Berlin, i mog di!

Berliner Fernsehturm - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Berliner Fernsehturm, a antena de televisão de Berlim.

Fui a Berlim e não aprendi quase nada em alemão. Sinto muito, a língua é complicada. Mas sei uma frase bem bacaninha que define minha recente relação com a capital germânica: “i mog di”, que quer dizer “eu gosto de você” ou mesmo “eu amo você”. Na verdade, essa forma provém de um dialeto bávaro, escrita corretamente em alemão como “ich mag dich”. Gosto tanto da frase que até me deu vontade de ter um bar com esse nome. Brincadeirinha, não pretendo abrir nenhum negócio, mesmo porque I Mog Di já é o nome de um bar pequenino, simples e sensacional de Berlim.

Sim, eu amo Berlim! Como a cidade é amistosa! Não era nada do que eu esperava até minhas primeiras horas de passeio por lá. Ela me surpreendeu e me encantou a cada esquina.

Quando se pensa na Alemanha, logo vêm em mente os belíssimos castelos da Baviera, as construções no estilo enxaimel, pessoas grandes e sisudas e festas celebradas por alemães cervejeiros barrigudos e comedores de salsicha. Embora Belim seja a capital da Alemanha, tal estereótipo não se encaixa no perfil dessa cidade fenomenal que possui de tudo um tanto. O transporte público é impecável, as pessoas são educadíssimas (muito educadas mesmo!), as atrações são espetacularmente infinitas, a arte é uma marca registrada, o custo é relativamente baixo e a bicicleta é sagrada. Que qualidade de vida!

Acho o mercado de turismo do Brasil um pouco injusto com Berlim. A cidade não deixa nada a desejar em relação ao turismo internacional massificado. É claro que todos queremos conhecer Paris, Roma, Londres, Barcelona, Nova Iorque e Miami, porém Berlim tem algo de tão especial que deveria estar nas preferências das agências de turismo brasileiras, sem considerar o baixo custo de lá, que muito agradou ao meu bolso.

Antes de ir a Berlim, eu e o Élcio estávamos em Roma. Nosso voo partiria para a Alemanha às 6 da matina, por isso acordamos bem cedo. Aliás, fomos arrancados da cama! Era o início do horário de verão europeu e disso não sabíamos. Que inferno! Felizmente, o taxista imaginou que poderíamos estar desinformados e chegou 5 minutos adiantado. Acordamos num pulo e JURO que em 10 minutos já estávamos a caminho do aeroporto.

PRIMEIRO DIA – domingo

Fernsehturm, Marienkirche, Ilha dos Museus, Lustgarten, Berliner Dom, Unter den Linden, Bebelplatz, Pariser Platz, Portão de Brandemburgo e Memorial do Holocausto

Chegamos a Berlim no início daquela tarde de domingo. Dava tempo para cumprir um roteiro a pé próximo ao hotel. Aliás, tudo era próximo ao hotel! Ficamos hospedados em Alexanderplatz, uma praça enorme superbem estruturada, na região do Mitte. De lá vai-se a qualquer lugar da cidade facilmente.

Começamos nosso passeio passando pela Berliner Fernsehturm. Construída entre 1965 e 1969, essa torre de televisão de 368 metros de altura era um símbolo da Berlim governada pela República Democrática Alemã (RDA), comumente chamada de Alemanha Oriental. É possível subir até o observatório, mas deixamos para fazer isso em outro dia.

Da torre de televisão segimos para a Marienkirche (Igreja de Santa Maria), bem próxima a Alexanderplatz e a mais velha da cidade. Não se sabe ao certo a idade dessa igreja, embora sua primeira menção na história da Alemanha data de 1292. Era originalmente uma igreja católica romana, mas tornou-se luterana durante a Reforma Protestante, em 1539. Sua arquitetura medieval contrasta com a modernidade que se ergueu ao seu redor após a destruição causada pela Segunda Guerra Mundial.

Marienkirche - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Marienkirche (Igreja de Santa Maria de Berlim).

Na verdade, a guerra destruiu foi tudo! Por ter perdido grande parte de seus monumentos, Berlim não é tão bela quanto às principais capitais europeias. Para piorar, poucos anos depois, a cidade foi dividida em Berlim Oriental e Ocidental. A rivalidade entre os dois blocos atrasou o desenvolvimento de uma maneira geral, mas após a queda do Muro de Berlim, em 1989, a cidade se ergueu numa velocidade de dar inveja a qualquer país emergente em vias de sediar uma copa do mundo de futebol. O que foi destruído pela guerra ou modificado por interesses políticos, foi reconstruído ou deu lugar a memoriais e outros projetos arquitetônicos espetaculares.

Ainda falando da Segunda Guerra Mundial, este é um tema que está presente aonde quer que se vá em Berlim. Eu sempre achava que os alemães tinham muita reserva em relação a esse assunto, mas não. Os fatos estão bem claros para quem quiser ver e ouvir, com uma riqueza de detalhes impressionante! Professor de história na Alemanha merece ser rico, porque é muita coisa para se absorver. A impressão que tive é que a informação é tratada de forma bastante imparcial e esmiuçada ao extremo, expondo uma verdade nua e crua. E para tudo tem um museu ou memorial, sempre muito bem mantido e estruturado.

Da Marienkirche seguimos para Lustgarten (Jardim das Delícias). Como era domingo, esse parque estava lotado de berlinenses. Que atmosfera bacana! Todo mundo se divertia à sua maneira. Alguns tomavam sol, uns se exercitavam e outros faziam performances acrobáticas. Se você for a Berlim, sugiro que dê uma passadinha em Lustgarten num domingo para sentir seu astral. Localizado na famosa Ilha dos Museus, esse parque já foi um jardim particular, campo de desfiles e local de comícios nazistas. É rodeado pelos principais museus da cidade, os quais visitaríamos na terça-feira.

Altes Museum - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Altes Museum, em Lustgarten.

O Élcio ouviu dizer que, no verão, as pessoas fazem topless em Lustgarten, mas acho que isso não procede. O ambiente é familiar e não consigo imaginar uns mamás de fora, mesmo porque de frente para o parque também se encontra a Berliner Dom (Catedral de Berlim). Fazer topless de frente para uma igreja é inferno na certa! Entretanto, se você não abre mão de ficar pelado em local público, vá ao Tiergarten. Mais adiante, falo um pouco desse parque.

Berliner Dom (Catedral de Berlim) - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Berliner Dom (Catedral de Berlim), em Lustgarten.

É permitida a visitação ao interior da Berliner Dom e subir até sua cúpula, mas optamos somente pela visita por fora. Já havíamos entrado em tanta igreja em Roma que mais um passeio religioso nos transformaria em coroinhas. Porém, estou começando a acreditar que perdemos uma atração e tanto, pois essa igreja, de estilo renascentista italiano, possui um altar de cair o queixo e uma vista panorâmica magnífica.

Saindo de Lustgarten, atravessamos a Schlossbrücke, ponte que liga a Ilha dos Museus à Unter den Linden. A ponte não é grande coisa, mas enquanto passava por ela, olhei para trás e avistei Berlim de uma forma que resumiu a minha impressão da cidade: tradição + história + estilo clássico + modernidade = diversidade. Putisgrila! É de se imaginar uma bagunça, mas não. Até na diversificação o alemão sabe se organizar!

Schlossbrücke - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ponte Schlossbrücke.

É, você deve estar imaginando o tanto que já estávamos alucinados com a cidade. Naquele momento, comecei a estudar uma maneira de ligar para o meu trabalho e pedir transferência para Berlim, se possível para trabalhar em um museu de arte moderna. Mentira, sou servidor público e meu emprego não me permite sair daqui de Minas, mas que dava vontade, dava! E tenho certeza de que o Élcio pensava a mesma coisa. Tudo bem, entendo que estávamos enebriados com a típica sensação de turista em férias que se encanta com qualquer tipo de novidade, mas não tenho dúvidas de que Berlim é um dos melhores lugares do mundo para se viver. Ou não! Esqueci da questão do inverno… Ah, bobagem, é só se encapotar, deixar a bicicleta em casa, comer muito e beber cerveja. Isso esquenta!

Da Schlossbrücke continuamos nosso trajeto pela Unter den Linden, a principal avenida de Berlim Oriental, que corta 1,5 quilômetro do centro histórico a partir do Portão de Brandemburgo. Comparando essa avenida a tantas outras consagradas mundo afora, chega-se à conclusão de que ela não é tão deslumbrante. No entanto, se considerarmos o que se tem, quem passou e o que aconteceu por ali, a conclusão já é outra. A avenida é lotada de prédios históricos que dão uma boa amostra do que foi a realeza de Berlim. Citando algumas de suas atrações, temos o Deutsches Historisches Museum, um museu que trata de dois mil anos de história alemã; a Neue Wache, uma construção no estilo de um templo romano que atualmente é um memorial contra a guerra; a majestosa Bebelplatz, praça de grande valor histórico; o Deutsche Guggenheim Berlin, um museu de arte contemporânea; o famoso Madame Tussauds e suas estátuas de cera; o Automobil Forum com seus fantásticos carros reluzentes; a Embaixada da Rússia e, finalmente, a Parisier Platz, onde se localiza um dos principais pontos turísticos da cidade, o Portão de Brandemburgo.

Bebelplatz - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Bebelplatz.

Bebelplatz é um dos lugares da Unter den Linden que mais chamou nossa atenção. Essa praça é famosa pela infame queima pública de livros, em 10 de maio de 1933, promovida pelos membros da Liga de Estudantes da Alemanha nazista e sob a liderança de Adolf Hitler. Entre os 20.000 livros queimados estão obras de Karl Marx, Bertolt Brecht, Thomas Mann e tantas outras que viraram cinza junto a uma enorme riqueza da história alemã. No pátio da praça existe uma vitrine no chão chamada Biblioteca Vazia, um monumento para relembrar a barbárie da ocasião.

Conforme você pôde perceber – e vai me ouvir falar muito neste post – a história de Berlim é marcada pelo nazismo, e, em período mais recente, pelo comunismo. Mas isso não assombra a cidade. É impressionante como os Alemães conseguiram enterrar toda essa desventura e seguiram adiante. Para eles, os valores humanos e a qualidade de vida estão acima de tudo. Eu amo a Alemanha!

E a amo mais ainda pelas bicicletas! Lembra de que falei que em Berlim elas são sagradas? Pois é, enquanto na Índia se venera a vaca, em Berlim se venera a bicileta. Como aquele era o nosso primeiro dia na cidade, não sabíamos que lá a bicicleta é a melhor alternativa para se locomover. Aos poucos, fomos percebendo isso, até que encontramos um brasileiro empolgadíssimo com sua magrela alugada que nos sugeriu fazer o mesmo.

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Então repasso a sugestão. Se for a Berlim, alugue uma bicicleta. Com ela, você chega aos locais muito mais rápido do que a pé. O tempo rende que é uma beleza! As locadoras estão espalhadas por toda a cidade. Uma diária custa por volta de 10 euros. Você pega a bicicleta pela manhã e devolve à noite. O limite de algumas locadoras é de até meia-noite, então dá para andar bastante! Você pode estar questionando a segurança disso tudo, principalmente se mora em Belo Horizonte, porém é muito tranquilo. Nós estávamos inseguros, mas assim que começamos a pedalar, Berlim ficou muuuuito melhor! Demorou algumas horas para nos acostumarmos com algumas coisas, tipo por onde se pode pedalar, quem tem preferência no tráfego, onde se pode amarrar a bicicleta, entre outros (aconselho você a perguntar essas coisas ao balconista da locadora). A bicicleta é tão bem-vinda que até nos vagões do metrô tem espaço para se transportar a bichinha. Pode-se trafegar pelas ciclovias, pelas calçadas (empurrando) e pelas ruas. Escolha o caminho mais prático e manda ver! Ao chegar aos destinos, procure um poste, um toco, uma placa ou qualquer outro suporte e amarre a magrela (menos num monumento, por favor!). Ninguém vai tocá-la. Fácil demais, não?! A regra principal nisso tudo é que ciclistas, pedestres e motoristas se respeitem, e respeito é uma das maiores virtudes do alemão.

Ciclistas pela Unter der Linden - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ciclistas trafegam pela Unter der Linden.

Ainda sem a bicicleta, que alugaríamos somente no dia seguinte, deixamos a Bebelplatz e rumamos pela Unter den Linden. Passamos diante de inúmeras atrações até chegarmos à Pariser Platz.

Pariser Platz - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Pariser Platz.

Os edifícios que compõem a Pariser Platz não são tão majestosos, mas nem precisam ser. Só o Portão de Brandemburgo já basta! Seja pelo seu porte ou pelo seu valor histórico, esse monumento é espetacular! Construído entre 1789 e 1791 para ser o portão real de Berlim, é o único remanescente de uma série de outras entradas da cidade. Sobre seu arco está a quadriga, uma estátua da deusa grega Irene em uma biga puxada por quatro cavalos. Originalmente, a quadriga tinha sua frente voltada para Berlim Ocidental, de costas para a Pariser Platz, mas os soviéticos a inverteram, ficando voltada para Berlim Oriental. Espertalhões! Mas não mais que Napoleão. Antes disso, precisamente em 1806, após detonar a Prússia, o imperador da França conseguiu raptar a escultura e a manteve como refém em Paris até 1815. Valentão!

Brandenburger Tor - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Portão de Brandemburgo.

Pelo portão passou muita história. Suas colunas não são separadas proporcionalmente. Somente a família real podia passar pela parte central, que é mais larga, e as pessoas de sua convivência usavam as entradas adjacentes. O cidadão comum podia passar somente pelas entradas mais estreitas, ao canto do portão. Tendo em vista minha realeza, é OVNI que em todas as vezes que passei pelo portão fiz questão de usar somente a entrada central! Eu e o resto do mundo plebeu.

Portão de Brademburgo e marca do Muro de Berlim - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Parte de trás do Portão de Brandemburgo. No asfalto está a marca do Muro de Berlim.

Do outro lado do Portão de Brandemburgo está a marca no asfalto por onde passava o Muro de Berlim. Além de serem espertos por virarem a quadriga de frente para o lado oriental, os comunistas, ao dividirem Berlim em oriental e ocidental, colocaram o portão em seu território, contornando-o com o muro. Sabe aqueles desenhos animados em que o macaco, ao demarcar seu território, faz uma linha reta até próximo à bananeira, quando, de repente, a linha muda de direção e faz um contorno, colocando a bananeira a seu favor? Pois é, a descaração é a mesma.

Dali seguimos para o Palácio do Reichstag, prédio em que o parlamento federal da Alemanha exerce suas funções. Mas não conseguimos entrar. Era preciso fazer uma reserva com três dias de antecipação.

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaPortanto, amigo turista, faça a sua reserva. Não desista da visita ao Reichstag por causa dessa mera burocracia. O tour pela cúpula de vidro do prédio é espetacular, mas essa parte eu contarei mais adiante. O importante é que você acesse o site dessa instituição (clique aqui) e faça a sua reserva on-line com três dias de antecedência. A visita é gratuita, com direito a audioguide em português.

Reichstag - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Reichstag, prédio do parlamento federal da Alemanha (Bundestag).

Do Reichstag seguimos até o Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto), que fica a um quarteirão do Portão de Brandemburgo. Que lugar emocionante! No lado de fora existem 2.711 blocos de concreto de alturas diferentes, lembrando túmulos erguidos em um campo ondulado. Esses blocos ocupam todo o quarteirão, constituindo um labirinto de muito silêncio e respeito.

Holocaust-Mahnmal - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto).

Holocaust-Mahnmal - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto).

Há também um anexo subterrâneo chamado Ort der Information (Local de Informação), que guarda os nomes de todas as vítimas judias conhecidas do Holocausto. Se você for a esse anexo, beba bastante água, porque irá chorar rios de lágrimas! Impossível não se comover na Raum der Dimensionen (Sala das Dimensões), onde se encontram textos de cartas dos prisioneiros aos seus parentes. São mensagens do tipo “Querido vovô, provavelmente esta é a última vez que lhe escrevo. Como estou triste… Que saudades daquele seu abraço alegre e carinhoso! Daria de tudo para senti-lo só mais um pouquinho antes de morrer. Como não vou mais vê-lo, sinta meu abraço e todo o meu amor por meio desta carta.” Esse texto foi escrito com minhas próprias palavras, mas o original dizia mais ou menos isso. Olha… aquelas cartas acabaram com a minha tarde e com a dos visitantes emocionados que não paravam de fungar tentando esconder o choro.

Ort der Information - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Raum der Dimensionen (Sala das Dimensões) do Ort der Information (Local de Informação), no Memorial do Holocausto.

A visita ao Memorial do Holocausto e ao Local de Informação é gratuita. Você pode fazer doações e paga somente pelo audioguide. E não tente dar uma de fortaleza humana, você vai chorar! Mas não se preocupe, a sala é escura e ninguém vai ver.

Do Memorial do Holocausto retornamos para o hotel. Já estávamos bem cansados, afinal de contas acordamos de madrugada e uma hora antes do previsto por causa do horário de verão. Abrimos mão, inclusive, de uma cerveja. Saldo da noite: cama.

Fernsehturm e o prédio da Galeria Kaufhof - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Fernsehturm e o prédio da Galeria Kaufhof, ao anoitecer.

SEGUNDO DIA – segunda-feira

Neue Synagoge, Tacheles, Berlim Judaica, passeio de barco pelo Spree, Marx-Engels-Forum, Neptunbrunnen, Nikolaiviertel, Franziskaner-Klosterkirche, Stadtmauer e Berliner Ratahus

Ôba, chegou o momento de alugar uma bicicleta! Acordamos cedo e fomos a uma locadora perto do hotel. As primeiras pedaladas foram um pouco tensas, mas logo logo fomos nos acostumando.

Berlim de bicicleta - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Berlim de bicicleta.

Começamos nosso roteiro do dia pela Neue Synagoge (Nova Sinagoga), um monumento símbolo da revitalizada comunidade judaica de Berlim, que se localiza na Oranienburger Strasse, a maior área de judeus da cidade nos séculos XIX e XX.

Neue Synagoge - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Neue Synagoge (Nova Sinagoga).

A Nova Sinagoga foi bastante destruída num bombardeiro durante a Segunda Guerra Mundial, sendo reconstruída, em grande parte, nos anos 90. O que mais chamou minha atenção foi a forma como a reconstruíram. O que sobrou intacto manteve seu formato original, e muito do que foi reconstruído é apenas uma demarcação, como se pode notar na foto abaixo. Isso é um aspecto interessante dos monumentos destruídos pela guerra em Berlim. Muitos deles não são restaurados até sua forma genuína, mas recebem um tratamento artístico e arquitetônico bastante original, com a finalidade de serem apenas um memorial. E como são criativos os Alemães! Ali mesmo, na Nova Sinagoga, existe a representação de um altar na qual o artista juntou escassos fragmentos deixados pela destruição e os suspendeu por cabos entrelaçados até o espaço que ocupavam originalmente. É uma espécie de quebra-cabeças tridimensional incompleto e suspenso.

Neue Synagoge - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Teto parcialmente restaurado da Nova Sinagoga.

Altar na Nova Sinagoga - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Altar parcialmente reconstruído, na Nova Sinagoga.

Neue Synagoge - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ruínas do santuário da Nova Sinagoga.

Mais adiante, na Oranienburger Strasse, está umas das galerias de arte mais peculiares que já conheci, a Kunsthaus Tacheles (Casa de Arte Tacheles). Por fora, parece um edifíco esperando pela restauração pós-guerra. Por dentro, está pior. O prédio foi muito utilizado pelos nazistas e sofreu bastante com a Segunda Guerra Mundial. O governo da Alemanha Oriental até determinou sua demolição, mas isso nunca aconteceu. Com a queda do Muro de Berlim, alguns artistas alternativos descobriram o espaço e fizeram dele um art squat gigante. Mais tarde, o prédio seria restaurado por um grupo de investidores, que construiria um hotel no local. O projeto foi sendo adiado e esses investidores permitiram que os artistas permanecessem no local, pagando um aluguel simbólico de 50 centavos por todo o prédio. Entretanto, os investidores faliram e, em 2010, os ocupantes, por determinação do banco credor, precisaram evacurar o local. Porém não o fizeram e ainda estão lutando para manter a galeria.

Kunsthaus Tacheles - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Entrada da Kunsthaus Tacheles (Casa de Arte Tacheles) e cartaz de protesto.

A aura rebelde da Tacheles pode chocar os mais conservadores e desinteressar os menos inspirados. Para piorar, o local é imundo e fétido. Talvez os ocupantes preferem mantê-lo assim, demonstrando sua força anárquica. Naquele dia mesmo, logo na entrada, alguns artistas fizeram uma espécie de manifestação não permitida e a polícia apareceu para impedir. Acho que foi pura provocação. Enquanto os autores eram detidos pelos policiais, um artista ao nosso lado cantava Sinner Man, uma música espiritual americana. Não sei de que lado da briga eu estava, pois não entendia ao certo o que estava acontecendo, mas gostei muito de ter presenciado o evento, embora eu não seja nem um pouco anarquista.

Escadaria na Kunsthaus Tacheles - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Escadaria na Kunsthaus Tacheles.

Adorei Tacheles! Não pelo que estava exposto, porque achei as peças de qualidade artística duvidosa, mas pela energia dos “inquilinos”. A galeria é uma pequena amostra do famoso espírito alternativo berlinense. Caso você deseja conhecê-la, apresse-se, pois os artistas podem ser despejados a qualquer momento, contanto que o banco credor vença na justiça o direito de leiloar o edifício.

Se você se comoveu com a histórias dos ocupantes, acesse www.tacheles.de e dê seu apoio à manutenção da galeria.

Exposição na Kunsthaus Tacheles - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Exposição na Kunsthaus Tacheles.

De frente para a galeria está uma série de bares e restaurantes muito bacanas. Aliás, bacanas demais da conta! Ainda era cedo para uma birita, mas aquela parte da Oranienburger Strasse já estava no meu coração, ou melhor, no meu fígado!

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaSe você for a Berlim não pode deixar de fazer um pub crawl pelos bares da Oranienburger Strasse. O Élcio ficou um pouco receoso de dar uma passadinha por lá à noite, mas não há problema algum. Até concordo com a reação dele, pois o ambiente de Tacheles parece ser um pouco agressivo, entretanto os artistas são pacíficos e sua ideologia ajuda a promover aqueles bares. Você deve estar até imaginando algumas figuras com cara de poucos amigos frequentando as redondezas, mas não tem nada disso. Pelo contrário, a paz e o culto à diferença são marcas registradas de Berlim e devem ser brindados com uma ou mais cervejas em cada um dos bares da Oranienburger. Fizemos isso, é claro, mas só no último dia da nossa viagem.

De Tacheles seguimos em um pequeno tour naquela região judaica. Por ali, se você olhar para o chão das calçadas, verá, em frente às residências, algumas plaquinhas com os nomes dos judeus que habitaram no local e que foram mortos pelos nazistas. Essa homenagem foi uma iniciativa do artista berlinense Gunter Demnig.

Stolperstein - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Stolperstein (pedras no caminho), do artista Gunter Demnig.

Passamos pela Linienstrasse, rua de grande importância para a comunidade judaica, e seguimos até a praça Koppenplatz.

Linienstrasse - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Linienstrasse.

Na Koppenplatz está a escultura Der Verlassene Raum (Cômodo Vazio), do artista Karl Biedermann. Com uma mesa e duas cadeiras, sendo uma delas jogada ao chão, essa escultura lembra os moradores judeus que abandonaram seus lares em pânico.

Der Verlassene Raum (A sala abandonada) - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Escultura Der Verlassene Raum (Cômodo Vazio), do artista Karl Biedermann.

Esse pequeno tour pela região judaica pode estar parecendo deprimente. Realmente o é, mas faz parte da história da cidade e precisa ser vivenciado. Tudo é carregado de muita angústia, entretanto o passeio não é menos interessante.

Casa que Falta - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Casa que Falta, na Grosse Hamburger Strasse.

Próximo à Der Verlassene Raum, e nos números 15 e 16 da rua Grosse Hamburger Strasse, está a Casa que Falta, um lote vazio onde existia um prédio de apartamentos atingido em cheio por uma bomba. Nas fachadas laterais dos prédios vizinhos encontram-se placas com os nomes dos antigos moradores.

Do outro lado da rua, no número 27, está Escola Judaica de Meninos, edifício que sobreviveu intacto à guerra.

É, o passeio não ficava mais alegre, mas sempre fascinante. A próxima atração? Um cemitério. O Weissensee, que mais parece ser um pequeno parque, foi o primeiro cemitério judaico da cidade. Destruído em 1943 pela Gestapo, nele foram enterradas cerca de 12 mil pessoas, entre elas o filósofo iluminista Moses Mendelssohn, cujo túmulo não é o original, mas representa os de todos os outros judeus que estiveram sepulados ali.

A visita ao cemitério é gratuita. Nele exige-se que os homens usem o quipá, chapéu utilizado pelos judeus como símbolo de temor a Deus, disponível logo na entrada.

De frente para o cemitério encontra-se o local onde situava-se a primeira casa de repouso para judeus de Berlim, arrasada pelas bombas e jamais reconstruída. Sua história é lembrada pelo memorial às vítimas judias do fascismo, em que existe uma escultura bem dramática representando treze mulheres exaustas.

Cemitério Weissensee - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Escultura em frente ao memorial às vítimas judias do fascismo.

Terminado o tour pela Berlim judaica, seguimos para o passeio de barco pelo Spree. Embarcamos no porto em frente à Marx-Engels-Forum.

Passeio de barco pelo Rio Spree - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Passeio de barco pelo Rio Spree.

Esse passeio é uma maneira de se conhecer alguns dos principais pontos turísticos de Berlim. As embarcações possuem audioguide em várias línguas, que explica as atrações às marges do rio à medida em que elas vão passando. A vista de quem está na beirada do barco é a melhor, portanto garanta seu lugar.

No trajeto vê-se de tudo. São contemplados elementos da arquitetura clássica e moderna, com destaque para a área próxima ao Spreebogenpark e à Ilha dos Museus. Mas a melhor coisa do passeio pelo Spree é poder observar o espairecer dos berlinenses na beirada do rio. O Élcio que o diga, pois quase se matou de rir ao ver um casal namorando de forma libidinosa. Nesse flagrante, eu e todo o restante do barco não esboçamos sequer um sorriso. Talvez tivéssemos achado a cena normal, mas, pensando bem, o casal estava assanhado demais até para os padrões carnavalescos brasileiros em noite de baile televisionado. Quer saber? Deixemos a caretice de lado! Viva a liberdade sexual! Mesmo que ela promova movimentos pélvicos em local público.

Casal à beira do Spree - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Casal namora às margens do Spree.

Bode Museum - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Bode Museum, na Ilha dos Museus, visto do passeio de barco pelo Spree.

Terminado o passeio de barco, fomos até o Marx-Engels-Forum, um parque construído pelas autoridades da antiga República Democrática Alemã (RDA) e que abriga a estátua de Karl Marx e Friedrich Engels, autores do Manifesto Comunista. Logo ao lado do parque e próximo à já visitada Marienkirche está a Neptunbrunnen (Fonte de Nentuno).

Marx-Engels-Forum e Neptunbrunnen - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Estátuas de Marx e Engels, no Marx-Engels-Forum, e Neptunbrunnen (Fonte de Netuno)

As atrações do Mitte estão muito próximas umas das outras, e a bicicleta deixava nosso passeio bem mais prático e divertido. Confesso que estava com medo de sentir dores nos joelhos, pois, poucos dias antes, estávamos batendo uma perna ferrada em Roma e nossas articulações já haviam dado sinais. Contudo, andar de bicicleta não doía nada! Era só alegria! E não ache que somos dois bobos-alegres sobre duas rodas. Merecemos um crédito, pois moramos em Belo Horizonte, uma cidade que só tem morro, motorista desrespeitoso e alguns ladrões. Andar de bicicleta por aqui em BH só se for num domingo ensolarado em volta da Lagoa da Pampulha e próximo a um posto policial.

Nikolaikirche - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Nikolaikirche (Igreja de São Nicolau).

Da Fonte de Netuno seguimos para o Nikolaiviertel (Quarteirão de São Nicolau). Visto do outro lado do Spree, o local parece uma vila medieval, mas foi construído nos anos 80 em comemoração ao 750⁰ aniversário de Berlim. Dominando a paisagem do quarteirão está a Nikolaikirche (Igreja de São Nicolau), de 1230, considerada a construção mais antiga da cidade. Suas torres gêmeas no estilo gótico tardio são o destaque do Nikolaiviertel. Hoje, a igreja é um museu. Vale a visita.

A restrição à entrada de carros deixa o quarteirão muito charmoso. As ruas são de paralelepípedo e as mesas dos restaurantes nas calçadas são bem convidativas. Até entramos em um pub bem simpático, mas não porque nos sentimos convidados, mas porque precisávamos usar o banheiro. Se você leu os outros posts deste blog, deve ter ouvido eu falar do tanto que é importante beber água nas viagens e do tanto que dá vontade de ir ao banheiro. Beber cerveja também é importante, principalmente se considerarmos uma viagem à Alemanha. Nesse caso, mesmo que o fígado tolere a beberrança, a bexiga é super-sistemática, implacável e imediatista. Portanto, conheça seus limites, caso contrário sua viagem vai virar um inferno! Pelo menos em Berlim existem vários banheiros públicos espalhados pela cidade. Coloque a moedinha e siga as instruções. E não se preocupe. Embora não tenhamos utilizado esses banheiros automatizados, acredito que na Alemanha eles são bem mais confiáveis do que aquele que causou um trauma no Élcio, no quarto dia da nossa viagem a Roma.

Poststrasse - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Poststrasse, no quarteirão de Nikolaiviertel.

Deixamos o Nikolaiviertel. Passamos diante da Münze Berlin (casa da moeda) e do Molkenmarkt, um dos quarteirões mais antigos da cidade. Em seguida, nos dirigimos ao que restou da Franziskaner-Klosterkirche, uma antiga abadia franciscana no estilo gótico destruída pela guerra. Entre maio e outubro, suas belas ruínas abrigam exposiões de arte e concertos.

Ruine der Franziskaner-Klosterkirche - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ruinas da Franziskaner-Klosterkirche.

Pertinho da Franziskaner-Klosterkirche, na Littenstrasse, está o Stadtmauer, que não é o Muro de Berlim que conhecemos. Suas pedras toscamente empilhadas constituem uma pequena parte do muro original, construído em 1250 para proteger os primeiros moradores dos saqueadores.

Stadtmauer - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ruínas do Stadtmauer.

Ali ao lado está a Berliner Rathaus, a prefeitura de Berlim. Sua cor vermelha terra-cota é tão vibrante que o prédio se destaca mesmo a longas distâncias. Muito bonito, é claro! Sua fachada possui um friso composto de murais esculpidos que contam a história de Berlim desde 1871.

Berliner Ratahus - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Berliner Ratahus (Prefeitura de Berlim).

Cumprido o roteiro do dia, aproveitamos a bicicleta e passeamos mais um pouco pelo Mitte. Não estávamos nada cansados, mas seria bom guardar um pouco de energia para tomar umas à noite. Devolvemos a magrela, retornamos ao hotel para um banho e saímos para beber. Porém cometemos um pequeno erro: escolhemos um bar próximo ao hotel. Embora aquela região (Alexanderplatz) possua vários bares e restaurantes, todos muito bons, em Berlim, o melhor a se fazer à noite é ir sair da parte mais turística e curtir os locais frequentados por todo o tipo de gente, sejam mauricinhos e patricinhas, punks e demais tipos alternativos. Aliás, mauricinhos e patricinhas também frequentam bares punks e alternativos. Em Berlim, todo mundo se entende e se curte.

De qualquer maneira, o bar a que fomos era excelente! Localizava-se na Rathaustrasse, ao lado da prefeitura. Era tipicamente mexicano e possuía um cardápio bem variado, com muita comida, cerveja e coquetéis. E o melhor de tudo: barato, como quase tudo em Berlim. Meu humilde bolso só agradecia!

Não me lembro se passamos em outro bar, mas aquele tinha sido suficiente. O cansaço bateu e… CAMA!

Cerveja e drink - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

À noite, com cerveja e margarita.

TERCEIRO DIA – terça-feira

Alte Nationalgalerie, Neues Museum, Pergamonmuseum, Altes Museum, DDR Museum, Hackesche Höfe

Ao acordarmos, veio a primeira decepção em Berlim: o tempo estava completamente nublado e ventava muito. Olhamos da janela do hotel e descartamos a possibilidade de alugar uma bicicleta. Mas nem precisaria. O nosso roteiro era praticamente feito todo dentro da Ilha dos Museus, que também era próxima ao hotel.

Um pouco mais tarde, o sol até deu seu ar da graça. Chegamos à Ilha dos Museus e começamos o roteiro pela Alte Nationalgalerie (Antiga Galeria Nacional).

Alte Nationalgalerie (Antiga Galeria Nacional) - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Alte Nationalgalerie (Antiga Galeria Nacional).

Sabíamos que em Berlim encontraríamos grandes museus, mas não esperávamos tanto! A Alte Nationalgalerie foi nossa primeira surpresa. Sua coleção contém obras da arte europeia do século XIX e, para a minha alegria, ali estavam pinturas de Manet, Monet, Renoir, Degas e Cézanne. E olha que o Impressionismo não é o forte do museu, que também exibe obras do Romantismo, de Adolph von Menzel e da era de Goethe. Sensacional!

Renoir - Berlin Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Quadro L’après-midi des enfants à Wargemont (Tarde das crianças em Wargemont) de Renoir, na Alte Nationalgalerie.

Da Alte Nationalgalerie seguimos para o Neues Museum (Novo Museu). Suas exposições compreendem peças do Antigo Egito, da Pré-História e da história recente. As instalações são espetaculares e o nível da curadoria é impressionante! O acervo de lá não é meu tema favorito, mas impossível não se encantar. Sua principal atração é o busto da rainha egípcia Nefertiti, de 1340 a.C.. Estávamos superansiosos para vê-la!

Neues Museum

Sarcófagos egípcios no Neues Museum.

Como em todo museu, ali a fotografia é restrita. Pude tirar foto de praticamente tudo no Neues Museum, menos do busto da Nefertiti. Para quem ama fotografia, como eu, isso é muito frustrante. O fato é que o flash danifica o acervo, e a integridade das peças é fundamental. Então, amigo turista, nada de fotos com flash e vida eterna a Nefertiti!

Era hora de almoçar, e a essas alturas você deve estar indignado por me ver escrevendo de tudo, menos da comida alemã. Concordo, isso é um absurdo, mesmo porque I LOVE comida SO MUCH! Amo de coração (estômago), mas adianto que neste post não me empolgarei ao falar sobre a culinária alemã, porque a ODIEI! Isso, odiei! Sou o único ser na Terra com esse sentimento, mas tenho minhas razões. Primeiro, porque não gosto de carne gordurosa, e um dos principais pratos alemães é o eisbein, ou joelho de porco. O Élcio se esbaldou! Ele estava achando que eisbein era cafezinho e pedia a bendita iguaria em qualquer circunstância. Segundo, porque o pepino está em tudo. ODEIO pepino! Terceiro, porque a comida possui um gosto forte e muita coisa tem maionese. Aos poucos, isso vai enjoando. De qualquer maneira, só eu senti isso. Tenho certeza de que sou o chiliquento da história, porque todo mundo que conheço elogia a comida alemã. Nem por isso vou forçar a sinceridade do meu paladar, que, inclusive, aceita bigadeirão de padaria, mas, às vezes, é temperamental (fresco).

Eisbein - Berlin - Fui e Vou Voltar- Alessandro Paiva

Eisbein (joelho de porco).

Enfim, se você for à Alemanha, aproveite e coma bastante, mas não conte com a minha companhia. Vou estar ao lado em um restaurante oriental, mexicano ou italiano. Aliás, minto! Se você me convidar para comer salsichas e chucrute, vou na hora! Esses pratos alemães me apetecem! Naquele dia mesmo comi um currywurst (salsicha ao curry com catchup). Excelente!

Currywurst - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Currywurst: salsicha ao curry com catchup.

Salada alemã - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Salada alemã.

É, o currywurst estava excelente até o momento em que comecei a passar mal. Mais à noite, essa salsicha me provocou um revertério e detonu o meu sono! E pior: avacalhou todo o passeio do dia seguinte. Passei muito mal, tive até febre! Só não sei se o que me fez mal foi a salsicha ou a maionese. Ou teria sido o ninho de peito de frango com casquinhas de massa de pastel comido mais tarde? Ou foram os cinco drinks tomados à noite? Juro que não estou dando uma de bebum defensor de cachaça, mas a culpa não foi da bebida, porque quando lembro do que bebi, não sinto trauma algum.

Terminamos o almoço e voltamos aos museus. O próximo a ser visitado foi o Pergamonmuseum (Museu Pergamon). Nunca vi nada igual! Uma coisa é você ir a uma cidade ou país e visitar seus monumentos arquitetônicos, outra coisa é você ir a um museu e encontrar esses monumentos reconstruídos dentro de salões. Assim é o Pergamonmuseum. Suas salas imensas abrigam o que na antiguidade foram partes de algumas civilizações. O destaque do museu está para o Altar de Pérgamo, um  monumento dedicado a Zeus, originalmente construído no século II a.C. na cidade grega de Pérgamo, atual Bergama, na Turquia. Gigantesco! Maravilhoso! Os visitantes do museu ficam sentados na escadaria do altar, descansando e admirando aquilo tudo. Eu gostei demais!

Altar de Pérgamo - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Altar de Pérgamo, no Pergamonmuseum.

Quando eu achava que o Altar de Pérgamo seria a única grande atração do Pergamonmuseum, aparecem as Portas do Mercado de Mileto. Sua construção no local de origem data de 120 d.C., sendo destruida por um terremoto 1.000 anos mais tarde.

Portas do Mercado de Mileto  - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Portas do Mercado de Mileto, no Pergamonmuseum.

Em seguida, veio a maior surpresa: a Porta de Ishtar. Nunca vi um tom de azul tão maravilhoso! Era muito impacto para um dia só!

Porta de Ishtar - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Porta de Ishtar, no Pergamonmuseum.

Construída por volta de 575 a.C., a Porta de Ishtar foi o oitavo portal da Babilônia. Lembro-me de ter visto parte desse monumento no Museu Arqueológico de Istambul. Os frisos, molduras e ilustrações de dragões e auroques (bovino extinto) deixam a porta ainda mais fascinante.

A imensidão do Pergamonmuseum não parava de impressionar. Outro destaque do museu é a Fachada de Mshatta, encontrada em escavações feitas a aproximadamente 30 km de Aman.

Fachada de Mshatta - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Fachada de Mshatta, no Pergamonmuseum.

Impressionados com o Pergamonmuseum, continuamos nosso roteiro pela Ilha dos Museus. Fomos ao Altes Museum (Museu Antigo), o maior e mais importante museu do mundo voltado à arte antiga da Grécia, Roma e Etrúria. Sua exposição não é meu tipo favorito de arte, mas o museu é excepcional! Era permitido fotografar de tudo, mas posto abaixo somente a foto de uma escultura etrusca que desvenda um mistério que é antigo para muita gente: a verdadeira forma de uma “naba voadora”.

Escultura de um pênis alado - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Escultura etrusca de um pênis alado, no Altes Museum.

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaO Élcio fez uma observação bem pertinente: ir a muitos museus em um dia só tende a ser massante. Numa maratona dessas, o último a ser visitado pode ficar banalizado, mesmo que possua exposições importantes, como aconteceu com o Altes Museum. Ao montar seu roteiro, evite colocar vários museus em uma única jornada, ainda que eles se encontrem um ao lado do outro.

Deixamos o Altes Museum e fomos ao DDR Museum, que fica logo ao lado da Ilha dos Museus e às margens do Spree. Muito bacana! De uma maneira completamente interativa, sua exibição é baseada em objetos e situações do cotidiano vivido na Deutsche Demokratische Republik (DDR), em portugês República Democrática Alemã (RDA). Bem legal! Nele o visitante pode tocar os objetos, assentar-se nas cadeiras, entrar nos carros, escutar as gravações, apertar os botões e tudo mais. Para os pais de gracinhas hiperativas, o DDR Museum é um prato cheio! Enquanto as crianças se divertem, os progenitores curtem a atração, podendo até descansar em uma mesa que tem um telefone vermelho em cima. E se mesmo com toda a variedade do DDR Museum o filhinho não der sossego, o pai pode mandá-lo brincar no dispositivo de escuta secreta, que dá a sensação de estar “sob vigilância”. Um terrorismo básico para acalmar criança chata.

DDR Museum - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

DDR Museum.

DDR Museum - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

DDR Museum.

Ao lado do DDR Museum estão os aquários do AquaDom & Sea Life Berlin. Embora estivessem incluídos no nosso roteiro, decidimos por não visitá-los. São atrações muito bacanas, mas não eram o que estávamos procurando ver em Berlim. Rumamos, então, para o Hackesche Höfe, um complexo de oito pátios interligados, construído na primeira década do século XX. Após a reunificação alemã, sua estrutura foi totalmente restaurada e hoje abriga apartamentos residenciais, lojas, restaurantes, cinemas e teatro. Tirei a sugestão desse passeio do guia de Berlim do Lonely Planet. Não achamos que valha a pena.

Voltamos para o hotel, descansamos e fomos comer e beber. Na ida, de frente para a Galeria Kaufhof, na Alexanderplatz, vimos uma cena supertriste. Era uma mãe de classe média que estava sentada no chão com a cabeça do filho de uns 22 anos no colo. Ele estava bastante drogado e estirado. Concluí que ela, ao saber que ele estava completamente entorpecido, saiu de casa para acudi-lo. A situação parecia estar sob controle, mas vê-la acariciando o filho aparentemente “perdido” partiu o coração. Em Alexanderplatz os usuários estão por toda a parte e não causam problemas a quem passa por lá, mas droga é droga.

Mais uma vez, optamos por passar a noite etílica próximo ao hotel. Não foi ruim. Os bares abaixo da Fernsehturm são muito bacanas e por ali ficamos. Bebi moderadamente, mas já sentia que iria passar mal. Lembra do currywurst e do ninho de peito de frango? Pois é, de madrugada quase virei ao avesso, de tanto vomitar e de diarreia. Pena isso ter comprometido o passeio do dia seguinte.

Bar na Fernsehturm - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Élcio toma uma cerveja em bar abaixo da Fernsehturm.

QUARTO DIA – quarta-feira

Bauhaus-Archiv, Europa-Center e Zoológico

Acordei um lixo! Tive febre a noite inteira, mas isso não nos impediu de cumprir o roteiro do dia, ou pelo menos grande parte dele. Só queria ter alugado a bicicleta. Iríamos longe e teria sido muito bacana fazer isso em duas rodas, mas tal ideia não seria muito prudente, pela minha fraqueza e pelo piriri iminente.

Pegamos a linha U2 do metrô e descemos na estação Nollendorfplatz‎. Nosso primeiro destino foi o Bauhaus-Archiv, um museu voltado a objetos, documentos e literatura relacionados à Bauhaus, uma escola de design, artes plásticas e arquitetura que funcionou entre 1919 e 1933. Mesmo capenga, eu estava muitíssimo ansioso para conhecer esse museu. Sou profissional de artes gráficas e gostaria de ver os famosos cartazes de guerra feitos pelos ex-membros da Bauhaus, os quais foram obrigados a trabalhar para os nazistas, que fecharam a escola em 1933 por considerá-la uma frente comunista.

Bauhaus-Archiv - Berlin - Fui e Vou Voltar

Bauhaus-Archiv.

Para a minha tristeza, não tinha cartaz nenhum. O museu era praticamento todo voltado à arquitetura e design de cadeiras. Não vi nem os famosos objetos funcionais que a escola tanto defendia. O Élcio também não ficou muito satisfeito. Ressalto que o Bauhaus-Archiv não é ruim, apenas não abrange os outros feitos da escola.

Um pouco frustrados, seguimos a pé até o Europa-Center. Essa visita foi uma sugestão do Lonely Planet, mas achei o lugar meio estranho. É um prédio de 103 metros de altura com uma estrela da Mercedes-Benz no alto. Durante o dia, o turista pode pegar o elevador e ir ao topo, mas não animamos fazer isso. Apenas entramos no shopping que fica na base do edifício. Estranhíssimo! Parecia que tínhamos regredido uns 30 anos! O shopping era retrô (velho mesmo), as lojas também eram retrô e as pessoas meio esquisitas! Eu, hem! Será que eu estava delirando?

Europa-Center - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Prédio do Europa-Center, na Breitscheidplatz.

O complexo do Europa-Center fica na Breitscheidplatz. Nessa praça, segundo o Lonely Planet, turistas, artistas de rua, punks e camelôs se reunem em torno da Weltbrunnen (Fonte do Mundo), uma obra de arte estranha apelidada pelos berlinenses de “almôndega d’água”. Mas não vimos essa variedade de gente. Uma pena, teria sido bem curioso!

Era hora de almoçar. Já que estávamos naquela zona além da imaginação, sentamos em um restaurante que, para não fugir à identidade do shopping, era retrô. Aliás, era mais estranho do que retrô. Como eu estava ruim do estômago, pedi só uma salada. O Élcio, “para variar”, pediu um joelho de porco. Alguém precisava avisá-lo que não é só Deus que mata. De qualquer forma, o prato dele estava espetacular! Eu estava quase vomitando por ver aquela montanha de gordura, mas tenho que admitir que aquilo era comida de rei. Que o digam as quatro senhoras de 1,87 m e em estilo retrô sentadas ao nosso lado, que comeram uma refeição maior ainda.

Posso ser honesto? Acho que se não fosse pelo meu mau-estar, eu teria adorado o Europa-Center. Seria uma experiência vintage antropológica sensacional!

Bem de frente para o Europa-Center, na Budapester Strasse, está o Zoologischer Garten Berlin, o zoológico da cidade. Possui nada mais nada menos do que a maior coleção de espécies no mundo! Espetacular!

Zoologischer Garten Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Entrada do Zoologischer Garten Berlin (Jardin Zoológico de Berlim).

O Zoologischer Garten Berlin também é famoso pela história de Knut, um urso-polar que nasceu ali em 2006 e foi rejeitado pela mãe, uma ex-estrela de circo da RDA chamada Tosca. Com a rejeição, o usrsinho foi criado pelo tratador Thomas Dörflein. Para deixar a história ainda mais triste, Dörflein faleceu subitamente em 2008 e Knut, depois de três anos vivendo em meio a maus tratos dos colegas ursos, faleceu em 2011 devido a um ataque epilético.

Tosca - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Tosca, a mãe do urso-polar Knut, no Zoologischer Garten Berlin.

Minha atração favorita do zoológico foi o panda gigante Bao Bao. Para nossa alegria, ele, todo manhoso, veio bem próximo à vitrine e deixou que eu tirasse uma foto de pertinho. E não era a única criatura simpática de lá. São inúmeros animais, dos quais muitos eu nunca havia ouvido falar. Se você for a Berlim, NÃO pode deixar de ir ao zoológico!

Bao Bao - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessando Paiva

Bao Bao, o panda gigante atração do Zoologischer Garten Berlin.

Girafas - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Girafas no Zoologischer Garten Berlin.

No zoológico está o Zoo Aquarium Berlin, um anexo de três andares repleto das mais variadas espécies de peixes, anfíbios e répteis exóticos. Fantástico! Destesto cobra, jacaré e tubarão, mas estão lá para quem quiser ver. O ingresso para o zoológico não dá direito ao aquário, mas vale a pena a visita.

É, devido ao meu mal-estar, nosso passeio daquele dia foi encurtado. Coitado do Élcio! Deixamos de visitar a igreja Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche e o moderníssimo edifício Ludwig-Erhard-Haus. Outros lugares conseguimos encaixar nos roteiros dos dias restantes. E nada de drinks para Lelê naquela noite!

QUINTO DIA – quinta-feira

Bunker de Hitler, Potsdamer Platz, Neue Nationalgalerie, Memorial da Resistência Alemã, Gemäldegalerie, Reichstag, Strasse des 17. Juni, Tiergarten, Memorial Soviético da Guerra, Siegessäule, Monumento Nacional a Bismarck, Palácio de Bellevue, Haus der Kulturen der Welt, Sony-Center e Humboldt-Box

Bom dia Berlim! Eu estava ótimo! Que maravilha, não via a hora de montar numa bicicleta!

O dia estava horroroso, mas não estavávamos nem aí. Debaixo de uma chuvinha, começamos o nosso roteiro pedalando até o Führerbunker, também conhecido como bunker de Hitler, que fica a um quateirão do Memorial do Holocausto, na Gertrud-Kolmar-Strasse. Foi nesse local que Hitler e sua companheira Eva Braun passaram os últimos momentos de suas vidas. Escondidos dos soviéticos, que atacavam Berlim, eles se casaram e, 40 minutos após a cerimônia, suicidaram-se, ele com um tiro na cabeça e ela com uma pílula de cianureto. Já foram tarde! Com o fim da guerra, o bunker foi explodido, inundado e enterrado. Hoje o local é um estacionamento e nele não há nenhuma informação que confirme que o abrigo do Führer existira exatamente ali. Conforme observado pelo Élcio, talvez os alemães não quiseram fazer do local um ponto que promovesse qualquer tipo de adoração ao ditador.

Bunker de Hitler - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Parte do Muro de Berlim, no suposto bunker de Hitler.

Bem próximo ao bunker está a Potsdamer Platz, uma praça muito importante na história de Berlim. Na década de 1920 o tráfego ali era tão intenso que foi montado o primeiro semáforo da Europa. A modernidade é sua marca registrada, com arranha-céus reuzentes que não me deixam mentir. Um deles, a Kollhoff-Tower, possui o elevador mais rápido da Europa, que leva a uma vista panorâmica de cair o queixo!

Potsdamer Platz - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Potsdamer Platz e o primeiro semáforo da Europa.

Na Potsdamer Platz também existe um pequeno memorial, situado exatamente sobre a demarcação por onde passava o Muro de Berlim. Muitos turistas deixam sua marca grudando uma goma de mascar no monumento. Se isso é permitido, eu não sei. Talvez seja uma manifestação de desprezo pelo muro. No caso de dúvida, amigo turista chicleteiro manifestante, não deixe seu rastro. Depredar monumentos é crime imperdoável! Mas tenho que confessar: a porqueira ficou interessante.

Memorial do Muro de Berlim em Potsdamer Platz - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro paiva

Memorial do Muro de Berlim, em Potsdamer Platz.

De Potsdamer Platz rumamos para o Kulturforum, um complexo de edifícios culturais de Berlim. Nele está a Neue Nationalgalerie (Nova Galeria Nacional), uma galeria de arte moderna focada em obras da primeira metade do século XX. Chegando lá, deparamo-nos com uma exposição temporária de um artista certamente consagrado, mas que não conhecíamos, portanto preferimos não entrar. Só que, não sei por que, esquecemos que ali também estão expostas obras de Picasso, Miró, Kandinsky, Salvador Dalí, Paul Klee e de tantas outras feras. Fomos embora sem ter visto esse acervo, acredita? Turismo desfocado e mal planejado dá é nisso!

E já que estávamos ali, por que não tomar um cafezinho quentinho com bolinho? Mineiro não perde uma oportunidade! A cafeteria era uma Kombi adaptada muito simpática, estacionada no lado de fora da galeria.

Café - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Cafeteria itinerante estacionada de frente para a Neue Nationalgalerie (Nova Galeria Nacional).

Depois de esquentarmos as barriguinhas, seguimos para o Gedenkstätte Deutscher Widerstand (Memorial da Resistência Alemã). Se você assistiu ao filme Operação Valquíria, estrelado por Tom Cruise, deve se lembrar das salas em que o grupo de oficiais chefiados por Stauffenberg planejou a malsucedida tentativa de assassinato de Hitler, em 1944. Hoje essas salas são parte desse fascinante memorial, localizado no histórico edifício Bendlerblock, sede do alto comando da Wehrmacht entre 1935 e 1945. As exposições são muitíssimo bem documentadas, em salas repletas de painéis com textos e imagens emocionantes. Pena que alguns textos estão somente em alemão. Isso é uma pequena falha do memorial, mas que não compromete a proposta de sua exposição.

Memorial da Resistência Alemã - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Exposição no Gedenkstätte Deutscher Widerstand (Memorial da Resistência Alemã).

Lembra dos cartazes da época do período nazista que não encontrei no Bauhaus-Archiv? Vi muitos deles no Memorial da Resistência Alemã.

Cartazes - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Cartazes divulgados durante o nazismo, expostos no Memorial da Restitência Alemã.

É, vida de designer gráfico não era fácil nem naquela época! Os da Bauhaus, com o fechamento da escola pelo nazismo, foram obrigados a se dedicar exclusivamente à criação de cartazes das campanhas daquele partido.

Saimos do memorial impressionados com a exposição e encantados com suas instalações. E a paixão por Berlim só crescia! Não tinha atração turística “fraca”. Tudo era muito bem estruturado, de fácil acesso e cheio de história e emoção.

A próxima atração aumentou ainda mais nossa admiração. Fomos à Gemäldegalerie, outro museu do Kulturforum. Na verdade, ao incluir essa galeria de arte no roteiro, eu não tinha noção do que ela realmente era. Peguei a sugestão do Lonely Planet e, porcamente, inseri a visita na nossa jornada. Isso é um absurdo, afinal de contas venho montando roteiros há algum tempo e sei que pesquisa é fundamental. Quando entramos no museu e vimos todas aquelas 1.500 obras europeias do período entre os séculos XIII e XVIII, quase tivemos um trem! Uma surpresa e tanto! É acervo para deixar qualquer museu roxo de inveja! Ser supreendido é ótimo, mas a pesquisa porca pode fazer com que deixemos de visitar atrações imperdíveis, como aconteceu com a Neue Nationalgalerie. Portanto, amigo turista, nada de displicência! Pesquise direitinho e aproveite de tudo um tanto.

Madonna Terranuova - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Madonna Terranuova, do pintor renascentista Rafael, na Gemäldegalerie.

Na Gemäldegalerie vimos pinturas de Rafael, Rembrandt, Dürer, Hals, Vermeer, Gainsborough, Ticiano, Van der Weyden, Caravaggio e de tantos outros mestres consagrados. A galeria é gigantesca, gasta-se pelo menos umas 2 horas para se ver tudo. Para quem não tem todo esse tempo, dá para editar a visita tranquilamente.

Da galeria seguimos para o já agendado passeio ao Reichstag, palácio em que o Parlamento alemão, o Bundestag, exerce suas funções desde 1999. O edifício já sofreu muita avaria. A primeira foi um incêndio ocorrido um mês após a nomeação de Hitler para o cargo de Chanceler da Alemanha. A segunda foi causada pelos ataques da Segunda Guerra Mundial, que deixou a cúpula completamente destruída e jamais restaurada na sua forma original. Somente em 1999 ela ganhou o atual formato.

Reichstag - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Cúpula do Reichstag.

Posso dizer que a subida à cúpula do Reichstag está entre os melhores passeios de Berlim. A visita é gratuita, basta fazer a reserva e ir no horário marcado. O turista tem direito a um audioguide, o qual possui informações em português. Funciona assim: o visitante segue o percurso da esteira em espiral que circunda a vitrine da cúpula. À medida em que vai passando por determinados pontos dessa esteira, o audioguide, por meio de um sensor, identifica a posição e dá as informações sobre o que aparece na linha do horizonte. Praticamente toda a cidade é vista dali e o visitante aprende um pouco de cada região e seus monumentos e edifícios. E o guia eletrônico ainda sugere: “Agora pare por alguns instantes e contemple a paisagem.” Fofo! São 360⁰ de aula de primeira qualidade!

Fomos embora encantadíssimos com o Reichstag. Pegamos a bicicleta, que estava ensopada de chuva, e seguimos pela Strasse des 17. Juni, continuação da Unter den Linden a partir do Portão de Brandemburgo, na Berlim Ocidental. Esse boulevard corta todo o Tiergarten, um dos maiores parques urbanos do mundo. No nosso primeiro dia em Berlim, demos uma passeada por uma pequena parte do parque. O frio não o deixava mais bonito, mas dá para imaginar o tanto que os cidadãos se divertem ali nas outras estações. O Tiergarten é um excelente local para se fazer caminhada, jogar frisbee, assar uma carninha e, graças ao estilo de vida ultraliberal berlinense, fazer topless nos dias mais quentes.

Enfim, naquele dia não visitamos o parque, nem com mais calma nem com menos roupa. Decidimos seguir pela Strasse des 17. Juni, passando pelo Sowjetisches Ehrenmal (Memorial Soviético da Guerra) e terminando no Siegessäule (Obelisco da Vitória).

Tiergarten - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Sowjetisches Ehrenmal (Memorial Soviético da Guerra), na Strasse des 17. Juni.

Siegessäule - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Siegessäule (Obelisco da Vitória).

Construído em 1873 para comemorar as vitórias da Prússia sobre a Áustria, a Dinamarca e a França, o Siegessäule encontrava-se originalmente de frente para o Reichstag, sendo transferido para a praça Grosser Stern em 1937, onde se localiza atualmente. A subida ao topo é meio sinistra. São 285 degraus em espiral, mas a vista do alto compensa. E haja joelhos!

Interessante, também, é uma das quatro passagens subterrâneas que levam até o Siegessäule. Todas possuem entrada pela rotatória da Grosser Stern. Essa que utilizamos possui um painel interativo, que à medida em que se passa próximo a ele, suas luzes vão se acendendo, tipo uma releitura de um clip de Michael Jackson. Eu estava me achando! Não sei se as outras três passagens possuem esse painel.

Passagem para o Siegessäule - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Painel interativo na passagem subterrânea para o Siegessäule.

Também entrando pela rotatória da Grosser Stern está o Bismarck-Nationaldenkmal (Monumento Nacional a Bismarck), um monumento dedicado ao primeiro chanceler do Império Alemão Otto von Bismarck. Assim como o obelisco, esse memorial localizava-se de frente para o Reichstag, sendo removido para o local atual em 1938. Alemão adora deslocar monumentos ou é impressão minha?

Dali seguimos em direção ao Spree para uma pedalada às suas margens. Como a bicicleta ajudava! Chegávamos aos pontos turísticos na velocidade da luz!

Passamos pelo Schloss Bellevue (Palácio de Bellevue), residência oficial do Presidente da Alemanha e pela Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo), um prédio em formato de ostra que abriga o centro nacional de arte contemporânea não-europeia.

Schloss Bellevue (Palácio de Bellevue) - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Schloss Bellevue (Palácio de Bellevue).

Haus der Kulturen der Welt - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo).

Da Haus der Kulturen der Welt atravessamos o Tiergarten e rumamos para o Sony-Center, um complexo de edifícios patrocinado pela Sony. O lugar é bacana demais!

Sony-Center - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Sony-Center.

O Sony-Center possui várias lojas, restaurantes, hotel, condomínios, um centro de conferência, museus, escritórios, cinemas, um teatro no formato IMAX, uma pequena versão da Legoland, e uma loja no estilo Sony. Puxa! Ah, o wi-fi é grátis!

No iníco do século XX, a área desse complexo foi um centro bem movimentado de Berlim, mas a Segunda Guerra Mundial destruiu quase todos os seus edifícios. A partir de 1961, o local se transformou em uma No Man’s Land (terra de ninguém), área livre em torno do Muro de Berlim na qual se atirava nos fugitivos que tentavam escapar do lado oriental para o ocidental. Com a queda do muro, a área reconquistou a atenção dos berlinenses e hoje é esse fantástico centro de entretenimento. Visita obrigatória!

Nosso roteiro do dia já estava cumprido, mas o passeio estava longe de acabar. Estávamos agarrados nas bicicletas e não tínhamos a mínima pretensão de largá-las. A cada pedalada, Berlim parecia caber na palma de nossas mãos. Na primeira vez em que alugamos a magrela, existia uma certa tensão, afinal de contas nunca havíamos pedalado em vias mais movimentadas, mas bastaram dois dias para começarmos a guiar entre ônibus e caminhões pesados, daqueles alemães mesmo! E que ciclovia que nada! Nosso negócio eram grandes avenidas. Ok, ok. Estou exagerando, mas que isso tem um fundo de verdade, tem.

Era hora de retornarmos ao hotel. No caminho, passamos diante do prédio do Humboldt-Box, na Ilha dos Museus. Já estávamos em Berlim há 4 dias e ainda não tínhamos entendido o que era aquela “caixa de leite longa-vida” moderna que roubava as atenções de quem passava por Lustgarten.

Humboldt-Box - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Humboldt-Box, na Ilha dos Museus.

Originalmente, no local onde hoje se encontra o Humboldt-Box, existia o Berliner Stadtschloss (Palácio Real de Berlim), um dos edifícios mais importantes da Prússia. Sua construção iniciou-se em 1443, tendo o palácio sofrido várias transformações ao longo dos séculos. Foi severamente danificado na Segunda Guerra e demolido em 1950 por ordem de Walter Ulbricht, principal dirigente da RDA. Segundo ele, o palácio era um forte símbolo da Prússia, a qual deveria ser extirpada. Em 1976, o local deu espaço ao Palácio da República, demolido em 2006 para a reconstrução do Palácio Real. Haja dinheiro e pedreiro!

O novo palácio se chamará Humboldt Forum, o qual abrigará edifícios como o Museu Etnológico de Berlim, o Museu de Arte Asiática, a Fundação da Herança Cultural Prussiana, vários departamentos da Humboldt University e algumas bibliotecas. Para expor a história do palácio e todo o projeto de reconstrução é que foi erguido o moderníssimo Humboldt-Box. Suas instalações abrigam uma mistura de centro de informações, área de exibições, plataforma de observação e salão de eventos de primeira classe. A conclusão das obras do Humboldt Forum está prevista para 2019, época em que o Humboldt-Box será desmanchado. E já que vão desmanchá-lo, por que não doá-lo para Belo Horizonte? Ficaria ótimo lá perto de casa!

Berlim é assim, uma cidade que vive em obras. Onde quer que se vá, não tem como não perceber uma construção ou uma reforma. São milhares de gruas, tapumes, andaimes cones e sinalizações espalhadas por toda a cidade. Talvez esse espírito construtor seja uma herança do pós-guerra, em que os alemães não tiveram outra alternativa senão ressurgir das cinzas. Se mesmo com toda essa obra a cidade já é tão grandiosa, imagina quando tudo estiver pronto! Isso me lembra nosso querido Brasil, que nem com a Copa de 2014 como energia motivadora consegue se estruturar decentemente. Joguemos bola, então.

Berlim em obras - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Berlim em obras, vista da cúpula do Reichstag.

Como havíamos pedalado bastante naquele dia, à noite tínhamos o direito de comer e beber na mesma quantidade. E foi o que fizemos. Tim-tim!

Drink - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Coquetel em bar da Alexanderplatz.

SEXTO DIA – sexta-feira

Gendarmenmarkt, Topografia do Terror, Checkpoint Charlie, SO36, Barbie Deihoff’s, murais de Blu, ponte Oberbaumbrücke, East Side Gallery, Karl-Marx-Allee, Alexanderplatz e observatório da Fernsehturm.

Sim, eu sei que você já sabe. Alugamos a bicicleta antes mesmo de tomarmos o café da manhã! Chovia bem de leve, mas não estávamos nem aí, mesmo porque chuva europeia é tão chique que não molha.

E lá foram os mineiros, sobre duas rodas e se achando cada vez mais berlinenses. Como a cidade é acolhedora! Como as coisas são fáceis, bacanas e baratas por lá! A essa altura, ainda tenho muito para contar, mas confesso estar tendo dificuldades. Sabe aquela criança que acabou de voltar da Disney e, ao relatar sua viagem, não consegue dar ordem aos fatos porque quer falar de tudo ao mesmo tempo? Pois é, Berlim me empolga e me desorienta.

A primeira atração a ser visitada naquele dia foi a Gendarmenmarkt, uma praça maravilhosa, localizada numa parte chique da cidade. Fica a dois quarteirões da Unter den Linden, onde a sofisticação das lojas, restaurantes e hotéis demonstra que não é qualquer um que pode custear as atrações das redondezas. Eu, na minha chiqueza, senti-me em casa (tomando conta do carro do patrão).

Gendarmenmarkt - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Gendarmenmarkt.

A praça é composta pela Konzerthaus (sala de concertos) ao centro e por duas igrejas quase idênticas, a Französischer Dom (Catedral Francesa) e a Deutscher Dom (Catedral Alemã), uma em cada lateral da Gendarmenmarkt. Bem no meio da praça está a estátua de Friedrich Schiller, famoso poeta e dramaturgo alemão do século XVIII.

Da Gendarmenmarkt seguimos para uma das atrações mais esperadas da viagem: a Topographie des Terrors (Topografia do Terror), localizada na Niederkirchner Strasse, ao longo de um trecho de 200 metros do Muro de Berlim. Naquele lugar existiam o quartel-general da Gestapo, o comando central e serviço de segurança da SS e, após 1939, o Escritório do Comando de Segurança do Reich. O que você imaginar de mais terrível do Holocausto foi planejado ali.

Topographie des Terrors - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Topographie des Terrors (Topografia do Terror).

O local é extremamente sombrio. De um lado, está o Muro de Berlim e as ruínas das celas da prisão da Gestapo. De outro, em meio a um vasto lote, está o prédio do memorial, que possui uma exposição de altíssimo nível. São milhares de fotos, cartazes, textos, nomes, fichas, entre outros. Uma documentação riquíssima que mostra, sem omissão alguma, tudo o que se sabe sobre o Holocausto. É tanta coisa para ser vista que seria necessário mais do que um dia inteiro para esgotar todo o memorial, senão 2 dias. O Élcio, que adora história, estava nesse pique. Infelizmente, tive que interrompê-lo, pois não tínhamos tanto tempo assim. Compramos o livro da exposição para ler em outra oportunidade e rumamos para a próxima atração. Nota 20 para a Topografia do Terror!

Topografia do Terror - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Fichas dos membros investigados da RSHA, em exibição na Topografia do Terror.

De lá seguimos para o Checkpoint Charlie, um posto militar que servia como passagem da Alemanha Ocidental para a Oriental, utilizado por estrangeiros e membros das Forças Aliadas entre 1961 e 1990. Símbolo da Guerra Fria, essa passagem representava, para alguns alemães orientais, o portal para a liberdade.

Checkpoint Charlie - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Checkpoint Charlie.

Diferentemente das outras atrações voltadas à Guerra Fria, com exceção do DDR Museum, o Checkpoint Charlie tem um tom mais informal. Bem no meio da Friedrichstrasse há uma réplica da guarita que ficava no local. De frente a ela existem alguns figurantes fantasiados com uniformes dos Estados Unidos, da França e da Rússia (deveria ser da União Soviética), que se oferecem para tirar fotos junto aos turistas, cobrando uma gorjeta pela encenação. É uma coisa um pouco tosca, tendo em vista toda a seriedade e compromisso com a verdade que os museus e memoriais de Berlim possuem. Mas prefiro que o Checkpoit Charlie continue assim, quebrando o gelo da tensão que existe quando o assunto é Guerra Fria.

Bem próximo dali está o Mauermuseum. Sua exposição conta com fotos e documentos relacionados às tentativas bem-sucedidas de fuga da Alemanha Oriental. Junto a esses documentos estão alguns aparatos, como balões de ar quente, carros de fuga, teleféricos e um mini-U-Boat, uma espécie de submarino. O guia do Lonely Planet diz que esse museu é mais um “ato de amor” do que uma mostra verdadeira. Por isso e pelo valor do ingresso (salgado!), optamos por não vsitá-lo.

Muro de Berlim - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Marca por onde passava o Muro de Berlim, próximo ao Checkpoint Charlie.

Na esquina da Friedrichstrasse com Zimmerstrasse existe uma mostra gratuita ao ar livre, com painéis que ilustram os marcos da Guerra Fria. Esses painéis são tapumes que circundam um lote, no qual será construído um memorial voltado ao tema. Provavelmente, esses painéis não existirão daqui a alguns anos, ou já não existem mais, dependendo da época que em você estiver lendo este relato. Tenho certeza absoluta de que esse memorial será de primeiríssima qualidade! Alemão não dá ponto sem nó quando o assunto é história, que, para eles, é preto no branco.

A próxima atração estava um pouco longe dali. Pegamos a bicicleta e seguimos pela Oranienstrasse até a famosa SO36, uma boate da década de 70 que hoje é o principal local punk de Berlim. E põe punk nisso! Como era cedo, a boate não estava funcionando. Sua fachada é pequena e parecia estar abandonada há anos, de tão suja e pichada. Eu e o Élcio, em um surto de caretice, ficamos meio ressabiados com aquela pocilga assustadora. Sinceramente, nós nos arrependemos um pouco por não termos voltado ali à noite. A SO36 está localizada no bairro Kreuzberg, região que não inspira muita segurança, mas acho que isso é bobagem. Não há nada a temer, ainda mais em Berlim.

Barbie Deinhoff's - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Barbie Deinhoff’s.

Outro lugar para se passar a noite por ali é o Barbie Deihoff’s, um barzinho retrô-doidão bem interessante localizado na Schlesische Strasse. O nome do local se deve à paixão do proprietário por bonecas Barbie e pelo grupo terrorista Baader-Meinhof. Deve ser um ambiente “superfamília”!

Não observamos direito os outros bares do Kreuzberg, mas ali devem existir muitos nesse estilo. O bairro, além de ser a casa do punk rock em Berlim, é local de subculturas alternativas. Possui uma aura meio decadente, num cenário suburbano de prédios antigos e grafitados. Não é nem perto de ser bonito, mas é muito legal. Não vi os frequentadores noturnos, mas se os guias turísticos indicam as atrações do local, por que não arrsicar? No mais, estamos falando de Berlim, e não de uma capital sul-americana.

Hum, bateu uma vontade ferrada de ir a esses bares! Se você for a Berlim, dê seu jeito! Passe uma grossa camada de argamassa no seu lado conservador, faça a linha desequilibrado responsável e vá a esses bares por mim!

Seguimos até os murais de Blu, bem próximo dali, na Cuvrystrasse esquina com Schlesische Strasse. Blu é o pseudônimo de um artista italiano, cuja verdadeira identidade é desconhecida. Seus murais são gigantescos, ocupando a parte de trás de dois edifícios. O lote onde se encontram é meio sinistro. Vimos resto de vodca vagabunda, roupas velhas e alguns outros objetos que demonstram que ali se usam drogas. Naquele momento, uma jornalista gravava um programa para a TV espanhola. Perguntamos do que se tratava a reportagem e ela disse, se não me falha a memória, que parte da matéria era a respeito da construção de um prédio de escritórios naquele lote. Não sabemos se o empreendimento destruiria os murais, que estão nos prédios ao lado, mas o problema gira em torno do protesto dos moradores, muitos deles imigrantes latinos e turcos, que afirmam que esse edifício irá valorizar a vizinhança, elevando os preços dos aluguéis.

Eu devo ter feito umas 40 fotos dos murais, de tanto que gostei deles. Se correm o risco de desaparecer, eu, pelo menos, garanti meu registro.

Murais de Blu - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Murais de Blu, na Cuvrystrasse.

Dali do lote, que fica às margens do Spree, a vista é sensacional, com destaque para a ponte Oberbaumbrücke.

Ponte Oberbaumbrücke - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ponte Oberbaumbrücke, sobre o Rio Spree.

Após visitarmos os murais, atravessamos a ponte e fomos a outra atração imperdível de Berlim: a East Side Gallery. Gostando ou não de arte, de Berlim, de grafite ou de história, não tem como não se encantar com essa parte do Muro de Berlim, que se transformou na maior e mais bacana galeria de arte ao ar livre do mundo.

East Side Gallery - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

East Side Gallery.

Localizada ao longo da Mühlenstrasse e às margens do Spree, a East Side Gallery possui 1,3 quilômetro dividido em 100 murais magnificamente coloridos. Com a queda do muro, dezenas de artistas pintaram a euforia e o otimismo daquele momento histórico em visões genuinamente artísticas. Meu mural favorito é o “Meu Deus, ajuda-me a sobreviver a esse amor fatal”, do artista russo Dmitri Vrubel, que retrata o beijo dos líderes comunistas Leonid Brezhnev e Erich Honecker.

East Side Gallery - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Painel “Meu Deus, ajuda-me a sobreviver a esse amor fatal”, do artista russo Dmitri Vrubel, na East Side Gallery.

É muito mural! É muita cor! Eu, na minha polidez turística em prol da preservação da integridade do acervo artístico (foi mal!), tinha pena até de tocar os murais, embora isso fosse permitido.

O Saltador do Mundo - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Painel “O Saltador do Mundo”, do artista francês Gabriel Heimler, na East Side Gallery.

Greta Csatlòs - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Painel “Sonic Malade”, da artista Greta Csatlòs, na East Side Gallery.

Depois de passeramos por toda a extensão da East Side Gallery (não cansa!), montamos na magrela e seguimos em direção à Karl-Marx-Allee, uma avenida socialista monumental, construída pela RDA entre 1952 e 1960. Seus 2,3 quilômetros de extensão e 89 metros de largura são recheados de edifícios luxuosos, todos com 8 andares, brilhantemente padronizados. Esses edifícios eram denominados “palácios dos trabalhadores”, em que cidadãos de alto poder aquisitivo disfrutavam do melhor padrão de vida da época da Alemanha Oriental. Confesso que aquilo tudo me assustava um pouco, não sei se pelas proporções sobre-humanas ou pela padronização impecável. À medida em que pedalávamos pela avenida, parecíamos estar no mesmo lugar, ladeados por dois precipícios arquitetônicos. No final das contas, o que deveria ser magnífico tornou-se massante. Eu não moraria ali (como se pobre pudesse escolher alguma coisa)! Ou, pensando melhor, moraria sim. É melhor que o Carlos Prates.

Karl-Marx-Allee - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Edifícios padronizados no estilo “bolo de noiva”, na Karl-Marx-Allee.

Seguimos por aquela imensidão de bolos de noiva enfileirados até o Frankfurter Tor (Portão de Frankfurt), tiramos algumas fotos e retornamos para o hotel pela mesma avenida.

Frankfurter Tor - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Frankfurter Tor (Portão de Frankfurt), na Karl-Marx-Allee.

Nesse passeio pela Karl-Marx-Allee senti o esforço das pedaladas. O caminho é longo, e se o joelho não estiver em boas condições, bye-bye! A avenida termina a um quarteirão da Alexanderplatz, onde estávamos hospedados.

Na Alexanderplatz estava acontecendo uma feirinha. Aproveitamos e circulamos pelas barraquinhas, visitamos o Weltzeituhr (Relógio mundial) e resolvemos nos sentar para descansar. As pernas estavam moídas!

Weltzeituhr (Relógio mundial) - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Weltzeituhr (Relógio mundial), na Alexanderplatz.

Que perna moída que nada! Sentamos mesmo foi para beber umas! Aliás, eu abri mão da cerveja. Aproveitei aquele fim de tarde para subir até o observatório da Fernsehturm. Já estávamos em Berlim há 6 dias e ainda não tínhamos visitado a torre de TV. O Élcio ficou na feirinha e eu segui sozinho até o ponto mais alto da cidade.

Não é à toa que a Fernsehturm é tão alta. Sua construção foi uma das formas que os alemães orientais encontraram para intimidar os ocidentais. É realmente imponente! Onde quer que se esteja em Berlim, lá no fundo está a torre, coadjuvando em quase todas as fotos.

A fila para subir foi demorada, mas o elevador… Impressionante! Chegou ao observatório na velocidade da luz!

Berlim vista do observatório da Fernsehturm - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Berlim vista do observatório da Fernsehturm. Élcio toma uma cerveja na Alexanderplatz.

A vista lá de cima é inexplicável! É muito alto! Não tinha um canto de Berlim fora do meu campo de visão. Acho até que valeu a pena ter deixado para subir na torre mais no final da viagem, pois pude identificar quase todos os lugares onde estivemos, numa espécie de recaptulação.

Retornei à feirinha. Fiquei uma hora no passeio da torre e o Élcio ainda bebia. Ele é irredutível ao afirmar que beber cerveja ali foi muito melhor do que minha subida na torre. Nem tanto, criatura, nem tanto!

Salsicha alemã - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Barraca de salsicha, na Alexanderplatz.

O dia quase terminou sem bebida. Por causa de umas comprinhas, houve um contratempo em que eu e o Élcio nos perdemos um do outro e eu passei mais de 1 hora revirando 1/2 Mitte atrás da criatura, que estava sentado num bar abaixo do hotel, acessando a internet e tomando, pasmem, uma cerveja. Na próxima viagem, arrumo um chip.

E dá-lhe mais bebida!

SÉTIMO DIA – sábado

Museu de História Natural, Memorial do Muro de Berlim, mercado de pulgas, Prater Garten, Oderberger Strasse, Kulturbrauerei e pub crawl na Oranienburger Strasse

Hum, chegou o sétimo e último dia da nossa viagem. A depressão foi inevitável, mas ainda havia muita coisa para ser vista. Devida à minha baqueada na quarta-feira, muitas atrações deixaram de ser visitadas. Tentamos distribuí-las para os outros dias, mas, infelizmente, não deu. E não me esqueço do Élcio dizendo, antes da viagem, que tinha medo de ficarmos ociosos em alguns dias. Ele achava que Berlim não tinha muito a oferecer. Doce engano!

Iríamos começar o dia pelo Hamburger Bahnhof, uma extinta estação de trem que hoje abriga o Museum für Gegenwart (Museu do Presente), parte da Galeria Nacional de Berlim, voltado para a arte contemporânea. Infelizmente, não tínhamos tempo suficiente e preferimos visitar um outro museu mais bacana ainda: o Museum für Naturkunde (Museu de História Natural), localizado na Invalidenstrasse.

E põe bacana nisso! Logo na entrada, demos de cara com o esqueleto de um braquiossauro de 23 metros de comprimento e 12 de altura. É o maior dinossauro remontado do mundo! E o bunito não é era o único. Por lá, havia mais uns doze jurássicos desse tipo.

Museum für Naturkunde - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Braquiossauro de 23 metros, no Museum für Naturkunde (Museu de História Natural).

O museu era repleto de atrações multimídia. Havia “jurascopes”, uma espécie de binóculo que, quando se visualiza através dele, reconstitui-se a estrutura carnal do esqueleto exposto à frente. Ao final da reconstituição, uma animação dá vida ao dinossauro. Era a alegria da criançada! Havia, também, “O cosmos e o sistema solar”, atração em que os visitantes deitam num sofá redondo e assistem a uma animação projetada em uma tela móvel logo acima de suas cabeças. Fantástico!

O cosmos e o sistema solar - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Atração multimídia “O cosmos e o sistema solar”, no Museum für Naturkunde (Museu de História Natural).

Mastodonte - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Ossos de um mastodonte, no Museum für Naturkunde (Museu de História Natural).

O Museum für Naturkunde é visita obrigatória em Berlim! Até amenizou nossa depressão da síndrome do último dia. De lá fomos ao Gedenkstätte Berliner Mauer (Memorial do Muro de Berlim), localizado na Bernauer Strasse.

Esse Memorial é o trecho mais longo do que sobrou do Muro de Berlim. Ele expõe, principalmente, a reconstituição de uma faixa de morte, com destaque para a torre de vigia e área de patrulhamento. A torre pode ser vista mais adiante do mirante do Centro de Documentação, próximo à Ackerstrasse. No Centro de Visitantes, que fica na esquina das ruas Gartenstrasse e Bernauer Strasse, o turista pode assistir a um vídeo introdutório do memorial.

Faixa de Morte - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Faixa de morte, com destaque para a torre de vigia e área de patrulhamento.

Na exposição ao ar livre existe a Janela da Lembrança, um painel com fotos de algumas das 136 pessoas que perderam suas vidas tentando atravessar o muro. A memória dessas vítimas é celebrada em cultos de 15 minutos realizados em um prédio oval, reconstruído no local onde existia a Kapelle der Versöhnung (Capela da Reconciliacão), destruída para dar lugar ao muro. O mesmo fim teve parte de um cemitério situado ao lado da Janela da Lembrança, do qual foram removidos mais de mil túmulos.

Gedenkstätte Berliner Mauer - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Janela da Lembrança, no Gedenkstätte Berliner Mauer (Memorial do Muro de Berlim).

Embora seja muito fascinante, a história de Berlim é de uma crueldade sem fim. Quando achávamos que estávamos suficientemente chocados com os relatos expostos nos memoriais já visitados, aparece outro memorial repleto de barbáries inimagináveis! É impressionante o tanto que se sofreu na Alemanha, seja com a Segunda Guerra ou com a Guerra Fria. Mas, por favor, jamais sinta-se desmotivado em conhecer Berlim por causa das minhas descrições mais tristes. Longe de mim querer provocar isso! Desejo que você a conheça e se encante no mesmo tanto ou mais do que eu. Além disso, você tem a opção de não ir a aos lugares mais lúgubres. Lembra de que eu falei que ficamos sem tempo para visitar uma pancada de atrações? Vá por mim, diversão não lhe faltará.

Do Memorial do Muro de Berlim seguimos para o famoso Flohmarkt am Mauerpark, mesmo sabendo que esse mercado de pulgas funciona somente aos domingos. Eu tinha a esperança de achar qualquer coisinha ali, mas, infelizmente, estava completamente fechado. Uma pena! O mercado funciona das 10h às 17h, e como havíamos chegado a Berlim num domingo à tarde e partiríamos num domingo pela manhã, perdemos uma das melhores atrações da cidade. Lá encontra-se de tudo! Basta um berlinense decidir fazer a limpa em casa e os visitantes do mercado têm a sua disposição uma variedade de mercadorias, como discos de vinil, roupas, ferramentas, móveis (bacaníssimos), acessórios e livros das décadas de 60 e 70. Boa parte desses artigos foram produzidos pela RDA. Muito retrô! E tem muita comida, é claro! Além do Schoenwetter – um biergarten com cervejas e salsichas da melhor qualidade – e de outras especiarias típicas alemãs, ali encontram-se comida vegetariana, étnica, sorvetes, doces etc. Já está bom, né? E se o visitante não quiser comprar bugiganga e nem comer nada, pode curtir o astral dos zilhões de berlinenses e turistas que aparecem por lá, ao som de uma trilha sonora bem simpática.

Se você for a Berlim, não deixe de ir ao mercado de pulgas, por favor! Ele localiza-se na Bernauer Strasse, próximo ao Mauerpark.

O Mauerpark (Parque do Muro), uma imensa área verde por onde passava o Muro de Berlim e sua faixa de morte, também estava no nosso roteiro, mas foi outra atração que eliminamos por falta de tempo. Seguimos, então, para a Prater Garten, uma famosa cervejaria localizada na Kastanienallee. No caminho, passamos pela bela Oderberger Strasse, uma rua de prédios coloridos e de lojas bem interessantes.

Oderberger Strasse - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Oderberger Strasse.

A Oderberger Strasse destaca-se pelo comércio de vinis e de roupas no estilo vintage, além de seus cafés alternativos, restaurantes e bares descolados. Como era cedo, muitos desses bares estavam fechados, mas tenho quase certeza que à noite aquilo ali ferve!

Chegamos à Prater Garten e ela estava fechada. Puó puó puó… Era sábado e o estabelecimento abriria somente às 18h. Na verdade, não iríamos comer. Do restaurante, queríamos conhecer somente seu biergarten, mas, como esse tipo de cervejaria ao ar livre só funciona de abril a setembro, vimos nossa vontade de beber umas ir por água abaixo. Nada de Prater Garten! Ah, azar, estávamos sem tempo mesmo.

Fizemos uma pausa para almoço. Naquele momento choveu horrores! Aliás, ameaçava chover o dia inteiro e fazia muito frio, motivo por não termos alugado uma bicicleta. Passada a chuva, rumamos para o Kulturbrauerei, uma antiga fábrica de cerveja que hoje abriga um centro cultural. Embora esse complexo de vinte prédios de tijolos vermelhos e amarelos seja muito bacana, acredito que essa atração é mais voltada para o berlinense, com salas de cinema, teatros, boates, galerias, supermercado, entre outros. Naquele momento somente o cinema funcionava. Tivemos que nos contentar apenas com a visita ao pátio. Antes tivéssemos dado uma passada no Mauerpark.

Kulturbrauerei - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Kulturbrauerei.

Do Kulturbrauerei fomos a um shopping da região chamado Schönhauser Allee Arcaden, localizado na Schönhauser Allee, uma das mais importantes avenidas de Berlim. Compramos um bocado de coisa (estava tudo barato!). Naquela avenida também comprei um chapéu e algumas meias em uma banca que também vendia salsichas e embutidos (???). Depois disso, voltamos à Alexanderplatz para mais compras na Galeria Kaufhof e, como não poderia ser diferente, para mais uma cerveja na feirinha. Mas só uma! Ainda tínhamos uma noite de pub crawl pela frente.

Alexanderplatz - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Feira na Alexanderplatz.

Retornamos ao hotel, arrumamos as malas, tomamos um banho e rua! Finalmente fomos à Oranienburger Strasse para curtir um pouco de cada um de seus bares. Ficamos enrolando a semana inteira se íamos ou não àquele local para umas biritas. Como aquele era o nosso último dia, não havia escapatória.

Começamos nosso pub crawl por um bar indiano. Bebemos uma(s), comemos um pouco e cascamos o fora! Em seguida, fomos a um lounge bar. Muito fino! A fim de entrar no clima, fizemos um pouco a linha blasé: apertamos os olhos esboçando uma cara de boi sonso, estiramos pela poltrona com as pernas mais ou menos cruzadas e fingimos que não estávamos falando bobagem. Tomamos outra(s) e deixamos o local depois de rir um bocado de uns emos japoneses, que entraram ali fazendo o tipo modernete e saíram 20 minutos depois sem consumir nada. Embaçados demais!

Do lounge fomos para o único bar do qual me recordo do nome, o I Mog Di. Lembra no início deste post quando falei que queria ter um boteco chamado assim?

Bares na Oranienburger Strasse - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Bares na Oranienburger Strasse.

Como ainda era cedo, o I Mog Di estava bem vazio, mas não demorou muito para chegarem outros clientes. Esse bar me fez lembrar de um a que fomos em Munique, onde a proprietária era barwoman, cozinheira, garçonete, balconista, caixa, dj, faxineira e ainda encontrava uma brecha para ir lá fora fumar um cigarrinho. A qualidade do serviço? Do tipo alemão, de primeira! Sou obrigado a ser fã de uma criatura dessas. No I Mog Di não era muito diferente: tira-gosto simples e rápido, cerveja gelada, carta de coquetéis elaborada e um banheiro doidaço! Como pude me esquecer de fazer uma foto do banheiro?

Barman - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Barman do I Mog Di, na Oranienburger Strasse.

A única diferença entre o proprietário do I Mog Di e a proprietária do bar de Munique é que ele não saía para fumar. Foi mais esperto: dentro do bar, afixou uma placa de “permitido fumar” (???).

Permitido Fumar - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Sinalização de “permitido fumar”, no I Mog Di.

Bar I Mog Di - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Bar I Mog Di, na Oranienburger Strasse.

Do I Mog Di fomos a um bar sinistro, do tipo cenário do filme Jogos Mortais. O lugar era bem pequeno e tosquíssimo, mas de uma elegância trash decadente de deixar qualquer punk mauricinho morto de inveja! As paredes sem acabamento e o banheiro de rodoviária da década de 7o dão a esse lugar um estilo único. Embora possua esse aspecto improvisado, o bar era sensacional! Como eram os frequentadores? Pessoas normais. De funcionários, havia somente um balconista e um dj. Como não poderia ser diferente, tanto o serviço quanto a música eram finíssimos! Se você gostou do bar e quer conhecê-lo, terá que bater de porta em porta até encontrá-lo. O idiota aqui não se lembra do nome, acredita? Só sei que fica na Oranienburger Strasse, no quarteirão entre as ruas Linienstrasse e Auguststrasse, bem de frente para a Tacheles. Se você não achá-lo, não se preocupe. Vá para o bar mais próximo. A diversão será garantida!

Bar na Oranienburger Strasse - Berlin - Fui e Vou Voltar - Alessandro Paiva

Bar no estilo decadente, na Oranienburger Strasse.

Do bar em estilo decadente fomos a um mais comum, do qual também não anotei o nome. No mais, era uma cervejaria daquelas com TVs para exibição de jogos. Bacana, mas os outros bares eram mais interessantes. O Élcio gostou tanto do bar decadente que pediu para voltarmos lá. Por que não?

Já era hora de pararmos com a bebedeira. Estava um pouco tarde e tínhamos que acordar cedinho no dia seguinte (já era o dia seguinte). Embora a depressão pelo fim do passeio estivesse berrando, a ida à Oranienburger fez com que fechássemos Berlim com chave de ouro!

Ainda que fosse tarde, fomos embora de metrô. Isso é mais umas das maravilhas da cidade. O transporte público funciona até tarde de domingo a quinta e 24 horas nas sextas e sábados. Você não precisa pegar táxi e, se estiver bebum, não corre o risco de ser assaltado ou coisa parecida. Contudo é extremamente importante que o turista se informe com antecedência a respeito desse eficiente, porém complexo sistema de transporte. No Brasil, estamos acostumados com um metrô de poucas linhas e poucas complementações. Em Belo Horizonte, por exemplo, é uma linha só. Na maioria das capitais, não possuímos bondes e os ônibus costumam ser a única opção do cidadão. Tendo em vista essa pouca complexidade e escassa abrangência do sistema brasileiro, na hora de comprar um bilhete em um guichê na Alemanha é uma desorientação só! São bilhetes individuais, integrados, em pacotes, por zonas, com limitação de horários, AHHHGHH!! Mas não se assuste. No final das contas, o que parece complicado é muito fácil. O fato é que existem muitíssimas facílidades, sem esquecer do alcance da rede de transportes. Olha a dica:

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaO transporte público de Berlim é operado pela empresa BVG (Berliner Verkehrsbetriebe). É composto pelo metrô (U-Bahn), pelos trens urbanos (S-Bahn), por ônibus e por bondes. Ao planejar seus passeios, procure no Google Maps o meio de transporte e a estação mais próxima das atrações escolhidas e defina-os no seu roteiro. Ajuda bastante ter em mãos um mapa do transporte de Berlim, facilmente encontrado na internet. Você pode, também, acessar o site da BVG (www.bvg.de) e definir os trajetos.

Neste blog muita gente me pergunta sobre tarifas e bilhetes especiais dos locais aonde vou. É um pouco complicado explicar tudo, mas o Lonely Planet expõe isso muito bem. Segundo o guia, em Berlim, o sistema é dividido nas zonas A, B e C, sendo os bilhetes válidos para as zonas AB, BC e ABC. Para ir a Potsdam e ao aeroporto de Schönefeld, o turista precisa somente do bilhete AB, que é válido por duas horas. O tagerskarte, ou passe diário, é mais econômico para quem pretende fazer mais de duas viagens por dia. Ele dá direito a um número ilimitado de viagens em todos os meios de transporte, valendo até as 15h do dia seguinte. Se o turista estiver em grupo de até 5 pessoas, ele pode adquirir o passe diário chamado kleingruppenkarte. Para viagens curtas, o mais viável é o kurzstreckenticket, que dá direito a 3 paradas no U-Bahn e no S-Bahn ou 6 em qualquer ônibus ou bonde, mas não são permitidas mudanças. O passe semanal, o wochenkarte, é transferível e permite que o passageiro leve, gratuitamente, outro adulto e até três crianças entre 6 e 14 anos após as 10h de segunda a sexta-feira e o dia inteiro nos sábados, domingos e feriados. Essas mesmas crianças têm direito a tarifas reduzidas (ermässigt). Ah, pimpolhos com menos de 6 anos não pagam!

Gente, isso é maravilhoso ou não é? E ainda não falei da micharia que pagamos pelo traslado de ônibus do aeroporto para o hotel em Alexanderplatz, algo em torno de 2,5 euros.

Era mesmo o fim da nossa viagem. Detesto essa sensação doce-amarga da saudade antecipada. E dado que o brasileiro diz sentir mais saudades do que o restante do mundo, conosco não deveria ser diferente. Então, Berlim que nos aguarde! Se depender da nossa saudade, certamente voltaremos.

Encontrei muitas dificuldades para descrever esta viagem. Está absolutamente claro de que gostei bastante de tudo em Berlim, mas alguns dos meus sentimentos pela cidade são inenarráveis. Jamais me esquecerei das glórias do seu passado distante, do terror do seu passado recente, do rensacimento, do avanço, da cultura, da polidez e de seu cotidiano (não esqueçamos da bicicleta!). A mistura desse conjunto resulta num simbolismo que só mesmo quem vai a Berlim pode entender. Do que mais gostei de lá? Do berlinense. Não me canso de dizer o quanto os cidadãos são educados. Era tanta polidez que dava até vontade de voltar para o Brasil e praticar um pouco de gentileza. E nunca acredite se lhe disserem que são rudes ou sisudos demais. Mentira! São extremamente prestativos, corteses, e inteligentes. Todos falam inglês, e se você não fala essa língua, não se procupe. Eles terão o prazer de se virar para resolver seu problema.

Vá a Berlim e verá que não estou exagerando.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com

Anúncios

Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. Alessandro, lindo post! A ideia de voltar a Berlim no ano que vem já tinha cruzado o meu pensamento esses dias, e o seu post acaba de aumentar (MUITO) esse desejo! Espero usá-lo em breve como roteiro.

    • Alessandro Paiva

      Oi, Wanessa! Obrigado pelo comentário 🙂 Se você voltar a Berlim, mande lembranças por mim, ehehe! Sou apaixonado por aquela cidade.

      Grande abraço!

  2. Nossa, muito legal seu relato, bem completo! Moro em Berlim e também tenho um blog sobre a cidade, gostaria só de complementar umas coisinhas:
    1) é verdade que fazem topless no Lustgarten mesmo, isso porque topless é algo muito normal na Alemanha e não costuma ser mal visto.
    2) os ciclistas devem andar sempre nas ciclovias (que às vezes são nas ruas, às vezes nas calçadas) e respeitar a regra de mão e contramão. Quando não houver ciclovias, deve-se andar pelo lado direito da rua, na mesma faixa dos ônibus. Não é permitido andar nas calçadas sem ciclovias (apesar de muitos turistas pedalarem), e se uma autoridade flagrar, é passível de multa.
    3) para o aeroporto Schoenefeld e Potsdam, é necessário o bilhete de trem ABC.

    Parabéns pelo seu blog, está agora na minha lista de leitura. 🙂

    • Alessandro Paiva

      Nossa, Nicole!! Muito obrigado! Vou até dar uma acrescentada e algumas alteradas no texto. Preciso ir a Lustgarten, eheheheh! E estou imaginando o tanto de manota que eu devo ter dado de bicicleta, então. Na próxima serei mais atento 🙂

      Estou doido para estar no seu lugar. Que cidade espetacular que é Berlim! Me mata de raiva o fato das pessoas não se interessarem tanto por lá. Sou louco pela cidade e pretendo voltar o mais rápido possível. Aí vou secar o seu blog até a última informação 🙂 Vou incluir um link dele no meu, ok?

      No mais, aproveita Berlim por mim.

      Abraço!

  3. Cristiane

    Alessandro,
    Adorei o seu post e me deu muita vontade de ficar mais tempo em Berlim, mas tenho apenas 3 dias para curtir aquela cidade! Sou de BH também. o que gostaria de saber é se seria interessante ficar hospedada na rua Oranienburger strasse, meu hotel é o Arcor velvet Berlin, que fica quase esquina com Friedrich strasse. É muito doido o lugar? Fiquei com medo após ler uma parte do seu post com relação a essa rua…
    Suas dicas foram fantásticas e desde já agradeço, vou pegar umas partes para o meu roteiro!
    Abraço.
    Cristiane

    • Alessandro Paiva

      Oi, Cristiane! Berlim é interessante em qualquer lugar. E a Oranienburger é ótima, cheia de bares e atrações. Onde vc irá ficar é próximo à Galeria Tacheles. O local é bacana demais! Quando cheguei lá tivemos a impressão que era meio estranho, por causa da galeria, mas não tem nada disso. Eu ficaria lá tranquilo, ainda mais com aqueles bares em volta 🙂

      No mais, visita o blog da Nicole, que acabei de conhecer, que fala só de Berlim. Ela mora lá e já me deu umas dicas importantíssimas! O endereço é http://vivaberlim.com/

      Boa viagem e aproveita por mim :-)!!

      • Cristiane

        Eu vi demais! Só não tive tempo para Aproveitá-lo! Mas será o meu próximo!!
        Mutio obrigada! =)

      • Obrigada por indicar o vivaberlim, Alessandro! Que bom mesmo que você gostou e que lhe deu dicas! Pelo menos menos 1 vez na semana sai post novo por lá :))

      • Alessandro Paiva

        Vou aguardando os posts, então. Abçs!

      • Você viu que o Tacheles foi fechado? Maior tristeza 😦

      • Alessandro Paiva

        NÃO ACREDITO!!!!! 😦 Nossa… Que pena. Parece que fui em Berlim na hora certa: vi o Bao Bao antes dele morrer e fui a Tacheles antes de fechar.

  4. ERIKA LAET

    Excelente blog… vou seguir acompanhando…. bjs

    • Alessandro Paiva

      Obrigado, Erika 🙂 ! Breve posto sobre a segunda rodada em Roma e Istambul e sobre o reveillon em Santiago.

      Abraços!

  5. achei seu blog pela web e adorei tudo. imprimi e usarei seu roteiro como guia para minha trip, embarco amanhã pra berlim. claro q tem coisas que não são mto minha praia, bunker, estátuas, etc, também vou inserir mais noite no roteiro, mas ele é perfeito para se ter uma ideia + foco no tour. mto lgal, parabéns pela dedicação em escrevê-lo

    • Alessandro Paiva

      Ôpa! Beleza, Geraldo?! Muito obrigado pelo comentário! E que vontade de estar no seu lugar. Berlim é espetacular! Como você pôde ver, não aprofundei na noite, mas sugiro você dar uma chegada na Oranienburger strasse. Lá tem muita opção para se passar a noite. No bairro Kreuzberg também tem umas opções alternativas, como o club punk SO36 e alguns bares.

      Abraço e ótima viagem!

    • Alessandro Paiva

      Ah, Geraldo! Confira o blog vivaberlim.com. Tem muita dica boa.

  6. Acabamos de chegar de Berlim.é a sexta vez que vamos e sempre,sempre queremos voltar.Já estamos agendando nossa próxima ida..Parabéns pelo post.

    • Alessandro Paiva

      Aff, Leda! Não me mate de inveja, rsrsrs! Também quero voltar a Berilm urgente! Você já viu o blog Agenda Berlim (www.agendaberlim.com)? É ótimo!

      Abraço, obrigado pelo comentário e torçamos para que retornemos o quanto antes 🙂

      • Alessandro, agradeço muito a indicação! É muito bom ser reconhecida pelos companheiros da blogosfera 🙂
        Eu sempre passo por aqui também hein! E trata de organizar a próxima vinda à Berlim, rapaz!
        Abraços!

      • Alessandro Paiva

        Imagina, Nicole! Eu é que agradeço 🙂 Amo seu blog e sua página no FB. E ontem mesmo, depois de ler o comentário da Leda, comecei a me organizar para fazer um megarretorno a Berlim.

        Abraço!

  7. cris asperti

    Oi, cai no seu blog e adorei a forma descontraída, divertida e bem informativa com que vc descreveu sua viagem. Vou passar 2 dias em Berlim e vou aproveitar muito do que vc descreveu. Thanks for sharing.
    Cris

    • Alessandro Paiva

      Ah, Cris, eu que agradeço! Você vai adorar Berlim, viu! Tenho muuuuita vontade de voltar lá. O melhor de tudo: é barato!

      Abraço e uma excelente viagem 🙂

  8. Parabéns pelo blog, ta me ajudando bastante na montagem do meu roteiro.Sou mineira e adoro seu mineirês,rsrsr

    • Alessandro Paiva

      Rsrsrs! Obrigado Gelma 🙂 Exatamente agora estou em Portugal, e é impressionante o esforço que faço para ser compreendido, rsrsrs! Tenho que falar as palavras completas e de forma clara. Ai ai… Abraço! 🙂

    • Alessandro Paiva

      Oi, Luís! Obrigado pelo comentário. Berlim é um lugar muito especial. Tanto que voltarei lá em breve! Abraço.

  9. Priscila Marcelino Guglielmin

    Vou para Paris e Berlim em fevereiro/2015, e todos que conheço dizem: mas criatura, o que vc vai fazer em Berlim????? kkkk Comprei um guia que ainda não chegou, e tive alguma dificuldade em encontrar informações turísticas relevantes na internet. Quando li suas postagens quase chorei de alegria :D:D Você detalha muito bem a cidade, parece que já estava viajando e sentindo as emoções contigo haha Então peço apenas uma gentileza: nunca pare de dividir com os leitores os detalhes de suas viagens, seus textos e experiências são realmente muito fascinantes.

    • Alessandro Paiva

      Pôxa, Priscila! Muito obrigado, de coração! Pode deixar, continuarei dividindo minhas experiências 🙂

      Está extremamente enganado quem lhe disse que Berlim não tem nada para se fazer. Ficamos por lá 7 dias e ainda faltou coisa para ser vista. Gostei tanto que estou até voltando em fevereiro do ano que vem. E Paris é Paris. Não tem como não se encantar 🙂

      Qualquer dúvida, é só me perguntar que tentarei ajudar, ok?

      Abraço e ótima viagem!

  10. wesley

    Cara, parabéns pelo blog, vi poucos tão bons como o seu!
    Vou para Berlin, tenho muito interesse sobre a resistência alemã e gostaria de saber mais detalhes sobre Gedenkstätte Deutscher Widerstand, como funcionamento, se tem que agendar e se é fácil chegar do centro de Berlin?
    Valeu mesmo

    • Alessandro Paiva

      Oi, Wesley! Muito obrigado pelo comentário! Vou me esforçando para que o blog fique tão bom quanto você diz que é 🙂 Quanto ao Gedenkstätte Deutscher Widerstand, fui de bicicleta e foi super tranquilo. E olha que estava chovendo. Mas se quiser ir de metrô, pode descer na estação Potsdamer Platz. O museu fica a uns 6 quarteirões dali. Não agendei nada. Cheguei e entrei. Não tinha fila nenhuma e o museu não estava cheio. Deu para ver tudo com calma. Uma pena que as legendas não estavam todas em inglês, mas foi suficiente.

      Grande abraço e ótima viagem!

  11. alexandre

    Acho que vou cortar de vez a Islândia do meu roteiro – o orçamento tá uma fortuna e super contramão pra ir – e vou substituir por Berlim. Fiquei muito surpreso com as diárias de hospedagem e os custos como um todo. O único senão é a comida. Talvez consiga encaixar Berlim. Ou tenha que escolher entre ela e Barcelona. Enfim, a enrolação é pra te perguntar: Berlim ou Barcelona?

    • Alessandro Paiva

      Vish, Alexandre, pergunta difícil, rsrsr! Tive ótimos momentos nas duas cidades. Em Barcelona, os dias estavam lindos, ensolarados, super alto astral. Já Berlim é uma cidade sensacional, seja pela história, pelo povo, pelas atrações etc. Gostei tanto que voltei lá neste ano. Enfim, tudo irá depender do seu estilo: gosta de história pesada, programas superalternativos e estilo de vida bastante liberal ou de arquitetura fabulosa, belos panoramas e astral jovial? Se optou pelo primeiro conjunto, deve ir a Berlim.

      • alexandre

        Eu ainda não tenho certeza de nada – hahaha – mas acho que vou pra Barcelona. Como eu gosto de andar, acho que a arquitetura de lá vai me fazer bem, fora a comida!
        Mas realmente eu não sei. Obrigado pela ajuda!

      • Alessandro Paiva

        Boa sorte, Alexandre! Qualquer escolha será boa, pode ter certeza.

  12. Afonso

    Oi! Já fui a Berlin uma vez e agora em Outubro estou indo novamente. Li seus comentários sobre o Europa center, e tem uma informação bem importante relacionada a isso que você talvez não saiba. A região entre este shopping e a estação de metrô ZOO (U2) foi o principal cenário do Filme “Eu, Cristiane F.” que fez sucesso estrondoso nos anos 80. Inclusive em vários momentos aparece a fachada do shopping com aquele símbolo da Mercedez no topo.
    Por isso o lugar virou Meca dos punks e Hypes em Berlin.
    ; )
    Thats all, Folks!

    • Alessandro Paiva

      Poxa, Afonso, você está brincando! É mesmo?! Que bacana! Eu adorava o filme, foi muito badalado na minha adolescência, rsrs! Entreguei a idade 🙂 Enfim, valeu demais pela dica! Retornei a Berlim em fevereiro desse ano, uma pena não ter sabido disso antes… Certamente voltarei lá, aí terei que passar na região para relembrar o filme. Abraço, muito obrigado e ótimo retorno!

    • Sim, tem razão! E não só o local foi o cenário pro filme, mas é a região original de atuação da Cristiane F. e demais adolescentes da época. Nesse sentido, o lugar já era meca dos punks e ponto de drogas antes mesmo da Cristiane F. escrever o livro, quem dirá sair o filme 😉

  13. Iran Amorim da Silva

    Boa tarde Alessandro, agradeço o seu empenho em divulgar as suas viagens, eu e minha esposa Rosana estamos de malas prontas para umas férias na Europa e sempre consultamos suas dicas, que são ótimas e o nome do blog também foi muito acertado, pois estaremos pela primeira vez em Berlim e voltando para Budapeste.
    Um grande abraço!
    Iran e Rosana

  14. Leticia

    Oi Alessandro, ótimo post!! Já li muito sobre Berlin, vou em Janeiro/16, mas o seu post foi excepcional! Será que os Murais de Blu ainda existem? Obrigada pela dica de Kreuzberg, vou pesquisar mais e passar por lá com certeza! Abraços, Leticia

    • Alessandro Paiva

      Oi, Letícia! Muito obrigado 🙂 Estive em Berlim em fevereiro deste ano. Muita coisa já não mais existe como a galeria de Tacheles e os murais de Blu 😦 Foi pintado por cima, infelizmente. Mas a cidade continua um espetáculo! Vá ao blog http://www.agendaberlim.com e veja altas dicas de lá. Abraço!

      • Leticia

        ah, sério? Que triste!! Sugestão para criar um post aqui com suas fotos! Tacheles também parecia muito legal.
        Pode indicar algum lugar para uma saída a noite? Algo mais rock’n roll? Obrigada pela dica do blog, ótima!! Abraços, Leticia
        🙂

      • Alessandro Paiva

        Letícia, dessa vez fui a alguns bares bem tensos, rsrs! Rock puro! Na Oranienburger Strasse , próximo à falecida Tacheles, tem alguns. São lugares pequenos, mas com ambientes menos “careta” :-). Já em Kreuzberg, próximo ao também falecido painel de Blu, tem outros do tipo: uns pubs, outros alternativos.

      • Leticia

        nossa, que legal!! Muito boa dica! Vc lembra o nome de algum? Ou tem uma vaga lembrança do local? rsrs
        Sei que essas baladas rock’n roll deixam a gente meio zonzo, kkk, mas vezes por uma porta de diferença perdermos a diversão. Tenho como referência o bairro do Bixiga, rua Treze de Maio, aqui em SP. Na mesma rua temos bares bem rock’n roll e outros bem mais pop. Se lembrar do nome de algum me avisa! Obrigada! Bjs

      • Alessandro Paiva

        Não lembro, Letícia. Na verdade, a atmosfera é rock e as músicas também, mas não são baladas. Veja as publicações abaixo. Tem sugestões bem interessantes. Acho que é isso que você procura:

        http://www.mydestination.com/berlin/nightlife/3500635/metal-goth-rock-bars

        http://www.top10berlin.de/de/cat/nachtleben-269/rock-and-roll-clubs-1851

        http://www.theguardian.com/travel/2011/aug/17/10-best-bars-berlin

        Este terceiro fala do Barbie Deinhoff’s. No dia em que fui lá estava bem pop. Alternativo, mas pop, que é o que você não procura. Talvez eles publiquem a programação no site deles (http://www.barbiedeinhoff.de/)

        Abraço!

      • Leticia

        Muito bom, era isso mesmo que eu precisava, dá pra ver direitinho os lugares. Como já passei dos 40, balada pra mim significa boa musica e boa bebida juntas, rsrs! Bjs

      • Alessandro Paiva

        Rsrsr! Nós acima dos 40 também sabemos nos divertir, né Leticia! Abç!

      • Leticia

        hahaha, isso mesmo Ale! Bjs e obrigada pelas dicas!

      • Alessandro, querido, obrigada novamente pela indicação! Eu sou super fã do seu blog, você sabe! rss

      • Alessandro Paiva

        Então estamos Quites 🙂 Sou mega fã do seu 🙂 Abraços!

  15. Eliane Alvarenga Maia

    Fui agora em maio no leste europeu.Antes de ir consultei todos os seus blogs sobre as cidades.Agora voltei e reli todas de novo e fiquei sabendo o nome de lugares que fui mas não lembrava do nome que os guias falavam ou não.Tenho 72 anos e não consigo andar como vocês.Atéem Berlim com o excesso de bicicletas que vi quase fui atropelada por uma que chegou a encostar em mim.Tambem não tenho o costume de olhar tanta coisa,carros,bondes e bicicletas.È demais para mim.Vamos ver se ainda vou conseguir fazer mais uma viagem ao exterior.Ja conheço quase toda a europa e não sei onde gostaria de ir mais pois fui a Roma 3 vezes,áParis 2 vezes e outras cidades.Adoro o seu blog,acho-o muito inteligente e suas explicações são minuciosas.Muito obrigada.

    • Alessandro Paiva

      Ou, Eliane! Você está com energia de sobra! Basta ler duas linhas de seu comentário para saber que possuímos estilos de viagem bem parecidos. É isso aí! Não se intimide com as esbarradas de ciclistas , rsrs! O mundo é doidão assim mesmo! Aproveite essa energia e descubra o mundo como você merece. Se quiser voltar, volte! O importante é dar o ar de sua graça. Desejo-lhe boas viagens sempre!! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: