Não há como negar a alma de Varsóvia

Cidade Velha (Stare Miasto) vista da Ponte Śląsko-Dąbrowski, em Varsóvia

Cidade Velha vista da Ponte Śląsko-Dąbrowski, em Varsóvia

Histórias extraordinárias podem dividir a cronografia de uma região em conquistas fascinantes e perdas inestimáveis. As vitórias e a estabilidade instituem exemplos a serem seguidos, e a crueldade deixa cicatrizes profundas e incuráveis. Direto ou tortuoso, o esboço dessa linha do tempo é ainda mais impressionante quando orientado pela solidez cultural, pela ousadia e pela capacidade de se reerguer. Quem conhece Varsóvia sabe do que estou falando.

Capital da Polônia desde 1596, Varsóvia já esteve no céu e no inferno. Foi praticamente desmantelada durante a Segunda Guerra Mundial, quando sua arquitetura exuberante foi pulverizada e a vibração de suas cores se dessaturou num cinza macabro, enterrando milhares de inocentes. Ela não se rendeu. Ressurgiu dos escombros, foi se equilibrando nas pernas surradas e aos poucos reaprendeu a andar. Mas a caminhada não seria nada fácil. Depois da guerra, veio o comunismo, dando uma continuidade sombria na história da cidade, que só pôde almejar horizontes mais amplos com a queda do regime, em 1990.

De 9 a 14 de fevereiro do ano passado, eu e o Élcio estivemos em Cracóvia. Foi uma viagem emocionante! De lá, seguimos de trem para Varsóvia, que complementou o nosso roteiro por terras polacas.

Ficamos hospedados no centro, próximo à estação de trem Warszawa Centralna. Não é a melhor localização da capital polonesa, pois se encontra afastada do centro histórico e das principais atrações. Mesmo assim, foi muito bom nos instalarmos por ali. O Hampton by Hilton, hotel em que ficamos, é espetacular e incrivelmente barato, além de sua proximidade com a estação e com o shopping Złote Tarasy, onde nos esbaldamos em mercadorias a preços de banana e nos servimos de outras facilidades.

Centro de Varsóvia visto do Hotel Hampton by Hilton

Centro de Varsóvia visto do Hotel Hampton by Hilton

Centro de Varsóvia visto do Hotel Hampton by Hilton

Centro de Varsóvia visto do Hotel Hampton by Hilton

PRIMEIRO DIA – Sábado, 14 de fevereiro de 2015

Palácio da Cultura e Ciência, shopping Złote Tarasy e Cidade Velha

Chegamos à cidade por volta das 14h. Se você é um leitor costumaz deste blog, já deve saber que iniciarei o relato dizendo que não bastou nos instalarmos no hotel para darmos início à bateção de perna por Varsóvia. Tem que ser assim! Logo que o turista aporta em determinado lugar, a ele é permitido tomar um banho ou a satisfação das necessidades biológicas. Dormir, nem pensar! Nesse ritmo, seguimos caminhando até um dos principais edifícios da cidade, retratado em cartões postais e, principalmente, nos layouts stalinistas da fabulosa Escola Polonesa de Cartazes (Polska Szkoła Plakatu). Trata-se do Palácio da Cultura e Ciência (Pałac Kultury i Nauki).

Palácio da Cultura e Ciência

Palácio da Cultura e Ciência

Construído em 1955 como presente do líder soviético Josef Stalin ao povo polonês, o arranha-céu possui 33 andares distribuídos por 231 metros de altura, abrigando instituições como uma das sedes da Academia de Ciências da Polônia e a universidade Collegium Civitas, além de bibliotecas, cinemas, teatros, museus e outros postos de entretenimento. É permitido – e obrigatório! – subir ao 3oº andar para uma visão panorâmica de tirar o fôlego. Assim o fizemos.

Centro de Varsóvia visto do terraço do Palácio da Cultura e Ciência

Centro de Varsóvia visto do terraço do Palácio da Cultura e Ciência

Estádio PGE Narodowy visto do terraço do Palácio da Cultura e Ciência

Estádio PGE Narodowy visto do terraço do Palácio da Cultura e Ciência

Varsóvia vista do terraço do Palácio da Cultura e Ciência

Varsóvia vista do terraço do Palácio da Cultura e Ciência

Ao frequentar o prédio, os estrangeiros têm a sensação de estar numa das maiores conquistas nacionais. A magnificência do edifício e suas amenidades são, de fato, um grande atrativo. Contudo, o Palácio da Cultura e Ciência é odiado por muitos varsovianos. Tanto que, a ele, foram atribuídas alcunhas depreciativas como “Bolo de Noiva Russo”, “Palito”, “Palhaço”, “Seringa de Stalin” e “Elefante de Calcinha de Renda”. O simbolismo impregnado em cada metro quadrado daquela construção art déco remonta ao período em que a Polônia esteve sob o domínio dos soviéticos. Se perguntarem a um polonês sua opinião sobre os nazistas, ele poderá dizer que a atual sociedade alemã não é culpada pelas atrocidades cometidas há várias décadas pelos seus líderes lunáticos. Mas se ele for questionado sobre seus sentimentos em relação à Rússia, a resposta poderá ser diferente. Ainda que o regime comunista tenha caído na Polônia faz mais de 25 anos, dizem as más línguas que tem polaco sendo assombrado por fantasmas ditadores russos. Eu acredito.

Palácio da Cultura e Ciência

Palácio da Cultura e Ciência

Dica balao 2

O Palácio da Cultura e ciência situa-se na plac Defilad, a um quarteirão da estação Warszawa Centralna. Para mais informações sobre o edifício e suas atrações, acesse www.pkin.pl.

Do Elefante de Calcinha de Renda (Cristo!), rumamos para a praça de alimentação do shopping Złote Tarasy. Não comíamos desde Cracóvia! Em seguida, voltamos ao hotel para um breve acesso à internet. Momentos mais tarde, pegamos um táxi e fomos à Cidade Velha (Stare Miasto), onde pretendíamos somente tomar umas biritas e beliscar algum tira-gosto.

Praça do Castelo (plac Zamkowy), na CIdade Velha

Praça do Castelo, na Cidade Velha

Cracóvia já havia nos mostrado as virtudes do seu estilo de vida boêmio, então estávamos ansiosos para dar continuidade à atividade etílica em Varsóvia. Mas a beberrança na capital administrativa da Polônia parecia ser bem mais branda do que na capital cultural. Não encontramos muitos bares interessantes na Cidade Velha como aqueles que frequentamos em Cracóvia, precisamente na Praça Nova, pérola do bairro judaico de Kazimierz. O taxista varsoviano até nos ofereceu uma ida a uma região que, segundo ele, era repleta de boates. Não me lembro do nome do lugar sugerido, mas a oferta do rapaz não parecia muito “legítima”. Tivemos a impressão de que ele estava nos indicando um tipo de diversão mais adulta – se é que você me entende. Enfim, mantivemos o rumo até a Cidade Velha. Penso que teríamos sido mais felizes se tivéssemos ido ao bairro de Praga. Há alguns anos, essa região no outro lado do Rio Vístula era manchada pela delinquência, a ponto de receber o apelido de “Triângulo das Bermudas”. Ali, a criminalidade só não era maior porque não existia faculdade que ensinasse o ofício de ser bandido. Hoje, Praga é local de arte, comensalismo, bebedeira, flertes e esbórnia, frequentado por gente criativa, culta, gastronômica, moderna, perdida ou contida. Por que não fomos até lá? Porque fiquei sabendo disso tudo somente agora. Provavelmente fui irresponsável no planejamento do roteiro. Fui sim. De qualquer forma, na Cidade Velha, não me faltaram boas doses de nalewka, delicioso elixir polonês feito de vodca, com 32% de graduação alcoólica. O Élcio ficou com os vinhos. De tira-gosto? Uma salsicha espetacular e otras cositas más.

Dose de nalewka

Dose de nalewka

Tira-gosto de salsicha

Tira-gosto de salsicha

Para desintoxicar o organismo, caminhamos pelas redondezas da Stare Miasto. É belíssima! Na manhã seguinte, conheceríamos suas principais atrações.

Igreja de Santa Ana e Biblioteca Central da Universidade Agrícola Michael Oczapowskiego, na Cidade Velha

Igreja de Santa Ana e Biblioteca Central da Universidade Agrícola Michael Oczapowskiego, na Cidade Velha

Por fim, reintoxicamo-nos num bar próximo ao hotel. Era Dia de São Valentim. Não tão sóbrios, olhamos para o adorado Palácio da Cultura e Ciência e notamos que estava especialmente iluminado em tons rubros, remetendo à paixão. Ou toda aquela vermelhidão seria uma recaída comunista? Claro que não!

Palácio da Cultura e Ciência iluminado para o Dia de São Valentim

Palácio da Cultura e Ciência iluminado para o Dia de São Valentim

SEGUNDO DIA – Domingo, 15 de fevereiro de 2015

Cidade Velha, Cidade Nova, Museu Marie Curie, Praça do Mercado da Cidade Nova, Parque da Fonte Multimídia, Barbacã de Varsóvia, Praça do Mercado da Cidade Velha, deck de observação da colina Gnonja, Catedral de São João, Castelo Real, Coluna de Sigismundo, passeio Varsóvia Judaica e Nowy Świat

Começamos a jornada com um retorno à Cidade Velha. Para chegar lá, pegamos o ônibus 175 de frente para a Warszawa Centralna, no outro lado da Avenida Jerozolimskie.

Igreja de Santa Ana e Biblioteca Central da Universidade Agrícola Michael Oczapowskiego, na Cidade Velha

Igreja de Santa Ana e Biblioteca Central da Universidade Agrícola Michael Oczapowskiego, na Cidade Velha

A Cidade Velha é, sem dúvidas, um dos espaços urbanos mais bonitos do planeta! À noite, encantamo-nos com suas ruas e edifícios iluminados. Naquela manhã cinzenta, ela se mostrava ainda mais viçosa.

Praça do Castelo, na Cidade Velha. No lado esquerdo está Coluna de Sigismundo (kolumna Zygmunta III Wazy)

Praça do Castelo, na Cidade Velha. No lado esquerdo está a Coluna de Sigismundo

Quem não conhece sua história não imagina que as tradicionais construções da Cidade Velha são, de certa forma, recentes. Durante a Invasão da Polônia, em 1939, a força aérea alemã, conhecida como Luftwaffe, bombardeou e destruiu vários edifícios residenciais e históricos do bairro. Parte disso foi reconstruída, mas o Levante do Gueto de Varsóvia, insurreição ocorrida em abril e maio de 1943, e a Revolta de Varsóvia, ocorrida de agosto a outubro de 1944, irritaram Hitler profundamente, que se vingou destruindo a cidade sistematicamente até deixá-la com apenas 15% de suas edificações de pé. O grandioso bairro não foi poupado.

Cidade Velha em ruínas, em dezembro de 1944. Foto: Agência Polonesa de Imprensa

Cidade Velha em ruínas, em dezembro de 1944. Foto: Agência Polonesa de Imprensa

Hoje, o que se vê na Cidade Velha é fruto de grande coragem e esforço dos poloneses. Durante anos, de tijolo em tijolo – muitos originais –, essa parte histórica de Varsóvia foi sendo heroica e orgulhosamente reerguida, trazendo de volta a vivacidade arquitetônica e libertando e reencarnando um espírito outrora enclausurado pela Alemanha Nazista. Na restauração, entulhos foram analisados para a reutilização de elementos decorativos. A cidade retratada em desenhos feitos por estudantes de arquitetura antes da Segunda Guerra Mundial e em pinturas do artista veneziano Bernardo Bellotto foram referências importantíssimas na meticulosa reconstrução.

Praça do Castelo, na Cidade Velha

Praça do Castelo, na Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Antes mesmo de conhecermos seus principais pontos turísticos, atravessamos todo o bairro até a Cidade Nova (Nowe Miasto) para visitar o Museu Marie Curie (Muzeum Marii Skłodowskiej-Curie), dedicado à vencedora de dois prêmios Nobel, Marie Curie. Entre outras grandes realizações, a cientista descobriu os elementos polônio e rádio. A exposição é pequena, mas não menos interessante, especialmente para os aficionados por química.

Museu Maria Sklodowska-Curie (Muzeum Marii Skłodowskiej-Curie)

Edifício do Museu Marie Curie

Dica balao 2

O museu situa-se na Rua Freta, 16, no prédio onde Marie nasceu. Por motivos de reforma, na época em que estivemos lá, a pequena exposição foi transferida temporariamente para o número 5 da mesma rua. Abre de terça a domingo. Entre junho e agosto, funciona das 10h às 19h, e de setembro a maio, das 9h às 16h30. Para mais informações, acesse en.muzeum-msc.pl.

Mural pintado na fachada do Museu Marie Sklodowska-Curie

Mural pintado na fachada do Museu Marie Curie

Depois da visita ao museu, passeamos um pouco pela Cidade Nova. O bairro foi inteiramente destruído após a Revolta de Varsóvia, e alguns de seus principais edifícios não foram restaurados. Lá, passamos brevemente pela Praça do Mercado da Cidade Nova (Rynek Nowego Miasta) e pelo Parque da Fonte Multimídia (Multimedialny Park Fontann), que fica às margens do Vístula.

Praça do Mercado da Cidade Nova (Rynek Nowego Miasta)

Praça do Mercado da Cidade Nova

Parque da Fonte Multimídia (Multimedialny Park Fontann)

Parque da Fonte Multimídia

Retornamos à Cidade Velha pela Rua Freta até a Barbacã de Varsóvia (Barbakan warszawski), erigida em 1540 para proteger a Rua Nowomiejska. A fortaleza já se encontrava ultrapassada logo após sua construção, não servindo para muita coisa, exceto no século 17, quando defendeu a cidade da invasão sueca conhecida como Dilúvio.

Igreja de São Jacinto, na Rua Freta

Igreja de São Jacinto, na Rua Freta

Rua Freta. Igreja do Divino Espírito Santo (Kościół św. Ducha) ao fundo

Rua Freta. Igreja do Divino Espírito Santo (Kościół św. Ducha) ao fundo

Barbacã de Varsóvia (via Instagram)

Barbacã de Varsóvia (via Instagram)

A bela fortificação foi severamente destruída durante a Segunda Guerra mundial, sendo reconstruída entre 1952 e 1954.

Barbacã de Varsóvia (barbakan warszawski)

Barbacã de Varsóvia (barbakan warszawski)

Deixamos a Barbacã de Varsóvia e seguimos pela Nowomiejska até a Praça do Mercado da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta), área mais antiga daquele bairro, demarcada no século 13, junto à fundação da cidade.

Praça do Mercado da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta)

Praça do Mercado da Cidade Velha

A praça era um espaço de comércio e de execuções esporádicas. Um edifício formidável do século 16 abrigava a prefeitura. Os ataques promovidos pelo exército alemão destruíram o local completamente, sendo restaurado entre 1948 e 1953.

Praça do Mercado da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta)

Praça do Mercado da Cidade Velha

No centro da praça, havia um pequeno ringue de patinação. Que vontade de deslizar no gelo!… e quebrar um pulso… ou fraturar o cóccix… ou torcer um joelho… Nem pensar! Já bastou um susto que tomei em Helsinque meses mais tarde, onde, na procura por comida barata (impossível na capital finlandesa!), virei o pé num bueiro mal tampado. Para mim, turista é igual atleta em dias de competição: nada de gracinhas que ponham a integridade física em risco.

Ringue de patinação montado na Praça do Mercado da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta)

Ringue de patinação montado na Praça do Mercado da Cidade Velha

Ali na praça, visitaríamos o Museu Histórico de Varsóvia (Muzeum Warszawy), mas estava fechado pera restauração. Uma pena! Nele, a história da cidade, desde sua fundação até os dias atuais, é contada por meio de 250.000 objetos divididos em pinturas, ilustrações, esculturas, peças decorativas, numismática, arqueologia, entre outras formas de exibição.

Aproveitamos que estávamos ali e caminhamos um quarteirão pela Rua Celna até o deck de observação da colina Gnonja, que fica de frente para o modesto Teatro Małego Widza. A vista do local é simples, mas o espaço é bem charmoso. Caso você se interesse em eternizar um relacionamento, prenda um cadeado com o nome da pessoa enamorada na balaustrada de frente para o Vístula. Mas saiba: estudos apontam que pendurar cadeados com o nome do casal na esperança de prender o ente amado NEM SEMPRE funciona.

Cadeados pendurados na balaustrada do deck de observação da colina Gnonja

Cadeados pendurados na balaustrada do deck de observação da colina Gnonja

Passagem Dawna, próximo ao deck de observação da colina Gnonja

Passagem Dawna, próximo ao deck de observação da colina Gnonja

Do deck, atravessamos a passagem Dawna até a Catedral de São João (Bazylika Archikatedralna w Warszawie p.w. Męczeństwa św. Jana Chrzciciela), igreja católica sede da Arquidiocese de Varsóvia.

Catedral de São João (Bazylika Archikatedralna w Warszawie p.w. Męczeństwa św. Jana Chrzciciela)

Catedral de São João

Construída no século 14 no estilo gótico característico da Mazóvia, a igreja foi local de coroação e sepultamento de vários duques daquela região polonesa. No século 16, motivado pelo assassinato do rei Henrique IV da França, um homem chamado Michał Piekarski decide matar o rei Sigismundo III na porta da catedral. Embora o ataque tenha fracassado, preventivamente, a rainha Anna Jagiellonka ordenou a construção de uma passagem de 80 metros ligando o Castelo Real (Zamek Królewski) às dependências da igreja.

Ao fundo está a passagem Anna Jagiellonka, que liga o Castelo Real à Catedral de São João

Ao fundo está a passagem Anna Jagiellonka, que liga o Castelo Real à Catedral de São João

Lutas heroicas foram travadas na catedral durante a Revolta de Varsóvia. Com o fim da insurreição, o exército alemão instalou explosivos na igreja já danificada, destruindo-a quase que completamente. Sua reconstrução, baseada em ilustrações do século 17, trouxe de volta a aparência que tinha no século 14, diferente do estilo neogótico que possuía no período que antecedeu a guerra.

Naquele ponto do passeio, estávamos perplexos com tanta perversidade. Não bastasse a matança de milhares de inocentes, Hitler sublimava sua barbaridade apeando a cidade inteira. O Castelo Real, atração que visitaríamos em seguida, foi o exemplo maior do delírio desse líder nazista em relação à destruição de Varsóvia.

Castelo Real de Varsóvia (Zamek Królewski)

Castelo Real de Varsóvia

Antiga sede do parlamento e do senado poloneses, bem como residência oficial da realeza, o Castelo Real é símbolo de soberania, orgulho e renascimento.

Pátio central do Castelo Real de Varsóvia

Pátio central do Castelo Real de Varsóvia

Construído originalmente no final do século 16, a bela edificação sofreu inúmeras reformas, mas nenhuma como a de 1971, concluída somente em 1984. Nos dias que se seguiram à Revolta de Varsóvia, os alemães, num primeiro momento, saquearam peças de valor do castelo como pinturas e móveis. Depois, removeram o telhado para acelerar o processo de destruição. Por fim, instalaram explosivos por todo o prédio e os detonaram impiedosamente. Do formoso edifício, nada restou, a não ser pedregulho e dois fragmentos de parede.

The Royal Castle in Warsaw, 1945, por M. Wolagiewicz. Disponível em commons.wikimedia.org

O Castelo Real em Varsóvia, 1945, por M. Wolagiewicz. Disponível em commons.wikimedia.org

Vaporizar o Castelo Real era parte de um plano de Hitler para erguer, no local, um luxuoso volkshalle, ou Salão do Povo. Outra alternativa seria um pomposo salão de congressos para o Partido Nazista.

Atualmente, o castelo abriga um museu. Sua exposição compreende espaços como as Salas Jaguelônicas, as Casas do Parlamento, os Aposentos Reais, o Gabinete Numismático, a Arcada Kubicki, o Palácio do Telhado de Cobre e a Coleção Lanckoroński. Minhas seções favoritas são a Sala do Trono, a antiga Câmara dos Deputados e o Salão Canaletto, que exibe obras do já mencionado Bernardo Bellotto, sobrinho do célebre mestre veneziano Giovanni Antonio Canal, o Canaletto. Não chegamos a ir a todas as atrações do complexo, fizemos apenas o passeio Castle Route, que, para nossa alegria, é grátis aos domingos.

Sala do Trono (Sala Tronowa), no Castelo Real

Sala do Trono (Sala Tronowa), no Castelo Real

Antiga Câmara dos Deputados (Dawna izba poselska), no Castelo Real

Antiga Câmara dos Deputados (Dawna izba poselska), no Castelo Real

Corredor Nacional, no Castelo Real

Corredor Nacional, no Castelo Real

Palácio do Telhado de Cobre (pałac Pod Blachą), no Castelo Real

Palácio do Telhado de Cobre (Pałac Pod Blachą), no Castelo Real

Dica balao 2

Ir a Varsóvia e não visitar o Castelo Real é como ir ao Rio de Janeiro e não conhecer o Cristo Redentor (não o conheço, mea-culpa). É passeio imprescindível na capital polonesa! Para informações como datas, horários, tarifas, passeios guiados e exposições, acesse www.zamek-krolewski.pl.

De frente para o castelo, ergue-se imponente a emblemática Coluna de Sigismundo (Kolumna Zygmunta III Wazy), monumento de grande importância para os poloneses. É uma homenagem ao rei Sigismundo III, que, em 1596, transferiu a capital nacional de Cracóvia para Varsóvia.

Coluna de Sigismundo (kolumna Zygmunta III Wazy)

Coluna de Sigismundo

Já passava das 13h. Estávamos bem adiantados no roteiro, uma vez que não visitamos o Museu Histórico de Varsóvia, que estava fechado. Fome? De jeito nenhum! Passear na cidade estava tão fascinante que não tínhamos vontade de mais nada. É claro que, se nos fosse apresentado um prato cheio de delícias nativas, não recusaríamos o cheiroso manjar e devoraríamos tudo sem pressa ou culpa. Hum, nada como uma porção de pierogi, os famosos pastéis cozidos recheados de batata, chucrute, queijo, carne… Ou um guisado de repolho e carne chamado bigos… Nossa, e o gulash?! Amo goulash! Amo também kotlet schabowy, uma espécie de porco à milanesa, bem similar ao schnitzel austríaco. Já o Élcio cairia matando num golonka, que nada mais é do que um suculento joelho de porco. Enfim, a culinária polaca é sensacional, mas, como eu disse, não tínhamos fome, então continuamos a bater perna.

Dica balao 2

Durante aquela manhã, vimos algumas pessoas carregando uma bandeirinha sinalizadora nas costas, guiando grupos de visitantes. Ali na Coluna de Sigismundo, resolvemos perguntar a elas como funcionava o serviço e descobrimos que se tratava de passeios gratuitos pela cidade. O turista paga se quiser e o quanto quiser. A empresa organizadora dessa atividade chama-se Free Walking Tour. Os percursos são a pé, passando em pontos relacionados ao tema de cada excursão. Não há acesso a atrações pagas, que devem ser visitadas em outro momento e por conta do turista, caso ele se interesse. As caminhadas duram em torno de duas horas (bom argumento para expelir a vodca do organismo), com partidas na Coluna de Sigismundo e na estátua de Charles de Gaulle, que fica no encontro das avenidas Marszalkowska e Jerozolimskie. Para saber sobre os passeios, datas, horários e demais informações, acesse www.freewalkingtour.com.

Não tínhamos como recusar um programa desses. Estávamos ali na Coluna de Sigismundo, a poucos minutos do início do próximo tour, que seria o Varsóvia Judaica, às 14h. Então nos juntamos aos turistas que iam se aglomerando. Essa excursão acontece todos os dias, no mesmo horário. De novembro a março, parte às 14h, e de abril a outubro, às 15h.

Błażej dá as primeiras instruções ao grupo

Błażej, guia da Free Walking Tour, dá as primeiras instruções ao grupo

O guia chamava-se Błażej, que, mais tarde, avaliamos no TripAdvisor com honrosas e brilhantes 5 bolinhas. Ele nos levou aos lugares mais representativos da história dos judeus varsovianos.

Começamos a caminhada pela Avenida Solidarności. Logo no início, avistamos à esquerda o Monumento aos Heróis de Varsóvia (Pomnik Bohaterów Warszawy), também conhecido como Niké de Varsóvia, uma escultura erguida a sete metros de altura para homenagear todos aqueles que morreram na cidade entre 1939 e 1945.

Monumento aos Herois de Varsóvia (Pomnik Bohaterów Warszawy), no início da Avenida Solidarności

Monumento aos Heróis de Varsóvia, no início da Solidarności

Pouco mais adiante, no número 58 da Solidarności, Błażej nos mostrou marcas profundas na fachada de um edifício do Tribunal de Justiça. Acredito que o prédio não tenha sido derrubado durante a Segunda Guerra Mundial, mas aquelas “cicatrizes” eram uma pequena amostra de como sofreram os que estiveram ali naquela época de terror.

Marcas da guerra no edifício do Tribunal de Justiça, na Av. Solidarności, 58

Marcas da guerra no edifício do Tribunal de Justiça, na Av. Solidarności, 58

Após uma breve parada para ouvir sobre a história da Grande Sinagoga (Wielka Synagoga w Warszawie), que existiu no lugar onde atualmente está o prédio Błękitny Wieżowiec (Arranha-céus Azul, em polonês), deixamos a Solidarności pela direita e chegamos à Rua dos Heróis do Gueto (Bohaterów Getta), antiga Rua Nalewki, que, antes da Segunda Guerra Mundial, era habitada, principalmente, por judeus. Ali, os estabelecimentos comerciais prosperavam e a vida social era bastante movimentada. De toda essa ventura, restaram apenas o pavimento de pedras e os trilhos do bonde.

Local onde se situava a Grande Sinagoga (Wielka Synagoga w Warszawie)

Edifício Błękitny Wieżowiec, local onde existiu a Grande Sinagoga

Rua dos Heróis do Gueto (Bohaterów Getta), antiga Rua Nalewki

Rua dos Heróis do Gueto, antiga Rua Nalewki

Naquele ponto, já nos encontrávamos na região onde existiu o famigerado Gueto de Varsóvia (Getto warszawskie), um território delimitado pelos alemães em outubro de 1940 para confinar os judeus da cidade. O gueto era murado e ocupava apenas 2,4% do município, porém chegou a segregar cerca de 380.000 pessoas, quase um terço da população varsoviana, que ali viviam sob condições deploráveis, adoecendo de tifo e passando fome, sendo alimentadas com rações diárias de pouco mais de 170 calorias. A situação piorou quando, em junho de 1942, teve início a deportação em massa dos habitantes do gueto para o campo de extermínio de Treblinka. Por volta de 300.000 judeus foram transportados para o campo ou assassinados ainda em Varsóvia. Os mais de 60.000 que permaneceram confinados trabalharam como escravos para as fábricas alemãs. Deste grupo, meses depois, alguns decidiram unir forças e se rebelaram contra os nazistas, numa revolta organizada que recebeu o nome de Levante do Gueto de Varsóvia (Powstanie w getcie warszawskim). Os rebeldes muniram-se de bombas de fabricação caseira, coquetéis molotov e pistolas. Numa luta infinitamente desigual, até tiveram algum sucesso, mas sabiam que, mais cedo ou mais tarde, perderiam a batalha. No entanto, para os heroicos insurgentes, era bem mais digno morrer lutando do que em Treblinka.

Memorial que demarca a linha do muro do extinto Gueto de Varsóvia

Memorial que demarca a linha do muro do extinto Gueto de Varsóvia

Há poucos anos, para homenagear as vítimas do perverso aprisionamento, certos trechos da linha onde o muro se estendia tornaram-se memoriais. Foram colocadas placas de bronze em pontos importantes do extinto gueto, e a delimitação fronteiriça foi identificada com painéis afixados no chão. Na esquina das ruas Władysław Anders e Świętojerska, o guia nos mostrou a placa que marca uma das entradas mais importantes da área de confinamento. Foi por ali que, em 19 de abril de 1943, as tropas da SS ingressaram para assassinar o restante da população judaica que habitava o local. Os moradores, já preparados, contra-atacaram, dando início à revolta no gueto.

Memorial da esquina das ruas Władysław Anders e Świętojerska, uma das entradas do Gueto de Varsóvia

Memorial da esquina das ruas Władysław Anders e Świętojerska, uma das entradas do Gueto de Varsóvia

Dica balao 2

Além desses memoriais, apenas alguns fragmentos de poucos metros do muro estão de pé, um situado num pátio que fica na altura do número 60 da Avenida Złota e outro, que era uma das entradas do gueto, na Rua Żelazna, 63, quase esquina com Grzybowska. Não sei ao certo se há mais fragmentos.

Em alguns trechos do passeio, Błażej comentou sobre a topografia caracterizada por um relevo bem suave. Antes da Segunda Guerra Mundial, a capital polonesa encontrava-se sobre um terreno relativamente plano. Após a Revolta de Varsóvia, a destruição da cidade deixou entulhos que só poderiam ser removidos com um trabalho que duraria décadas. Dessa forma, em muitas áreas, optou-se por aterrar os escombros, constituindo um relevo artificial de baixas elevações. Ao caminhar pela cidade, especialmente na região onde existiu o gueto, o transeunte encontra pequenas escadas, rampas ou montes. O mais perturbador disso tudo é saber que, junto aos escombros, há muita gente soterrada.

Dando seguimento ao percurso, Błażej nos conduziu até a Rua Ludwika Zamenhofa, onde, no número 5, viveu Ludwik Lejzer Zamenhof, polonês criador do esperanto, um idioma de fácil aprendizagem inventado para que toda a população mundial conseguisse se comunicar sistematicamente. Segundo definição complexa do Wikipédia, “é uma língua aglutinante, sem gêneros gramaticais para entidades assexuadas, sem conjugação de verbos variáveis por pessoa ou número e com três modos – indicativo, imperativo e subjuntivo, além das formas nominais do verbo e seis particípios; tem apenas dois casos morfológicos: o acusativo e o nominativo”.

Casa de Ludwik Lejzer Zamenhof, criador do Esperanto

Casa de Ludwik Lejzer Zamenhof, criador do esperanto

Até tentamos fazer o mesmo que Ludwik no bairro Carlos Prates, em meados da década de 80. Nosso idioma, bem mais simples, consistia em pronunciar as palavras de trás para frente silabicamente (com algumas exceções), transformando o termo numa oxítona. Exemplificando, cito o nome do próprio idioma, “Strá Pra Tefrén”, ou o nome da região onde a língua surgiu, “Loscar Tesprá”. Para xingar um colega grosseiramente, dizíamos “Ivá martô no uc”. Segundo minha mãe, parecia que falávamos francês. Enfim, o Strá Pra Tefren não funcionou, porque era cheio de irregularidades. Já o esperanto…

Ainda na Rua Ludwika Zamenhofa, caminhamos até o Monumento aos Heróis do Gueto (Pomnik Bohaterów Getta), um belo memorial de 11 metros de altura dedicado aos guerreiros do Levante do Gueto de Varsóvia. Sua estrutura é uma alusão não somente às antigas muralhas segregadoras do bairro, mas também ao Muro das Lamentações, situado em Jerusalém.

Monumento aos Heróis do Gueto (Pomnik Bohaterów Getta). Museu da História dos Judeus Poloneses ao fundo

Monumento aos Heróis do Gueto. Museu da História dos Judeus Poloneses ao fundo

De agosto de 1942 até a extinção do gueto, o local abrigava o último edifício do Judenrat, um conselho judaico imposto pelos nazistas para coordenar as atividades da comunidade confinada. Era um intermédio entre os alemães e a população do gueto. Entre outras tarefas, os membros do conselho, todos judeus, eram responsáveis pela seleção de pessoas para trabalho escravo e pela assistência na deportação das vítimas que seguiriam para Treblinka.

De frente para o monumento, está o formidável Museu da História dos Judeus Poloneses (Muzeum Historii Żydów Polskich). Como o passeio não incluía uma visita à exposição, deixamos para conhecê-lo no último dia de nossa estadia em Varsóvia.

Ladeando o museu, estende-se a pequena Sendlerowej, uma via dedicada ao “Anjo do Gueto de Varsóvia”, Irena Sendlerowa, assistente social polonesa que ajudou a salvar mais de 2.500 pessoas durante o Holocausto. Além de esconder os filhos dos judeus na sua própria casa, Irena arriscava sua vida levando alimentos, roupas e medicamentos à população do gueto. Essa bela história pode ser conferida no filme O Coração Corajoso de Irena Sendler, disponível no Netflix.

Trecho da Aleja Sendlerowej

Trecho da Sendlerowej

Dali, prosseguimos até o número 18 da Rua Miła, onde funcionou o bunker da ŻOB (Żydowska Organizacja Bojowa, em português Organização da Luta Judaica), que, junto à ŻZW (Żydowski Związek Wojskowy, em português União Militar Judaica), lutou bravamente durante o Levante do Gueto de Varsóvia. Quando o bunker foi descoberto e invadido pelos nazistas, havia cerca de 300 pessoas lá dentro. Os rebeldes foram rendidos e forçados a deixar o esconderijo. Muitos conseguiram fugir, mas o líder da organização, Mordechaj Anielewicz, em companhia de sua namorada e de outros 49 integrantes do grupo, cometeram suicídio coletivo. Em homenagem a essas vítimas, seus corpos foram sepultados ali mesmo e o local se transformou num memorial de guerra.

Memorial Miła 18

Memorial Miła 18

Pedra contendo o nome dos 51 judeus mortos no bunker, no Miła 18

Pedra contendo o nome dos 51 judeus mortos no bunker da Rua Miła 18

Finalizando o tour, Błażej nos levou à Umschlagplatz, ponto da Rua Stawki onde os judeus eram reunidos pelos nazistas para serem deportadas para as câmaras de gás de Treblinka. Em dias normais, cerca de 10.000 pessoas eram amontoadas em vagões de carga e enviadas para seu destino fatídico. Em 18 de abril de 1988, 45 anos após a eclosão do Levante do Gueto de Varsóvia, foi erguido na Umschlagplatz um monumento em homenagem às vítimas dessa deportação em massa. As paredes abertas do memorial são uma alusão às portas de um vagão de carga. Há uma placa que diz “Ao longo deste caminho de sofrimento e morte, mais de 300.000 judeus foram transportados, entre 1942 e 1943, do Gueto de Varsóvia para as câmaras de gás dos campos de extermínio nazistas”.

Umschlagplatz

Umschlagplatz

Como você pôde perceber, o passeio Varsóvia Judaica foi uma excursão e tanto! Jamais conheceríamos a história dos judeus varsovianos com tal riqueza de detalhes. E não víamos a hora de embarcar no Varsóvia Comunista, também oferecido pela Free Walking Tour.

Fizemos nossa doação ao guia e deixamos o grupo. Pegamos o tram no outro lado da Stawki e retornamos à Cidade Velha para almoçar. Já passava das 16h30 quando nos acomodamos no Zapiecek, um restaurante bem aconchegante situado na Rua Świętojańska, 13, pertinho do Castelo Real. Conforme era de se esperar, o Élcio devorou um golonka (joelho de porco). Não me lembro do que comi, só sei que invejei os pratos de um casal de japoneses na mesa ao lado.

Golonka (joelho de porco) servido no Zapiecek

Golonka servido no Zapiecek

Bebida quente servida no Zapiecek

Bebida quente servida no Zapiecek

Do almoço, retornamos ao hotel. Para encerrar a jornada intensa daquele domingo, à noite, fomos à Nowy Świat tomar umas. Essa elegante via é parte da antiga Rota Real (Trakt królewski), trecho que ligava o Castelo Real ao Palácio Wilanów (Pałac w Wilanowie). A região possui vários estabelecimentos gastronômicos, contudo não queríamos saber de jantar. Ansiávamos por drinques, cervejas, vinhos e tira-gosto. Para tanto, na Nowy Świat, havia uma quantidade razoável de bares. Gostamos de um que, embora tenha tocado sete vezes em looping o álbum Freedom, da cantora inglesa Rebecca Ferguson, os preços eram ótimos. Mas o destaque das redondezas fica com o Pijalnia Wódki i Piwa, um bar temático que remonta ao comunismo soviético, localizado no número 19 daquela rua. Já havíamos frequentado uma franquia dessa fantástica espelunca em Cracóvia, onde a experiência foi ótima. Conforme cito no relato sobre a outra cidade polonesa, no Pijalnia, “vendem-se shots variados de vodca, um tipo de cerveja da marca Warka, um tipo de vinho, refrigerantes, chá e café, além de tira-gostos simples como arenque ao óleo (śledzie w oleju), salsichas frankfurter (serdelek), batatas com queijo cottage (gzik), patê de sardinha com requeijão (awanturka) e carne de porco confitada (zimne nóżki). O serviço é muito rápido. Todas as bebidas custavam 4 zł (złoty), que valiam, na época, por volta de 1 €. Já os petiscos custavam 8 zł. Baratíssimo!”.

Caipirinha servida em bar da Nowy Świat

Caipirinha servida em bar da Nowy Świat

Na Rua Foksal, que tem início na Nowy Świat, encontramos outros botecos mais bacanas. Ali, encerramos a noite em outros dois (ou foram três?) estabelecimentos.

Shots servidos no La Fiesta Tequila Bar

Shots servidos no La Fiesta Tequila Bar, na Rua Foksal

Dica balao 2

Ah, lembrei-me de uma coisa! Gostaria de pedir licença às leitoras para dar um recado aos rapazes: as polonesas são um espetáculo, viu! E, se numa esquina da Polônia, alguma beldade de repente lhe chamar para um drinque, caro colega, resista! Pode ser um golpe! Geralmente, essas lindas raparigas convidam jovens ou velhos iludidos para um “barzinho que elas conhecem” e lá pedem, por exemplo, dois coquetéis. Então vem a conta: trezentos zilhões de dinheiros! O cara se assusta e pede para ver o cardápio. De algum canto escondido, um “funcionário” do bar saca uma tabela de preços com valores pra lá de abusivos e o apresenta ao pobre lesado, que não tem outra alternativa, senão pagar a conta. Tecnicamente, isso não é ilegal, e seria infrutífero para o cliente chamar a polícia. Agora, suponhamos que esse coitado seja você, muchacho, que percebe o esquema e se recusa a bancar a enorme quantia. Ok, pode fazer isso, desde que não se importe em enfrentar um polaco de 3,10 metros de altura por 1,07 de largura, com a cabeça raspada que nem a minha, de olhar vidrado e narinas vibrantes, que irá gentilmente escoltá-lo até a saída. E mais uma coisinha: a prostituição não é ilegal na Polônia, mas bordéis são proibidos, embora existam por lá. Se você acordar num, saiba que estará fazendo parte do submundo do crime. Reflita.

Palácio Staszic (Pałac Staszica), na Nowy Świat

Palácio Staszic (Pałac Staszica), na Nowy Świat

TERCEIRO DIA – Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Museu da Revolta de Varsóvia, Mercado Hale Mirowskie, Sinagoga Nożyk, Igreja Luterana da Santa Trindade, Igreja da Santa Cruz, Tumba do Soldado Desconhecido e Jardim Saxão

As histórias das insurgências polacas durante a Segunda Guerra Mundial são trágicas, mas não menos fascinantes. Naquela manhã ensolarada, conheceríamos o Museu da Revolta de Varsóvia (Muzeum Powstania Warszawskiego), um tributo aos cidadãos que lutaram e morreram na tentativa de libertar a cidade do domínio do Terceiro Reich.

Museu da Revolta de Varsóvia (Muzeum Powstania Warszawskiego)

Museu da Revolta de Varsóvia

O museu é espetacular! Possui uma coleção de mais de 800 itens, cerca de 1.500 fotografias, além de elementos audiovisuais e interativos. É atração imprescindível na capital polonesa!

Museu da Revolta de Varsóvia (Muzeum Powstania Warszawskiego)

Museu da Revolta de Varsóvia

Dica balao 2

O Museu da Revolta de Varsóvia fica na Rua Grzybowska, 79. Funciona às segundas, quartas e sextas das 8h às 18h, às quintas das 8h às 20h e aos sábados e domingos das 10h às 18h. Excepcionalmente em julho e agosto, abre às segundas, quartas e sextas das 10h às 18h, às quintas das 10h às 20h e aos sábados e domingos das 10h às 18h. Não abre às terças. É servido pelas linhas de tram 1, 8, 22 e 24 ou pelos ônibus 100 (parada deve ser solicitada ao motorista no local), 105, 109, 151, 155, 159 e 178. Lembrando que o bilhete do tram tem que ser adquirido antes do passageiro embarcar, nas máquinas situadas nas paradas, pois, diferentemente dos ônibus, aqueles veículos não possuem dispositivos de emissão de passagens instalados em seu interior. Para mais informações sobre o museu, acesse www.1944.pl.

E por falar em transporte público, a cidade possui um metrô, mas que ainda é incipiente. Não duvido que, em poucos anos, terá uma malha fantástica. Aguardemos.

Deixamos o museu e seguimos andando pela Grzybowska em direção ao mercado Hale Mirowskie. A caminhada seria longa, mas, como bons turistas, jamais reclamamos disso. Não há nada como atravessar ruas, quarteirões ou mesmo bairros presenciando de perto o dia a dia de uma população e outras peculiaridades. Isso chega a ser hipnotizante! Tanto que, no cruzamento da Grzybowska com Żelazna, nossa atenção foi usurpada pela enorme cabeça de porco estampada na fachada de um edifício a um quarteirão dali. Mal sabíamos que, enquanto admirávamos a cabeçorra suína, no outro lado da rua, estava um dos fragmentos do muro do Gueto de Varsóvia, já citado neste relato. Graças ao leitão, perdemos uma atração.

Edifício situado na esquina das ruas Grzybowska e Waliców

Edifício situado na esquina das ruas Grzybowska e Waliców

O Hale Mirowskie funciona em um belíssimo edifício barroco construído entre 1899 e 1901. Antes da Segunda Guerra Mundial, era um centro comercial formado de pavilhões que abrigavam barracas de frutos do mar, carnes e hortifruti. Durante a guerra, o complexo serviu como posto de execução em massa de civis. Foi parcialmente destruído após a Revolta de Varsóvia, e apenas dois de seus pavilhões foram reconstruídos. Atualmente, possui um bazar popular, onde são vendidos alimentos, roupas e flores.

Mercado Hale Mirowskie

Mercado Hale Mirowskie

A ideia de ir ao Hale Mirowskie partiu de uma sugestão que vi na internet. Honestamente, não acho que a atração valha a pena. Entretanto, como eu já disse, fazer parte da vida dos nativos, mesmo que por alguns instantes, é sempre bacana. O mercado fica na Avenida Jana Pawła II, ao lado do Parque Mirowski.

Andamos alguns quarteirões até a Sinagoga Nożyk (Synagoga Nożyków), a única que sobreviveu à guerra. Mas preferimos não entrar. Então prosseguimos até a Igreja Luterana da Santa Trindade (Kościół Świętej Trójcy), localizada na Praça Stanisława Małachowskiego, 1, ao lado do Jardim Saxão (Ogród Saski). Foi construída entre 1777 e 1782 no estilo clássico, e sua enorme cúpula foi inspirada no Panteão de Roma.

Igreja Luterana da Santa Trindade (Kościół Świętej Trójcy)

Igreja Luterana da Santa Trindade

No início do século 19, músicos famosos como Chopin deram concertos na igreja. Após a destruição do edifício pelos nazistas em 1939, a Santa Trindade foi reconstruída, aprimorando sua acústica e instalando um órgão espetacular. Periodicamente, a Ópera de Câmara de Varsóvia (Warszawska Opera Kameralna) organiza concertos de música clássica ali. Infelizmente, a igreja estava fechada.

A fome já tinha batido há algum tempo. Circulamos pelas redondezas atrás de um restaurante. Por algum motivo que não me recordo, a procura foi longa, e a cada esquina dobrada, aumentava nossa vontade de ir ao banheiro. Em determinado momento, não tivemos escolha senão apelar para aquilo que chamo de “S por um X“, que significa parar para tomar um espresso com direito a um xixi expresso, uma espécie de satisfação das emergências fisiológicas em locais onde não há banheiro público (saudades de Seul!), somente cafés. Coincidentemente, na cafeteria, encontramos o Błażej, o talentoso guia que conduziu a excursão Varsóvia Judaica, no dia anterior. Ao cumprimentá-lo, não conseguimos esconder nossa satisfação em relação ao passeio, elogiando o seu trabalho e comentando que não víamos a hora de fazer o Varsóvia Comunista. Ele disse que tinha acabado de guiar uma turma desse passeio, e que iríamos adorar a experiência. Complementou dizendo que o próximo grupo partiria na quinta-feira. O que?! Mas era segunda-feira! Deixaríamos a cidade na quinta pela manhã! Pensamos que o tour em áreas assombradas por Stalin acontecia todos os dias. Perdemos uma excursão sensacional!

Após o café S por um X, finalmente, encontramos um restaurante, que era uma espécie de pub, sem muita ligação à tradição culinária polaca. Deixamos, portanto, de aumentar nosso repertório de iguarias nativas, mas a comida estava boa.

De barrigas cheias, voltamos a bater perna. Estávamos a dois quarteirões da já visitada Rua Nowy Świat, onde tomamos umas biritas na noite anterior. Após uma breve circulada entre a multidão – a via é movimentada –, fomos à Igreja da Santa Cruz (Kościół św. Krzyża), situada no número 3 da Rua Krakowskie Przedmieście, que é uma continuação da Nowy Świat.

Nowy Świat

Nowy Świat

Igreja da Santa Cruz (Kościół św. Krzyża)

Igreja da Santa Cruz

Construída no século 17, no estilo barroco, a Santa Cruz é uma das igrejas mais importantes da Polônia. No século 18, era constantemente frequentada pelo rei Estanislau II, que ali estabeleceu a Ordem de Santo Estanislau (nem tanto!). Também foi local das comemorações do primeiro aniversário da Constituição de 3 maio de 1791, a primeira constituição moderna elaborada por uma nação europeia e a segunda mais antiga do mundo. Muito visitante passa ali somente para ver de perto a urna contendo o coração de Chopin (sinistro!).

Interior da Igreja da Santa Cruz (Kościół św. Krzyża)

Igreja da Santa Cruz

Na Revolta de Varsóvia, a igreja foi severamente destruída pelo temido Golias, um pequeno veículo que lembra um tanque de guerra, guiado por controle remoto e carregado de 60 quilos de explosivos. Como se a performance do maldito brinquedo não fosse suficiente, em 1945, os nazistas alemães destruíram o templo completamente. A Santa Cruz foi reconstruída entre 1945 e 1953, num projeto arquitetônico mais simplificado. O altar principal só foi reformulado entre 1960 e 1972.

Altar da Igreja da Santa Cruz (Kościół św. Krzyża)

Altar da Igreja da Santa Cruz

Da igreja, seguimos até a Tumba do Soldado Desconhecido (Grób Nieznanego Żołnierza), monumento dedicado àqueles que morreram lutando pela Polônia, localizado na Praça Piłsudski (Plac Marszałka Józefa Piłsudskiego), junto ao Jardim Saxão (Ogród Saski). No caminho, precisamos atravessar a larga Avenida Marszałkowska, e a faixa de pedestre mais próxima ficava a uns 100 metros. Quem é contemporâneo meu e jogou Atari deve se lembrar da galinha do jogo Freeway, que pelejava para cruzar a rodovia movimentada e quase sempre era atropelada a poucos passos da outra calçada. Ali na Marszałkowska, jamais tentaríamos imitar a estúpida ave, mesmo que o tráfego estivesse mais brando. Ao cogitar um jaywalking (atravessar vias onde não é permitido), fomos impedidos por uma força maior, que só não foi grande o suficiente para deter uma velhinha e um rapaz poloneses. Eles passaram por nós, olharam para um lado e para o outro e pisaram a avenida muito longe da faixa de pedestre. Antes mesmo que dessem o segundo passo, surgiu, do nada, uma viatura da polícia, que abordou a ousada dupla de cidadãos. A eles, não foi dada nenhuma chance. Foram multados em 500 zł, que valiam, na época, em torno de 125 €. Gente, com isso, compro quatro garrafas de 700 ml do gim Hendrick’s no free shopping! Ou dois perfumes! Se bobear, dá para levar um Ray Ban!

Dica balao 2

Então, amigo viajante, nada de jaywalking em terras polacas! A norma é rígida e as autoridades são inflexíveis quanto ao seu cumprimento. De turista que se faz de palerma dizendo que não conhecia a lei, os policiais varsovianos estão can-sa-dos! Não há lágrima que os comova. E já que estou dando uma de mãe conselheira, seguem outras regras importantes que o visitante precisa saber antes de entrar na Polônia: a) Não basta comprar os bilhetes para os ônibus ou trams. Tem que validá-los nas maquininhas (clique aqui e saiba mais); b) É ilegal ingerir bebidas alcoólicas em locais públicos como praças e calçadas; c) Maneire na vodca (eu maneirei!). Bêbados importunos, daqueles que berram pelas ruas, deitam na calçada ou apenas incomodam terceiros, podem ser presos; d) Em caso de revolta ou outro tipo de motim, caia fora! Em algum instante, a polícia irá tentar colocar ordem na bagunça, e você certamente não irá gostar de estar por perto.

Atravessamos a Marszałkowska – na faixa de pedestre, of course! – e chegamos à Tumba do Soldado Desconhecido. A chama eterna situada na parte central do monumento é constantemente vigiada por guardas do exército polonês. Há vários memoriais como esse pelo mundo, erguidos, principalmente, após a Primeira Guerra Mundial.

Tumba do Soldado Desconhecido (Grób Nieznanego Żołnierza)

Tumba do Soldado Desconhecido

Do memorial, atravessamos o Jardim Saxão e voltamos caminhando até o Złote Tarasy. Como na primeira investida ao shopping, compramos roupas baratíssimas, cervejas mil, entre outros produtos. As coisas na Polônia são tão baratas que só não comprei xampu porque não tenho cabelo.

Carregados de sacolas, aproveitamos e fomos ao bar Lubię To, que faz parte das dependências externas do shopping, onde esticarmos a jornada até a hora de ir dormir. A bebida e a comida estavam ótimas, sem falar da música ambiente, de muito bom gosto, exceto pela versão remixada de Move on Fast, da lindinha Yoko Ono. Mentira, gostei dessa também!

Inscrição Mitego dnia (tenha um bom dia), no "porta conta" do Lubię To (via Instagram)

Inscrição Mitego dnia! (tenha um bom dia), no “porta conta” do Lubię To (via Instagram)

QUARTO DIA – Terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Passeio Varsóvia Cidade Velha, Monumento aos Insurgentes, ponte Śląsko-Dąbrowski, bairro de Praga, Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, Catedral de Santa Maria Madalena, Museu Nacional de Varsóvia e Nowy Świat

Como se não bastassem os horrores sofridos pela Polônia durante a Segunda Guerra Mundial, a dominação soviética deu seguimento à trajetória infausta do país, dessa vez de forma menos devastadora fisicamente, mas que manteve assolado o espírito dos cidadãos enquanto durou o regime de Josef Stalin. Essa desolação dos anos pós-guerra é perfeitamente elucidada em Warszawa, música composta pelo ilustríssimo David Bowie em parceria com o músico inglês Brian Eno. O arranjo é uma alusão a duas visitas que Bowie fez à capital polonesa: uma, em 1973, quando nem chegou a descer do trem que vinha de Moscou e atravessou a Polônia até Berlim Oriental, e outra, em 1976, quando, acompanhado do roqueiro americano Iggy Pop, num trem que viajava de Zurique a Moscou, também via Polônia, decidiu desembarcar por algumas horas em Dworzec Gdański, estação ferroviária de Varsóvia. O que viu foi um cenário sombrio, de fachadas ainda feridas por balas e uma paisagem marcada por crateras abertas pelas bombas. Mais adiante, testemunhou um trabalhador que congelava de frio na neve enquanto, lentamente, descarregava um vagão de carvão. Definitivamente, os anos do comunismo não foram fáceis para os polacos.

Por isso, queríamos muito participar da excursão Varsóvia Comunista, promovida pela Free Walking Tour. Frustrados por não consegui-lo, decidimos nos juntar ao grupo da Varsóvia Cidade Velha, que partiu da Coluna de Sigismundo às 10h30 daquela manhã de terça-feira. Já havíamos explorado a área, mas achamos que a excursão acrescentaria peculiaridades que não conseguimos observar no percurso feito por conta própria dois dias antes. Foi a maior tolice que cometemos! Não que o passeio tivesse sido ruim, pelo contrário. Contudo, não foi muito diferente do nosso roteiro. De qualquer forma, o dia estava maravilhoso! Valeu a pena rever a Cidade Velha, dessa vez coberta pelo mais belo dos azuis celestes.

Na Praça do Castelo (via Instagram)

Na Praça do Castelo (via Instagram)

Coluna de Sigismundo, na Praça do Castelo, Cidade Velha

Coluna de Sigismundo, na Praça do Castelo, Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Edifício da passagem Dawna, próximo ao deck de observação da colina Gnonja (via Instagram)

Edifício da passagem Dawna, próximo ao deck de observação da colina Gnonja (via Instagram)

O guia se chamava Peter, que fez um relato fantástico. Além das atrações que já conhecíamos, ele nos levou ao Monumento aos Insurgentes (Pomnik Powstania Warszawskiego), que fica da Praça Krasińskich (Plac Krasińskich), de frente para o edifício da Corte Suprema da Polônia (Sąd Najwyższy). A imensa escultura em bronze retrata um grupo de rebeldes em combate. Os blocos inclinados são uma alusão aos edifícios em queda.

Monumento aos Insurgentes (Pomnik Powstania Warszawskiego)

Monumento aos Insurgentes

Esculturas no edifício da Corte Suprema da Polônia (Sąd Najwyższy)

Esculturas no edifício da Corte Suprema da Polônia

Peter, guia do passeio Varsóvia Cidade Velha

Peter, guia do Varsóvia Cidade Velha. Ao fundo está a Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir

Após algumas esquinas dobradas, a caminhada de duas horas pela Cidade Velha chegou ao fim. Gratos pelo passeio, fizemos a doação ao guia e deixamos o grupo, seguindo direto para o bairro de Praga. Isso não estava previsto no roteiro, mas o Peter reforçou o aspecto alternativo daquela região do outro lado do Vístula, então decidimos desbravá-la. Pegamos a Avenida Solidarności, atravessamos a ponte Śląsko-Dąbrowski e em poucos minutos estávamos na Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir (Parafia Katedralna Św. Michała Archanioła i Św. Floriana Męczennika), a mais imponente do bairro.

Ponte Śląsko-Dąbrowski

Ponte Śląsko-Dąbrowski

Palácio Real visto da ponte Śląsko-Dąbrowski

Palácio Real visto da ponte Śląsko-Dąbrowski

Rio Vístula visto da ponte Śląsko-Dąbrowski. Estádio PGE Narodowy ao fundo

Rio Vístula visto da ponte Śląsko-Dąbrowski. Estádio PGE Narodowy ao fundo

Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir (Parafia Katedralna Św. Michała Archanioła i Św. Floriana Męczennika), em Praga

Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir, em Praga

Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir (via Instagram)

Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir (via Instagram)

Construída entre 1897 e 1904, a catedral marca a silhueta de Varsóvia com duas torres de 75 metros de altura. Sua imensidão era uma forma de protesto contra a antiga dominação do Império Russo, que perseverava na imposição da Igreja Ortodoxa no Reino da Polônia. Destruída após a Revolta de Varsóvia, foi reedificada somente em 1952, sendo finalizada 20 anos mais tarde.

Interior da Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir

Interior da Catedral de São Miguel Arcanjo e São Floriano, o Mártir

A catedral fica no número 3 da Rua Floriańska, paralelamente à Solidarności. De lá, seguimos explorando Praga. Entre um quarteirão e outro, aumentava nossa certeza de que andar por aquelas bandas foi uma péssima ideia. Não nos sentíamos inseguros, cansados ou perdidos, apenas não havia quase nada de interessante para se visitar. Certamente, estávamos na parte errada do bairro. Andávamos inclusive ladeando o Jardim Zoológico Municipal, entretanto ver bichos não figurava no nosso rol de coisas para se fazer. O lado B de Varsóvia de que ouvimos falar não se manifestava em nosso trajeto, e seria patético perguntar a algum cidadão da comunidade qual a parte mais quente do pedaço.

Almoçamos em um restaurante indiano e terminamos a excursão mal planejada por Praga na Catedral de Santa Maria Madalena (Cerkiew Metropolitalna Św. Marii Magdaleny), uma igreja ortodoxa polonesa – lembra da imposição russa? – situada no número 52 da Solidarności. Dizem que seu interior é um espetáculo! Lamentavelmente, estava fechada para visitação, logo restou-nos apenas uma visita por fora do formoso edifício amarelo.

Catedral de Santa Maria Madalena (Cerkiew Metropolitalna Św. Marii Magdaleny), em Praga

Catedral de Santa Maria Madalena, em Praga

A catedral quase não foi destruída pela guerra. Os nazistas até confiscaram seus sinos com o intuito de derretê-los para fabricar mísseis, chegando a quebrá-los em várias partes para facilitar o transporte. Contudo, descobriram que o metal não estava propício ao derretimento, então abandonaram os destroços. Após a guerra, os sinos foram reconstituídos e hoje encontram-se no lado de fora da Santa Maria Madalena, próximo à entrada.

A poucos metros da catedral, na Avenida Targowa, pegamos o ônibus 517 (direção Ursus-Niedźwiadek) no ponto Dworzec Wileński e descemos no ponto Muzeum Narodowe 02, na Avenida Jerozolimskie. Ali pertinho, está o Museu Nacional de Varsóvia (Muzeum Narodowe w Warszawie), fundado originalmente em 1862 como um museu de belas artes.

Museu Nacional de Varsóvia (Muzeum Narodowe w Warszawie)

Museu Nacional de Varsóvia

Hoje, a instituição abarca um acervo de 830.000 peças divididas entre pinturas, esculturas, ilustrações, impressos, fotografias e moedas, bem como objetos utilitários. A Galeria Faras é o destaque do museu, com a maior coleção europeia de arte cristã da região da Núbia. O restante da exposição compreende, entre outros, obras de arte medievais, orientais e da antiguidade, além de pinturas polonesas e estrangeiras, inclusive algumas peças da coleção privada de Hitler. Particularmente, adorei tudo o que vi. É atração indicadíssima em Varsóvia.

Galeria dos Antigos Mestres Europeus, no Museu Nacional de Varsóvia

Galeria dos Antigos Mestres Europeus, no Museu Nacional de Varsóvia

Galeria da Arte Medieval, no Museu Nacional de Varsóvia

Galeria da Arte Medieval, no Museu Nacional de Varsóvia

Dica balao 2

O Museu Nacional de Varsóvia fica no número 3 da Avenida Jerozolimskie. Abre de terça a domingo das 10h às 18h. Excepcionalmente nas quintas, fecha às 21h. Nas terças, a entrada para as exposições permanentes é gratuita. Os ingressos devem ser adquiridos até 45 minutos antes do fechamento. Para mais informações, acesse www.mnw.art.pl.

Estávamos bem perto da Nowy Świat, então decidimos fazer um discreto pub crawl pelas imediações. A boemia só terminou quando a vontade de dormir se sobrepôs ao frio. Hum, frio e sono… Ótima combinação!

QUINTO E ÚLTIMO DIA – Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Palácio Wilanów, Museu de Cartazes, Parque Łazienki, Museu da História dos Judeus Poloneses

O branco é o novo azul. Céus anis se foram e a atmosfera melancólica voltou a reger Varsóvia com um toque de aconchego. Nossa primeira atração do dia seria o Palácio Wilanów, um formoso edifício barroco localizado no município de mesmo nome, a poucos minutos do centro da cidade. Para chegar lá, pegamos o ônibus 519 no terminal da Warszawa Centralna. Em menos de meia hora, já estávamos na entrada do palácio.

Palácio Wilanów (Pałac w Wilanowie)

Palácio Wilanów

Construído entre 1677 e 1696 para ser a residência do rei João Sobieski III, o Wilanów também foi habitado pelos sucessores desse monarca, por várias famílias abastadas e por outro soberano, o rei Augusto II, o Forte, que fez modificações consideráveis no edifício. Sua estrutura sofreu danos durante a Segunda Guerra Mundial, mas, felizmente, não foi destruído após a Revolta de Varsóvia.

Interior do Palácio Wilanów

Interior do Palácio Wilanów

Hoje, o palácio é um museu. Sua exposição consiste no andar principal, onde estão os aposentos reais, e no primeiro andar, que conta com obras de artistas polacos e estrangeiros, retratando monarcas, famílias, participantes das revoltas nacionais e tantas outras figuras importantes da sociedade e da história polonesas.

Processo de restauração de obra, no Palácio Wilanów

Processo de restauração, no Palácio Wilanów

Dica balao 2

O Wilanów é atração obrigatória para quem vai a Varsóvia! É longe, mas não inacessível. Para informações como datas, horários, tarifas, reservas, exposições, entre outros, acesse www.wilanow-palac.pl.

Ao lado do Wilanów está uma das minhas atrações favoritas na Polônia: o Museu de Cartazes (Muzeum Plakatu). Entendo, você não acha grande coisa. Mas os cartazes poloneses são especiais. Lá, a tradição dessas peças gráficas é antiga, tendo surgido no final do século 19. Foi interrompida durante a Segunda Guerra Mundial e ganhou forças no início da década de 1950 com o advento da Escola Polonesa de Cartazes (Polska Szkoła Plakatu). Já sob o domínio soviético, os cartazes se voltaram para a reconstrução da imagem nacional, visando à prosperidade e adquirindo um estilo stalinista. Independentemente das intenções da propaganda ou da ideologia socialistas, as peças se tornavam cada vez mais belas e impactantes. Essa excelência é mantida até hoje.

Exposição do Museu de Cartazes (Muzeum Plakatu)

Exposição do Museu de Cartazes

Dos cartazes polacos é possível aprender um pouco da história do país. E são maravilhosos! Conforme relatei no post sobre nossa viagem a Cracóvia, sou publicitário com habilidades em direção de arte e design gráfico, e ver toda aquela magnificência da propaganda me proporcionou uns cinco anos de boas ideias.

Dica balao 2

O Museu dos Cartazes abre diariamente. Às segundas, funciona das 12h às 16h. De terça a domingo, das 10h às 16h. A última entrada deve ser feita meia hora antes do fechamento. Para mais informações, acesse www.postermuseum.pl.

À esquerda do edifício do Museu dos Cartazes, tinha uma cafeteria muito bacana. Numa primeira espiada, achamos que os preços poderiam não ser tão doces quanto às deliciosas iguarias expostas nas vitrines do balcão. Mas eu estava supereufórico com os cartazes e resolvi brindar meu entusiasmo com um espresso e uma torta de preparo e decoração afetados, sem me preocupar com o quanto iria pagar. O Élcio não gosta de doces, logo não tinha nada a perder.

Cafeteria do Museu dos Cartazes (via Instagram)

Cafeteria do Museu dos Cartazes (via Instagram)

Torta servida no café do Museu dos cartazes

Torta servida no café do Museu dos cartazes

No frigir dos ovos, a torta estava tão gostosa quanto aparentava ser, e a conta… Docinha!

Deixamos o local e nos dirigimos ao ponto de ônibus. Nesse pequeno percurso, passamos por um restaurante bastante convidativo. O Élcio ainda não tinha ingerido nada, e eu, segundo minha mãe dizia, como igual frieira. Mesmo depois da torta, havia setores disponíveis em meu estômago. Não hesitamos e paramos para almoçar. Pedi uma simples, mas deliciosa salsicha, que me custou 11 zł. Convertendo para nossa pobre e surrada moeda, na época, isso valia R$ 8,50.

Salsicha servida no Złoty Król

Salsicha servida no Złoty Król

Já o Élcio, mais uma vez, escalou um fabuloso joelho de porco por míseros 20 zł, que valiam – pasme! – 15 tupiniquins e 40 centavos. Deus, eu amo a Polônia! E tem gente que critica o amor com interesses financeiros.

Joelho de porco servido no Złoty Król

Joelho de porco servido no Złoty Król

O restaurante, que na verdade é um pub, chama-se Złoty Król. Fica na Stanisława Kostki Potockiego, 27, pertinho do Wilanów.

Fartos, retomamos o caminho até o ponto de ônibus, que fica no outro lado da Avenida Przyczółkowa. Pegamos a linha 116 (poderia ser a 519) e descemos no ponto da Avenida Belwederska esquina com Jurija Gagarina, pertinho do Parque Łazienki (Park Łazienkowski), uma imensa área verde no centro de Varsóvia.

Parque Łazienki (Park Łazienkowski)

Parque Łazienki

O Łazienki foi projetado no século 17 para o polonês Stanisław Herakliusz Lubomirski. O estilo barroco é obra do arquiteto Tylman Gamerski, mas outras transformações estruturais ocorreram no parque ao longo de sua existência. Edifícios e instalações foram gradualmente edificados e hoje o complexo é um dos lugares mais belos e históricos de Varsóvia.

No parque, destacam-se o Palácio Łazienki (Pałac Łazienkowski), principal edifício do complexo; o Palácio Belvedere (Pałac Belwederski), que é a residência do Presidente da Polônia, e o Palácio Myślewicki, inicialmente habitado pelos cortesãos do rei Estanislau II.

Palácio Łazienki (Pałac Łazienkowski)

Palácio Łazienki (Pałac Łazienkowski)

Palácio Łazienki (via Instagram)

Palácio Łazienki (via Instagram)

O Teatro na Ilha (Amfiteatr), o Novo Laranjal (Nowa Pomarańczarnia) e o Monumento a Chopin (Pomnik Fryderyka Chopina) também são grandes atrações do Łazienki.

Palco Romano do Teatro na Ilha (Amfiteatr), no Parque Łazienki

Palco Romano do Teatro na Ilha, no Parque Łazienki

Novo Laranjal (Nowa Pomarańczarnia), no Parque Łazienki

Novo Laranjal, no Parque Łazienki

Monumento a Chopin, no Parque Łazienki

Monumento a Chopin, no Parque Łazienki

Os patos mandarim, que circulam livres pelo parque, são uma atração à parte!

Aves circulando pelo Parque Łazienki

Patos mandarim circulando pelo Parque Łazienki

Já era tarde quando deixamos o Monumento a Chopin, nossa última visita no parque. Ali perto, na saída pela Avenida Ujazdowskie, pegaríamos o ônibus 180 no sentido Chomiczówka 06 até o ponto Muranów 04, que fica na Rua Mordechaja Anielewicza, de onde caminharíamos poucos metros até o Museu da História dos Judeus Poloneses, nossa atração derradeira em Varsóvia. Assim que deixamos o complexo do Łazienki, encontramos um tráfego horrendo, com carros, ônibus e outros veículos se amontoando num engarrafamento sem fim. Eram 16h35 e não poderíamos nos atrasar, pois o museu fecharia a bilheteria às 18h.

Já no ônibus, atingi o nível “A” de ansiedade! O veículo parava a cada 10 metros percorridos, e quando nos movíamos, a velocidade era mínima. Chegamos ao Museu da História dos Judeus Poloneses às 17h50. Tínhamos pouco tempo para ver uma exposição brilhante, considerando que o museu fecharia às 20h. Sim, duas horas não são suficientes.

Galeria Paradisus Iudaeorum (1569–1648), no Museu da História dos Judeus Poloneses

Galeria Paradisus Iudaeorum (1569–1648), no Museu da História dos Judeus Poloneses

O lugar é sensacional! O visitante percorre um trajeto interativo que conta a história milenar dos judeus poloneses, desde a chegada destes ao país na Idade Média até os dias atuais. As informações são apuradíssimas, fruto de um trabalho pesado que envolveu mais de 120 estudiosos liderados pela professora Barbara Kirshenblatt-Gimblett, da New York University.

Galeria A Cidade Judaica (1648-1772), no Museu da História dos Judeus Poloneses

Galeria A Cidade Judaica (1648-1772), no Museu da História dos Judeus Poloneses

Galeria A Cidade Judaica (1648-1772), no Museu da História dos Judeus Poloneses

Galeria A Cidade Judaica (1648-1772), no Museu da História dos Judeus Poloneses

Galeria Na Rua Judaica (1918–1939), no Museu da História dos Judeus Poloneses

Réplica da antiga Rua Nalewki, na galeria Na Rua Judaica (1918–1939), Museu da História dos Judeus Poloneses

Dica balao 2

Mais do que educativo e bem estruturado, o museu é emocionante! É visita obrigatória para quem vai a Varsóvia. Um pecado que tivemos menos de duas horas para percorrer sua riquíssima exibição (os avisos para deixar o local eram insistentes!). Para informações sobre datas, horários, meios de transporte, acessibilidade, entre outros tópicos, acesse www.polin.pl.

Nossa fantástica jornada pela cidade terminou ali. Deixamos o museu e retornamos ao hotel para arrumar as malas. Partiríamos para Berlim na manhã seguinte.

Foi um satisfação imensa conhecer Varsóvia! A capital polonesa é a asserção da existência da alma, inegável até para os céticos. Sua história prova que o imaterial de fato existe; que, imerso em seu espaço urbano, há um espírito forte apto a reviver o tangível; um ser sobrenatural capaz de superar pisadas impiedosas e domínios inescrupulosos. Mesmo durante suas partições, manteve-se única e imutável em sua essência. No final de tudo, reencarnou triunfante e reacendeu as cores de sua aura.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com


Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

 

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. Gerson

    Alessandro, Parabéns muito bom.

  2. Parabéns Alessandro! Muito rico em detalhes, o que nos dá a sensação de estarmos viajando por Varsóvia. Ajudou muito na formulação de meu roteiro que será colocado em prática no próximo mês.

    • Alessandro Paiva

      Ah, bão demais, Adilson! Mais uma vez, muito obrigado pelo prestígio ao blog. Abraço e ótima viagem!

  3. Que delícia e que vontade de visitar a Polônia , minha mãe disse que é maravilhosa ! Beijos Maite
    http://maiteaissa.com/

    • Alessandro Paiva

      Muito obrigado, Maitê! Sua mãe está certíssima: a Polônia é um encanto! Obrigado também por curtir e seguir o blog. Abraço e ótimas viagens sempre!

  4. Helena

    Muito legal o seu relato!!! Nunca imaginei que a Polônia fosse tão fascinante!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Helena! Muito obrigado 🙂 Eu sou fascinado pela Polônia! Honestamente, quando cheguei ao Brasil, tive a sensação de que gostei mais de Cracóvia do que de Varsóvia. Mas quando comecei a escrever sobre Varsóvia, desenterrei tanta lembrança bacana que hoje não sei dizer qual das duas é mais interessante. Enfim, a Polônia é sensacional!

      Abraço e ótimas viagens para você 🙂

  5. Oi Alessandro, estou explorando seu blog e adorei suas fotos! Ainda não visitei Varsóvia, mas está nos planos. Visitei a Cracóvia no ano passado e amei. Obrigada por visitar meu blog, respondi teu comentário lá. Abraços e boas viagens!

    • Alessandro Paiva

      Nossa, quanta honra! Obrigado pela visita, Alessandra, e pela resposta também :-). Passarei no seu blog agora para ver. Boas viagens para você também!

  6. Mauricio Fernandes

    Oi Alessandro!! Sempre leio o seu blog e acho super interessante as suas dicas, já aproveitei bastante nas minhas viagens na Europa. Agora, estamos planejando em passar por Varsóvia no final do ano e vamos ficar no mesmo hotel que vocês ficaram. Como vocês fizeram para ir do aeroporto para o hotel? quanto custou?
    Muito obrigado e parabéns pelos textos.

    • Alessandro Paiva

      Oi, Maurício!

      Muito obrigado pelo prestígio ao blog! Fui a Varsóvia de trem, então desembarquei na estação Warszawa Centralna e caminhei poucos quarteirões até o hotel. Vindo do aeroporto, pesquisei agora há pouco e descobri essas dicas em português: http://www.destinosdeaviao.com/como-ir-aeroporto-varsovia-centro/

      Acho melhor você pegar o “comboio” (trem em português de Portugal) e descer na Warszawa Centralna. Outras postagens de outros sites indicam a mesma coisa. Se tiver dúvidas, no aeroporto mesmo eles te informam desse trajeto.

      Portanto, pegue o trem no aeroporto, desça na Warszawa Centralna e caminhe alguns quarteirões até o hotel.

      Abraço e ótima viagem!

      • Mauricio

        Alessandro,

        Muito obrigado pelo retorno . Vou seguir a sua dica. Qualquer dúvida, volto a contactar. Abraços.

      • Alessandro Paiva

        Abraços, boa viagem!

  7. Ótimo post. Viajei antes do tempo.
    Vamos para Varsóvia e Cracóvia em outubro próximo e gostaria da sua ajuda no tocante à localização ideal para hospedagem. Outra coisa: vale a pena trocar € pela moeda local? Sugeri algum local para tal? Translado aeroporto / Centro qual a melhor e segura opção?
    Grato pela gentileza.

    • Alessandro Paiva

      Olá, Jboscos! Obrigado pelo comentário! Em relação à localização, em Varsóvia, fiquei distante do centro histórico e principais atrações, mas não foi ruim, pois, a poucos metros do hotel, havia a estação de trem Centralna, uma estação de metrô e vários pontos de ônibus, conforme relato no post. A Cidade Velha também é uma boa opção, só não sei nomes de hotéis para te indicar. No entanto, são certamente mais caros. Já Cracóvia, o ideal é ficar perto da Cidade Velha. Ficamos num hotel chamado Wyspiański (http://www.hotel-wyspianski.pl/default-en.html), que nos atendeu perfeitamente. Também não sei te indicar outros hotéis.

      Não conseguimos comprar zlots (moeda polonesa) aqui no Brasil, então não tivemos outra opção senão trocar euros lá na Polônia. Usei muito cartão de crédito, mas, ter um pouco da moeda local, é sempre bom, afinal não é sempre que se aceitam cartões.

      Por fim, o translado em Cracóvia foi feito pela Krakow Shuttle. Veja o que escrevi no post dessa cidade:

      “Várias empresas fazem a excursão ao complexo de Auschwitz. Além da visita aos campos de concentração, nosso passeio incluía um tour pelas minas de sal de Wieliczka. O Élcio adquiriu os pacotes ainda no Brasil, pela Krakow Shuttle. Como também comprou o transfer do aeroporto para o hotel pela mesma empresa, ao final da operação, recebeu um desconto de 10% por todos os serviços. Para mais informações, acesse krakowshuttle.com.”

      Por fim, em Varsóvia, chegamos e partimos de trem, portanto não utilizamos serviços de traslado, pois o hotel era próximo à estação. Caso não queira pegar um táxi, tente uma pesquisa nas empresas http://www.warsawtransfers.com/ e http://warsawshuttle.com/.

      Abraço e ótima viagem!

      • Alessandro
        Obrigado pelo retorno e pelas informações
        Vou pesquisar mais um pouco e qq coisa retorno
        Suas dicas foram de grande valia.
        Grato
        João

      • Alessandro Paiva

        Por nada, João! Qualquer outra dúvida, pode me escrever que tento ajudar.

        Abraço!

  8. Gustavo

    Mais um show de fotos e informações!

  9. leandro Vinicius Ferreira Roque

    Oi Alessandro Paiva….me tira uma dúvida dá para visitar os seguintes lugares à pé que são:
    1)Palacio da CUltura,
    2)museu da Revolta,
    3 )Monumento dos insurgentes
    4)shopping Zlote

    Eles são próximos para visitá- los em um dia?
    Desde já agradeço a sua resposta e atenção

    • Alessandro Paiva

      Olá, Leandro! O Palácio da Cultura e o shopping Zlote encontram-se bem próximos, e ficam a quase dois quilômetros do Museu da Revolta (Museu do Levente de Varsóvia, certo?). Nesse caso, eu faria a pé, mas se quiser pegar o ônibus até o museu, conforme menciono no blog, “É servido [o museu] pelas linhas de tram 1, 8, 22 e 24 ou pelos ônibus 100 (parada deve ser solicitada ao motorista no local), 105, 109, 151, 155, 159 e 178.”

      Já o Monumento dos Insurgentes fica próximo à Cidade Velha, então não indico uma caminhada até lá, que é longe.

      Abraço e obrigado pela visita ao blog!

  10. Pingback: Em Riga batem três corações | Fui e vou voltar

  11. Mauricio

    Alessandro,

    Como vamos ficar no mesmo hotel que vocês ficaram, gostaria de saber se existe algum local próximo para que possamos fazer o câmbio e se é difícil ir a pé até a cidade velha.. Vamos passar o Natal em Varsóvia e devemos fazer um bate e volta até Cracóvia.
    Obrigado e abraços.

    • Alessandro Paiva

      Olá, Maurício! O câmbio havíamos feito em Cracóvia. Provavelmente, existe um local para você trocar o dinheiro ali perto do hotel, em Varsóvia, afinal ele fica ao lado da estação de trem principal (Centralna). Peça informações no guichê de onde você desembarcar (aeroporto, estação de trem etc.) sobre onde é mais adequado você efetuar o câmbio. Obviamente, nesses locais (estação, aeroporto) é mais caro, então prefira as casas de câmbio espalhadas pela cidade. O que costumo fazer é trocar uma pequena quantidade de dinheiro no desembarque, assim tenho como suprir gastos menores até chegar a uma casa de câmbio.

      Quanto a ir à Cidade Velha, vocês terão que pegar um ônibus de frente para a estação Centralna, conforme orientei no blog: “Para chegar lá, pegamos o ônibus 175 de frente para a Warszawa Centralna, no outro lado da Avenida Jerozolimskie.”

      No mais, é isso. Qualquer outra dúvida, pode perguntar!

      Abraço e ótima viagem!

      • Mauricio

        Alessandro,

        Obrigado pelo retorno, mais uma vez. O ticket do ônibus compra com o motorista? Como você sabia em que ponto deveria saltar na cidade velha?

        Abraços para você e o Elcio.

      • Alessandro Paiva

        Oi, Maurício! Não me lembro ao certo o ponto exato onde descemos. Teve uma das linhas de ônibus em que o ponto final era um pouco antes da parte mais histórica da Cidade Velha. Eu estava com o gps do meu celular ativado, então segui assim, mas foi bem tranquilo. Essa parada final era na rua Marszalka Ferdinanda Focha, esquina com Trebacka, a um quarteirão do Palácio Presidencial. Após desembarcar, pegamos a Trebacka até a rua Krakowskie Przedmiescie, onde viramos à esquerda e caminhamos poucos metros até o Castelo Real de Varsóvia. Outras linhas têm parada na Krakowskie Przedmiescie, de onde você já avista os prédios coloridos etc.

        Em relação ao ticket, compramos antes de embarcar, nas máquinas situadas nos pontos de ônibus.

        Abraço!

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