia da viagem, mas, devido ao atraso por causa da procura por uma casa de câmbio, tivemos que adiar o passeio para aquele sábado ensolarado e inspirador.

O percurso de metrô foi longo. O Parque Olímpico situa-se no distante bairro de Bangi-dong. Desembarcamos na estação Olympic Park e seguimos caminhando até os ginásios do complexo.

Parque Olímpico de Seul

Parque Olímpico de Seul

Eu ria à toa! Não via a hora de conhecer o parque aquático onde Greg Louganis sentou a cabeça na beirada do trampolim. Sim, meu desejo era mórbido, mas o incidente aconteceu numa época marcante da minha vida, quando eu me inspirava nesse legendário saltador americano e sonhava ardentemente em ser tão fod$%#@ quanto ele. Mesmo com a cabeça cheia de pontos, o cara levou o ouro. E quem não se lembra da cara abestada do nadador norte-americano Matt Biondi, que perdeu seu favoritismo nos 100 m borboleta para Anthony Nesty, atleta surinamês que nadava na raia 3?! Queria ver também o ginásio onde Yelena Shushunova e Daniela Silivas travaram um duelo inesquecível da ginástica artística.

Pelas fotos, é possível ver minha emoção diante do ginásio que abriga as piscinas. Fiz umas 20 selfies! Também posei com os braços abertos e com as mãos postadas em joinha e hang loose. A cara de jacu era notada a dezenas de metros de distância.

Ginásio da piscina olímpica, no Olympic Park

Ginásio da piscina olímpica, no Olympic Park

Conhecemos a piscina e visitamos por fora o ginásio que abrigou as competições de ginástica. Era hora de ir ao Jamsil Olympic Stadium. Não havia sinalização que indicasse a localização desse estádio, então começamos a procurar por ele. Mas nada de encontrá-lo. Como assim uma construção daquele tamanho não poder ser vista de canto algum do Parque Olímpico?! Sua arquitetura era inclusive familiar, pois me lembrava o Mineirão. Comecei a elucubrar sobre a eficiência econômica e política da Coreia do Sul, especulando que o estádio, após os Jogos Olímpicos de 1988, tornou-se um elefante branco, e que foi mais lucrativo para o governo mandá-lo ao chão a ter que sustentar uma estrutura que só gerava prejuízos. Enfim, desistimos do estádio e seguimos caminhando pelo fabuloso complexo.

88 Lake, no Ol-Park

88 Lake, no Ol-Park

Conhecido em inglês como Olympic Park e popularmente como Ol-Park, o Parque Olímpico de Seul é simplesmente maravilhoso! Além do espírito esportivo concedido pelos jogos – sente-se uma aura especial nos parques olímpicos –, o complexo possui uma beleza fora do comum. Naquele sábado ensolarado, famílias e amigos se divertiam em cada espaço dedicado à prática de esporte, à qualidade de vida, à contemplação e à adoração à natureza.

Dica balao 2

Estávamos embasbacados com o espetáculo tricolor do outono sul-coreano. Constantemente, meus leitores me perguntam qual época do ano é a melhor para se conhecer determinado lugar do planeta. Entre outras orientações, respondo que as primaveras são mais floridas e os verões, mais alegres. Contudo, eu e o Élcio fazemos nossas viagens quase sempre nos invernos, em que os preços são mais baixos, as filas são bem menores e as promoções são mais atraentes. Mas, para Seul, indico o outono. Os tons vermelho, verde e amarelo da vegetação são um espetáculo à parte. Não há uma área arborizada da cidade que não deixe o visitante hipnotizado. Nessa época, faz frio, mas nada que um chazinho, um bulgogi ou uma boa dose de soju não resolvam. Agasalhos também são importantes, é claro.

Passamos pela Mongchontoseong, uma fortaleza que data do reino de Baekje (18 a.C – 660 d.C.). Estima-se que sua estrutura possuía 2,7 quilômetros de extensão e de 6 a 7 metros de altura. Durante os jogos olímpicos, a corrida do pentatlo moderno ocorreu nesse lugar.

Mongchontoseong, no Ol-Park

Mongchontoseong, no Ol-Park

Mongchontoseong, no Ol-Park

Mongchontoseong, no Ol-Park

Continuamos caminhado pelo parque. Tanta beleza nunca era demais.

Ol-Park

Ol-Park

Ol-Park

Ol-Park

Em seguida, fomos ao Seoul Olympic Museum, um museu voltado à história dos jogos de 1988 e das olimpíadas em geral. Sabe aquela criança que conhece uma história de cabo a rabo e conta cada detalhe da trama, inclusive o final? Naquele museu, eu era essa criança. Sabia de tudo! Sem legendas, citei a falecida Florence Griffith-Joyner, o bombado Ben Johnson, o mítico Carl Lewis, o campeoníssimo Serguei Bubka, nosso medalhista de ouro Aurélio Miguel, a super Kristin Otto (é claro que estava bombada!) e tantos outros ídolos. E nada disso era novidade para o Élcio, tão viciado em olimpíadas quanto eu.

Seoul Olympic Museum

Seoul Olympic Museum

O Seoul Olympic Museum funciona de terça a domingo, das 10h às 18h. A última entrada é feita 30 minutos antes do encerramento. O ingresso é gratuito.

Nossa jornada pelo Ol-Park chegara ao fim. Deixamos o complexo pelo deslumbrante World Peace Gate, um monumento dedicado à paz mundial.

World Peace Gate, no Ol-Park

World Peace Gate, no Ol-Park

Antes de dar seguimento ao relato daquele dia, preciso contar um detalhe importantíssimo sobre o Parque Olímpico, que descobri somente quando cheguei ao Brasil e que me deixou enfurecido. Sabe o estádio que achei terem demolido? Está de pé, no mesmíssimo lugar. Sabe a piscina que visitei e me emocionei diante da lembrança das competições de saltos ornamentais e de natação? Não era a mesma. Fique muito puto! O fato é que as competições dos jogos de 1988 sediadas em estádios e arenas aconteceram em dois lugares de Seul: no Olympic Park, que foi onde estivemos, e no Seoul Sports Complex, que é o local onde está o Jamsil Olympic Stadium e a piscina tão venerada por mim. Se você é fã de olimpíadas assim como eu e o Élcio, indico as duas visitas. O Ol-Park é certamente mais belo, mas a aura dos jogos paira sobre os dois. Para ir ao Sports Complex, pegue as linhas 9 (ocre) ou 2 (verde) do metrô e desça na estação Sports Complex. Para ir ao Ol-Park, pegue a linha 9 e desça em Olympic Park ou a linha 8 (rosa) e desça em Mongchotoseong.

Quase sempre que pegávamos o metrô, desembarcávamos na estação Jongno 3-ga, atravessando os becos do coreaníssimo Ikseon-dong até chegar ao hotel. Conforme já relatei, o trajeto era meio labiríntico, mas rapidamente nos acostumamos. No meio do caminho, cruzávamos com pequenos estabelecimentos bem interessantes. Perto da estação, havia uma boa variedade de restaurantes que serviam bulgogi e outros pratos da cozinha tradicional coreana. Tirando a ida ao Brew 3.14 na noite anterior, não tínhamos muita segurança para frequentar um daqueles estabelecimentos. Possuíam um aspecto nativista tão arraigado que nos fazia pensar que, por ali, não conseguiríamos, por exemplo, nos comunicar com os funcionários. Quanta jequice! Já passamos por apertos muito maiores em outras cidades, por que então não triunfaríamos em Ikseon-dong?! Final da história: não desfrutamos desse bastião da comida de rua, que, naquele sábado, encontrava-se abarrotado de gente de todo tipo, uns se deleitando num happy hour celestial (os coreanos amam isso!), outros apenas se aquecendo para uma noitada bem longa.

Caminhando pelos becos apertados de Ikseon-dong

Caminhando pelos becos apertados de Ikseon-dong

Ikseon-dong

Ikseon-dong

Ikseon-dong

Ikseon-dong

Mas nossa night seria ótima, mesmo longe de Ikseon-dong. Retornamos ao megaboêmio Itaewon-dong. Naquela noite, a joie de vivre experimentada na terça-feira anterior atingiria níveis de glorificação raramente alcançáveis. Sim, esforço-me ao falar de vadiação, mas que me atire a primeira pedra (de gelo em cubo) quem esteve ali e não se jogou. Na terça, frequentamos apenas um ínfimo trecho do bairro. Dessa vez, fomos ao outro lado da via Itaewon-ro (saída 1 ou 2 da estação Itaewon). Passamos por bares muito bacanas, mas um deles não posso deixar de citar: o atulhado Prost Pub & Grill. Vendo de fora, parecia ser impossível ingressar no local, mas nunca foi tão fácil entrar em um estabelecimento lotado.

Prost Pub & Grill, em Itaewon-dong

Prost Pub & Grill, em Itaewon-dong

Pessoas bonitas de todos os cantos do universo frequentavam o Prost (que nome intrigante!…), disputando cada espaço para se deliciar em bebidas, tira-gostos e paquera. Senti-me bastante à vontade ao ver que não havia “limite de idade”. Para fruir o lugar, bastava apenas ser gente grande com energia suficiente para uma dose extra de badalação. Mas, infelizmente, minha vibe estava desalinhada com a do clã ali presente. O “excesso de bem-estar” me incomodava, e nossa permanência no bar não foi muito longa. O Élcio deve ter ficado puto comigo, mas não estava rolando. Mesmo assim, indico o Prost. Esse conceituado pub situa-se próximo à estação do metrô, a um quarteirão acima da Itaewon-ro, na Itaewon-ro 27ga-gil (os nomes das vias são parecidos), atrás do Hamilton Hotel.

Fim de noite? Claro que não! Ainda rolou uns birinights pelas redondezas.

Finalizando a noite em bar de Itaewon-dong

Finalizando a noite em bar de Itaewon-dong

SÉTIMO E ÚLTIMO DIA – Domingo, 6 de novembro de 2014

Prisão de Seodaemun, Gangnam-gu, Insa-dong

Acordamos não tão cedo e rumamos para a Prisão de Seodaemun. Seu edifício foi construído no final da Dinastia Joseon, em 1907. Ali, soldados japoneses torturavam e executavam coreanos seguidores do movimento pela independência da Coreia, uma campanha militar e diplomática focada na libertação do país do poder do Japão.

Prisão de Seodaemun

Prisão de Seodaemun

Entre torres de observação, celas, porões sombrios e salas de tortura, o visitante é exposto aos fatos que marcaram a vida dos cidadãos que ali viveram e morreram durante esse capítulo macabro da história nacional.

Prisão de Seodaemun

Prisão de Seodaemun

Prisão de Seodaemun

Prisão de Seodaemun

Embora possua uma atmosfera soturna e triste, a prisão de Seodaemun é atração indicadíssima em Seul. Funciona de terça a domingo, das 9h30 às 18h nos meses de março a outubro e das 9h30 às 17h nos meses de novembro a fevereiro. A última entrada deve ser feita 30 minutos antes do encerramento. Para chegar lá, pegue a linha 3 do metrô (laranja) e desça na estação Dongnimmun pela saída 6.

Deixamos o presídio e atravessamos a cidade até um dos lugares mais abastados da Coreia do Sul. É claro que você já teve o saco torrado pelo artista pop coreano Psy e sua composição Gangnam Style! E duvido que você nunca arriscou um pequeno trecho daquela coreografia estranha, mas instigante. Já fiz isso em alguma festa de casamento. Enfim, esse hit campeão de visualizações no YouTube trata do estilo de vida dos moradores e dos frequentadores de Gangnam-gu, distrito bastante estribado de Seul. Não sei se visitamos a parte mais bacana do bairro. Pelas indicações que vi na internet, tudo apontava para a área nos arredores da estação de metrô Gangnam.

Arranha-céus do distrito de Gangnam-gu

Arranha-céus do distrito de Gangnam-gu

Tendências, tecnologia, dinheiro, juventude, energia. Derreta tudo isso e terá uma ideia do que se passou na cabeça do Psy ao compor seu maior sucesso. Vá a Gangnam e se perca entre uma infinidade de butiques, cafés, cinemas e boates. Se ali à tarde já havia um movimento enlouquecedor, imagina à noite.

Gangnam

Gangnam

O grande número de jovens circulando em Gangnam se justifica não somente na vontade de consumir ou de se socializar. A área possui a maior concentração de escolas particulares e de cursinhos da Coreia do Sul. É facílimo entrar em um café e ver pessoas estudando para exames como o TOEFL, o GMAT ou o vestibular. Com isso em vista, dá para se ter uma ideia do nível de educação da moçada. A concorrência no mercado é altíssima, assim como a pressão sofrida pelos que almejam uma carreira de sucesso. Coreano preguiçoso não tem vez!

Gangnam

Gangnam

A fama de que as lojas de Gangnam são careiras não procedeu, pelo menos na maneira como eu esperava. Em alguns negócios, os preços eram bons, considerando a variedade e a qualidade dos produtos. Eu mesmo comprei uma botina bem Ganganm style por um preço bem Avenida Paraná (quem é de BH me entendeu).

O bairro também é conhecido pelo belíssimo Templo de Bongeunsa, mas não animamos de ir até lá, pois já estava ficando tarde. Para chegar até ele, pegue a linha 2 do metrô (verde) e desça em Samseong pela saída 6. Caminhe 600 metros em direção ao Rio Han. Vire à esquerda e caminhe por mais 150 metros até o templo.

Nossa inesquecível estadia em Seul estava quase no fim. Para encerrar a viagem com chave de ouro, voltamos à Insadong-gil, em Insa-dong. Compramos alguns souvenirs e tomamos chá verde, mas o motivo de nossa terceira visita ao bairro era um desafio. Precisávamos mostrar aos amigos que comeríamos uma porção de pupa de bicho-da-seda. Quando anunciamos no Facebook que em Seul provaríamos o tal beondegi, todos duvidaram. Bem, eu não como nem camarão, mas sou chegado na crocância de um inseto. Nunca havia degustado um, mas, assistindo aos programas de comidas excêntricas da TV a cabo, tinha a impressão de que esses bichinhos eram bem gostosos e salgadinhos.

Insadong-gil, em Insa-dong

Insadong-gil, em Insa-dong

O beondegi é preparado em cozimento. Compramos uma porção que veio servida em um copo de papel. O primeiro a provar foi o Élcio. Espetou uma pupa e enfiou o bicho goela abaixo. Fez cara feia, apertou os olhos e pôs a mão na boca como se estivesse com vontade de vomitar. Confesso que sou fresco, mas o faniquito do meu amigo não me intimidou nem um pouco. Desconsiderando um besouro que meti na boca acidentalmente numa festa de criança – não vi que ele repousava sobre um brigadeiro –, o beondegi seria meu primeiro inseto. Mastiguei a pupa quase sem resistência e a ingeri. Comi outra, outra e mais outra. Devo ter degustado umas sete criaturas. Bom, o gosto não é, mas também não é desgraçado. O Élcio arrepia até hoje, mas, para mim, foi bem tranquilo. O importante é que cumprimos o desafio do Facebook. Toma, seus trouxas!

Caso você queira harmonizar o beondegi com vinho ou cerveja especial, a descrição é a seguinte: gosto de papel e textura de uva passa reidratada, preparado em um caldo que lembra água de feijão meio queimado e pouco temperado. Acho que se fosse frito, seria melhor.

Voltamos ao hotel e arrumamos as malas. Partiríamos de volta para o Brasil em poucas horas. A tristeza, como sempre, era inevitável. As minhas expectativas sobre Seul eram altíssimas devido ao meu elo afetivo com os Jogos Olímpicos de 1988, mas o que mais marcou minhas lembranças foram a simpatia e a história dos coreanos, um povo massacrado em seu passado, mas que se reergueu em pouquíssimas décadas e hoje apresenta um dos índices de desenvolvimento humano mais altos do planeta, numa trajetória de crescimento socioeconômico meteórica. É algo fascinante! Se eu voltaria lá?! Claro! Mesmo que a cultura seulense seja tão díspar da nossa, senti-me extremamente confortável, à vontade para ir e vir pela cidade sem temor algum. Inspiremo-nos nesse exemplo.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com


Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. Como sempre, texto leve e divertido. Adorei a introdução, que me fez lembrar de meu livro preferido na adolescência, O Encontro Marcado, de Fernando Sabido. Espero que você tenha tido a oportunidade de ler naquela época. Abraços!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Márcia! Muito obrigado 🙂 Acabei de publicar esse post. Seul foi um sonho! Não li “O encontro marcado”, mas fico lisonjeado com a comparação 🙂 Sua sugestão de leitura está anotada. Abraço!

  2. Stéphanie

    Que post rico, Alessandro!! Parabéns!
    As fotos ficaram sensacionais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O conjunto da arquitetura magnífica com o céu azul e as árvores coloridas é lindo!
    Por falar em colorido, quantas luzes!! Acredito que ficaria doidinha com tanta informação…hahahhha…ainda mais com a barreira do idioma e do alfabeto.
    Mas, com certeza, foi uma experiência única!!
    Fiquei salivando por um desses pratos (menos o inseto!! Cruzes, quanta coragem de vcs) hahhahahahaha

    Abraço!!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Stéphanie! Mais uma vez muitíssimo obrigado pelo prestígio ao blog. Seul é linda mesmo, duvido que alguém não se encantaria com a cidade. Como você mesmo disse, foi uma experiência única!

      Abraço 🙂

  3. Pingback: Não há como negar a alma de Varsóvia | Fui e vou voltar

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