Tallinn exubera cultura, cores, formas e sabores

Plataforma de observação de Patkuli, em Tallinn

Plataforma de observação de Patkuli, em Tallinn

Um pouco mais para o alto! Nunca estivemos tão acima da linha do Equador. Como era bom nos distanciarmos do centro de tudo! Se procurávamos por isolamento? Absolutamente! Badalação e desenvolvimento seriam muito bem-vindos, e Tallinn, capital da Estônia, não peca nesses quesitos. Situada no Golfo da Finlândia, parte do Mar Báltico, por lá passaram dinamarqueses, alemães, suecos, russos e soviéticos, que deixaram um grande legado material e imaterial, herança marcada principalmente pela prosperidade mercantil e pelas máculas dos que comandaram o país indignamente.

Torres da Muralha de Tallinn

Torres da Muralha de Tallinn vistas da plataforma de observação de Patkuli

Nossa passagem pela cidade estoniana encerraria uma trajetória fascinante pelos Países Bálticos: na Lituânia encantamo-nos com a singularidade de Vilnius, cidade que me fez sonhar, e na Letônia andamos de ponta a ponta no ritmo das batidas dos três corações de sua bela capital, Riga, de onde partimos de ônibus para Tallinn.

Eu e o Élcio chegamos lá num domingo à noite, por volta das 19h15. Na rodoviária, pegamos o tram de número 2, que nos deixou a um quarteirão do hotel, situado nos limites da Cidade Velha (Vanalinn), um dos bairros medievais mais bem preservados da Europa.

Rua Pikk, na Cidade Velha de Tallinn

Rua Pikk, na Cidade Velha de Tallinn

Nosso roteiro estava programado para começar na manhã seguinte, o que não nos impediu de dar um pulo no BeerGarden, um pub a poucos metros do hotel. Sem muita extravagância, mas com boas cervejas e grandes expectativas, encerramos o dia.

Élcio no BeerGarden bar

Élcio no BeerGarden

PRIMEIRO DIA – Segunda-feira, 16/11/2015

Linnahall, Margaret Gorda, Rua Pikk, Três Irmãs, Igreja de São Olavo, Muralha de Tallinn, Igreja Greco-católica Ucraniana, Torre Eppingi, Portão do Monastério, torres de Nunna, Sauna e Kuldjala, plataforma de observação de Patkuli, mirante de Kohtuotsa Vaateplats, Catedral de Alexandre Nevsky, Rua Rataskaevu, Praça da Prefeitura, Edifício da Prefeitura, Passagem de Santa Catarina, Igreja do Espírito Santo, Museu de História da Estônia

Por razões diversas, tivemos que começar o passeio pela cidade numa segunda-feira, dia em que a maioria dos museus, palácios, igrejas e tantas outras atrações turísticas fecham para manutenção, dificultando a elaboração de um roteiro prático e otimizado. Felizmente, Tallinn tinha muito o que mostrar e de tudo para se fazer.

Decoração de telhado, na Cidade Velha

Decoração de telhado, na Cidade Velha

Demos início à jornada num dos pontos mais emblemáticos da cidade: o Linnahall, estrutura construída pelos soviéticos para receber as competições de vela dos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980.

Linnahall

Linnahall

Situado na Baía de Tallinn, fora das muralhas da Cidade Velha, o Linnahall é uma imensidão presunçosa de concreto armado. A altivez soviética é percebida em cada detalhe daquela construção insípida, que embora possua um grande potencial recreativo, é aparentemente renegada pelos estonianos. O desprezo é visível nos milhares de metros quadrados em estado de deterioração, semiabandonados desde a realização dos jogos.

Linnahall. Golfo da Finlândia ao fundo

Linnahall. Golfo da Finlândia ao fundo

A intenção do Kremlin de impressionar o mundo com a magnificência arquitetônica brutalista do Linnahall foi aniquilada pelo boicote de 65 nações àquela olimpíada, em especial de potências como os EUA, a China e a Alemanha Ocidental. Dessa forma, os jogos não receberam a atenção internacional pretendida pela extinta União Soviética, e o Linnahall fracassou em sua missão. Sabe quem mais lucrou com isso tudo? O Brasil, que ali faturou dois ouros, um na Classe 470 e outro na Classe Tornado.

Linnahall. Golfo da Finlândia ao fundo

Linnahall. Golfo da Finlândia ao fundo

Contudo há um esforço de alguns cidadãos em dar vida nova ao Linnahall. Mesmo que muitos queiram ver a enorme edificação no chão, a maioria deseja uma bela reforma, seja preservando os traços originais do pavilhão, seja reconstruindo uma outra estrutura. Enquanto isso não acontece, o antigo centro esportivo segue como uma das atrações prediletas dos mais jovens, que no verão finalizam a noitada ali, quase sempre munidos de garrafas de bebida alcoólica bem escondidas, esperando o espetáculo do alvorecer.

Dica balao 2

O panorama vislumbrado do Linnahall é formidável! Dali é possível avistar o presídio Patarei, que funcionou até 2002. Hoje, abriga o Museu da Prisão (Patarei vanglamuuseum), que pode ser visitado em tour guiado ou individualmente. Na época em que estivemos em Tallinn, o complexo funcionava somente de maio a setembro, mas, de acordo com seu website, abre o ano inteiro. Parece ser bem bacana. Para mais informações, acesse patarei.org.

Museu da Prisão, visto do Linnahall

Museu da Prisão, visto do Linnahall

Conjunto habitacional avistado do Linnahall

Conjunto habitacional visto do Linnahall

Deixamos o Linnahall e retornamos à Cidade Velha. Passamos rente à Margaret Gorda (Paks Margareeta), torre mais robusta da Muralha de Margaret – apelido dado à Muralha de Tallinn (Tallinna linnamüür). Construída entre 1511 e 1530, seus 25 metros de diâmetro por 20 de altura e paredes de 5 metros de espessura impressionavam possíveis invasores que aportavam pelo mar.

Margaret Gorda

Margaret Gorda

Hoje, a torre parruda abriga o Museu Marítimo Estoniano (Eesti Meremuuseum), que naquele dia encontrava-se fechado.

Seguimos, então, por um pequeno trecho da Rua Pikk. No número 71 existe um conjunto de três edifícios medievais chamado Três Irmãs (Kolmeks õeks), exemplo da arquitetura burguesa gótica tardia, já mencionado em documentos de 1372. As atuais construções, que abrigam o hotel The Three Sisters Boutique, datam da primeira metade do século 15.

Três Irmãs, na Rua Pikk

Três Irmãs, na Rua Pikk

Passamos pelos edifícios, viramos à direita na Rua Tolli e à esquerda na Rua Lai para conhecer a Igreja de São Olavo (Oleviste kirik).

Rua Tolli

Rua Tolli

Rua Tolli

Rua Tolli

Contradizendo as informações do seu website, a igreja encontrava-se fechada.

Igreja de São Olavo

Igreja de São Olavo

Entre 1549 e 1625, a São Olavo era o edifício mais alto do mundo. Seu pináculo alcançava 159 metros de altura e atraía raios constantemente, que por três vezes provocaram incêndios vigorosos, causando danos irreparáveis ao templo. Hoje, mesmo com 35 metros a menos, essa igreja batista é uma das construções mais altas de Tallinn. Serviu inclusive de torre de rádio e de vigilância para a KGB durante o regime comunista.

Dica balao 2

A São Olavo abre todos os dias e a visita é gratuita. A subida ao topo da torre custa 2 , podendo ser feita das 10h às 18h, excepcionalmente até as 20h em julho e agosto. Seu website está em estoniano, mas se você quiser arriscar um acesso com o apoio quase sempre eficaz do Google Tradutor, o endereço é www.oleviste.ee.

A Rua Lai é um espetáculo! A sequência de seus edifícios medievais proporciona uma alternância de ângulos e cores fantástica. É algo tão peculiar e marcante que toda vez que penso em Tallinn, o local me vem na mente. Antes de seguir por toda sua extensão – fizemos isso em outra oportunidade –, viramos à direita na Rua Suurtüki, em direção à Muralha de Tallinn.

Rua Lai

Rua Lai

Erguida originalmente em 1265 por ordem da rainha Margaret Sambiria – razão do apelido Muralha de Margaret –, as paredes da fortaleza possuíam não mais que cinco metros de altura e cerca de um metro e meio de espessura em sua base. Foi encorpada nos anos seguintes, e no século 14 encontrava-se tão imponente que foi necessário o recrutamento de cidadãos talinenses para servirem como guardas em suas instalações, sendo obrigados a vestir armaduras e combater invasores.

Escadaria da Torre Plate (Plate torn), na Rua Laboratooriumi, 29

Escadaria da Torre Plate (Plate torn), da Muralha de Tallinn, na Rua Laboratooriumi, 29 (via Instagram)

Escadaria da Torre Plate, na Rua Laboratooriumi, 29

Escadaria da Torre Plate, da Muralha de Tallinn, na Rua Laboratooriumi, 29

Uma grande extensão da muralha ainda está de pé, bem como seus vários portões e torres. Ladeando sua estrutura pela Rua Laboratooriumi, encontramos a pequena Igreja Greco-católica Ucraniana, onde demos uma rápida espiada.

Igreja greco-católica ucraniana da Rua Laboratooriumi

Igreja Greco-católica Ucraniana da Rua Laboratooriumi

O templo foi consagrado pela Nossa Senhora das Três Mãos, protetora dos inocentes injustamente condenados e perseguidos. Seu interior, decorado por mestres ucranianos, combina elementos modernos e arcaicos. Embora não seja uma atração indicada nos guias turísticos, merece uma visita.

Em seguida, passamos diante da Torre Eppingi (Eppingi torn), que abriga uma exposição de armaduras, malhas e réplicas de armas medievais. Infelizmente, estava fechada para visitação.

Muralha de Tallinn com destaque para a torre Torre Eppingi, na Rua Laboratooriumi

Muralha de Tallinn com destaque para a torre Torre Eppingi, na Rua Laboratooriumi

Outras 19 torres integram a Muralha de Tallinn. O conjunto é espetacular, que delineia a silhueta da cidade com seus imensos telhados cônicos ou piramidais. Onde quer que se esteja na Cidade Velha, o visitante se depara com uma torre.

Rua Gümnaasiumi

Rua Gümnaasiumi

 Kooli

Rua Kooli

Esquina das ruas Aida e Kooli

Esquina das ruas Aida e Kooli

Torre Munkadetagune

Torre Munkadetagune

Conhecer cada uma delas talvez não seja possível – seria de fato maçante –, mas algumas são mais notáveis e fazem parte dos principais roteiros turísticos pela capital estoniana, entre elas Nunna, Sauna e Kuldjala. Antes de visitar essas três torres, contornamos a bela muralha pela Praça das Torres (Tornide väljak), desde a Rua Suurtüki até o Portão do Monastério (Kloostrivärav).

Muralha de Tallinn vista da Praça das Torres

Muralha de Tallinn vista da Praça das Torres

Portão do Monastério

Portão do Monastério

Dica balao 2

A entrada para a parte da muralha que conecta as torres de Nunna, Sauna e Kuldjala fica logo ao lado do Portão do Monastério, no encontro das ruas Suur-Kloostri e Väike-Kloostri. Funciona diariamente. De 1º de abril a 31 de maio, abre das 11h às 17h (exceto às quintas-feiras); de 1º de junho a 31 de agosto, das 11h às 19h; de 1º de setembro a 31 de outubro, das 11h às 17h (exceto às quintas-feiras), e de 1º de novembro a 31 de março, das 11h às 16h (exceto às quartas e quintas-feiras). Para mais informações, clique aqui.

Depois do rápido passeio pelas três torres, dirigimo-nos à plataforma de observação de Patkuli, situada na Colina de Toompea, parte alta da Cidade Velha. De lá, o visitante contempla um dos panoramas mais fascinantes da cidade, com destaque para as torres da muralha, a Igreja de São Olavo e a Baía de Tallinn.

Tallinn vista da plataforma de observação de Patkuli

Tallinn vista da plataforma de observação de Patkuli

Igreja de São Olavo vista da plataforma de observação de Patkuli

Igreja de São Olavo vista da plataforma de observação de Patkuli

Não muito longe dali, o mirante de Kohtuotsa Vaateplats proporciona outra bela visão. O charme do horizonte urbano marcado pelos telhados em tom laranja acastanhado só não é mais interessante do que as gaivotas e pombos pedintes que frequentam o local.

Tallinn vista do mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Tallinn vista do mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Tallinn vista do mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Tallinn vista do mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Tallinn vista do mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Tallinn vista do mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Gaivota no mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Gaivota no mirante de Kohtuotsa Vaateplats

Do mirante, seguimos até a Catedral de Santa Maria (Tallinna Neitsi Maarja Piiskoplik Toomkirik), mas encontrava-se fechada. Na verdade, esse e outros pontos turísticos de Toompea estavam programados no nosso roteiro para outro dia. Entretanto o passeio rendia mais do que o planejado, então decidimos cumprir antecipadamente algumas atrações para ganhar umas horinhas de folga e aproveitar a cidade com mais calma e mais cerveja. Nesse ritmo otimizado, rumamos até a Catedral de Alexandre Nevsky (Aleksander Nevski katedraal), igreja ortodoxa dedicada ao grande líder Alexandre Nevsky, que, na idade média, teve um papel importante na preservação da identidade ortodoxa russa.

Catedral de Alexandre Nevsky

Catedral de Alexandre Nevsky

Construída entre 1894 e 1900, a catedral não era bem vista pelos estonianos, que a consideravam um monumento à dominação russa. Mas o tempo passou, e após a dissolução da União Soviética, a igreja foi restaurada e se tornou um dos principais cartões postais de Tallinn, sendo reconhecida como patrimônio mundial pela Unesco, em 1997.

A Alexandre Nevsky é, sem dúvida alguma, espetacular! De lá, seguimos passeando por Toompea, atravessando belas ruas e desfrutando a atmosfera taciturna daquela segunda-feira nublada. Eu poderia perfeitamente viver daquele jeito, sem muita pressa e ladeado por uma arquitetura encantadora.

Rua Piiskopi, em Toompea. Catedral de Alexandre Nevsky ao fundo

Rua Piiskopi, em Toompea. Catedral de Alexandre Nevsky ao fundo

Embora não tivéssemos visitado nem um terço da cidade, estranhávamos o fato de Tallinn não figurar no rol dos destinos europeus mais procuradas por turistas brasileiros. Naturalmente, a distância é um empecilho, mas a cidade é tão bonita, tão histórica e tão preservada que não perde em nada para outras metrópoles internacionais mais expressivas.

Pikk jalg, em Toompea

Pikk jalg, em Toompea

Passavam das 13h30 e nossos apetites davam os primeiros sinais de vida. Já na parte baixa da Cidade Velha, fomos à Rua Rataskaevu, conhecida como um dos principais centros gastronômicos – pega-turistas – de Tallinn.

Rua Rataskaevu, na Cidade Velha

Rua Rataskaevu, na Cidade Velha

Lá, entramos em um restaurante do tipo hispster. Não, não pertencemos à tribo, mas os preços no quadro da calçada eram bem convidativos, além de que precisávamos mais carregar as baterias dos nossos celulares do que propriamente encher a pança. Mesmo que não tivéssemos comido algo típico – o cardápio passava longe da culinária estoniana –, foi bom fazer uma parada ali. Almoçamos, tomamos um bom vinho e aproveitamos a solicitude da excêntrica garçonete para pedir dicas de bares interessantes para passarmos a noite. Ela anotou tudinho num pedaço de papel.

Comer é de fato uma das melhores coisas para se fazer no planeta, todavia nem sempre existe um esforço da nossa parte para degustar o que cada canto do mundo tem para servir. Mea-culpa. Nem sempre estamos com fome, nem sempre existe um bom restaurante por perto, nem sempre estamos dispostos a pagar quantias consideráveis por um prato de comida. Escusas à parte, viajar e não meter a cara em refeições locais é uma das transgressões mais graves previstas na legislação informal do turismo. Sem tentar me redimir (já me redimindo), farei uma breve descrição da culinária estoniana, assim, quando você pisar aquelas terras bálticas, saberá como satisfazer seus anseios gastronômicos.

Dica balao 2

A cozinha estoniana possui fortes influências das culinárias alemã, escandinava e russa. Por lá, come-se boi, porco, javali, urso, perdiz, frutos do mar, batatas, repolho e tantos outros vegetais, além de derivados do leite. O pão de centeio (karask) é sempre um bom acompanhamento. De suas principais iguarias, destacam-se a sült (carne de porco servida com geleia), a verivorst, (linguiça preenchida com sangue coagulado e arroz, muitas vezes servida com geleia de frutas vermelhas), a marineeritud angerjas (enguia marinada servida fria), o silgusoust (arenque assado servido com molho à base de creme de leite e maionese, temperado com cebolas, alho-poró, endro e gengibre), o lúdico Kartulipõrsad (“porquinho de batata” preparado com carne de porco, purê de batata, ovo, nata, farinha e manteiga), a keel hernestega  (língua de boi cozida servida fria), a rosolje (salada de beterraba, batata, maçã, picles, cebola, arenque e creme azedo) e o mulgikapsad – isso eu comi! – (guisado de repolho e porco acompanhado de batatas cozidas).

Retomando o roteiro, deixamos o restaurante hipster e continuamos peregrinando, dessa vez na parte baixa da Cidade Velha.

Rua Rataskaevu, na Cidade Velha.

Rua Rataskaevu, na Cidade Velha.

Rua Dunkri, na Cidade Velha

Rua Dunkri, na Cidade Velha

Rua Olevimägi, na Cidade Velha

Rua Olevimägi, na Cidade Velha

Rua Pühavaimu, na Cidade Velha

Rua Pühavaimu, na Cidade Velha

Dirigimo-nos à Praça da Prefeitura (Raekoja plats), um dos pontos mais pitorescos de Tallinn, historicamente conhecida pelas atividades mercantis da Liga Hanseática. É local de grandes eventos ao ar livre, como concertos e festividades medievais. Desde 1441, o nascimento de Cristo é celebrado com uma enorme árvore de Natal cercada de barraquinhas de vinhos, comidas típicas e artesanato. Esse rito natalino foi iniciado pelos mercadores alemães da Irmandade dos Blackheads, que, assim como em Riga, ergueram a primeira árvore de Natal da cidade.

Praça da Prefeitura

Praça da Prefeitura

O local é rodeado de belos edifícios que abrigam negócios, cafés e restaurantes. Naqueles dias de novembro, a feira de Natal estava sendo instalada. As barraquinhas, ainda fechadas, inibiam a fotogenia medieval do lugar e impediam que chegássemos até a rosa dos ventos, ponto de onde se pode avistar o topo dos cinco pináculos da Cidade Velha.

Praça da Prefeitura

Praça da Prefeitura

Situado na praça, o edifício da Prefeitura (Tallinna Raekoda) data do século 13, e sua forma atual foi concluída em 1404, na florescência da Liga Hanseática. Para informações detalhadas sobre o edifício, como horários e datas de visitação, acesse raekoda.tallinn.ee.

Edifício da Prefeitura

Edifício da Prefeitura

Edifício da Prefeitura

Edifício da Prefeitura

Da prefeitura, rumamos até uma das atrações mais cativantes da cidade, a Passagem de Santa Catarina (Katariina käik), que liga, de forma encantadora, as ruas Vene e Müürivahe.

Passagem de Santa Catarina

Passagem de Santa Catarina

O charmoso beco situa-se atrás do ponto onde existiu a Igreja de Santa Catarina. Acomoda um conjunto de oficinas de artesanato chamado Grêmio de Santa Catarina (Katariina Gild MTÜ), em que são utilizados métodos tradicionais na fabricação de chapéus, colchas, cerâmicas, copos, joias, entre outros artefatos. Os visitantes, além de comprar as manufaturas, podem acompanhar os processos de produção nos pequenos estúdios da agremiação.

Passagem de Santa Catarina. Entrada pela Rua Müürivahe

Passagem de Santa Catarina. Entrada pela Rua Müürivahe

Passagem de Santa Catarina (via Instagram)

Passagem de Santa Catarina (via Instagram)

Entre um arco e outro da passagem, batia-me um sentimento superespecial. Eu era um forasteiro, não pertencia a nada daquilo; a história, as pessoas, os hábitos, coisa nenhuma jamais havia feito parte da minha vida; a irregularidade do calçamento de pedras e dos tijolos, a calmaria, os olhares, tudo era estranho para mim. Entretanto, naquele ponto, Tallinn me oferecia a melhor das hospitalidades. Séculos se passaram, e o que lá permaneceu de pé estava a minha disposição. Sentia-me o mais bem-vindo dos visitantes! No estreito beco, não pude conter a admiração excessiva – excesso pode ser bom –, que já vinha se manifestando desde os primeiros momentos de nossa estadia na cidade.

Tanta satisfação devia ser brindada. Um espresso bastaria para comemorar o recente surto de apreço por Tallinn. A um quarteirão da passagem, num beco chamado , entramos na Kehrwieder Chocolaterie, uma chocolateria bem aconchegante. Antes mesmo que a garçonete nos entregasse o cardápio, pedimos nosso café. Queríamos somente isso, não importava o quanto custasse, então dispensamos o menu. Um euro e cinquenta, um euro e setenta, um euro e noventa, valor algum era comparado ao nosso entusiasmo. O espresso veio acompanhado de um tabletinho de chocolate delicioso! A pequena guloseima era a mais perfeita materialização do momento: doce, intenso, especial. Junto ao café e ao chocolate, estava a conta. O breve instante de empolgação custou a cada um € 2,90!

Na Kehrwieder Chocolaterie

Na Kehrwieder Chocolaterie

Amigo leitor, não se assuste. O custo turístico em Tallinn é até razoável, embora o valor do espresso da Kehrwieder estivesse acima da média. No mais, valeu a pena cada gota sorvida.

Bem ao lado da chocolateria, está a Igreja do Espírito Santo (Puhavaimu Kirik), para onde nos dirigimos.

Igreja do Espírito Santo

Igreja do Espírito Santo

A construção desse templo luterano teve início no início do século 13. Sua arquitetura medieval sofreu várias reformas, mas a beleza e a singularidade do edifício se mantiveram intactas.

Igreja do Espírito Santo

Igreja do Espírito Santo

Os destaques da igreja são o relógio, criado por Christian Ackermann, o altar principal, desenhado por Bernt Notke, e os magníficos vitrais.

Dica balao 2

De frente para a Espírito Santo, está a Maiasmokk, cafeteria mais antiga de Tallinn, que funciona no mesmo endereço desde 1864, precisamente na Rua Pikk n.º 16. Eu tinha inclusive listado o local como uma das atrações daquele dia, mas me esqueci, adoçando o paladar minutos antes na Kehrwieder Chocolaterie. Ir à Maiasmokk teria sido mais interessante.

Rua Pühavaimu. Igreja do Espírito Santo à direita

Rua Pühavaimu. Igreja do Espírito Santo à direita

A poucos metros dali, no número 17 da Rua Pikk, está o Museu de História da Estônia (Eesti Ajaloomuuseum), um dois mais interessantes que já conheci. Situa-se no antigo edifício da Grande Agremiação, aliança formada por figurões influentes da Liga Hanseática e da vida política medieval.

À esquerda está o edifício do Museu de História da Estônia

À esquerda está o edifício do Museu de História da Estônia

Mais do que objetos e espaços decorados, sua exposição prima pela excelência dos textos informativos. A sutileza da linguagem e a maneira bem humorada de lidar com questões delicadas da história nacional são o maior atrativo do museu. Lá, ficamos sabendo, por exemplo, que os estonianos são considerados um dos povos mais tristes do mundo, talvez por causa do clima frio e de centenas de anos sob dominação estrangeira. Não posso discordar. Desde o século 13, vinham sendo tratados como cidadãos de segunda classe em sua própria terra. Nos séculos 15 e 16, os camponeses se tornaram servos de um regime que durou até 1816 e 1819, quando a escravidão foi abolida no sul e no norte do país, respectivamente. Em 1918, conseguiram declarar sua independência do Império Russo, mas a república foi interrompida 20 anos mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, quando o medo e a desconfiança foram instaurados no país. A ocupação nazista (1941 a 1944) deportou cidadãos estonianos em massa, assassinando milhares deles. Os anos seguintes, sob dominação soviética (1944 a 1991), não foram menos sangrentos e opressores. Nesse ínterim, temendo a repressão, muitos nativos fugiram para o ocidente, outros preferiram guerrilhar nas florestas – os “Irmãos das Florestas”.

Exposição do Museu de História da Estônia

Exposição do Museu de História da Estônia

Hoje, a Estônia é uma nação próspera. Seu passado econômico recente não foi dos melhores, mas o país vai bem, obrigado. Há um investimento estrangeiro crescente, aumento de crédito e consumo interno considerável. A mão de obra é barata, mas o nível de desemprego não passa dos 4,5%. Vem abocanhando fatias invejadas nos mercados digital e tecnológico. Se continuar assim, talvez os estonianos deixem de ser o povo mais triste do mundo. Torço para que seu passado sangrento se torne apenas passado, e se o frio continuar sendo motivo de desolação, que belos casacos, bons vinhos e deliciosos chocolates quentes aqueçam seus corações. É, tenho adoração pela Estônia!

Aldraba da porta de entrada do Museu de História da Estônia (via Instagram)

Aldraba da porta de entrada do Museu de História da Estônia (via Instagram)

No Museu de História da Estônia (via Instagram)

No Museu de História da Estônia (via Instagram)

Dica balao 2

O Museu de História da Estônia é atração imprescindível em Tallinn! De 1º de maio a 30 de setembro, abre diariamente das 10h às 18h; de 1º de outubro a 30 de abril, abre em igual horário, mas não funciona às quartas-feiras e em feriados públicos. A entrada é gratuita na última quinta-feira de cada mês e em 18 de maio, Dia Internacional do Museu. Para mais informações, acesse www.ajaloomuuseum.ee.

Já havia escurecido. Deixamos o museu e caminhamos em trechos ainda não explorados da Rua Pikk.

Rua Pikk

Rua Pikk

Se por um lado a luz do sol permite visualizar um dos mais belos conjuntos arquitetônicos, a iluminação noturna da Rua Pikk dramatiza um cenário deslumbrante, visto em poucas cidades europeias.

Rua Pikk

Rua Pikk

Esquina das ruas Pikk e Vaimu

Esquina das ruas Pikk e Vaimu

Voltamos ao hotel para deixar nossos pertences. Abri a carteira e desdobrei o papel com indicações de bares dado pela bela garçonete hipster. No topo da lista, estava o Kultuuriklubi Kelm, localizado na Rua Vene n.º 33, a poucas quadras de onde ficamos hospedados. O antigo edifício era o ambiente perfeito para tomar umas. Por se tratar de uma noite de segunda-feira fria e nublada, éramos os únicos clientes debaixo da brutalidade dos arcos medievais do bar.

Kultuuriklubi Kelm

Kultuuriklubi Kelm

Momentos mais tarde, juntaram-se a nós alguns gatos pingados que assistiam a uma peça de teatro não convencional – ou era uma palestra inusitada? – no salão ao lado.

Após doses regulares de bebidas alcoólicas no Kultuuriklubi Kelm, rumamos para o Red Emperor Hostel & Bar, outro estabelecimento indicado pela garçonete, situado na Rua Aia n.º 10. Ficava rente ao nosso hotel, coincidentemente. Como o próprio nome diz, é parte de um hostel, infestado de pessoas com idade bem inferior a nossa. Nem sei como nos permitiram entrar. Um bocado constrangido, acomodei-me em uma das poltronas de avião que decoravam a espelunca, observando jovens bêbados brincando com uma espécie de Torremoto gigante e outros jogos de gente nova, bonita e despreocupada. Estranhamente, eles não se pegavam.

Red Emperor Hostel & Bar

Red Emperor Hostel & Bar

Se não fosse segunda-feira, aquelas pessoas estariam pelas ruas portando seus fígados saudáveis de bar em bar, num pub crawl de causar inveja a irlandeses. O Élcio pouco se lixava para a questão etária, e tomou bons goles. Para não deixar que meu lado geriátrico encerrasse a noite imediatamente, bebi uma cerveja.

No mais, o bar estava bom. Assistimos a uma breve apresentação de música indie, a duas performances de karaokê e fomos embora.

SEGUNDO DIA – Terça-feira, 17/11/2015

Portão de Viru, Torre Hellemanni, Ópera Nacional da Estônia, Praça da Liberdade, Torre Kiek in de Kök, Museu das Ocupações, Castelo de Toompea, Catedral de Santa Maria, Pikk jalg, Torre da Perna Longa, farmácia Raeapteek, Rotermann City

A desvantagem de viajar para a Europa em épocas frias é que o céu quase sempre está nublado. E chove! Já nos acostumamos. Uns preferem a poesia da primavera ou a energia do verão; nós buscamos a serenidade do outono ou a melancolia do inverno. Essa quietação não nos deprime, não nos abate, muito menos nos impede de bater perna. É uma das estratégias que utilizamos para poder viajar mais. Nas baixas temporadas europeias, os preços são reduzidos, as filas para as atrações são menores – ou bem menores – e o sol não frita nossos miolos, além de que existe maior proximidade com os nativos (adoramos trocar ideias com os nativos!), uma vez que não há muito turista circulando.

Sob a alvura celeste, começamos o roteiro do dia passando pelo Portão de Viru (Viru Väravad), uma das oito entradas da Cidade Velha, parte da Muralha de Tallinn.

Portão de Viru

Portão de Viru

Não muito distante dali, no número 48 da Rua Müürivahe, encontra-se a Torre Hellemanni (Hellemanni torn). No século 14 e em outras épocas, foi usada como prisão e armazém de armas. Hoje, abriga uma galeria de arte, e muitos visitantes escalam seus três andares à procura de vistas panorâmicas de tirar o fôlego.

Torre Hellemanni

Torre Hellemanni

Ver a Hellemanni somente por fora foi suficiente. Já estávamos saturados de tanta torre. Basta!

Retornamos ao Portão de Viru, atravessamos o pequeno Parque Musumägi e seguimos em direção ao suntuoso edifício da Ópera Nacional da Estônia (Rahvusooper Estonia) para uma visita externa.

Ópera Nacional da Estônia

Ópera Nacional da Estônia

Depois, fomos à Praça da Liberdade (Vabaduse väljak), local de grande orgulho para os estonianos. No período de transição da monarquia russa para os primeiros anos de independência, foi palco de grandes paradas cívicas e outras celebrações. Tempos mais tarde, a indiferença soviética ao simbolismo da praça fez do lugar uma simples área ao ar livre. Tal negligência só teve fim em 2009, quando o espaço foi renovado e retomou o fulgor de décadas atrás.

Praça da Liberdade

Praça da Liberdade

A Coluna da Vitória (Vabadussõja võidusammas) é o destaque da Praça da Liberdade. Inaugurado em 23 de junho de 2009, esse memorial de 23,5 metros de altura é uma homenagem aos heróis e vítimas da Guerra de Independência da Estônia (Vabadussõda).

Se eu disse que estávamos saturados de torres e que não visitaríamos outra em Tallinn, eu menti. Da praça, rumamos à Kiek in de Kök, uma torre de 38 metros de altura com paredes de 4 metros de espessura, originalmente construída na década de 1470. Sua estrutura é tão robusta que o exército de Ivan, o Terrível, durante a Guerra da Livônia (1558 – 1582), tentou explodir o último andar, mas o enorme buraco formado não foi suficiente para derrubar a fortificação.

Torre Kiek in de Kök

Torre Kiek in de Kök

Em baixo-alemão, kiek in de kök significa “espiar dentro da cozinha”. Devido à altura e posição estratégica da torre, os guardas brincavam dizendo que dela era possível bisbilhotar as cozinhas das casas de Tallinn pelo buraco das chaminés.

Hoje, a Kiek in de Kök abriga um museu que exibe documentos, objetos, maquetes, peças de artilharia, vestuário e outros elementos que contam a história das fortificações da cidade e dos eventos militares mais importantes.

Exposição do museu da Torre Kiek in de Kök

Exposição do museu da Torre Kiek in de Kök

Há também uma exibição chamada Kiek in de Kök e as passagens do bastião, mas, para conhecê-la, é necessário fazer reserva. Os visitantes são conduzidos pelos túneis escondidos sob as antigas fortificações de Toompea, em uma jornada multimídia que tem início em 1219. Como não fizemos reservas, não vimos nada disso. Nossos bilhetes davam acesso somente às exibições dentro da torre, com direito a uma subida até o café, que fica na parte mais alta do edifício e possui uma vista panorâmica fenomenal.

Vista do café da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a torre da Igreja de São Nicolau (Niguliste kirik)

Vista do café da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a torre da Igreja de São Nicolau (Niguliste kirik)

Vista do café da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a torre do Edifício da Prefeitura

Vista do café da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a torre do Edifício da Prefeitura

Vista do café da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a Catedral de Alexandre Nevsky

Vista do café da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a Catedral de Alexandre Nevsky

Vista do café da Torre Kiek in de Kök.

Vista do café da Torre Kiek in de Kök

Vista da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a torre do Niguliste Muuseum

Vista da Torre Kiek in de Kök. Destaque para a torre da Igreja de São Nicolau (Niguliste kirik)

Dica balao 2

A Kiek in de Kök fica na Rua Komandandi tee n.º 2. Abre de terça a domingo. Entre março e outubro, funciona das 10h30 às 18h, e de novembro a fevereiro, das 10h às 17h30. A última entrada deve ser feita 30 minutos antes do encerramento do expediente. Não funciona aos feriados. Para reservar o passeio pelos túneis escondidos e demais informações, acesse linnamuuseum.ee/kok/en.

Deixamos a torre e descemos a Rua Toompea até o Museu das Ocupações (Okupatsioonide Muuseum), que possui uma exposição fantástica sobre a difícil vida da sociedade estoniana durante três períodos: o da primeira ocupação soviética, em 1940 e 1941, o da ocupação alemã, de 1941 a 1944, e o da segunda ocupação soviética, de 1944 a 1991.

Museu das Ocupações

Museu das Ocupações

Terror, repressão, resistência e outras bizarrices do regime comunista são temas desse museu, retratados por meio de objetos, automóveis, máquinas, cômodos, vestimentas, documentos, entre outros. Pessoas adeptas do bolchevismo ou que têm fetiche pela extinta URSS devem dar uma passadinha nessa exposição. Se depois mudarem de ideia, a culpa não é minha.

Museu das Ocupações

Museu das Ocupações

Dica balao 2

O Museu das Ocupações fica na Rua Toompea n.º 8. Abre diariamente das 10h às 18h, com última entrada às 17h30. Não funciona aos feriados. Para mais informações, acesse www.okupatsioon.ee.

De lá, voltamos pela Rua Toompea até o Castelo de Toompea (Toompea loss), situado numa das primeiras áreas habitadas de Tallinn. Estima-se que sua construção original data do século 10 ou 11, e veio sofrendo várias remodelações desde então. Atualmente, é a sede do Parlamento da Estônia.

Castelo de Toompea

Castelo de Toompea

Do castelo, retornamos à Catedral de Santa Maria, que encontrava-se fechada no dia anterior.

Catedral de Santa Maria

Catedral de Santa Maria

Essa catedral medieval é um dos pontos turísticos mais procurados em Tallinn. Foi fundada em 1233, e várias reformas concederam ao edifício uma admirável miscelânea arquitetônica. É conhecida por ser a igreja dos nobres alemães e da elite estoniana, ali representados por brasões fúnebres e lápides centenários.

Deixamos a Colina de Toompea pela Pikk jalg (não é a Rua Pikk), ladeando parte da muralha até o portão da Torre da Perna Longa (Pika jala väravatorn).

Pikk jalg e a Torre de Perna Longa

Pikk jalg e a Torre da Perna Longa

Considerada a primeira rua de Tallinn, a pequena Pikk jalg foi, durante séculos, o único caminho que dava acesso à colina. Seu portão era constantemente vigiado, e sempre que os figurões de Toompea passavam ali de carruagem, o guarda de plantão anunciava à população da parte baixa da Cidade Velha, alto e bom som, a presença dos queridos nobres. Li na internet que nas casas de alguns desses abastados, hoje encontram-se instalados cafés, pequenos restaurantes e lojas de souvenirs. Não vimos muita dessa badalação, mas a peculiaridade da bela ruazinha é mais do que suficiente para fazer valer a pena o passeio.

Edificação vista da Pikk jalg

Edificação vista da Pikk jalg

Retornamos à Praça da Prefeitura e almoçamos por lá. Logo depois, conhecemos a antiquíssima Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura. Poderíamos tê-la visitado no dia anterior, todavia não abre às segundas-feiras.

Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura

Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura

Essa farmácia é a mais antiga da Europa. Foi fundada em 1422 e desde então nunca fechou suas portas. A família dos Burcharts foi o grupo a administrá-la por mais tempo, de 1581 a 1911. A fama do negócio era tão difundida que alguns czares russos encomendavam seus remédios de lá. Hoje, qualquer receita médica é atendida na Raeapteek, e na Idade Média não faltavam no seu estoque poções de pele de cobra, suco de múmia e pó de chifre de unicórnio, este uma espécie de Viagra medieval.

Museu da Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura

Museu da Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura

Museu da Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura

Museu da Raeapteek, a Farmácia da Prefeitura

Dica balao 2

A Raeapetek fica na Praça da Prefeitura. Abre de terça a sábado das 1oh às 18h. Entre medicamentos, artigos de higiene e perfumaria, alguns dos produtos que eram sucesso nos séculos passados ainda encontram-se à venda na farmácia, como o Klarett, de 1467, e alguns extratos medicinais. Para mais informações, acesse www.raeapteek.ee.

Após visitar o pequeno museu da farmácia, compramos pasta de dente e chás diversos e deixamos o local. Em seguida, circulamos meio sem rumo pela Cidade Velha, o que não foi uma má ideia.

Praça da Prefeitura

Praça da Prefeitura

Esquina das ruas Kullassepa e Kuninga, na Cidade Velha

Esquina das ruas Kullassepa e Kuninga, na Cidade Velha

Rua Niguliste, na Cidade Velha

Rua Niguliste, na Cidade Velha

Edifício do Club Hollywood, na Cidade Velha

Edifício do Club Hollywood, na Cidade Velha

Rua Väike-Karja, na Cidade Velha

Rua Väike-Karja, na Cidade Velha

Rua Suur-Karja, na Cidade Velha

Rua Suur-Karja, na Cidade Velha

Rua Viru, na Cidade Velha

Rua Viru, na Cidade Velha

Rua Kooli, na Cidade Velha

Rua Kooli, na Cidade Velha

À noite, após um breve descanso e munidos da lista de bares fornecida pela garçonete hipster, rumamos para Rotermann City, área antes ocupada por um complexo industrial abandonado, hoje revitalizada e transformada num espaço excepcional. Como seu site mesmo diz, “Rotermann City é um ambiente urbano acolhedor e amistoso, caracterizado pela atmosfera histórica, por uma arquitetura notável e desafiadora, pela abertura, pela singularidade, e, obviamente, pela excelente localização – à direita no coração da cidade.

Entremeando tudo isso, encontra-se o Protest, bar onde pretensão, glamour, organização, arrogância e carão não compõem o pacote de serviços, o menu ou a decoração interior. É de fato interessante, com ambientação desleixada, design de mobiliário desconexo, música boa e bebidas de baixo custo. Por mim, excelente!

Protest Bar

Protest Bar

O bar estava vazio, mas eu preferia daquela forma. Estatelados nos sofás, assistíamos aos jovens que disputavam uma partida de pingue-pongue de competitividade zero. Não me contive, filmei trechos do tedioso confronto e enviei o vídeo ao Igor, meu amigo mesatenista. Presenciar um jogo tão monótono nunca foi tão divertido. O álcool fazia milagres!

Protest Bar

Protest Bar

Protest Bar

Protest Bar

Tanta bebida nos deu fome. Deixamos o Protest e a Rotermann City. Já próximo ao hotel, na Rua Vana-Viru, escolhemos um restaurante italiano para enfiar a cara num spaghetti alla carbonara. Na mesa ao lado, estavam reunidas cerca de 20 pessoas, entre elas empresários russos de meia idade – havia uns quase idosos – e jovens damas de companhia. Nossa comida estava ótima e até poderíamos esticar por ali, mas nos sentíamos extremamente incomodados, não pela presença do grupo, absolutamente, e sim com o desconforto do garçom devido a nossa presença. Certos de que não fazíamos parte do público-alvo, pagamos a conta (sem gorjeta, é claro!) e deixamos o estranho restaurante.

Demos uns 10 passos e entramos no sofisticado Butterfly Lounge, o bar de coquetéis mais premiado da Estônia. Tanta láurea não custaria pouco, então achamos melhor não avançar à segunda bebida. Atravessamos a rua, comemos uma pizza e fomos dormir.

TERCEIRO E ÚLTIMO DIA – Quarta-feira, 18/11/2015

Palácio Kadriorg, Parque Kadrioru, Memorial a Russalka, Baía de Tallinn, Museu da KGB no Hotel Viru, Igreja de São Nicolau (Museu Niguliste), Mercado de Balti jaam, Telliskivi Creative City

Começamos o dia com uma visita ao Palácio Kadriorg (Kadriouru Iossi), um magnífico edifício barroco construído em 1718 a mando do czar Pedro, o Grande. Para chegar lá, pegamos o tram n.º 1 na direção Kadriorg e descemos na parada Kadriorg, de onde andamos pouco mais de meio quilômetro até o palácio.

Palácio Kadriorg

Palácio Kadriorg

Dica balao 2

Por falar nisso, em Tallinn os ônibus comuns e elétricos e os trams operam regularmente das 6h às 23h (algumas linhas até meia-noite). A entrada nos veículos é feita pela porta dianteira. Os bilhetes unitários podem ser adquiridos diretamente com o motorista. Nesse caso, 0 pagamento só é feito enquanto os veículos estiverem parados, portanto agilidade é fundamental. Antes de embarcar, certifique-se de que tem dinheiro trocado que atenda ao valor exato da passagem. Após adquirido, o bilhete deve ser mantido com o passageiro até o fim da viagem. Os cartões Ühispilet são outra forma de pagamento, e estão à venda nos correios, nos quiosques da rede R-kiosk, no balcão de atendimento do Conselho Municipal de Tallinn (Rua Vabaduse väljak 7), entre outros estabelecimentos. Para validar o cartão, encoste-o nos leitores digitais das máquinas de cor laranja, situadas nas entradas dos veículos. A validação deve ser feita no momento do embarque. Portadores do cartão Tallinn Card viajam gratuitamente no transporte público, e a validação também deve ser feita nas máquinas laranjas. Este mesmo cartão dá acesso a uma série de atrações na cidade. Para mais informações sobre o transporte público, clique aqui.

Hoje, o Palácio Kadriorg é a sede do Museu de Arte Kadriorg (Kadrioru kunstimuuseum), que preserva e exibe mais de 9.000 obras de artistas estrangeiros, especialmente da Rússia e da Europa Ocidental.

Lago dos Cisnes, no Parque Kadrioru (Kadrioru park)

Lago dos Cisnes, no Parque Kadrioru (Kadrioru park)

Salão do Palácio Kadriorg

Salão do Palácio Kadriorg

Dica balao 2

Entre maio e setembro, o Museu de Arte Kadriorg abre das 10h às 18h nas terças, quintas, sextas, sábados e domingos e das 10h às 20h nas quartas. Entre outubro e abril, abre das 10h às 17h de quinta a domingo e das 10h às 20h nas quartas. A última entrada deve ser feita 30 minutos antes do encerramento do expediente. Além do tram n.º 1, o de n.º 3 também serve ao palácio, como parada no mesmo local (Kadriorg). Para mais informações, acesse kadriorumuuseum.ekm.ee.

Após a visita ao interior do suntuoso edifício, seguimos para os belíssimos jardins do complexo.

Jardins do Palácio Kadriorg

Jardins do Palácio Kadriorg

Jardins do Palácio Kadriorg

Jardins do Palácio Kadriorg

Dos jardins, atravessamos o Parque Kadrioru (Kadrioru park) em direção à Baía de Tallinn.

Parque Kadrioru

Parque Kadrioru

Parque Kadrioru

Parque Kadrioru

Às margens da baía está o Memorial a Russalka (Russalka mälestusmärk), uma escultura de bronze inaugurada em 7 de setembro de 1902, marcando o 9º aniversário do afundamento do Rusalka, navio de guerra construído na década de 1860 pela Marinha Imperial Russa.

Memorial a Russalka

Memorial a Russalka

A escultura, produzida pelo artista estoniano Amandus Adamson, demonstra um anjo segurando uma cruz ortodoxa na direção do suposto local do afundamento.

Memorial a Russalka

Memorial a Russalka

A Baía de Tallinn não é um dos lugares mais bonitos do planeta. Poderíamos tê-la espiado de longe, dali mesmo do memorial. Entretanto ir à praia e não pisar a areia é uma ofensa grave à sociedade belo-horizontina, bem como a todos os outros mineiros, com exceção dos cidadãos de Juiz de Fora.

Baía de Tallinn

Baía de Tallinn

Baía de Tallinn

Baía de Tallinn

Deixamos a baía, atravessamos novamente o Parque Kadrioru e nos dirigimos à parada do tram.

Parque Kadrioru

Parque Kadrioru

Pegaríamos a mesma linha (n.º 1) para retornar, mas, na parada, ficamos sabendo que o trânsito no centro da cidade estava praticamente parado, por motivos que desconhecíamos. Orientados por um cidadão, atravessamos a Av. Narva maantee e pegamos o ônibus de n.º 8. Sim, tínhamos dinheiro trocado!

Descemos na parada próxima à Praça Viru (Viru väljak). Ali, visitaríamos o Museu da KGB no Hotel Viru (Hotell Viru ja KGB muuseum), mas o tour em inglês aconteceria dentro de uma hora e meia. Uma pena! O hotel, bastante movimentado durante a era comunista, foi um dos locais escolhidos pelo serviço secreto soviético para instalar sua parafernalha e espiar os hóspedes, em 1972

Dica balao 2

O Museu da KGB no Hotel Viru situa-se na Praça Viru n.º 4. Abre diariamente das 10h às 17h30, não funcionando às segundas-feiras de fevereiro a abril. A visita é feita somente com o acompanhamento de um guia nos idiomas finlandês (10h, 13h e 16h), inglês (11h30 e 14h30), russo (14h30 e 17h30) e estoniano (17h30). Entre 1º de junho e 31 de agosto, as visitas guiadas acontecem de hora em hora: às 10h, 13h, 16h e 17h em finlandês e às 11h, 12h, 14h e 15h em inglês. O tour só é feito sob reserva, com agendamentos pelo e-mail viru.reservation@sok.fi ou pelo telefone +372 680 9300. Para mais informações, clique aqui ou acesse a página do museu no Facebook (facebook.com/hotelviruandkgbmuseum).

Do Hotel Viru, caminhamos um bocado até a Igreja de São Nicolau (Niguliste kirik), templo construído na década de 1230 e remodelado várias vezes ao longo de sua história. Desde a reforma de 1980, abriga o Museu Niguliste (Niguliste Muuseum), uma das sedes do Museu de Arte da Estônia (Eesti Kunstimuuseum), que exibe uma coleção fantástica de retábulos sofisticados, lápides medievais, obras de arte religiosas, entre outras peças.

Igreja de São Nicolau

Igreja de São Nicolau

De toda a exposição – de grande valor artístico, por sinal –, é impossível não se encantar com uma das interpretações de Dança macabra (Totentanz), pintada em 1463 pelo artista alemão Bernt Notke. No imenso painel, um imperador, um rei, um papa, um monge, um jovem e uma bela moça dividem uma coreografia com esqueletos superanimados que os conduzem em fila aos respectivos túmulos. Com um certo grau de comicidade, a obra remete à ideia de que para morrer basta estar vivo, não importando o estrato social ou título do indivíduo; no final das contas, todos acabarão devorados por larvas e bactérias. C’est la vie. Melhor, c’est la mort.

Pintura Dança macabra, do artista alemão Bernt Notke, na Igreja de São Nicolau

Pintura Dança macabra, do artista alemão Bernt Notke, na Igreja de São Nicolau

Dica balao 2

O Museu Nigusliste é parada obrigatória em Tallinn! Fica na Rua Niguliste n.º 3, a um quarteirão da Praça da Prefeitura. Funciona das 10h às 17h, com última entrada 30 minutos antes do encerramento do expediente. Entre maio e setembro, abre de terça a domingo e entre outubro e abril, de quarta a domingo. Para mais informações, acesse nigulistemuuseum.ekm.ee.

As adaptações nos percursos ocorridas ao longo dos três dias da nossa estadia em Tallinn deixou o passeio daquela quarta-feira pouco prático. Desde cedo, vínhamos atravessando a cidade num roteiro meio sem sentido. Isso é corriqueiro em nossas viagens, contudo não nos incomodamos. Pessoalmente, até gosto quando cumprimos as visitas às atrações planejadas em tempo hábil e utilizamos o resto do tempo para curtir a viagem como bem entendemos. Nessas oportunidades, a espontaneidade dá uma temperada no roteiro, possibilitando maior interação com os nativos, atividades fora do circuito turístico e outros eventos especiais.

Dica balao 2

Por falar em roteiro, os portais www.visittallinn.ee, www.tallinn.ee, www.visitestonia.com e www.traveller.ee são excelentes ferramentas para planejar uma viagem à capital da Estônia, bem como uma pesquisa apurada na internet e em revistas especializadas. E aplicativos sobre a cidade existem aos montes! 

Nesse ritmo desordenado, mas não improdutivo, após a visita à Igreja de São Nicolau, deixamos a Cidade Velha pela Rua Nunne, passamos pela estação de trem Balti jaam e chegamos ao Mercado de Balti jaam.

Mercado de Balti jaam

Mercado de Balti jaam

A singularidade desse mercado de pulgas é capaz de provocar, até nos mais capitalistas, uma pontadinha de encanto pela falecida URSS (nem tanto). Num contexto urbano completamente diferente daquele da Cidade Velha, os pavilhões e barracas do Balti jaam são uma das representações mais interessantes da cultura soviética. Ali, vendem-se alimentos frescos, roupas novas e usadas e memorabilias da era comunista, como medalhas, balas de revólver inutilizadas, brinquedos de madeira, bibelôs, entre outros bricabraques. Eu queria comprar de tudo um tanto, mas a sisudez de alguns dos vendedores assustava até o capeta consumista que habita em mim. No entanto a simpatissíssima Farida, comerciante tártara dona de um negócio de brinquedos e objetos decorativos vintage, era uma exceção. Tanta disposição e carisma me fez adquirir alguns badulaques e uma bolsa ultraféxion!

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Loja da Farida

Bolsa comprada na loja da Farida (via Instagram)

Bolsa comprada na loja da Farida (via Instagram)

Infelizmente, não anotei o nome desse estabelecimento, mas se você for a Tallinn e decidir dar uma passada no Balti jaam, procure pela loja da Farida. Talvez dê certo. Ah, o mercado funciona diariamente, das 8h às 16h.

Deixamos o mercado pela Rua Kopli. Viramos à esquerda na Rua Telliskivi e caminhamos até a Telliskivi Creative City, um antigo complexo industrial que se tornou um espaço hip (não hipster!), com lojas de cosméticos, decoração e materiais para artistas, além de pequenas boutiques vintage, cafés e restaurantes. Como todo bom centro cultural, oferece produções teatrais, performances de dança, shows musicais, entre outros espetáculos alternativos.

Telliskivi Creative City (via Instagram)

Telliskivi Creative City (via Instagram)

Honestamente, não achei a Telliskivi grande coisa, mas valeu a passada por lá, especialmente pela proposta fora dos padrões da Cidade Velha e por conhecer um lugar frequentado somente pelos habitantes locais, onde o conceito vale mais do que o espaço em si. Para mais informações, acesse telliskivi.eu.

Telliskivi Creative City

Telliskivi Creative City

Caixa d'água na Rua Telliskivi

Caixa d’água na Rua Telliskivi

Rua Telliskivi

Rua Telliskivi

Retornamos à Cidade Velha caminhando. Rachávamos de fome, disso eu me lembro, mas não sei ao certo onde paramos para encher a barriga. Provavelmente nos abastecemos em algum restaurante italiano ou num fast food meia boca. Depois, passamos num shopping center. Tallinn não é uma cidade barata, mas encontramos algumas boas promoções de roupas. Encerrando a jornada, fomos a um supermercado de frente para o hotel. Eu jamais me perdoaria se deixasse a Estônia sem sobrecarregar a mala de boas vodcas. Quais marcas? Um garrafa de 700 ml de Moe 1886, outra de Saaga 1763 e algumas garrafas de 500 ml das populares Viru Valge e Saaremaa.

À noite, não fomos muito longe nem ficamos fora até mais tarde, pois, no dia seguinte, partiríamos para Helsinque às 7h40.

Dica balao 2

A propósito, para quem vai a Tallinn, esticar a viagem até a capital finlandesa é uma excelente opção. As duas cidades encontram-se separadas pelo Golfo da Finlândia, a 80 quilômetros uma da outra. A viagem é feita num confortável ferryboat da Linda Line Express, com duração de 60 minutos. O embarque é efetuado no terminal do Linnahall, na Av. Mere, 20E. Para saber sobre horários, datas, reservas e demais informações, acesse en.lindaline.ee.

Termino esse post com um certo remorso. Nossa estadia em Tallinn foi maravilhosa, mas sinto que não deixei uma impressão suficientemente entusiasmada sobre o que vimos e vivemos por lá. Perdoe-me a displicência, se me faltou emoção ou se pequei ao omitir pormenores, mas posso afirmar que Tallinn está muito acima deste relato. Caso eu não o tenha convencido sobre a excelência da capital estoniana, vou tentar ser incisivo: poucos centros medievais são tão belos como o de Tallinn, nem todos os povos preservam sua identidade como o de Tallinn e poucos lugares oferecem tanta segurança como Tallinn; ela exubera cultura, cores, formas e sabores; tem uma história fantástica para contar e um futuro tão ou mais brilhante do que os anos mais gloriosos do seu passado. Ainda que seu povo se autoproclame um dos mais tristes do mundo, a cidade parece sorrir em cada esquina medieval, em cada edifício moderno e até mesmo nas remanescências soviéticas. Tallinn é surpreendente!

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com


Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

 

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Sobre Alessandro Paiva

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