À procura de dragões em Dubrovnik

Nas Muralhas de Dubrovnik

Eu, nas Muralhas de Dubrovnik

Seu nome ainda é estranho aos ouvidos brasileiros, mas a cidade de Dubrovnik vem dominando o mercado turístico há muitos anos. Em 1929, o escritor irlandês Bernard Shaw já dizia: “Se querem ver o paraíso na terra, venham a Dubrovnik“. E ele não exagerou. A pequena joia croata de menos de 50 mil habitantes impressiona de longe, da estrada que margeia o Adriático, ostentando uma mistura extraordinária de montanhas, águas marinhas e arquitetura predominantemente medieval. Se aquele ônibus que vinha do aeroporto demorasse um pouco mais para chegar à cidade, eu não me importaria. A vista costeira era fantástica! A aproximação a Dubrovnik se assemelhava à abertura de um filme, cuja história acontece num dos lugares mais belos do planeta.

Dubrovnik vista da estrada que margeia o Mar Adriático (via Instagram)

Dubrovnik vista da estrada que margeia o Mar Adriático (via Instagram)

De fato, a cidade foi cenário de acontecimentos importantes e produções cinematográficas consagradas. Aos pés do Monte Srđ, sua vida real é contada em linhas vitoriosas e também trágicas, que dividem a veracidade do cotidiano extra e intramuros da Cidade Velha com a ficção de sucessos como Star Wars Episódio VIII, Emerald City e Game of Thrones, este razão da ida de muitos fanáticos àquela bela cidade do extremo sul da Dalmácia.

Dubrovnik

Muralhas de Dubrovnik

Cidade Velha de Dubrovnik

Cidade Velha de Dubrovnik

A sugestão de ir lá partiu do Élcio, que escolheu algumas das principais cidades da Península Balcânica para passarmos alguns dias. Nessa excursão, além da Croácia, visitamos a república de Montenegro, a Bósnia e Herzegovina e a Sérvia, países que tiveram um papel importante na história da extinta Iugoslávia.

PRIMEIRO DIA – Terça-feira, 16/2/2016

Passeio noturno pela Cidade Velha

Desembarcamos no Aeroporto de Dubrovnik às 15h30. Às 16h20 já estávamos no Portão Pile (Vrata od Pila), principal entrada para a Cidade Velha, onde a Magdalena Milic, proprietária do apartamento em que ficaríamos hospedados, nos aguardava.

Portão Pile (Gradska vrata od Pila)

Portão Pile

Dica balao 2

Fizemos o traslado do aeroporto até a Cidade Velha de ônibus. A viagem durou cerca de 30 minutos, e a passagem custou 40 kunas. O pagamento foi efetuado diretamente com o motorista antes do embarque. O percurso também pode ser feito de táxi, mas custa mais caro, por volta de 230 kunas. Para mais informações sobre o traslado em Dubrovnik, clique aqui.

A casa da Magdalena fica logo na entrada da Cidade Velha, na Rua Getaldićeva. Lugar melhor para nos hospedarmos, não havia. Aliás, havia sim. Aquele ponto era certamente o mais acessível da parte intramuros de Dubrovnik, próximo ao Portão Pile e à maioria das principais atrações. Contudo ao efetuarmos a reserva do apartamento, cometemos o erro de selecionar apenas um “quarto inteiro”. Exato, no quarto não faltava nada. Tinha camas limpas, cômoda, guarda-roupas, TV, ar condicionado, conexão wi-fi, mesa e espelho. Mas não tinha banheiro, e disso não sabíamos. Quando entramos, nossos olhares correram pelo cômodo à procura da porta do toalete. Por um breve instante – e a mesma reação estava escancarada no rosto do Élcio –, arregalei os olhos, apertei a mandíbula e comecei a vislumbrar uma estadia de cinco noites num quarto sem pia própria, sem privada própria, sem chuveiro próprio.

Magdalena tinha certeza de que estávamos adorando as instalações de seu apartamento. Sorrindo muito, conduziu-nos ao restante dos cômodos. No segundo andar, mostrou-nos a sala, que era conjugada com a cozinha. O banheiro, que também era a lavanderia da residência, ficava logo atrás da pia, de frente para o fogão. As cinco noites seriam longuíssimas!

Apartamento da Magdalena Milic, na Rua Getaldićeva

Apartamento da Magdalena Milic, na Rua Getaldićeva

Os apartamentos da Cidade Velha são praticamente todos assim, apertados e com não mais que três andares. Compõem um conjunto arquitetônico fenomenal, mas tal peculiaridade tem seu preço, e o desconforto é um valor um pouco alto a se pagar. As escadas de madeira são bem inclinadas, com degraus que rangem um bocado. Pelo menos na casa da Magdalena era assim. Para nós, subir dois lances de escada até o banheiro não seria problema nenhum. Jovens que ainda somos, nossas pernas são saudáveis e suportam boas escaladas. Transtorno seria se fôssemos acometidos por uma diarreia incessante. Imagina subir cada degrau com os joelhos pressionados um contra o outro, sem deixar a caca escorrer perna abaixo (perdoe-me a repugnância da narrativa) e sem fazer barulho para não acordar a dona do apartamento, que dorme no quarto ao lado! É, isso seria foda!

Enfim, não havia escapatória. Já estávamos ali e já havíamos pagado pela hospedagem. Conformemo-nos! Assim fizemos. E como se aborrecer diante da mais simpática das anfitriãs? A Senhora Milic tinha uns 65 anos. Sempre morou ali, exceto durante a Guerra de Independência da Croácia (1991 a 1995), período em que se refugiou na capital Zagreb com os filhos. Antes de sairmos para a rua, ela nos deu algumas instruções e dicas de turismo. Também não perdeu a piada: “Vocês não estão com Zica, certo?” (o Brasil atravessava o primeiro surto da doença).

A noite havia caído. Era tarde para dar início a um roteiro, mas passear sem rumo pela Cidade Velha seria uma excelente opção. Primeiro, atravessamos a magnífica Stradun, também conhecida como Placa, principal via urbana daquela área histórica de Dubrovnik.

Stradun

Stradun

Com cerca de 300 metros de extensão, a Stradun divide a Cidade Velha em duas partes. Seus formosos edifícios abrigam uma série de pequenos negócios. Em datas especiais, o calçamento em calcário serve como passarela para procissões e festividades.

Em 1667, um forte terremoto levou ao chão cerca de um terço dos edifícios públicos de Ragusa, como era conhecida Dubrovnik naquela época. A tragédia foi seguida de um incêndio de grandes proporções, que deixou a cidade ainda mais destruída. Os planos de restauração motivaram a aprovação de uma lei que determinava o layout dos futuros edifícios residenciais da Cidade Velha. Com a padronização, as construções da Stradun adquiriram uma unicidade arquitetônica fantástica!

Stradun

Stradun

Os bombardeios ocorridos no Cerco de Dubrovnik (1991-1992), um dos episódios da Guerra de Independência da Croácia, danificaram boa parte dos edifícios da Stradun, bem como outras construções espalhadas pela cidade, que foram reparadas tempos mais tarde.

Stradun durante o Cerco de Dubrovnik. Foto: Bracodbk. Disponível em en.wikipedia.org

Stradun durante o Cerco de Dubrovnik. Foto: Bracodbk. Disponível em en.wikipedia.org

Stradun durante o Cerco de Dubrovnik. Foto: Božidar Gjukić

Stradun durante o Cerco de Dubrovnik. Foto: Božidar Gjukić

Que cidadezinha maravilhosa! Era preciso andar bem devagar para sorver o encantamento que irrompia. Andávamos de frente, de lado e de costas, com os queixos quase sempre erguidos, observando cada nuance das edificações e adjacências da Stradun.

Beco que desemboca na Stradun

Beco que desemboca na Stradun

Seguimos até o Porto Velho, situado fora das muralhas. De lá, retornamos à área intramuros e caminhamos um pouco mais pelas ruas estreitas da velha Ragusa.

Ruela da Cidade Velha

Ruela da Cidade Velha

Igreja de São Brás (Crkva sv. Blaža), na Cidade Velha

Igreja de São Brás (Crkva sv. Blaža), na Cidade Velha

Nossos estômagos se contorciam de vontade de comer, uma desculpa perfeita para desfrutar a culinária típica. Uma cidade tão pitoresca só poderia oferecer iguarias excepcionais, assim pensamos. A Magdalena nos indicou um “bom lugar” para jantar, contudo atendemos à sugestão de um dos cidadãos espalhados pela Stradun, que anunciavam os cardápios dos principais restaurantes do centro histórico.

Após a refeição, ponderamos que, em Dubrovnik, a prática do jabá é maior que a tradição gastronômica. O restaurante, do qual nem me esforcei para guardar o nome, dispunha de um cardápio medíocre, com refeições do tipo filé de peito de frango com fritas. O anunciante da Stradun nos propôs um menu completo, com direito a entrada, prato principal, sobremesa e bebida. Contudo ao abrir o cardápio, as opções eram nada interessantes. Embora de barriga cheia, deixamos o local com certa frustração.

Minutos mais tarde, notamos que os panfleteiros rua afora divulgavam praticamente a mesma coisa. Ainda que os estabelecimentos anunciados por eles fossem diferentes, os menus seguiam um modelo pouco original, de cozinha mais convencional do que típica. Inclusive a sugestão da Magdalena era mais um desses restaurantes pega-turista. Não tenho dúvidas de que, se tivéssemos adentrado os becos e ruelas da Cidade Velha, teríamos encontrado um lugar que servisse uma comida excepcional, quiçá a um bom preço, desfazendo essa minha impressão de que Dubrovnik é uma cidade dominada pelo jabaculê e pelo pouco entusiasmo com a gastronomia. Mas isso é só minha impressão, tomara que eu esteja enganado. De mais a mais, não fomos lá atrás de comida. De bebida sim, então seguimos à procura de um bom bar para comemorar o primeiro dia em Ragusa.

Dubrovnik é cheia de pubs. Estão por todos os lados, decorados à maneira irlandesa, suficientemente atraentes para quem procura boas biritas. Talvez por causa da baixa temporada, não havia grande variedade de cervejas. A oferta de poucas marcas poderia ser justificada por um provável carro-chefe, uma única marca que consagrasse o estabelecimento, mas nenhum bar tinha sua especialidade. Rótulos comuns preenchiam poucas linhas nos cardápios, e sempre que eu solicitava uma determinada cerveja, a mesma estava em falta. Isso jamais minaria nossa noite, entretanto polos turísticos como Dubrovnik merecem um cuidado especial em termos de gastronomia e vida noturna. Porventura, nas altas temporadas seja diferente. Se você, amigo leitor, passar por lá e constatar que estou enganado, por favor, faça-me saber.

SEGUNDO DIA – Quarta-feira, 17/2/2016

Fortaleza de São Lourenço, Muralhas de Dubrovnik, Museu Etnográfico, Grande Fonte de Onófrio, Igreja de São Salvador, Igreja Franciscana e Monastério, Stradun, Palácio Sponza, Palácio do Reitor, Galeria Dulčić Masle Pulitika, Igreja Jesuíta de São Inácio de Loyola, Catedral de Dubrovnik, Igreja de São Brás e Porto Velho

Naquela manhã, deixamos a parte intramuros da Cidade Velha pelo Portão Pile e caminhamos alguns passos até a Fortaleza de São Lourenço (Fort Lovrijenac), uma edificação situada a 37 metros acima do nível do mar.

Fortaleza de São Lourenço à esquerda

Fortaleza de São Lourenço à esquerda

Na Idade Média, a antiga Ragusa prosperava graças ao comércio marítimo, e a São Lourenço tinha um papel importante na resistência à rival Veneza. A imponência da fortificação atraía os olhares de quem chegasse a Dubrovnik por terra ou por mar, desviando a atenção dos invasores das duas principais entradas da cidade.

Fortaleza de São Lourenço (via Instagram)

Fortaleza de São Lourenço (via Instagram)

De acordo com alguns cronologistas, o forte foi construído em 1018 ou 1038, todavia os primeiros relatos da São Lourenço datam de 1301. Segundo uma lenda, no século 11, os venezianos planejaram construir uma fortaleza no mesmo local com o intuito de conquistar Dubrovnik. Porém os croatas souberam do plano e mais do que imediatamente ergueram a São Lourenço antes da chegada dos inimigos. Quando os navios venezianos se aproximaram da costa carregados de materiais de construção, viram que seu plano tinha falhado e retomaram o rumo de casa.

Fortaleza de São Lourenço

Fortaleza de São Lourenço

Atualmente, a Fortaleza de São Lourenço é palco de importantes peças teatrais, famosa pela encenação de Hamlet, de Shakespeare. Um cenário tão inspirador só não é mais belo que a vista panorâmica que oferece. Ver a cidade murada e o mar dali de cima é um espetáculo à parte!

Cidade Velha vista da Fortaleza de São Lourenço

Cidade Velha vista da Fortaleza de São Lourenço

Muralhas de Dubrovnik vistas da Fortaleza de São Lourenço

Muralhas de Dubrovnik vistas da Fortaleza de São Lourenço

Vista da Fortaleza de São Lourenço

Vista da Fortaleza de São Lourenço

Dica balao 2

O bilhete para a São Lourenço pode ser individual ou combinado para as Muralhas de Dubrovnik (Dubrovačke gradske zidine), que é mais em conta. Abre diariamente das 9h às 18h30. Para mais informações, clique aqui.

Deixamos o forte e retornamos à parte intramuros para um passeio por toda a extensão das Muralhas de Dubrovnik, principal atração da cidade.

Muralhas de Dubrovnik

Muralhas de Dubrovnik

Muralhas de Dubrovnik

Muralhas de Dubrovnik

As muralhas foram construídas entre os séculos 7 e 14, sofrendo algumas remodelações até o século 17, quando atingiram a forma atual. Sua estrutura em calcário circunda a maior parte da Cidade Velha num percurso de 1940 metros. Várias entradas, torres, fortificações, três fossos, um quebra-mar e duas pontes levadiças compõem sua extensão. Os pontos mais importantes são os portões PilePloče e Buža, a Torre de Minčeta (Minčete), o Forte Bokar e a Fortaleza de São João.

Torre de Minčeta

Torre de Minčeta

O passeio pelas muralhas é fascinante! Delas, é possível contemplar todos os ângulos possíveis do panorama intra e extramuros de Dubrovnik.

Stradun vista das Muralhas de Dubrovnik

Stradun vista das Muralhas de Dubrovnik

Grande Fonte de Onófrio (Velika Onofrijeva česma) vista das Muralhas de Dubrovnik

Grande Fonte de Onófrio (Velika Onofrijeva česma) vista das Muralhas de Dubrovnik

Cidade extramuros vista das Muralhas de Dubrovnik

Cidade extramuros vista das Muralhas de Dubrovnik

Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Porto Velho visto das Muralhas de Dubrovnik

Porto Velho visto das Muralhas de Dubrovnik

Quebra-mar de Porporela visto das Muralhas de Dubovnik

Quebra-mar de Porporela visto das Muralhas de Dubovnik

Detalhes do cotidiano da cidade também são percebidos das muralhas: moradores estendem suas roupas íntimas, gatos nos espiam das janelas, pombos caminham ao ritmo de nossas passadas.

Residência da Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Residência da Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Residência da Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Residência da Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Nas Muralhas de Dubrovnik

Nas Muralhas de Dubrovnik

A singularidade das nuances disputavam nossos olhares com a generalidade do conjunto arquitetônico, que descortinava um panorama dominado pelo laranja terracota dos telhados da Cidade Velha.

Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik

Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik. Ilha de Lokrum ao fundo

Cidade Velha vista das Muralhas de Dubrovnik. Ilha de Lokrum ao fundo

As muralhas nos provocavam todo tipo de admiração. Os incontáveis “oh’s” de deslumbramento eram interrompidos unicamente pelos cliques fotográficos. Haja espaço no cartão de memória!

Nas Muralhas de Dubrovnik

Nas Muralhas de Dubrovnik

Élcio nas Muralhas de Dubrovnik

Élcio nas Muralhas de Dubrovnik

Eu nunca vi um episódio sequer de Game of Thrones, mas ao pé da Torre de Minčeta, senti-me na obrigação de encenar uma passagem da série, em que a personagem Daenerys Targaryen procura por seus dragões roubados. Pelo menos foi assim que me narraram o trecho. Compare as interpretações:

Se Daenerys encontrou seus animaizinhos de estimação, ainda não sei (não me venha com spoiling, pretendo assistir à serie). Também não vi dragão nenhum, mas havia algo de tão extraordinário nas Muralhas de Dubrovnik que não me assustaria se eu me pegasse imerso em pensamentos fantasiosos. Ah, se fosse na minha infância! Rapidinho eu arrumaria uma capa, uma vassoura ou qualquer outra geringonça que me atribuísse poderes superespeciais e me levasse até meus dragões.

Dica balao 2

O passeio pelas muralhas é imprescindível para quem vai a Dubrovnik! De 1º de abril a 31 de maio e de 1º de agosto a 31 de setembro, funciona das 8h às 18h30; de 1º de junho a 31 de julho, das 8h às 19h30; em outubro, das 8h às 16h, e de 1º de novembro a 31 de março, das 9h às 15h. Para mais informações, acesse citywallsdubrovnik.hr.

Deixamos as muralhas e nos dirigimos ao Museu Etnográfico (Etnografski muzej), que exibe uma coleção de vestimentas, joias, instrumentos e outros objetos da cultura local dos séculos 19 e 20. Não foi das minhas atrações favoritas, mas valeu a pena conhecê-lo.

Cidade Velha de Dubrovnik vista do Museu Etnográfico

Cidade Velha de Dubrovnik vista do Museu Etnográfico

Dica balao 2

O Museu Etnográfico fica na Rua Od Rupa n.º 3, poucos quarteirões à direita do Portão Pile. De 22 de março a 2 de novembro, abre das 9h às 22h, e de 3 de novembro a 21 de março, das 9h às 16h. Não funciona nas terças-feiras e nos dias 25 de dezembro, 1º de janeiro e 3 de fevereiro. É integrante dos Museus de Dubrovnik (Dubrovački muzeji), e o ingresso combinado dá direito a outras exposições desta instituição: ao Museu de História Cultural (Kulturno-povijesni muzej), ao Museu Marítimo (Pomorski muzej) e ao Museu Arqueológico (Arheološki muzej). O mesmo bilhete é válido para a Casa de Marin Držić (Dom Marina Držića), o Museu de História Natural (Prirodoslovni musej), a Galeria Dulčić Masle Pulitika (Galerija Dulčić Masle Pulitika), o Estúdio Pulitika (Atelijer Pulitika) e o Museu de Arte Moderna e Contemporânea (Umjetnička galerija).

A fome já nos perturbava. A experiência malsucedida da noite anterior nos motivou a deixar as muralhas e procurar um restaurante distante dali. Poucos passos além do Portão Pile, encontramos uma lanchonete com sanduíches bastante convidativos e preços ainda mais atraentes. O lugar se chamava Pile Sandwich Bar. É isso mesmo que você está pensando: o cara reclama da gestão gastronômica da cidade, faz considerações sobre o assunto, mesmo não sendo especialista, para, no dia seguinte, frequentar a primeira espelunca que encontra. Exatamente! Em relação a comida, sou hipócrita. Já assumi isso outras vezes. E quer saber? O sanduíche estava ótimo.

Pile Sandwich Bar

Pile Sandwich Bar

Deixamos a lanchonete e retornamos à parte intramuros. Na Praça Paska Miličevića, bem no início da Stradun, de frente para a Grande Fonte de Onófrio (Velika Onofrijeva česma), um dos monumentos mais icônicos da cidade, está a pequena Igreja de São Salvador (Crkva sv. Spasa). Após o terremoto de 17 de maio de 1520, que matou 20 pessoas e destruiu alguns edifícios em Dubrovnik, as autoridades locais ordenaram a construção da igrejinha como voto de gratidão aos céus por terem poupado a cidade de um desastre maior. As obras começaram em 1520, e em 1528 o templo já estava pronto. Ironicamente, quando a terra voltou a tremer em 1667, matando cerca de 5.000 pessoas e destruindo a maior parte das edificações da cidade, a São Sebastião se manteve intacta; bela, renascentista e gótica como sempre. Acho que os céus não entenderam o voto de 1520.

Igreja de São Salvador

Igreja de São Salvador

Ao lado da São Salvador, está a Igreja Franciscana e Monastério (Franjevački samostan i crkva), pertencente à Ordem dos Frades Menores. O grande complexo é formado por uma igreja, um monastério, uma biblioteca e uma farmácia. Sua construção teve início em 1317 e se estendeu por séculos. Infelizmente, estava fechado. Restou-nos apenas uma rápida espiada no claustro. De acordo com minhas pesquisas, o complexo deveria estar funcionando diariamente das 9h às 17h, mas nos deparamos com uma plaqueta dizendo que a atração havia fechado as portas às 14h. Uma pena! Eu queria muito ter visitado a farmácia, considerada a terceira mais antiga do mundo. De qualquer forma, reagendamos esse passeio para o dia seguinte.

A caminhada sem rumo da noite anterior nos mostrou uma cidade fascinante. Naquela tarde, embora tivéssemos passado pelos mesmos locais, tudo parecia novidade. A luz do dia dava um charme diferente ao centro histórico, que de tão bem conservado parecia uma cidade cenográfica.

Stradun, com destaque para a Torre do Relógio

Stradun, com destaque para a Torre do Relógio

Escadaria da Rua Boškovićeva, na Cidade Velha

Escadaria da Rua Boškovićeva, na Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha

Pequena Fonte de Onófrio

Pequena Fonte de Onófrio

No número 2 da Stradun, está o Palácio Sponza (Palača Sponza), construído entre 1516 e 1522 nos estilos gótico e renascentista. Ao longo de sua existência, serviu como escritório alfandegário, casa da moeda, centro cultural, tesouraria, arsenal, banco, escola e centro comercial. Hoje, abriga os arquivos da cidade.

Pátio interno do Palácio Sponza

Pátio interno do Palácio Sponza

O terremoto de 1667 não danificou sequer um de seus tijolos, preservando sua forma original. Provavelmente, em Dubrovnik, a maioria dos prédios daquela época se assemelhavam ao palácio.

Dica balao 2

No Sponza visitamos uma pequena exposição chamada Memorial Dubrovnik Defenders, composta, principalmente, de inúmeras de fotos dos cidadãos que morreram lutando na Guerra de Independência da Croácia. Funciona diariamente. Entre novembro e abril, abre das 10h às 15h, e de maio a outubro, das 9h às 21h.

Ao lado do Sponza, na Rua Pred Dvorom n.º 3, está o Palácio do Reitor (Knežev dvor), que serviu como sede da reitoria da República de Ragusa do século 14 ao início do século 19. Hoje, o belo edifício abriga o Museu de História Cultural, que, infelizmente, encontrava-se fechado para reformas. Sua exposição consiste de objetos de valor cultural, histórico e artístico criados entre o final do século 15 e início do século 20, como pinturas, impressos, cartões postais, fotografias, móveis, tecidos, cerâmicas, metais, entre outros.

Palácio do Reitor

Palácio do Reitor

Dica balao 2

O Museu de História Cultural funciona diariamente. Entre 22 de março e 2 de novembro, abre das 9h às 18h, e de 3 de novembro a 21 de março, das 9h às 16h. Não funciona nas terças-feiras e nos dias 25 de dezembro, 1º de janeiro e 3 de fevereiro. É integrante dos Museus de Dubrovnik, e o ingresso combinado dá direito a outras exposições desta instituição: ao Museu Etnográfico, ao Museu Marítimo e ao Museu Arqueológico. O mesmo bilhete é válido para a Casa de Marin Držić (Dom Marina Držića), o Museu de História Natural (Prirodoslovni musej), a Galeria Dulčić Masle Pulitika (Galerija Dulčić Masle Pulitika), o Estúdio Pulitika (Atelijer Pulitika) e o Museu de Arte Moderna e Contemporânea (Umjetnička galerija). Para mais informações, clique aqui.

Sem a oportunidade de conhecer o Palácio do Reitor, caminhamos pouquíssimos metros até a Galeria Dulčić Masle Pulitika, mais para aproveitar o bilhete combinado dos Museus de Dubrovnik do que pela atração em si. A galeria, situada na Praça Držićeva n.º 1, expõe as obras de três importantes artistas de Dubrovnik: Ivo Dulčić, Antun Masle e Đuro Pulitika. Não é atração imprescindível na cidade, mas gostei de conhecê-lo.

De lá, rumamos para a Igreja Jesuíta de São Inácio de Loyola (Crkva sv Ignacija), localizada na Praça Ruđera Boškovića n.º 6. Uma elegante escadaria barroca leva ao templo, que foi construído em 1725 pelo irmão leigo e arquiteto Andrea Pozzo. Seu interior é decorado com afrescos que ilustram a vida de São Ignácio, pintados pelo artista italiano Gaetano Garcia.

Igreja Jesuíta de São Inácio de Loyola

Igreja Jesuíta de São Inácio de Loyola

Bem ao lado da igreja, está o Collegium Ragusinum, escola jesuíta onde muitos dos grandes intelectuais da antiga Ragusa foram educados.

Após a rápida visita à São Inácio, descemos a formosa escadaria e fizemos uma parada na Catedral de Dubrovnik (Dubrovačka katedrala), também conhecida como Catedral da Assunção da Virgem Maria.

Catedral de Dubrovnik

Catedral de Dubrovnik

Esse belo templo católico foi erigido no local onde outras igrejas existiram entre os séculos 7 e 12. O terremoto de 1667 destruiu grande parte de sua estrutura, daí uma série de remodelações foram feitas nas três décadas seguintes. A última reforma reparou os danos provocados por um ataque durante o Cerco de Dubrovnik.

Da catedral, seguimos de volta para a Stradun para conhecer o interior da Igreja de São Brás (Crkva sv. Blaža). Foi erguida em 1715 nas fundações de uma antiga igreja medieval.

Igreja de São Brás

Igreja de São Brás

Segundo uma lenda, no ano de 971, nas noites dos dias 2 e 3 de fevereiro, alguns navios venezianos ancoraram em Dubrovnik sob a desculpa de se abastecerem de água para seguir viagem em direção ao leste. Nesses dias, um padre chamado Stojko encontrou as portas da Igreja de Santo Estêvão (Crkva Svetog Stjepana) escancaradas. Ao entrar, deparou-se com um velho homem cinza e seu batalhão de forças celestiais, que dizia estar tentando afastar os venezianos já há algumas noites. Ele pediu Stojko para avisar o conselho municipal sobre um plano de ataque surpresa daqueles navegadores. Quando o padre perguntou seu nome, o velho senhor respondeu “Brás”. Graças ao seu alerta, as portas da cidade foram trancadas. Os venezianos, cientes de que seu plano fracassara, içaram âncoras e abandonaram a cidade. Os cidadãos, gratos ao velho homem, o elegeram São Brás, o santo padroeiro de Dubrovnik.

Deixamos a São Brás e fomos ao Porto Velho para uma espairecida. Como havia gatos! Na verdade, estão por toda a Cidade Velha, habitando casas, ruínas e espaços mais escondidos. No entanto próximo ao mar e junto aos pescadores e pequenos navegadores, os bichanos certamente fazem uma boquinha com mais facilidade.

Porto Velho

Porto Velho

Diferentemente dos felinos do resto do mundo, em Dubrovnik os gatos vagam bem à vontade, na hora e local que bem entenderem. Não têm o pudor de se esconder nem para um xixizinho; fazem ali mesmo, de frente para quem quiser ver. Bem, eu os adoro!

Porto Velho (via Instagram)

Porto Velho (via Instagram)

Dica balao 2

O Porto Velho é ponto de partida para passeios de barco de um dia ou de meia jornada, além de tours menores de 45 minutos a uma hora de navegação. Há a possibilidade de fazer esses passeios de forma personalizada, em que o passageiro escolhe a duração, trajeto, horário, entre outros. As excursões seguem para destinos paradisíacos, como as ilhas de LokrumElaphite, Mljet e Korčula e as cidades montenegrinas de Kotor e Budva. Os passeios curtos podem ser pagos no Porto Velho mesmo (não tenho informações quanto aos passeios longos). Lá, cavaletes exibem destinos, horários e tarifas. Para reservas, empresas como a Vivado (www.vivado.hr), a Dubrovnik Boat Trips (www.dubrovnikboattrips.com), a Dubrovnik Boat Rentals (www.dubrovnikboatrentals.com), a Atlas (www.atlas-croatia.com) e a Adriatic Explore (www.adriatic-explore.com) são as que mais aparecem no resultado de buscas do Google. O Get Your Guide também oferece excursões interessantes, que podem ser conferidas aqui. Por fim, não deixe de verificar as dicas do portal Time Out. Vale lembrar que algumas empresas operam a partir do Porto de Dubrovnik

Sugeri ao Élcio que zarpássemos num passeio rápido pela costa, mas meu amigo não sentiu muita firmeza. As embarcações ancoradas no Porto Velho eram de fato bem pequenas, porém não vi problema algum. Decidimos, então, ficar um tempinho ali, descansando as canelas e esvaziando a mente num dos bancos do quebra-mar de Porporela.

Quebra-mar de Porporela

Quebra-mar de Porporela

Retornamos à parte intramuros e enveredamos pelas ruas apertadas da porção norte da cidade.

Rua Prijeko, na Cidade Velha

Rua Prijeko, na Cidade Velha

Tradições são para ser mantidas, e nessa premissa encontramos uma boa justificativa para tomar nosso espresso habitual. No Naljeshkoviceva, um dos becos que fazem esquina com a Stradun, havia uma confeitaria chamada Dolce Vita, onde pedimos o café. Para acompanhar, experimentei uma panqueca recheada com creme de baunilha e nozes e coberta com calda de chocolate. Diferentes sabores compõem o cardápio, além de sorvetes e outras iguarias.

Panqueca recheada servida no Dolce Vita

Panqueca recheada servida no Dolce Vita

Relatos na internet vangloriam a sobremesa como “maravilhosa”, “a melhor panqueca croata do mundo”, “calorias bem consumidas” etc. etc. Particularmente, não achei grande coisa, na verdade, um tanto doce. Ainda assim, indico sua degustação.

Voltamos à casa da Magdalena e descansamos um pouco. Mais tarde, saímos para comer. Ao vermos os panfleteiros da Stradun e as luminárias típicas sinalizando os trilhões de pubs da Cidade Velha, deixamos a área intramuros mais que imediatamente e fomos procurar algum restaurante em outro lugar. Subindo a Rua Branitelja Dubrovnika, as alternativas não nos eram muito atraentes, então resolvemos interromper a busca com uma pausa para um bom drinque. Eu havia marcado no mapa do nosso roteiro a sugestão de um bar situado naquela mesma rua. Chamava-se Art Café. O local era bem interessante e fora dos padrões do centro histórico. Havia cervejas, coquetéis e vinhos. Parfait!

Art Café

Art Café

Tomamos uma. Duas. Três.

– Élcio, precisamos comer alguma coisa. Já é tarde e os restaurantes da cidade fecham cedo.
– Só mais essa. É a saideira.
– Élcio, já bebi muito. Se eu não comer, vou passar mal.

Ele tomou mais uma. E outra. Depois de umas três horas com as bundas grudadas nas cadeiras excêntricas do Art Café, fomos procurar comida. Passamos por um, dois, três, seis restaurantes. Todos fechados. Na cidade velha, nem os panfleteiros malditos davam o ar de sua graça. Eu já estava estranho, com o corpo um pouco ruim. Por fim, achamos uma lanchonete aberta. Chamava-se Burger Tiger e ficava no inicinho do beco Vetraniceva, esquina com a Stradun. O cardápio era muito bom, mas, como num tsunami, minha fome havia passado: a calmaria do meu apetite era um indício de que ondas avassaladoras estavam por vir. Contudo dormir sem comer seria muito pior (ou não). Devorei um sandubão com fritas do tipo canoa e fui deitar com a barriga revirando. E sonhei muito! Nos meus delírios, os dragões perdidos de Daenerys Targaryen se manifestaram dentro de mim, numa festa trance do esôfago às tripas.

TERCEIRO DIA – Quinta-feira, 18/2/2016

Mercado da Praça Gunduliće e Igreja Franciscana e Monastério

Minha jornada começou de madrugada, sem café da manhã e sem atração turística. Acordei de sobressalto! Levantei da cama com algo descendo pelas minhas pernas. Já me expondo, quando criança, eu fazia muito xixi na calça. No jardim de infância, a professora me colocava constantemente de castigo atrás da porta por encharcar o tenro uniforme azul clarinho. Mijar na cama também era comum, mas bastaram alguns aninhos para o mal cessar. De mais a mais, qual fedelho nunca passou por isso? Qual pirralho nunca fez cocô nas calças? E cocô na cama? Eu nunca havia feito cocô na cama. Quarenta e três anos mais tarde, naquela madrugada, um cocô marronzinho como chocolate e líquido como o xixi da infância me fez relembrar a vida de petiz.

Comecei a me estruturar para não ser abalado psicologicamente pela caganeira exordial. Primeiro passo: ir ao banheiro para me banhar e lavar o lençol. “Ai, meu Deus, quarto sem banheiro! Como vou subir essa escadaria cagado desse jeito?!”. Limpei-me com uma peça de roupa suja e me dirigi ao segundo andar a passos rangentes. Que pânico! Jamais me perdoaria se a Senhora Milic acordasse e me visse naquele estado. Ainda mais ela, que no dia em que nos conhecemos, brincou perguntando se eu e o Élcio tínhamos Zica (o Brasil atravessava o primeiro surto da doença).

Cheguei ao banheiro. A duras penas, lavei o lençol e minhas roupas e soltei outra rajada na privada. Já aliviado, comecei cogitar a causa do desarranjo. Foi o sanduíche do almoço? De forma alguma. Já havia passado muito tempo, meu organismo responde rápido. Foram os drinques do Art Café? Não, álcool limpa. Foi o sanduíche do Burger Tiger? Hum, não. O sanduba acelerou um processo já em andamento, mas não foi o culpado. Por fim, foram os cubos de gelo e os copos d’água “torneiral” do Art Café? Ôpa, temos um suspeito! Veredito: o gelo ou a água do Art Café foram os responsáveis pelo surgimento de dragões fanfarrões na minha pança.

Que madrugada dos infernos! De meia em meia hora, na ponta dos pés e de joelhos apertados, eu subia as escadas barulhentas, fazia minhas urgências, retornava ao quarto e bebia bastante água para não me desidratar. Sessões de drama intercalavam as investidas ao banheiro: “Ai, meu Deus, será isso mesmo Zica?”; “Ai, meu Deus, estraguei o passeio! Coitado do Élcio”; “Ai, meu Deus, lá vou eu de novo!”.

O dia custou a raiar. O piriri já era controlável, mas havia a necessidade de ir ao banheiro com certa frequência. Para não arruinar a jornada, fomos bater perna assim mesmo. O Élcio insistiu para que eu me preservasse, todavia “Estou bem, meu caro, não se preocupe, estou bem”. Se não fosse um princípio de enjoo, eu poderia dizer que já estava melhorando.

Deixamos a casa da Senhora Milic e fomos à primeira atração do dia: o mercado da Praça Gundulić (Gundulićeva Poljana), uma feira ao ar livre com inúmeras barraquinhas de frutas frescas ou cristalizadas, verduras e outros produtos locais, como lavanda seca, óleo de lavanda e grappa. O mercado funciona todas as manhãs e encerra à tarde. Segundo relatos, é um ótimo lugar para o desjejum, em que o visitante pode comprar algo de comer, sentar-se num café da praça e ler um jornal. Eu estava bastante enjoado para tudo isso, então o Élcio me indicou um pacote lindíssimo de frutas cristalizadas. “Que coisa horripilante!”. De fato, minha boca é que estava péssima. Aliás, o mercado estava péssimo: chovia, havia pouquíssimos feirantes e meu estômago revirava. Meu estado era tão deplorável que eu nem tinha vontade de fotografar. Como blogueiro, eu me revelava um excelente cagão.

Retornamos à residência para eu ir mais uma vez ao banheiro. Novamente na rua, tomamos um café na Stradun. Na verdade, tomei um suco de pêssego caríssimo e comi uma banana comprada num mercadinho da Cidade Velha. Do café, andamos alguns passos até a Igreja Franciscana e Monastério, onde, no dia anterior, demos com as caras nas portas fechadas. E novamente encontrava-se fechada! Que dia! Que dia!

Igreja Franciscana e Monastério

Igreja Franciscana e Monastério

Mesmo assim, insisti. Talvez o museu da farmácia do complexo estivesse aberto. Conhecida como Farmácia Franciscana dos Frades Menores, foi fundada em 1317 para cuidar dos doentes mais pobres. Com o tempo, passou a atender também os cidadãos comuns de Dubrovnik, gerando uma renda que supria as necessidades materiais da ordem franciscana. Hoje, é a terceira farmácia mais antiga do mundo em atividade. Seu museu foi criado em 1938. Assim como o monastério e a igreja, também estava fechado. Mas não era para estar. Fui então à farmácia – que funcionava normalmente – e perguntei à atendente sobre o horário de visitas ao museu. Ela disse que deveria estar aberto. Retornei à entrada, mas se encontrava de fato fechado.

Eu estava bastante enjoado, e o vai e vem só agravava meu estado. Desistimos do tal museu. Ao sairmos, aproveitei e passei novamente na antiquíssima drogaria para comprar um remédio que desse um fim no meu mal estar. O Élcio ficou esperando lá fora. Segundos antes de mim, chegou uma senhora de 259 anos com 307 receitas médicas nas mãos. Fez questionamentos diversos e vagarosos à farmacêutica, que esclareceu prontamente cada dúvida da velhinha. Enquanto isso, meu estômago dava nós, mas eu estava a poucos instantes da almejada profilaxia. Uma eternidade depois, a moça me atendeu. Paguei pelo medicamento e fui me retirando da farmácia. Cinco metros adiante, na saída do complexo, resmunguei “Élcio, acho que vou vomi… huuáááááááá!”. Um jato de velocidade estratosférica jorrou pela minha boca! As frutas secas, a banana e o suco de pêssego de um milhão de dólares foram expurgados do meu organismo fragilizado. E o esguicho não cessava! Nesse meio tempo, duas japonesas na Stradun, que pretendiam entrar no monastério, gritaram “óhhhh!” e desistiram da visita.

Tivemos que retornar à casa da Magdalena. Meu tênis e a barra da minha calça pareciam ter sido imergidos numa panela de canjica. Aproveitei e fiz mais cocô.

Caro leitor, mil perdões pela tosqueira e pela falta de utilidade neste relato. Encerro esta sessão textual desnecessária da mesma forma como encerramos a jornada daquela quinta-feira improdutiva. Perdão também pela falta de fotos. Conforme já disse, eu não tinha disposição nem para cliques.

Com efeito, vomitar me fez muito bem. Era preciso expulsar aqueles dragões que me matavam por dentro. À tarde, enquanto eu me recuperava, o Élcio foi à rodoviária para comprar as passagens para Mostar, cidade encantadora da Bósnia e Herzegovina que conheceríamos dias mais tarde.

À noite, eu me sentia muito bem. Debaixo de uma chuva leve, atravessamos a Stradun, passamos pela belíssima Svetog Dominika – via familiar aos fãs de Game of Thrones –, cruzamos a Fortaleza Revelin e fomos ao Café Bar Laura, situado fora das muralhas, de frente para o Portão Ploče (Gradska vrata Od Ploča).

Via Svetog Dominika

Via Svetog Dominika

Via Svetog Dominika

Via Svetog Dominika

Portão Ploče

Portão Ploče

O Élcio bebeu e eu o invejei. Álcool nele e água “ni” mim, como dizemos nós mineiros. A noite foi incrementada pela palhinha de um grupo em quatro vozes na mesa ao lado, provavelmente estudantes do Gimnazija Dubrovnik, que fica pertinho do bar.

QUARTO DIA – Sexta-feira, 19/2/2016

Excursão a Montenegro

No more dragons! Acordei 87% curado! E saúde seria fundamental, pois estávamos prestes a embarcar numa excursão bate-e-volta fantástica a Montenegro, onde visitaríamos as cidades de Perast, Kotor e Budva. A jornada foi sensacional, mas isso contarei em outro relato.

Perast, em Montenegro

Perast, em Montenegro

Kotor, em Montenegro

Kotor, em Montenegro

Budva, em Montenegro

Budva, em Montenegro

Dica balao 2

Amigo turista, se for a Dubrovnik, reserve um dia para esse tour em Montenegro. A empresa que contratamos chama-se Cheap Dubrovnik Tours, que possui excelentes avaliações no TripAdvisor. Fizemos a viagem em um carro particular. O guia, que também era o motorista, chamava-se Marijan. Bastante instruído, conduziu o passeio com informações interessantíssimas, além de ter respondido com eficiência às nossas milhares de perguntas. No final do dia, o assunto já não tinha nada a ver com Montenegro, e isso foi o mais bacana da excursão. O tour teve início de frente para o Portão Pile, conforme solicitamos, sendo finalizado no mesmo lugar. No site, a empresa está cobrando 160 euros pela excursão. Por esse valor, podem viajar de uma a três pessoas em um carro pequeno. O Élcio foi quem comprou o pacote, e provavelmente pechinchou, pois pagamos 150 euros (75 cada). Ele lembra de ter conversado via e-mail com um rapaz chamado Andro. A Chip Dubrovnik Tours também faz o passeio em minivans com quatro a oito pessoas. Neste caso, o veículo sai por 210 euros. Para mais informações sobre essa e outras excursões, acesse www.cheapdubrovniktours.com.

Nos últimos anos, a Croácia vem se firmando como um grande produtor de vinhos. Segundo o enólogo Jeff Jenssen, escritor do portal Wine Enthusiast, a vinicultura floresceu na Croácia há séculos. No entanto uma série de acontecimentos, como as invasões otomanas, as guerras mundiais, o comunismo e os conflitos entre as ex-repúblicas iugoslavas tiveram um impacto negativo na produção da bebida. Para reacender esse mercado, surgiu em 1995 a Associação de Vinicultores e Enólogos de Istria (Vinistra) e em 2010 foi estabelecida a Associação de Produtores croatas. Desde então, a indústria vinícola vem crescendo consideravelmente no país.

Passar por aquelas terras sem degustar seus vinhos é um sacrilégio! Na noite daquela sexta-feira, circulando pelas ruelas da Cidade Velha, encontramos um bar de vinhos bem interessante onde experimentamos um bom rótulo. Infelizmente, não lembro o nome do lugar.

De lá, seguimos para o La Bodega, uma taverna superbacana situada ao lado da Igreja de São Brás. Em meio a tantos pubs, havia sim bares interessantes! Como a qualidade tem seu custo, os preços do La Bodega não eram tão acessíveis, mas com vinhos como aqueles…

Empolgados e semiembriagados, deixamos o local e saímos à procura de mais botecos. Não muito longe do La Bodega, de frente para o Palácio do Reitor, está o ultraexclusivo Caffe bar Nonenina. Consoante adjetivado, o lugar não é para qualquer um. Não fiz questão nenhuma de entrar, mas o Élcio insistiu. Assim, cruzamos uma multidão super bem vestida, postada ali no sofisticado estabelecimento bebendo, comendo e vendo outros mais ricos passarem em seus ternos assentados e vestidos assinados. Chegando ao balcão, pedimos nossas bebidas. O barman logo perguntou “Por favor, mostrem-me seus convites”. “Que convites?”, perguntamos. Ele respondeu “Aqui só entram convidados”. É, diferentemente do magnata do futebol Roman Abramovich, do afamado fashionista Valentino e do ator doidivanas Tom Cruise, nossos nomes não constavam na lista.

Rumamos, então, permeando as ruas de trás da Catedral de Dubrovnik, onde achamos espeluncas honestas e finalizamos a noite em bons goles.

QUINTO E ÚLTIMO DIA – Sábado, 20/2/2016

Monastério Dominicano, Fortaleza Revelin, Museu Arqueológico, Centro Educacional DEŠA, Praia Banje, Museu de Arte Moderna e Contemporânea, Monte Srđ, Museu da Guerra de independência da Croácia (Forte Imperial) e vilarejo de Bosanka

Stradun

Stradun

Que dia perfeito! Aos poucos, o céu se abria e os malditos dragões já não mais faziam parte das minhas jornadas. Nesse diapasão, fomos conhecer o Monastério Dominicano (Dominikanski samostan), construído no início do século 14, a poucos metros do Porto Velho, na Svetog Dominika n.º 4.

Claustro do Monastério Dominicano

Claustro do Monastério Dominicano

O edifício é tão grande que sua construção requereu que partes das muralhas fossem realocadas para acomodá-lo. O terremoto de 1667 o deixou bastante danificado, mas sua reconstrução procurou preservar ao máximo a forma original no estilo gótico tardio. O ponto alto da visita ao monastério está nas pinturas religiosas dos séculos 15 e 16 e na coleção de relíquias em ouro e prata.

Do monastério, viramos à esquerda na via Svetog Dominika e fomos à Revelin, fortaleza construída entre 1538 e 1549 para dar mais proteção à entrada leste de Dubrovnik. Seu nome deriva de revelim, um termo da arquitetura militar que se refere às fortificações erigidas externamente às cidades muradas nos pontos mais vulneráveis do sistema de defesa ou próximo às entradas. Sua estrutura é tão robusta que nem o terrível tremor de terra de 1667 a abalou. Nos dias que se seguiram à tragédia, a Revelin serviu provisoriamente como centro administrativo de Ragusa, bem como abrigou tesouros e outras preciosidades que foram salvos das ruínas e incêndios provocados pelo famigerado abalo sísmico.

Via Svetog Dominika

Via Svetog Dominika

Portão Ploče e a Fortaleza Revelin

Portão Ploče e a Fortaleza Revelin

Hoje, o terraço da fortaleza é local de eventos como o Dubrovnik Summer Festival e seu interior acomoda o Revelin Culture Club, a casa noturna mais badalada da cidade. Também abriga, temporariamente, o Museu Arqueológico, tipo de atração que não figura no topo de nossas preferências e que nem estava no nosso roteiro, mas como havíamos adquirido o ingresso combinado para os Museus de Dubrovnik, não custava uma espiada em sua exposição.

Dica balao 2

O Museu Arqueológico abre diariamente (exceto às quartas-feiras) das 10h às 16h. Não funciona nos dias 25 de dezembro, 1º de janeiro e 3 de fevereiro. O bilhete pode ser adquirido separadamente ou combinado para os Museus de Dubrovnik. Para mais informações, clique aqui.

Deixamos a Revelin, cruzamos o Portão Ploče e caminhamos alguns metros até as instalações do Centro Educacional DEŠA, um espaço para workshops variados, como artesanato, informática, pintura, culinária, entre outras atividades. Não fizemos curso algum, apenas descemos as escadas do velho edifício para uma chegadinha às margens do Adriático.

Mar Adriático visto do Centro Educacional DEŠA

Mar Adriático visto do Centro Educacional DEŠA

Carro incendiado na Guerra de Independência da Croácia, no Centro Educacional DEŠA

Carro incendiado na Guerra de Independência da Croácia, no Centro Educacional DEŠA

Mais adiante, na Rua Frana Supila, passamos pela pequenina praia Banje, uma das prediletas dos cidadãos de Dubrovnik. A vista da Cidade Velha que começava a se formar dali era fenomenal!

Praia Banje. Cidade Velha ao fundo

Praia Banje. Cidade Velha ao fundo

Mar Adriático e Cidade Velha (via Instagram)

Mar Adriático e Cidade Velha (via Instagram)

Por fim, chegamos ao Museu de Arte Moderna e Contemporânea, outra atração não prevista no roteiro. O bilhete que adquirimos para os Museus de Dubrovnik também dava acesso a sua exposição, conforme já relatei. Por que não uma visita?

Museu de Arte Moderna e Contemporânea

Museu de Arte Moderna e Contemporânea

O museu exibe cerca de 3.000 obras. A coleção de arte moderna é composta de belíssimos trabalhos produzidos entre o final do século 19 e o fim da Segunda Guerra Mundial, a maioria criados por artistas que possuem alguma ligação com a cidade de Dubrovnik. Já a coleção de arte contemporânea exibe peças produzidas desde a referida guerra.

Detalhe da escultura Menina da ilha, do escultor croata Petar Pallavicini, no Museu de Arte Moderna e Contemporânea

Escultura Menina da ilha, do croata Petar Pallavicini, no Museu de Arte Moderna e Contemporânea

Tão belo quanto as obras é o edifício do museu, erigido em 1948 inspirado nas formas góticas e renascentistas de algumas construções da cidade, como os palácios do Reitor e Sponza.

Terraço do Museu de Arte Moderna e Contemporânea

Terraço do Museu de Arte Moderna e Contemporânea

Deixamos o museu e retornamos à Cidade Velha. Atravessamos a Stradun, passamos pelo Portão Pile e chegamos ao ponto de ônibus do Centro de Informações Turísticas de Dubrovnik (Turistička zajednica grada Dubrovnika), situado no número 5 da Rua Brsalje, pertinho da entrada da cidade e do majestoso hotel Hilton Imperial. Ali, embarcamos no ônibus de número 17 com destino ao Monte Srđ.

Bilhete de ônibus da Libertas

Bilhete de ônibus da empresa de transporte público Libertas

Dica balao 2

A melhor maneira de se chegar ao monte é por meio do Dubrovnik Cable Car, um teleférico que revela um cenário fascinante à medida em que percorre os 778,2 metros até o topo. Ele próprio é atração imprescindível em Dubrovnik. As primeiras cabines começam a operar às 9h, e o encerramento varia de acordo com o mês. O embarque fica na Rua Kralja Petra Krešimira IV, a poucos minutos do Portão Ploče. Para mais informações, acesse www.dubrovnikcablecar.com. Infelizmente, nas baixas temporadas, o teleférico interrompe suas atividades para manutenção, restando aos turistas ir ao Monte Srđ de táxi ou ônibus. O táxi é caro, mas no caso de pessoas com dificuldade de locomoção, é a melhor alternativa. Já o ônibus 17 parte do Centro de Informações Turísticas, um dos pontos de venda do bilhete. O destino final é o vilarejo de Bosanka, onde o passageiro deve desembarcar e caminhar de 25 a 40 minutos até o topo do Srđ. Os intervalos entre as partidas podem variar de uma a duas horas, então perder a condução pode render ao turista uma espera interminável. Confira a tabela de horários clicando aqui ou no guichê do Centro de Informações Turísticas. Por fim, os aventureiros e os fisicamente bem preparados podem experimentar uma trilha ziguezagueada que tem início na Av. Jadranska cesta (próximo a uma enorme placa que dá boas-vindas aos visitantes de Dubrovnik) e segue até o ponto mais alto do monte. O caminho é meio acidentado e a subida de cerca de 90 minutos não é mingauzinho de fubá, contudo a vista é fenomenal.

Já em Bosanka, demos início a uma marcha de 26 minutos até o topo do Srđ.

Subindo o Monte Srđ

Subindo o Monte Srđ

A caminhada não ficava mais fácil. O relógio seguia lentamente, as panturrilhas queimavam e a respiração ofegava. Cada veículo que passava acendia em nossos peitos a remota esperança de uma oferta de carona (jamais pediríamos isso!). O desprezo por nossas pobres almas era sentido nos “vruuuns” impiedosos dos carros. Entretanto senti comiseração por aqueles motoristas e passageiros. Do conforto de suas máquinas, não apreciavam as belezas do lugar da mesma forma que nós. Não contemplaram a vegetação, não contemplaram as ruínas e não contemplaram o mar.

Mar Adriático visto do Monte Srđ

Mar Adriático visto do Monte Srđ

Monte Srđ

Monte Srđ

Monte Srđ

Mar Adriático visto do Monte Srđ

A subida foi extasiante! Tanto que, se hoje nos oferecessem carona até o cume do Monte Srđ, mais do que imediatamente… entraríamos no carro! Sarcasmo à parte, o trajeto foi realmente encantador.

Cidade Velha vista do Monte Srđ

Cidade Velha vista do Monte Srđ

Já no alto, não tínhamos dúvida de que todo o esforço valera a pena. Trata-se de um dos panoramas mais incríveis do planeta!

Ilha de Lokrum e Cidade Velha vistas do Monte Srđ

Ilha de Lokrum e Cidade Velha vistas do Monte Srđ

Monte Srđ

Monte Srđ

Cruzamos a estação fechada do teleférico e seguimos até o Museu da Guerra de independência da Croácia (Muzej Domovinskog rata), situado no Forte Imperial. Lá, visitamos a exposição Dubrovnik during the Homeland War 1991 1995, produzida pelos Museus de Dubrovnik. Composta basicamente de fotos, vídeos e alguns artefatos bélicos, a exibição detalha minuciosamente os principais momentos da ofensiva sérvio-montenegrina.

Forte Imperial, no Monte Srđ

Forte Imperial, no Monte Srđ

Escadaria que leva ao terraço do Forte Imperial

Escadaria que leva ao terraço do Forte Imperial

Os acontecimentos ali expostos são, sem dúvida, bastante comoventes, porém nada como a história contada por quem vivenciou os dias de terror para entender o que realmente significou a Guerra de Independência da Croácia. A própria Senhora Milic se emocionava ao falar da ocupação. Muitas pessoas próximas a ela morreram, e sua casa foi severamente danificada. Marijan, o motorista que nos conduziu na excursão a Montenegro, lutou nessa guerra e também sofreu perdas irreparáveis.

Exposição do Museu da Guerra de independência da Croácia

Exposição do Museu da Guerra de independência da Croácia, no Forte Imperial

Dica balao 2

O Museu da Guerra de independência da Croácia abre diariamente, das 8h às 20h, exceto nos dias 25 de dezembro, 1º de janeiro e 3 de fevereiro. Para mais informações, clique aqui.

Ao deixar o Forte Imperial, deparamo-nos com uma chuva aparentemente passageira. O sol do início da jornada foi encoberto por nuvens carregadas. Mesmo assim, demos início à descida até Bosanka, certos de que o recente intempérie não nos afetaria. Mas afetou, e foi tão ou mais inclemente que os motoristas que nos ultrapassaram na subida.

Monte Srđ

Monte Srđ

Ensopados, chegamos ao vilarejo. Ironicamente, a chuva cessou. Varávamos de fome! Nem sinal de um restaurante aberto. A baixa temporada era exemplificada nos estabelecimentos desérticos com mobiliário de ponta-cabeça. Não havia comida, não havia carros, não havia gente nas ruas. Para piorar, o ônibus do retorno demoraria mais de uma hora. Sem opção, circulamos pela vizinhança.

Construção em ruínas, no vilarejo de Bosanka

Construção em ruínas, no vilarejo de Bosanka

Algumas construções de Bosanka ainda se encontram em ruínas, reflexo da guerra de 1991. Durante os meses de ocupação, sérvios e montenegrinos destruíram o vilarejo completamente, ateando fogo em todas as propriedades. Em maio de 1992, o exército croata libertou o pequeno povoado, que aos poucos foi se reerguendo e trazendo seus moradores de volta.

Voltamos ao ponto de ônibus e esperamos mais um bocado. O sol brilhava solenemente, os guarda-chuvas secaram e o 17 apareceu. Glória!

A tarde na Cidade Velha era pura energia! Após um sandubão no Pile Sandwich Bar, pegamo-nos sem muito o que fazer e fomos outra vez circular pelo centro histórico. Todas aquelas atrações que não pudemos conhecer por estarem fechadas continuavam fechadas, ao passo que o céu estava cada vez mais aberto, mais azul e mais vibrante.

Portão Pile, na Cidade Velha

Portão Pile, na Cidade Velha

Estátua do poeta Ivan Gundulić, na Praça Gundulićeva. Cúpula da Catedral de Dubrovnik ao fundo

Estátua do poeta Ivan Gundulić, na Praça Gundulićeva. Cúpula da Catedral de Dubrovnik ao fundo

Dica balao 2

Amigo viajante, se for a Dubrovnik,  uma boa pesquisa em publicações sobre turismo deixarão seu roteiro impecável. O eternamente sábio Google certamente lhe ajudará. Eu indico os portais www.tzdubrovnik.hr, www.dubrovnikcity.com, www.dubrovnik-travel.net, www.dubrovnik-online.com, www.dubrovnik.in e croatia.hr. Espero que meu relato também lhe sirva de referência, tirando o drama de desarranjo, é claro!

Nossa trajetória em Dubrovnik não foi das melhores, mas a pequena cidade deixou sua marca em nossos corações. A expedição que alcunhei de “viagem pela extinta República Socialista Federativa da Iugoslávia” ainda estava começando, e as poucas impressões obtidas na Croácia já nos provocavam excitação e curiosidade. Mais do que nunca, estávamos ansiosos por conhecer a Bósnia e a Sérvia, com palpites ainda confusos e mal concebidos. Como eles mesmos – eslovenos, croatas, bósnios, sérvios, montenegrinos, macedônios, kosovares e voivodinos – dizem, “Nossa história é um tanto complicada, difícil de explicar”. Sim, complicada, mas poucos dias em suas terras são suficientes para montar boa parte de um fabuloso quebra-cabeças histórico, político, étnico e religioso. Os dragões? Que eu nunca mais os veja.

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Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. ahahaha, assim que você contou da localização do banheiro me lembrei da historia de vocês em Roma e linhas depois sua preocupação escatológica se revelou! Acho que deu zica, mesmo! rsrsrs Parabéns pela sinceridade. Eu jamais contaria isso no meu blog! Abraços

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  3. Pingback: Voltarei a Mostar, nem que seja só para um mergulho | Fui e vou voltar

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