Voltarei a Mostar, nem que seja só para um mergulho

Ponte Velha sobre o rio Neretva, em Mostar

Ponte Velha sobre o rio Neretva, em Mostar

Uma ligeira melancolia espalhava-se pelas margens planas da estrada que nos conduzia a Mostar. O cenário ora contínuo ora alternado de casas, edifícios, templos religiosos e paisagens naturais provocava em mim um sentimento de paz e desolação. Já nos encontrávamos em território bósnio, por isso, talvez, minhas sensações tendiam para o esmorecimento.

Mostar é uma cidade da Bósnia e Herzegovina, famosa pela Ponte Velha (Stari Most) sobre o rio Neretva e pelas ruínas herdadas da Guerra da Bósnia, conflito resultante de uma combinação complexa de fatores políticos, étnicos e religiosos. Tão complexa que, nas poucas vezes em que questionamos cidadãos croatas, bósnios e sérvios sobre os motivos que levaram à guerra, todos iniciaram suas respostas com “É difícil de explicar”. Mas conseguiram esboçar situações contextualizadas e destacar fatos esclarecedores, sem deixar de expressar parcialidade, obviamente.

Vínhamos de Dubrovnik, uma pequena cidade croata conhecida como “Pérola do Adriático”. Belíssima! A princípio, de lá, seguiríamos para Saraievo, mas o Élcio, meu companheiro nessa fantástica expedição que nomeei de “viagem pela extinta Iugoslávia”, sugeriu uma escala de um dia em Mostar. Interpretei a sugestão como uma mera parada, todavia não fui negligente na elaboração do roteiro, que deveria ser conciso. Ao planejá-lo, pesquisei sobre a cidade, defini os pontos de interesse e aguardei a jornada por lá sem muito anseio. Mostar seria mais interessante que Dubrovnik? Bem, a pergunta é inapropriada, considerando que cada canto da península Balcânica ostenta sua peculiaridade e que gosto é gosto. Contudo afirmo: conhecer Mostar foi uma das melhores experiências da minha vida!

Cidade Velha de Mostar

Cidade Velha de Mostar

Mostar

Mostar

Mostar

Mostar

PRIMEIRO DIA – Domingo, 22 de fevereiro de 2016

Rio Neretva, Ponte Torta, rua Onešćukova, Ponte Velha, monumento Don’t forget ’93, rua Kujundžiluk (Mercado Velho), Mesquita Koski Mehmed-pašina, Casa Biščevića, Mesquita Karađoz Bey, Casa Muslibegović, Bulevar, Sniper Tower e Praça Espanhola

Era quase hora do almoço quando o desconfortável ônibus aportou em Mostar. Da rodoviária puxamos nossas malas num percurso que durou pouco mais de 20 minutos até o hotel. Antes que o centro histórico se descortinasse à nossa frente, passamos por construções que ainda exibiam as cicatrizes da Guerra da Bósnia em suas fachadas. Numa residência de dois andares, a janela da sala estava decorada com uma cortina de rendas e um vaso de flor sobre o peitoril, denotando sinais de uma vida tranquila, ao passo que as paredes externas do pequeno edifício e a garagem logo abaixo revelavam um episódio apocalíptico, um estado de devastação incompatível com a leveza da ornamentação interna da casa.

Marcas da Guerra da Bósnia na fachada de uma residência de Mostar

Marcas da Guerra da Bósnia na fachada de uma residência de Mostar

Inevitavelmente, a população ainda convivia com a destruição. Não obstante passados 21 anos, muitas edificações encontravam-se em estado deplorável; algumas à espera de reforma, outras, aparentemente entregues ao desarrimo. Segundo os mostarinos, o governo, muito ocupado “sendo corrupto”, não tem tempo para reerguer a cidade, que só tem fundos suficientes para restaurar casa por casa.

Marcas da Guerra da Bósnia na fachada de uma residência de Mostar

Marcas da Guerra da Bósnia na fachada de uma residência de Mostar

Chegamos ao Villa Anri, hotel em que nos hospedamos. Ficava a poucos metros das principais atrações da cidade. Deixamos as malas no quarto e começamos o roteiro daquela meia jornada. Primeiro, seguimos até as margens do rio Neretva. Uma pequena praia acessível pela rua Gojka Vukovića exibia toda a exuberância da Ponte Velha.

Pequena praia às margens do rio Neretva

Pequena praia às margens do rio Neretva

Ponte Velha

Ponte Velha

A ponte, principal cartão postal de Mostar, foi erguida originalmente entre 1557 e 1567  por ordem do sultão otomano Solimão, o Magnífico. Em 9 de novembro de 1993, durante a Guerra da Bósnia, foi impiedosamente destruída, afundando em milhões de fragmentos nas águas esmeralda do Neretva. O vídeo abaixo mostra os momentos mais dramáticos dessa tragédia.

Graças a uma coalizão realizada por órgãos internacionais e aos fundos advindos de alguns países europeus e do próprio governo bósnio, a Ponte Velha foi reconstruída no mesmo lugar, sendo reinaugurada em 23 de julho de 2004, reacendendo o orgulho dos mostarinos.

Ponte Velha

Ponte Velha

Ponte Velha

Ponte Velha

Meu Deus, como é bela! O espaço que se abre à sua volta inspirou saltadores locais a criarem uma tradição arriscada: jogar-se da ponte para as águas frias do rio. Diz-se que o primeiro salto foi feito em 1664, e desde 1968 acontecem competições anuais de mergulho. O torneio de saltos ornamentais de penhasco Red Bull Cliff Diving, um dos meus prediletos, tem sua etapa cativa em Mostar.

Deixamos a praia e viramos à direita na Gojka Vukovića, onde andamos poucos metros até avistar a pequena Ponte Torta (Kriva ćuprija), que cruza o rio Rabobolja, um dos afluentes do Neretva.

Ponte Torta

Ponte Torta

Não se sabe exatamente quando essa ponte foi construída. Há relatos de que foi erguida originalmente em 1552, e que também serviu de inspiração para a construção da Ponte Velha, porém não existem evidências que confirmem isso. Foi destruída pelas enchentes de 2000, sendo reerguida em 2002, num projeto financiado pelo Grão-Ducado de Luxemburgo.

Bastou pouco tempo para nos encantarmos com a singularidade de Mostar. Sua arquitetura foi basicamente definida nos períodos em que a cidade esteve sob dominação dos impérios Otomano e Austro-Húngaro. Mesquitas, mahalles (zonas residenciais), casas turcas, bazares e a própria Ponte Velha fazem parte do conjunto arquitetônico constituído na era otomana, que se encontra predominantemente a leste do rio Neretva. A legislação desta época também assegurava a tolerância religiosa entre cristãos, muçulmanos e judeus, integrando valores sociais e políticos e promovendo o multiculturalismo. Dessa forma, permitiu-se a construção de templos franciscanos, igrejas ortodoxas e outras edificações com tendências estéticas estrangeiras.

Lado leste ao rio Neretva

Lado leste ao rio Neretva

Lado leste ao rio Neretva

Lado leste ao rio Neretva

Por outro lado, o Império Austro-Húngaro procurou implementar reformas no planejamento da cidade, precisamente no flanco oeste ao Neretva, definindo uma planta ortogonal e investindo significativamente em infraestrutura e habitação. Construções nos estilos neorrenascentista, art nouveau e neoislâmico são exemplos da arquitetura vigente nesse império.

Edifício no estilo neorenascentista

Edifício no estilo neorrenascentista

Detalhe de fachada no estilo art nouveau

Detalhe de fachada no estilo art nouveau

Detalhe da fachada do edifício do Gimnazija Mostar, no estilo neoislâmico (via Instagram @fuievouvoltar)

Detalhe da fachada do Gimnazija Mostar, no estilo neoislâmico (via Instagram @fuievouvoltar)

Continuando o roteiro, atravessarmos a Ponte Torta e caminhamos até a rua Onešćukova, onde fomos perturbados pela tentação de inúmeras lojinhas de souvenirs. Não vou mentir, acabei comprando uns badulaques.

Rua Onešćukova

Rua Onešćukova

Loja de souvenirs da rua Onešćukova

Loja de souvenirs da rua Onešćukova

Alguns metros depois, avistamos o Šadrvan, famoso restaurante situado no número 11 da rua Jusovina, próximo à Ponte Velha. Procuramos evitar estabelecimentos com certa sofisticação ou do tipo pega-turistas, que muitas vezes abrem mão da genuinidade para atender a um grande número de clientes, além de oferecerem um menu mais caro. Entretanto escolhemos o Šadrvan como sede da nossa primeira experiência gastronômica na bósnia. O restaurante foi uma indicação do Marijan, guia que nos conduziu em uma excursão a Montenegro dias antes, e de uma recepcionista do hotel.

Com refeições como aquelas eu poderia passar uma eternidade na Bósnia! Os temperos, as texturas, as consistências… O preço baixíssimo… Hum, estava tudo perfeito! Como entrada, dividimos um queijo vlasic marinado (marinirani vlasički sir), servido com azeite, azeitona preta, pimentão vermelho, tomate, alface e especiarias.

Queijo marinado vlasic, servido no Šadrvan

Queijo vlasic marinado, servido no Šadrvan

O Élcio pediu bolinhos bósnios (bosanski kolačić) como prato principal. De pouca originalidade, a iguaria, feita de carne moída, ovos, cebola, salsinha, alho e farinha de pão, poderia ser um prato qualquer encontrado nos quatro cantos do planeta, mas seu sabor é inigualável! Esses fantásticos quitutes são complementados com uma porção de arroz branco e creme azedo.

Bolinhos bósnios e almôndegas com pão, servidos no Šadrvan

Bolinhos bósnios e almôndegas com pão, servidos no Šadrvan

Os bolinhos típicos não foram suficientes para meu amigo, que arrematou seu banquete com ćevapi, prato feito de almôndegas servidas com uma fatia de pão.

Já eu devorei o que eles chamam de mistura caseira (Domaći mješanac), delicioso prato composto de arroz, linguiça, os mesmos bolinhos bósnios, pimentões verdes fritos e creme azedo.

"Mistura caseira", servida no Šadrvan

“Mistura caseira”, servida no Šadrvan

Por fim – e eu esperava ansiosamente por isso –, encerramos a comilança com um deleitável café bósnio, um dos elementos mais representativos da identidade gastronômica nacional.

Café bósnio servido no Šadrvan

Café bósnio servido no Šadrvan

Seu preparo dispensa filtros coadores, o que pode causar resistência ou repugnância em quem não gosta de sentir a textura do pó do café. No entanto, seu sabor é incomparável, intensificado pela maneira tradicional com que é servido. O conjunto, formado de bandeja, suporte de xícara e açucareiro cinzelados em cobre, faz da degustação do café um rito, que cumprimos rigorosamente nos dias que se seguiram.

Provo um café bósnio no Šadrvan

Provo um café bósnio no Šadrvan

Após o almoço, atravessamos a Ponte Velha. A vista de cima dela é fantástica!

Mostar vista de cima da Ponte Velha

Mostar vista de cima da Ponte Velha

Ponte Velha

Ponte Velha

Dica balao 2

O entorno da famosa ponte abriga atrações interessantes, mas a estadia curta não nos permitiu visitar algumas delas. Uma é o Museu da Ponte Velha (Muzej Starog mosta), localizado na Torre Tara, (margem esquerda do Neretva), que expõe aspectos históricos, culturais, arquitetônicos, arqueológicos, econômicos e militares ligados à ponte. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17h no verão e das 11h às 14h no inverno. Já a Torre Halebija, no lado oposto da ponte, abriga o War Photo Exhibition, em que o período durante e após a Guerra da Bósnia em Mostar é revelado pelo olhar do fotógrafo neozelandês Wade Goddar. A singularidade e “honestidade artística” das imagens em preto e branco exprimem as emoções das pessoas que lutaram e tentaram nortear seu cotidiano naquela zona de guerra. A exposição funciona das 11h às 19h de abril a junho e das 9h às 20h30 de julho e setembro.

Em uma das extremidades da ponte e na rua Kujundžiluk, estão, respectivamente, duas pedras gravadas com os dizeres “Don’t forget ’93” (Não esqueça ’93) e “Dont’t forget” (Não se esqueça), referindo-se ao segundo Cerco de Mostar (1993-1994) durante a guerra, certamente marcado com a queda da Ponte Velha.

"Don't forget '93", na Ponte Velha

“Don’t forget ’93”, na Ponte Velha

"Don't forget '93", na Ponte Velha

“Don’t forget ’93”, na Ponte Velha

"Don't forget '93", na rua Kujundžiluk

“Don’t forget”, na rua Kujundžiluk

É estranho imaginar tanta tragédia em uma cidade com menos de 115.000 habitantes. Entretanto quando etnias que se opõem política, cultural e religiosamente repartem um mesmo lugar, a hostilidade pode se manifestar nas formas mais desumanas. A dissolução da Iugoslávia, em 1991, provocou em suas ex-repúblicas (Sérvia – com as regiões autônomas de Kosovo e Voivodina –, Croácia, Montenegro, Eslovênia, Bósnia e Herzegovina e Macedônia) não somente um desejo de maior autonomia, mas trouxe à tona uma série de divergências. Agravando esse quadro, os líderes nacionalistas sérvios almejaram que todos os seus compatriotas espalhados por essas ex-repúblicas vivessem num mesmo país sem que estes, contudo, arredassem o pé de onde se encontravam. Nesse contexto, irrompeu uma série de conflitos, o maior deles a Guerra da Bósnia, e Mostar teve registrados episódios sangrentos em sua história.

A divisão é precisa: a leste da Bulevar, principal via da cidade, vivem os bosníacos (bósnios muçulmanos); a oeste, os croatas católicos. Os sérvios cristãos ortodoxos, que antes da guerra ocupavam uma parcela expressiva da população mostarina, hoje constituem pouco mais de 4% do contingente (censo de 2013). Acredito que estes vivam também no lado oeste da cidade. Quais idiomas são falados em Mostar? O bósnio, o croata e o sérvio. A diferença entre eles? Praticamente nenhuma. E conforme um rapaz croata nos exemplificou, se colocarem todos os residentes da Bósnia despidos lado a lado, serão identificados somente os bosníacos por causa de suas barbas inconfundíveis. Se rasparem a barba, continuarão bosníacos. Ou croatas. Ou sérvios. Ou iugoslavos.

De todo modo, os turistas não costumam ser constrangidos com essas tensões. O que pudemos perceber junto aos nativos é uma ruptura entre o passado mais distante e os dias atuais. Os mais velhos lembram da Iugoslávia de Josip Broz Tito com saudosismo. Dizem, com nostalgia, que viviam num socialismo moderado, em que nada faltava, inclusive a harmonia entre seus povos. Em uma loja de souvenirs, uma senhora nos viu e apontou para a bandeira da extinta república. Com o queixo erguido, exclamou “Tito!”. Os jovens, por sua vez, cobiçam a entrada da Bósnia na União Europeia, pouco se interessando pelo passado do líder comunista. Desejam mais abertura.

Com efeito, desde que não contrariassem o governo ditador, os iugoslavos tinham uma qualidade de vida muito boa. Porém a economia colapsou, o marechal faleceu, a corrupção se transpareceu e a Iugoslávia ruiu.

Independentemente de suas mazelas, a Bósnia é um país fantástico, e Mostar se revelava uma cidade adorável. Dando prosseguimento ao roteiro, deixamos a Ponte Velha e começamos uma caminhada pela rua Kujundžiluk, também conhecida como Mercado Velho (Stari Bazar).

Rua Kujundžiluk (Mercado Velho)

Rua Kujundžiluk (Mercado Velho)

Eu me esforço para me conter em lugares como esse! Já nem mais critico turista que desvia a atenção do roteiro por causa de bugigangas, souvenirs e afins. Ademais, isso também é turismo, para não dizer uma das melhores coisas para se fazer em uma viagem. A Kujundžiluk não somente é o bastião do artesanato e dos badulaques – de altíssima qualidade, por sinal –, mas também uma das partes mais antigas de Mostar, que não mudou seu aspecto desde meados do século 16, quando já era um centro comercial efervescente. Seu belo calçamento de pedras conduz os visitantes através de uma infinidade de artefatos em cobre (kujundžija), tapeçarias, luminárias, calçados, vestimentas e bricabraques, além de cafés e pequenos restaurantes, estes lá chamados de aščinica.

Deixamos a Kujundžiluk com as mochilas cheias de souvenirs – eu carregava uns 5 quilos de ímãs de geladeira – e rumamos até a Mesquita Koski Mehmed-pašina (Koski Mehmed-pašina džamija), construída no início do século 17. Diz-se que do alto de seu minarete a vista é espetacular, mas preferimos conhecer somente o interior do templo e dar uma rápida circulada pelo pátio.

Mesquita Koski Mehmed-pašina

Mesquita Koski Mehmed-pašina

Mesquita Koski Mehmed-pašina

Mesquita Koski Mehmed-pašina

Pátio da Mesquita Koski Mehmed-pašina

Pátio da Mesquita Koski Mehmed-pašina

Dica balao 2

A mesquita fica aberta para visitação diariamente, das 7h às 20h, exceto durante cultos religiosos. Paga-se uma pequena taxa para entrar, e o ingresso para subir ao topo do minarete deve ser adquirido separadamente. Situa-se na rua Mala Tepa, 16.

Da Koski Mehmed-pašina viramos à esquerda na rua Braće Fejića e caminhamos em direção à Casa Biščevića (Biščevića Kuća). Aos poucos, a graça da Cidade Velha era coibida pelo testemunho da guerra, ali representado por ruínas, marcas de tiros e aberturas nas fachadas.

Prédio marcado pela Guerra da Bósnia, próximo à rua Braće Fejića

Prédio marcado pela Guerra da Bósnia, próximo à rua Braće Fejića

Eu tentava compreender a dimensão da tragédia. Observava ao redor, fotografava os pontos mais críticos e arriscava uma transposição mental para os dias de conflito. Houve um baque. Em seguida, reflexão. Minutos mais tarde, a experiência já tinha se mediocrizado. As evidências calamitosas eram tantas que o convívio do estrago com o cotidiano já não mais me permitia envolver-me emocionalmente com o passado trágico de Mostar. Eu ficava imaginando como os cidadãos de lá passam seus dias à espera de uma completa renovação não somente urbana, mas também espiritual.

Prédio em ruínas na rua Tolčeva

Prédio em ruínas na rua Tolčeva

A Casa Biščevića, situada na rua de mesmo nome, é uma residência turca de 1635, um exemplo fiel da arquitetura otomana, majestosamente preservada. Infelizmente, estava fechada para visitação.

Dica balao 2

Em minhas pesquisas, não consegui identificar precisamente os dias/horários de funcionamento da Casa Biščevića. De acordo com alguns portais na internet, de abril a outubro abre diariamente das 8h às 19h. Durante o inverno, pode ser visitada somente por meio de tour guiado (acredito que o agendamento pode ser feito pelo telefone +387 36550677).

Da Biščevića rumamos para a Mesquita Karađoz Bey (Karađozbegova džamija), construída na década de 1550 por ordem de Mehmed-beg Karađoz, um dos patronos de Mostar, irmão do vizir Rüstem Pasha. Foi projetada pelo celebérrimo Mimar Sinan, um dos arquitetos mais notáveis da história, responsável por grandes construções do Império Otomano.

Mesquita Karađoz Bey

Mesquita Karađoz Bey

A mesquita foi severamente destruída durante a Segunda Guerra Mundial, bem como na Guerra da Bósnia. Passou por uma extensa reforma entre 2002 e 2004, e hoje é um dos símbolos mais importantes para a comunidade muçulmana de Mostar. No momento em que estivemos lá, acontecia um culto religioso, então não pudemos visitá-la. Situa-se na esquina das ruas Braće Fejića e Karađozbegova.

A dois quarteirões dali, na rua Osmana Džikića n.º 41, está outra residência no estilo otomano, a Casa Muslibegović (Muslibegovića Kuća), pertencente à nobre família Muslibegović, que se estabeleceu em Mostar no final do século 17. Assim como a Casa Biščevića, sua exposição conta com ambientes e objetos muito bem preservados.

Dica balao 2

A Muslibegović Fica aberta para visitação entre 15 de abril e 15 de outubro, portanto não pudemos conhecê-la. Além do museu, uma seção do edifício abriga um hotel de 12 quartos. Para mais informações, acesse muslibegovichouse.com.

Seguimos em direção ao lado oeste da cidade. No caminho, vimos algumas pichações “1981”, provavelmente se referindo às supostas aparições da Nossa Senhora de Međugorje, que vêm ocorrendo em Mostar desde 24 de junho de 1981.

"1981", na margem leste do Neretva

“1981”, às margens do Neretva

Atravessamos o Neretva pela ponte Bunur e andamos alguns quarteirões até a Bulevar, via principal que corta a cidade de norte a sul. Também conhecida como “Bulevar Narodne Revolucije” (Boulevard da Revolução Nacional), foi altamente destruída durante a Guerra da Bósnia.

Avenida Bulevar

Bulevar

Muitos dos edifícios da Bulevar e imediações ainda se encontravam em ruínas. O mais conhecido deles é a Sniper Tower (Torre dos Atiradores), sede do banco Ljubljanska antes da guerra, uma das edificações mais altas das redondezas, situado no encontro das ruas Kneza Domagoja e Kralja Tvrtka. Do prédio, atiradores croatas disparavam contra os bósnios que se arriscavam a passar de carro ou a cruzar a Bulevar e proximidades caminhando. As residências também eram alvo dessa ofensiva.

Sniper Tower

Sniper Tower

Eu queria muito entrar na Sniper Tower! Os relatos que vi na internet descreviam um cenário aterrorizador: cartuchos de balas, estilhaços de vidro, grafites de protesto, recibos de banco, garrafas vazias, preservativos usados, muita degradação. Orientavam conhecê-lo durante o dia, quando usuários de droga e cidadãos suspeitos não frequentavam o prédio. A despeito do risco, a torre oferece uma vista panorâmica espetacular. Por questões de segurança, o edifício foi fechado. Pudemos conhecê-lo somente por fora.

Sniper Tower (entrada restrita)

Sniper Tower (entrada restrita)

De frente para a Sniper Tower está a Praça Espanhola (Španski trg). Seu nome é uma homenagem aos 21 espanhóis membros da Força de Proteção das Nações Unidas (UNPROFOR) mortos durante a Guerra da Bósnia. O local é agraciado pela vivacidade da escola Gimnazija Mostar, cuja beleza neoislâmica contrasta com algumas construções próximas ainda em escombros.

Edifício do Gimnazija Mostar, na Praça Espanhola

Edifício do Gimnazija Mostar, na Praça Espanhola

Gimnazija Mostar e edifício em ruínas da Bulevar

Gimnazija Mostar e edifício em ruínas da Bulevar

Edifício em ruínas na rua Kralja Tvrtka, ao lado da Praça Espanhola

Edifício em ruínas na rua Kralja Tvrtka, ao lado da Praça Espanhola

Edifício em ruínas na rua Kralja Tvrtka, próximo à Praça Espanhola

Edifício em ruínas na rua Kralja Tvrtka, próximo à Praça Espanhola

Edifício em ruínas na rua Nikole Šubića Zrinskog

Edifício em ruínas na rua Nikole Šubića Zrinskog

Edifício em ruínas na Bulevar

Edifício em ruínas na Bulevar

Edifício em ruínas na Bulevar

Edifício em ruínas na Bulevar

Edifício em ruínas na Bulevar

Edifício em ruínas na Bulevar

Da praça, caminhamos um pouco pelas adjacências para, em seguida, percorrer a Bulevar na direção da Cidade Velha. Era revigorante notar que algumas edificações estavam sendo reparadas. Os pessegueiros floreados acentuavam esse clima de renascimento.

Pessegueiro na avenida Bulevar

Pessegueiro na avenida Bulevar

Pessegueiro na avenida Bulevar

Pessegueiro na avenida Bulevar

Viramos à esquerda na altura da Igreja Paroquial de São Pedro e São Paulo (Župna crkva Svetog Petra i Pavla) e seguimos para o hotel.

Torre da Igreja Paroquial de São Pedro e São Paulo

Torre da Igreja Paroquial de São Pedro e São Paulo

Antes que subíssemos ao quarto, a recepcionista nos ofereceu, como cortesia, um café bósnio ou uma dose de rakija, uma espécie de conhaque. Perguntei se poderia aceitar as duas opções, e ela assentiu num sorriso para lá de amistoso. Seu nome era Amela (pronuncia-se Âmela).

Dose de rakija sabor cereja

Dose de rakija sabor cereja

Estávamos encantadíssimos com Mostar! Mesmo curta, a jornada daquele dia nos provocou uma miríade de sensações. Belos lugares, comida deliciosa, relatos emocionantes, impressões curiosas… O conjunto fascinava! A parte que mais me tocou foi o bate-papo com a Amela, que colocou o coração à frente de cada narrativa sobre sua terra natal, sobre seu povo. Falou de coisas ruins, mas também de coisas boas. Chamou-nos atenção sua queixa sobre a falta de oportunidades na Bósnia. Segundo ela, o ensino no país é de excelente qualidade, mas a busca por uma carreira promissora na Europa ocidental provoca grande evasão de capital intelectual, deixando a Bósnia carente de forças construtoras.

Encerramos a conversa pedindo à Amela sugestões de bares para tomar boas biritas.

À noite, retornamos às ruas da Cidade Velha. Era domingo, e a cidade estava bastante pacata.

Ponte Torta

Ponte Torta

Rio Rabobolja

Rio Rabobolja

Primeiro fomos a um restaurante chamado Konoba Taurus, ao lado da Ponte Torta. O lugar era bem bacana, mas os escassos fregueses comiam e bebiam silenciosamente, o que nos fez seguir para o Black Dog Pub, no outro lado do rio Rabobolja. Sua grande variedade de cervejas e seu ambiente roqueiro era exatamente o que procurávamos. Ali éramos somente eu, o Élcio, dois boêmios e um balconista não muito disposto a trabalhar. Os nativos não interagiram conosco, contudo, embalados pela boa música, nos bastamos em nossos diálogos. Tomamos duas ou três cervejas, e a partir do momento em que atender nossos pedidos passou a ser um martírio para o funcionário desmotivado, encerramos nossa conta e zarpamos para outra aventura.

Black Dog Pub

Black Dog Pub

De repente, bateu uma fome… Cometemos o pecado de voltar ao Šadrvan para jantar. Sim, pecado, porque turista que se preza procura variar de estabelecimento. Todavia, o extenso menu do restaurante compensava o sacrilégio. Condenado ao inferno ou não, comi duvec, um excepcional arroz coberto com vegetais. Ah, essa culinária bósnia…

Duvec

Duvec

O Élcio garantiu sua vaga nas profundezas ao pedir teleći rižoto (risotto de vitela).

Risotto de vitela, servido no Šadrvan

Risotto de vitela, servido no Šadrvan

Na mesa ao lado, sozinha, uma americana com seus 35 anos alternava a refeição com a leitura de um guia turístico de Mostar. Não consigo me imaginar viajando desacompanhado. Anseio por dividir o que sinto, gosto de chamar atenção para uma circunstância ou outra. O compartilhamento torna as coisas mais valiosas, confirma ou refuta testemunhos. Mas admiro e encorajo os aventureiros solitários. São mais observadores, reflexivos e enigmáticos. Imagine o que aquela americana não teria a dizer sobre Mostar…

Um café bósnio (terceiro ou quarto do dia) foi a sobremesa daquele jantar. Deixamos o restaurante e fomos encerrar a noite no primeiro bar que aparecesse. A cidade estava ainda mais vazia, e quase não se viam estabelecimentos abertos no centro histórico. No encontro das ruas Onešćukova e Rade Bitange, a poucos passos da Ponte Velha, avistamos o Caffe Bar Marshall, uma espécie de taberna medieval. Era minúsculo, mas a ambientação era muito legal. Cruzamos a porta e fomos muito bem recebidos pelo dono e pelos dois fregueses, que às vezes auxiliavam o proprietário nas tarefas do bar: passavam para trás do balcão, atendiam nossos pedidos, administravam o juke box (rock de primeiríssima qualidade), tudo isso com muita cautela para não pisar o rabo do cachorro que estava deitado rente às nossas banquetas.

O Marshall não figurava entre as sugestões da Amela. No dia seguinte, quando contamos a ela e ao seu colega da recepção sobre nosso “achado”, eles se entreolharam e sorriram. Tipo: fomos a um boteco tosco. Enfim, adoramos!

SEGUNDO DIA – Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Cemitério da rua Kneza Mihajla Viševića Humskog, Cemitério Memorial dos Partisans e Parque Zrinjevac

A primeira atração daquela segunda-feira seria a mais aguardada por mim na viagem: o Cemitério Memorial dos Partisans, construído para abrigar os restos mortais dos partisans de Mostar, um grupo de 810 combatentes comunistas que, sob o comando de Josip Broz Tito, enfrentou as forças do Eixo na Segunda Guerra Mundial. O memorial foi projetado em 1960 pelo notável arquiteto e paisagista sérvio Bogdan Bogdanović, ele mesmo um partisan naquela guerra. A inauguração ocorreu cinco anos mais tarde, numa sessão solene liderada por Tito. Em 1992, na Guerra da Bósnia, o cemitério foi bastante destruído. Desde então, ficou abandonado, exposto ao vandalismo e aos efeitos do tempo. Somente em 2003 foi instituído um comitê (Bogdanović era um dos integrantes) para renovar o memorial. Em maio de 2005, foi formalmente aberto, sendo proclamado Monumento Nacional da Bósnia e Herzegovina um ano depois. Contudo, mais uma vez, foi negligenciado, entregue à depredação e ao desgaste, permanecendo assim até os dias atuais.

A princípio, essa história me deixou muito confuso. Como poderia um monumento grandioso como aquele ficar jogado às traças? E os partisans? Não representam nada para os bósnios? Os relatos que vi na internet descreviam o cemitério como uma coisa fascinante, um misto de ruínas e glória quase nada explorado pelo turismo. Alertavam apenas para a presença de usuários de drogas no local, sugerindo uma visita à luz do dia a fim de se evitarem quaisquer contratempos.

Na tarde do dia anterior, perguntei à Amela por que o cemitério era tão descurado, qual era o motivo de tamanho desinteresse. Um pouco desconfortável com a minha indagação, mas ainda assim educada, ela citou apenas a questão dos usuários de droga. A mesma resposta reticente obtive do croata Marijan dias antes, na excursão a Montenegro.

Para ir ao cemitério dos partisans, pegamos a Bulevar na direção da Praça Espanhola e viramos à esquerda na rua Kneza Mihajla Viševića Humskog. 260 metros adiante, já no lado croata da cidade, encontramos um outro cemitério, rente à calçada e sem muretas. Estava bem preservado e suas tumbas indicavam óbitos ocorridos entre 1992 e 1995. Certamente era um memorial dedicado a vítimas da Guerra da Bósnia. Para fazer este relato, não consegui encontrar registros de seu nome nem de sua localização. Sei somente que é um cemitério de bosníacos.

Tumbas de bosníacos em cemitério da rua Kneza Mihajla Viševića Humskog

Tumbas de bosníacos em cemitério da rua Kneza Mihajla Viševića Humskog

O fato é que na Bósnia e Herzegovina não há legislação sobre a criação de memoriais dedicados às vítimas de guerra, ficando a permissão para construí-los nas mãos das autoridades locais. Dependendo de qual grupo étnico controla determinada região, os grupos minoritários podem se ver privados de prestar uma homenagem formalizada aos seus semelhantes, seja fixando uma placa ou erguendo um monumento. Dessa forma, surgem memoriais “não autorizados”, muitos dos quais o governo não sabe da existência ou quanto custaram aos cofres públicos.

Cemitério da rua Kneza Mihajla Viševića Humskog

Cemitério da rua Kneza Mihajla Viševića Humskog

A caminhada até o cemitério dos partisans era um pouco longa, porém não menos interessante. Naquela região, Mostar exibia um estilo de vida diverso do da Cidade Velha. As ruas eram diferentes, o comércio era diferente e as pessoas eram diferentes. Um bairro comum, de fato, mas com suas particularidades.

Na Kralja Petra Krešimira IV, cruzamos com um homem de conjunto de moletom vermelho. Tinha cabelos grisalhos, aparentava ter uns 45 anos. Talvez pelo tom da roupa, sua figura ficou marcada na minha memória.

Atravessamos a avenida Kralja Tomislava. Poucos passos depois, chegamos ao Cemitério Memorial dos Partisans. A entrada fica a uns 50 metros da calçada, um pouco escondida pela vegetação. Ali havia um homem de rabo de cavalo, que lentamente sumiu no mato quando nos aproximamos. O Élcio ficou aterrorizado! Confesso que também senti uma ponta de medo.

Entrada do Cemitério Memorial dos Partisans

Entrada do Cemitério Memorial dos Partisans

O lugar é espetacular! Era quase impossível fazer um percurso em linha reta; o traço sinuoso de Bogdan Bogdanović, que solve a rijeza do concreto na suavidade de elementos da natureza (água e vegetação), delineia o cemitério de uma extremidade a outra.

Bogdanović criou o termo “acro-necrópole” – cidade dos mortos – para definir memoriais como aquele, cujo projeto arquitetônico e paisagista é uma abreviação de uma cidade constituída de muralhas, portões, torres e ruas estreitas.

Cemitério Memorial dos Partisans

Cemitério Memorial dos Partisans

Cemitério Memorial dos Partisans

Cemitério Memorial dos Partisans

Pouco depois da entrada, passamos por um camarada que nos fitou ressabiado. Seu semblante, tenso, permitia que víssemos os dentes amarelados e acinzentados. Pelas rugas profundas, tinha uns 55, 60 anos, talvez 40. Indubitavelmente, era um dos tais usuários, quiçá um traficante. Quando percebeu que não respondíamos ao seu olhar, seguiu caminhando normalmente. Estava tão fraco e debilitado que não me causou medo. Já o Élcio reagiu de outra maneira. Para ele, deveríamos deixar o cemitério imediatamente ou seríamos abordados de forma indesejada. Pedi que tivesse calma e continuei caminhando. Ele preferiu ficar onde estava, próximo à saída.

Um senhor idoso e um rapaz também visitavam o memorial. Contemplativos, prestavam homenagem a algum parente ou conhecido, acredito.

Cemitério Memorial dos Partisans

Cemitério Memorial dos Partisans

Continuei circulando, fazendo fotografias e observando cada aspecto do cemitério. As pichações e vegetação descuidada venciam a batalha contra pequenas manifestações de apreço.

Cemitério Memorial dos Partisans

Cemitério Memorial dos Partisans

Lápides deslocadas acusavam ações depredatórias, provocadas, basicamente, por nacionalistas croatas – o cemitério situa-se no lado croata da cidade.

Cemitério Memorial dos Partisans

Cemitério Memorial dos Partisans

Gradativamente íamos compreendendo as razões do descaso com o memorial, dedicado a heróis comunistas iugoslavos, mas canonizado em território de nacionalistas croatas. Diversamente de muitos memoriais às vítimas de guerra espalhados pelo país, o dos partisans é consagrado, projetado por um grande arquiteto e inaugurado por Tito, no entanto sua magnitude não o exime da indiferença de outros grupos, pelo contrário, mantém acessa a chama piloto das desavenças políticas, étnicas e religiosas na Bósnia.

Do alto do cemitério, a vista é fantástica. Abraçada pelas montanhas, Mostar era ainda mais bonita.

Mostar vista do alto do Cemitério Memorial dos Partisans

Mostar vista do alto do Cemitério Memorial dos Partisans

Um e outro homem apareciam do nada e retornavam ao nada. O Élcio continuava próximo à saída. Percebendo o desconforto do meu amigo e me sentindo também vulnerável, decidi finalizar a visita ao cemitério. Ziguezagueando pelas curvas rebuscadas da saída, passamos por um sujeito que falava ao celular. Segundo o Élcio, era ali que sofreríamos um assalto; levariam todos os nossos pertences, nos matariam e nos enterrariam junto aos partisans, sem direito a lápides sequer desarranjadas. Parece piada, mas a situação era muito atípica. Por fim, eis que surge do bosque o tal homem de moletom vermelho! Mas notou que éramos turistas caretas, portanto nem arriscou oferecer um bagulho, pedra, vidro, sei lá que droga se comercializava por aquelas bandas.

Deixamos o memorial sãos e salvos. O Élcio passou uns cinco minutos resmungando por que eu havia nos metido numa cilada daquelas. “Poderíamos ter morrido!”, ele disse. “Poderiam ter roubado tudo da gente!”, complementou. Mais otimista – mas não menos irresponsável –, concluí que não teria sido bem assim.

Dica balao 2

O cemitério dos partisans foi a atração mais bacana da viagem (minha opinião), e o indico para quem gosta de arquitetura, paisagismo, lugares abandonados, histórias de guerra e uma certa dose de aventura. A entrada fica na rua Kralja Petra Krešimira IV, a 85 metros da avenida Kralja Tomislava. Alerto apenas para o fato de que usuários de drogas e traficantes eventualmente estarão no local, de dia ou de noite, portanto todo cuidado é pouco, especialmente para quem viaja só. Vá sempre em grupos, não dê atenção a estranhos (sua mãe já lhe ensinou isso!) e ao sinal de qualquer situação suspeita, deixe o local. 

No retorno à Cidade Velha, ladeamos o Parque Zrinjevac pela rua Nikole Šubića Zrinskog até o edifício do Gimnazija Mostar.

Parque Zrinjevac (rua Nikole Šubića Zrinskog)

Parque Zrinjevac (rua Nikole Šubića Zrinskog)

Parque Zrinjevac (rua Nikole Šubića Zrinskog)

Parque Zrinjevac (rua Nikole Šubića Zrinskog)

Atravessamos a Bulevar e entramos numa cafeteria da rua Mostarskog bataljona. Longe dos padrões decorativos da Cidade Velha, o lugar era moderno e aparentava ter um cardápio variado. Sem pensar duas vezes, o Élcio pediu um café bósnio. O garçom olhou para ele e, num tom ríspido, disse “Não servimos café bósnio”. Resignados, pedimos um chá.

Chá em cafeteria da rua Mostarskog bataljona

Chá em cafeteria da rua Mostarskog bataljona

“Que garçom desagradável”, remoemos. Como meu amigo bem observou, estávamos num bairro croata pedindo por um dos elementos mais simbólicos da identidade muçulmana da Bósnia. Contudo acho que interpretamos mal a situação, e o garçom talvez não estivesse na sua melhor forma. Depois da enorme xícara de chá e de atualizar nossas redes sociais, deixamos a cafeteria e rumamos para a Cidade Velha.

Nossa excursão em Mostar estava chegando ao fim. Gastamos os últimos instantes saboreando uma deliciosa comida tradicional e comprando souvenirs.

Rua Kujundžiluk (Mercado Velho)

Rua Kujundžiluk (Mercado Velho)

Finalizado o passeio, retornamos ao hotel e pegamos nossas malas. Partiríamos para a rodoviária em poucos minutos, tempo suficiente para um café – bósnio! – ofertado pela caríssima Amela.

Fomos embora com os corações cheios! Em menos de dois dias, quase conseguimos o que mais almejamos em uma viagem: conciliar história e cotidiano, consternação e alegria, fatos e entrelinhas. Sim, quase conseguimos! Ainda bem que não chegamos lá. Só assim buscaremos pela consecução disso tudo, o que nos provocará o desejo de voltar a Mostar. E voltarei, nem que seja só para dar um mergulho da Ponte Velha.

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Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

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Sobre Alessandro Paiva

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