Felizes ao vento em Amsterdam

Clarice, eu e o Élcio, na Museumplein

Clarice, eu e o Élcio, na Museumplein

Chegamos à última parte da nossa viagem pela Europa. Honestamente, eu o Élcio e a Clarice não tínhamos grandes expectativas em relação a Amsterdam. Eu havia alertado meus amigos da possibilidade do lugar não ser tão interessante visualmente, pois estávamos vindo da Espanha e da República Tcheca, países de beleza incomensurável. Mas, como sempre e felizmente, eu estava redondamente enganado. Pequei por pensar que Amsterdam pudesse ser menos atraente por não possuir muitos palácios gigantescos, edifícios milenares, superavenidas ou outro elemento megaconsagrado. Então ao pesquisar sobre a cidade, decidi que a motivação deveria ser outra: o estilo de vida dos holandeses. Embora eu tivesse acertado nessa orientação, quebrei a cara a cada dia, a cada ponto turístico, a cada momento. Além do estilo de vida que tanto procuramos sorver, fomos nos deparando com atrações inigualáveis que só aumentavam nossa paixão pela cidade. Ademais, vivíamos um momento de intenso contraste cultural. Acabávamos de chegar da República Tcheca, onde tivemos um tratamento vip (viajantes insultados em Praga). Foi um choque! Na verdade, estou sendo manhoso e injusto. Não fomos tão maltratados assim em Praga. Os Tchecos NÃO são uma doçura de pessoa, salvo algumas exceções, por outro lado, os holandeses matam a pau. É muita educação, tanto em termos de cortesia quanto de instrução.

PRIMEIRO DIA – sábado

ATRAÇÃO  |  AVALIAÇÃO  |  CUSTO*
Leidseplein  |  :-) :-) :-) :-) :-)  |  grátis
Satellite Sports Café  |  :-) :-) :-) :-)  | $ $ $  (costelinha ilimitada c. batata e 1 Heineken long neck)
Leidsestraat |  :-) :-) :-) :-)  |  grátis
*(Em euros) 1 – 5: $ \ 6 – 10: $$ \ 11 – 15: $$$ \ 16 – 20: $$$$ \ acima de 20: $$$$$

Chegamos a Amsterdam no fim da Tarde. Como ventava naquela cidade! Mas estávamos felizes mesmo assim. Pegamos um shuttle no aeroporto Schiphol e rapidinho estávamos na porta do hotel. Embora existam outras formas de traslado, para nós, o shuttle foi a mais confortável, tendo em vista nossa preguiça e a dimensão e o peso das nossas malas. Melhor que o shuttle só mesmo um táxi ou um transfer de cortesia, este oferecido por alguns hotéis de gente mais abastada.

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaSe você for a Amsterdam, antes de contratar um serviço de transfer, procure saber se o hotel em que ficará hospedado oferece esse transporte de cortesia. Clique aqui e confira a lista dos hotéis associados. Mas se o seu hotel for de gente humilde e limpinha, como o nosso, você poderá contratar a Connexxion, empresa que oferece shuttles que partem do aeroporto Schiphol a cada meia hora. É conveniada com mais de 170 hotéis. Verifique se seu hotel é atendido por esse serviço. As passagens podem ser compradas no guichê da empresa, localizado no setor Arrivals 4 do aeroporto, no lado oposto à Starbucks. O guichê funciona das 7h às 21h. Se seu voo chega em horário diferente desse, compre sua passagem pela internet em www.schipholhotelshuttle.nl. Adquirimos nossos bilhete de ida e volta, e ficou bem mais em conta do que somente um trecho, além do conforto de parar na porta do hotel. A tabela de preços está disponível no site acima. Os trens também são uma boa opção. A viagem até o centro da cidade dura 13 minutos, com partidas a cada meia hora durante o dia, e de hora em hora na parte da noite. O bilhete, que custa 3,90 euros, pode ser comprado nos guichês da empresa ferroviária NS ou pelo seu site. Mais econômico ainda é o traslado de ônibus: 2,89 euros. O número da linha é 197, da empresa Connexxion, a mesma dos shuttles. A passagem pode ser paga diretamente no ônibus. Informe-se sobre ponto de partida, horários e itinerário no guichê da Connexxion. Por fim, utilize o táxi, forma menos econômica. As viagens custam em torno de 40, 50 euros.

Conosco não tem essa bobagem de chegar, tomar um banho e começar um passeio. Simplesmente despejamos as malas no quarto e zunamos para a rua. Não demorou e já estávamos no ponto mais movimentado da cidade: Leidseplein.

Fonte do American Hotel, em Leidseplein

Fonte do American Hotel, em Leidseplein

Perdemo-nos diante de tanta opção de bar, café e coffeeshops. Quase nos perdemos também no meio de tanta gente. Eram pessoas de todo o tipo, numa mescla cultural de dar gosto! Rodamos a praça rapidamente e, sem titubear, escolhemos o Satellite Sports Café para comer alguma coisa. Logo na entrada, o segurança, extremamente sorridente, disse: “Entrem! Temos maconha também, se quiserem”. Afe! Não sou careta, mas aquilo foi meio estranho. Eu e todo o restante do planeta sabemos que em Amsterdam a maconha é legalizada – ou melhor, tolerada –, mas uma abordagem dessas é sempre diferente. Enfim, gostei da situação. Não que eu pretendesse consumir um cigarrinho de artista naquele café, mas sentir a liberdade de poder escolher é sensacional. E não estou falando de uma escolha irresponsável, mesmo porque nunca vi tanta gente responsável na minha vida como em Amsterdam. Não vi arruaceiros, não vi desordeiros e nem infratores. É tudo organizado e respeitoso.

Leidseplein. À direita está o Satellite Sports Café

Leidseplein. À direita está o Satellite Sports Café

O Satellite Sports Café estava superlotado. Lá, havia muitos de grupos de amigos, turistas e famílias. O movimento era intenso, e os atendentes trançavam por todo lado. Impossível não notar na maioria dos pratos, em que era servida uma costelinha maravilhosa. É claro que foi isso que pedimos! Além de uma imensa costela de porco, o prato vem acompanhado de batata frita ou assada e salada. O melhor de tudo: come-se à vontade! Para esse prato, o cliente tem o direito de comer o tanto de costelinha que quiser ou aguentar pagando somente 9 euros.

Costelinha servida no Satellite Sports Café

Costelinha servida no Satellite Sports Café

Com os olhos maiores que a barriga, mal começamos a comer e já estávamos pensando nas costelinhas seguintes. No final de tudo, conseguimos comer só uma vez. Empapuçados e com os olhos virando de tanta comida, notamos que um grupo de jovens japoneses ao lado detonava vorazmente suas costelinhas e pedia mais. Como assim conseguiam tal façanha? Em primeiro lugar, a comida que eles comem na terra deles é leve, nada comparável àquilo que devoravam naquela noite. Em segundo lugar, eram magros de dar dó. Onde poderia caber tanta carne? Enfim, só depois de alguns dias é que fomos entender o porquê da comilança dos orientais: larica. Sim, aqueles japoneses eram maconheiros. E o entendimento de que os colegas nipônicos estavam calibrados nos levou a outra conclusão: de que não é à toa que aquele prato é tão servido em Amsterdam. O povo passa nos coffeeshops, locais onde a maconha é vendida legalmente, dá um tapa na pantera e em seguida sacia o apetite incontrolável com uma, duas, três ou mais costelinhas. Assim como no Satellite Sports Café, tantos outros estabelecimentos servem essa refeição da mesma maneira, ilimitada. Entretanto, o preço do Satellite é um dos melhores.

Satisfeitíssimos com a comida, seguimos nossa caminhada pelas redondezas. Passeamos pela movimentada rua Leidsestraat, visitando lojas de roupas, souvenirs e doces e cruzando alguns dos tantos canais que visitaríamos nos dias seguintes. Não é por menos que Amsterdam é também conhecida como a Veneza do Norte. Porém, se possui 165 canais, num comprimento combinado de 100 quilômetros, e a própria Veneza possui 150, os quais compreendem apenas 42 quilômetros, é a cidade italiana que deveria se chamar Amsterdam do Sul. Brincadeirinha! Veneza é incomparável.

Leidsestraat

Leidsestraat

A área ao redor do canais de Amsterdam possui mais de 400 anos e foi tombada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Canal Singel

Canal Singel

Canal Herengracht

Canal Herengracht

Depois de andar bastante, era hora de voltar para o hotel. Em Praga, fazia muito frio, mas, em Amsterdam, fazia mais ainda. Embora, naquela noite, os termômetros apontassem menos dois graus Celsius, a sensação térmica era de menos cento e duzentos. Ventava tanto que as bandeiras no topo de alguns edifícios não balançavam, e sim vibravam. Fomos dormir com o aquecedor no talo!

SEGUNDO DIA – domingo

ATRAÇÃO  |  AVALIAÇÃO  |  CUSTO*
Vondelpark  |  :-) :-) :-) :-) :-)  |  grátis
Museumplein  |  :-) :-) :-) :-)  | grátis
Letreiro I amsterdam |  :-) :-) :-) :-) :-)  | grátis
Canal Spiegelgracht | :-) :-) :-) :-)  | grátis
Canal Prinsengracht | :-) :-) :-) :-)  | grátis
Rio Amstel :-) :-) :-) :-)  | grátis
Hermitage Amsterdam (exposição Van Gogh)**  :-) :-) :-) :-) :-)  | $ $ $
Torre Munttoren (visita por fora)  :-) :-)  | grátis
Bloemenmarkt  |  :-) :-) :-)  | grátis
Canal Singel  |  :-) :-) :-) :-) :-)  | grátis
Leidseplein  |  :-) :-) :-) :-) :-)  |  grátis

*(Em euros) 1 – 5: $ \ 6 – 10: $$ \ 11 – 15: $$$ \ 16 – 20: $$$$ \ acima de 20: $$$$$
** Hoje, a exposição permanente encontra-se no Van Gogh Museum.

Começamos o dia pelo Vondelpark, a poucos quarteirões do hotel. Achei que aquele seria apenas mais um parque urbano, mas, ao ver os amsterdammers praticando sua atividade física e se divertindo em meio a uma paisagem de tirar o fôlego, em pleno domingo, quase morri de inveja. Não invejei o espaço físico em si, porque aqui em Belo Horizonte temos o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, que também é muito bonito. Entretanto, o Vondelpark traduz bastante o que é ser um cidadão de Amsterdam, que tem direito à segurança e que tem um alto nível de civilidade. Quanta limpeza! E quanta volúpia! Acredite ou não, em setembro de 2008, a prefeitura decidiu que os visitantes do parque poderão fazer sexo ao ar livre. É claro que, para isso, os libidinosos terão que respeitar algumas regras. Mas cuidado! Caso você vá ao Vondelpark e decida dar uma chinelada na barata, fique longe da polícia, pois, mesmo com a decisão da prefeitura, a lei obriga os policiais de impedir qualquer ato sexual.

Vondelpark

Vondelpark

Papagaio selvagem, no Vondelpark

Papagaio selvagem, no Vondelpark

Vondelpark

Vondelpark

Deixamos o Vondelpark e seguimos caminhando até a Museumplein, praça que abriga os principais museus da cidade: o Rijksmuseum, o Van Gogh Museum e o Stedelijk Museum. Ali também está o Concertgebouw, teatro que possui uma das três melhores salas de concerto do mundo, juntamente ao Symphony Hall de Boston e ao Musikverein de Viena.

Museumplein

Museumplein

Concertgebouw

Concertgebouw

Olha como estávamos com “sorte”: o Rijksmuseum, que expõe uma importante coleção de pinturas holandesas e de arte asiática, estava fechado para reforma e abriria dentro de 20 dias. Ali, eu veria uma das pinturas mais famosas de Vermeer: A Leiteira. Não a vi, portanto. O Van Gogh Museum também estava em reforma. 2 x 0 para Amsterdam! É muito frustrante ir à capital dos Países Baixos e não poder conhecer dois dos principais museus do mundo. Pelo menos 72 dos quadros do Van Gogh Museum estavam expostos no Hermitage Amsterdam, não muito longe dali. Mas já sabíamos disso tudo, estou apenas desabafando. Tive essas surpresas desagradáveis enquanto montava nosso roteiro. Quanto ao Stedelijk Museum, um museu de arte moderna, decidimos por não visitá-lo.

Letreiro "I amsterdam" com Rijksmuseum ao fundo

Letreiro “I amsterdam” com Rijksmuseum ao fundo

Como todo bom turista na Museumplein, tiramos várias fotos junto ao I amsterdam, um letreiro de 23,5 metros de largura por 2 de altura. Era difícil encontrar uma boa posição para fotografá-lo, tendo em vista as dezenas de pessoas que posavam junto às suas letras. Uns se empoleiravam nas hastes do “d” e do “t”, outros caminhavam de “a” a “m” e alguns se encolhiam nos olhos das letras “d”, “e” e “a”. Sem contar o clichê dos que abriam os braços paralelamente ao letreiro.

Clarice (d) e Élcio (a) posam no I amsterdam

Clarice (d) e Élcio (a) posam no I amsterdam

Poso junto ao I amsterdam na forma mais previsível

Poso junto ao I amsterdam na forma mais previsível

Depois daquela experiência tipográfica, rumamos até o canal Spiegelgracht, construído no século 16. Em seguida, viramos à direita no Prinsengracht, que, junto aos canais Herengracht e Keizersgracht, formam um cinto concêntrico em torno de Amsterdam conhecido como Grachtengordel. Esses três canais foram cavados no século 17 durante a Idade de Ouro Holandesa, período entre 1584 e 1702, quando a República Unida dos Países Baixos, estado antecessor dos Países Baixos contemporâneos, transformou-se na primeira potência capitalista do ocidente.

Canal Prinsengracht

Canal Prinsengracht

Canal Prinsengracht

Encontro dos canais Prinsengracht e Reguliersgracht

Pelo Prinsengracht, seguimos até o Amstel, principal rio da cidade, onde viramos à esquerda e seguimos em uma caminhada de 380 m até o Hermitage Amsterdam.

Rio Amstel

Rio Amstel

Hermitage Amsterdam

Hermitage Amsterdam

Embora estivéssemos em baixa temporada, a fila para ver as obras de Van Gogh era gigantesca. Aliás, não era tão grande assim, mas estava bem lenta. Acredito que, pela exposição ter sido reduzida a apenas 72 obras, o controle do número visitantes era mais rigoroso. As pessoas entravam de grupo em grupo, evitando a superlotação das salas. Pior que o tamanho da fila ou sua demora, foi o frio que enfrentamos. Confesso que estava até suportando bem, mas meus amigos estavam roxos! Talvez minha empolgação me aquecia, afinal, eu estava prestes a ver os principais quadros daquele que é um dos meus pintores favoritos. Naquela exposição temporária, vi, além dos vários autorretratos do artista, as obras O Quarto em Arles, Os Girassóis, Íris, Amendoeira em Flor, Retrato de Camille Roulin, entre outros. Infelizmente, dentro do museu, não são permitidas fotografias.

Mesmo estando no Hermitage Amsterdam, não visitamos sua exposição permanente. De lá, fomos almoçar. Comemos rapidinho, pois estávamos muito afim de seguir adiante. Na caminhada, passamos pela Munttoren, torre que foi originalmente parte do Regulierspoort, uma das principais portas do muro medieval da cidade. Construída em 1480, consistia em duas torres e uma casa de guarda. Após um incêndio, em 1618, apenas a casa de guarda e parte de uma das torres permaneceram de pé.

Torre Munttoren

Torre Munttoren

Pertinho da Munttoren, do outro lado do canal Singel, está o Bloemenmarkt, o único mercado flutuante de flores do mundo. Fundado em 1862, inclui várias tendas de flores e de artigos para jardim, bem como algumas lojas de souvenirs. Embora eu não goste de flores, indico muito o passeio. Além dos presentinhos que compramos ali, provamos queijos deliciosos e o famoso stroopwafel, uma espécie de waffle tipicamente holandês.

Bloemenmarkt, no canal Singel

Bloemenmarkt, no canal Singel

Bloemenmarkt

Bloemenmarkt

Do Bloemenmarkt, seguimos em um curto passeio pelo Singel até a Spui, praça que possui uma grande variedade de livrarias. Ali perto estão a entrada para o Begijnhof, um pátio medieval de edifícios históricos, e o Museu de Amsterdam. Teríamos que visitar ambas as atrações em outra oportunidade, pois já haviam encerrado suas atividades naquele dia.

Da Spui, voltamos a pé para o hotel. À noite, retornamos à Leidseplein e redondezas. Antes de tomar umas, fomos comer algo mais substancial. Na procura por comida, precisamente na rua Lange Leidsedwarsstraat, vimos um restaurante brasileiro chamado Do Brasil. Como já estávamos a quase 20 dias longe de casa, a síndrome do feijão batia fortemente em nossos corações e estômagos nostálgicos. A síndrome do feijão é uma denominação que escolhi para descrever a falta que o feijão faz em brasileiros distantes de casa. Sei que é um pecado ir a lugares diferentes e prescindir da culinária típica, mas eu já não aguentava mais ficar sem a comida brasileira. A Clarice e o Élcio se comoveram com meu olhar suplicante e entraram comigo no restaurante. Pedi arroz, feijão preto e coxinha de frango. O tempero estava até bom, mas nada a ver com o que comemos no Brasil. Meus amigos pediram algo que não gostaram, e aquela nossa visita ao Do Brasil, que deveria ser uma maneira de matar as saudades de casa, só aumentou nossa vontade de comer comida brasileira. Afe!

Do restaurante, retornamos à Leidseplein para um tour pelos bares. Opção não nos faltou.

Leidseplein

Leidseplein

TERCEIRO DIA – segunda-feira

ATRAÇÃO  |  AVALIAÇÃO  |  CUSTO*
Albert Cuypmarkt  |  :-) :-)  |  grátis
Heineken Experience  |  :-) :-) :-) :-) :-)  | $ $ $ $
Passeio de barco ofertado pelo Heineken Experience  |  :-) :-) :-) :-)  | grátis

Museu de Amsterdam  |  :-) :-) :-) :-) :-)  | $ $
Spui  |  :-) :-) :-) :-)  | grátis
Kalverstraat  | :-) :-) :-) :-)  | grátis
Canal Herengracht  :-) :-) :-) :-)  | grátis
Nove Ruas  :-) :-) :-) :-)  | grátis
Jordaan  :-) :-) :-) :-)  | grátis
Leidseplein  |  :-) :-) :-) :-) :-)  |  grátis

*(Em euros) 1 – 5: $ \ 6 – 10: $$ \ 11 – 15: $$$ \ 16 – 20: $$$$ \ acima de 20: $$$$$

Naquela manhã de segunda-feira, seguimos direto para o Albert Cuypmarkt, um mercado ao ar livre que conta com 300 barracas que vendem de tudo, desde frutas, legumes, queijos, peixes e especiarias até roupas, cosméticos e roupas de cama. Não achamos a feira grande coisa, mas, para quem gosta de bugiganga, é até interessante.

Albert Cuypmarket

Albert Cuypmarkt

A poucos metros dali, está o Heineken Experience. O edifício foi construído em 1867 e funcionou como a primeira cervejaria Heineken até 1988. Em 1991, parte do estabelecimento foi demolido, passando a abrigar somente o centro de recepção e informação da Heineken. Em 2001, seu nome foi mudado para Heineken Experience, tornando-se um museu sobre a cervejaria e sua cerveja. Quando comuniquei ao Élcio a inclusão dessa atração no roteiro, ele torceu o nariz e fez pouco caso. Acredito que tenha achado a proposta do museu muito comercial, uma afronta à história de Amsterdam. Ainda na bilheteria, os olhares do meu amigo entregavam sua insatisfação, mas bastou caminharmos pela exposição e seus ânimos se alçaram. Mesmo sabendo que aquilo é uma megaestratégia de marketing, caímos na armadilha feito três ratinhos.

Exposição no Heineken Experience

Exposição no Heineken Experience

Tudo nos encantava, e à medida em que caminhávamos ali dentro, a marca só ganhava nossa preferência. Admiramos as peças expostas, participamos das atrações interativas, assistimos aos fantásticos comerciais, bebemos muita cerveja – embora fossem umas 11h da manhã – e compramos horrores na loja de souvenirs.

Heineken Experience

Heineken Experience

Heineken Experience

Heineken Experience

Heineken Experience

Heineken Experience

Exposição de campanhas publicitárias, no Heineken Experience

Exposição de campanhas publicitárias, no Heineken Experience

A Heineken ainda nos presenteou com um passeio de barco, que começou no canal Singelgrachtkering, virou à esquerda no rio Amstel e seguiu até a parada após a ponte Blauwbruge, onde desembarcamos. Ali perto, está a Heineken Brand Store (loja da marca). Ou seja, o passeio de barco não foi um presente à toa. Já que estávamos ali, não custava conhecer a loja. E dá-lhe mais compras! Publicitário que sou, como pude sucumbir?! Quanto ao meu amigo de nariz torcido, seus olhos brilhavam de encantamento com o Heineken Experience. Ou era por causa das quatro cervejas que tomou? Enfim, nós três estávamos alegres.

Barco do Heineken Experience nos deixa próximos à Brand Store para mais compras

Barco do Heineken Experience nos deixa próximos à sua loja da marca para mais compras

Aquele passeio de barco não estava previsto no nosso roteiro, mas nos deixou a cerca de 800 m da Spui, praça onde está localizado o Begijnhof e que fica próxima ao Museu de Amsterdam, atrações que tentamos conhecer no dia anterior e que já estavam fechadas. Almoçamos – precisávamos suavizar o efeito do brunch de cervejas servido naquela manhã – e seguimos nossa jornada 95% sóbrios até a Spui.

Mais uma vez, fomos vítimas do tempo. Já passavam das 15h30 e tivemos que escolher entre visitar Bejinghof e o Museu de Amsterdam, pois ambas as atrações fechariam às 17h. Escolhemos o museu. Esse foi o maior pecado que cometemos na cidade, pois são necessárias pelo menos duas horas para se visitar a exposição. Tínhamos apenas 1h15 para tanto.

Galeria da Guarda Cívica (Schuttersgallerij), no Museu de Amsterdam

Galeria da Guarda Cívica (Schuttersgallerij), no Museu de Amsterdam

Museu de Amsterdam é espetacular! Nele, a belíssima história da cidade é contada de forma bastante interativa, com narrações inclusive na língua portuguesa. Criança que passa uma tarde ali não precisa mais estudar a história de Amsterdam na escola, pois sairá do museu sabendo de tudo. Infelizmente, não tivemos tempo para visitar toda a exposição, mas valeu a pena, mesmo assim.

Do Museu de Amsterdam, circulamos pelas imediações. A agitação local era muito bacana! Conhecemos a Kalverstraat, uma rua bem movimentada repleta de lojas. Ter um negócio ali não é barato, pois a rua possui o metro quadrado mais caro para se alugar na Holanda. Até a versão holandesa do Monopoly define a Kalverstraat como o endereço mais valorizado do jogo. Felizmente, nosso comprômetro estava desligado.

Dali seguimos de volta para o hotel. Novamente, cruzamos os canais Singel, Herengracht, Keizersgracht e Prinsengracht.

Caminhada pelo Singel

Caminhada pelo Singel

Canal de Herengracht

Canal de Herengracht

Essas caminhadas nunca cansavam! Embora a arquitetura da cidade seja repetitiva, cada canto exibe uma particularidade excepcional. Os edifícios, amontoados uns nos outros, são curiosamente tortos, e devido ao espaço racionado, suas escadas possuem degraus bem estreitos, onde quem calça mais de 40 tem dificuldades para descer e subir. Considerando uma população em que a altura média é “mais do que alta”, acredito que 97,9% dos amsterdammers têm dificuldades de se movimentar pelas escadas. É nessas horas que agradeço a Deus minha estatura portátil. Bailarinas também se dão bem nesses degraus, pois podem subi-los nas pontas dos pés ou com os joelhos em andeor, posição mais conhecida como dez-pras-duas.

Edifícios amontoados e ligeiramente inclinados

Edifícios amontoados e ligeiramente inclinados

Já no hotel, tomamos um banho rápido e seguimos para as Nove Ruas (De 9 Straatjes). Como o próprio nome diz, o local é formado por nove ruas estreitas, que são a Gasthuismolensteeg, a Oude Spiegelstraat, a Wijde Heisteeg, a Hartenstraat, a Wolvenstraat, a Huidenstraat, a Reestraat, a Berenstraat e a Runstraat. Essas ruas possuem um variado centro comercial, com lojas de diferentes tamanhos e propostas. Como já era um pouco tarde, não vimos muito dessa badalação.

Canal Herengracht

Canal Herengracht, na Região das Nove Ruas

Canal Singel, na região das Nove Ruas

Canal Singel, na região das Nove Ruas. Igreja católica De Krijtberg ao fundo

Canal Singel, na região das Nove Ruas

Canal Singel, na região das Nove Ruas

Canal Singel, na região das Nove Ruas

Canal Singel, na região das Nove Ruas

Das Nove Ruas, precisamente na rua Raadhuisstraat, viramos à esquerda e entramos no Jordaan, um bairro que abrigou a classe proletária do século 17. É também conhecido por suas casas antigas, por seus brechós, por suas galerias de arte e por seus bares e restaurantes.

Via Raadhuisstraat. Palácio Real de Amsterdam ao fundo

Rua Raadhuisstraat. Palácio Real de Amsterdam ao fundo

Caminhada pelo Jordaan

Caminhada pelo Jordaan

O Jordaan não possui muitas atrações tradicionais, sendo indicado mais para passeios sem rumo, em que a finalidade é apenas conhecer o estilo de vida de seus moradores, que de proletariados não têm nada. É um dos bairros mais caros para se morar na Holanda.

Jantamos em um restaurante da região e retornamos a pé até a Leidseplein, cruzando, mais uma vez, as Nove Ruas. Embora esta região seja muito escura e bastante deserta à noite, experimentávamos uma segurança fora do comum. Eu me sentia praticamente em Belo Horizonte (só que não). Sem contar o prazer de poder admirar os canais com seus edifícios e suas pontes levemente iluminados.

Canal Keizersgracht, na região das Nove Ruas

Ponte que liga as vias Berenstraat e Wolvenstraat, sobre o Canal Keizersgracht, na região das Nove Ruas

Canal Leidsegracht

Canal Leidsegracht

Já era tarde, e os três mineiros deveriam ir dormir, mas como ainda não haviam esgotado os bares da Leidseplein, o fizeram com muita disposição. Juntaram-se às milhares de pessoas que ali frequentavam e curtiram o resto da noite. Aquela praça é boa demais da conta!

Leidseplein

Leidseplein

QUARTO DIA – terça-feira

ATRAÇÃO  |  AVALIAÇÃO  |  CUSTO*
Zwanenburgwal  |  :-) :-) :-) :-)  |  grátis
Casa de Rembrandt  |  :-) :-) :-) :-) :-)  |  $ $ $
Mercado de pulgas de Waterlooplein  |  :-) :-) :-)  |  grátis
Torre Montelbaanstoren (visita por fora)  | :-) :-)  |  grátis
Nieuwmarkt  :-) :-) :-)  |  grátis
Bairro da Luz Vermelha (visita diurna)  :-) :-) :-) :-) :-)  |  grátis
Cannabis College  :-) :-)  |  grátis
Erotic Museum  |  :-) :-) :-)  |  $ $
Igreja Velha (somente por fora)  :-) :-)  |  grátis
Begijnhof  |  :-) :-) :-)  | grátis
Westerkerk (somente por fora)  :-) :-)  | grátis
Homomonument  :-) :-)  |  grátis

Casa de Anne Frank  :-) :-) :-) :-) :-)  |  $ $

*(Em euros) 1 – 5: $ \ 6 – 10: $$ \ 11 – 15: $$$ \ 16 – 20: $$$$ \ acima de 20: $$$$$

Que belo dia de sol! Ao olharmos pela janela do quarto, não vimos nuvem alguma. Mas a bandeira no topo do edifício de frente continuava vibrando, de tão forte que o vento soprava. Enfim, não havia tempo para reclamações. Vestimos as milhões de camadas de roupas e caímos na rua. Fomos direto ao Zwanenburgwal, canal eleito por um jornal local como um dos mais bonitos da cidade.

Canal de Zwanenburgwal

Canal de Zwanenburgwal

O Zwanenburgwal é realmente bonito, mas qual canal em Amsterdam não o é?! Talvez o fato de Rembrandt ter morado ali tenha pesado na escolha do jornal. E estávamos lá exatamente para isso: conhecer a casa desse fantástico pintor holandês.

Casa de Rembrandt

Casa de Rembrandt

Rembrandt viveu naquele local entre 1639 e 1660. Hoje, o edifício abriga a Casa de Rembrandt (Museum Het Rembrandthuis), que expõe a vida do artista e centenas de suas obras. Eu sempre admirei seu trabalho, mas depois de visitar aquele museu, virei um fã. Cheguei até a produzir tinta a óleo em um de seus ateliês! Poucos tiveram essa oportunidade! Espero que Rembrandt não tenha se incomodado com a minha euforia, pois já bastava o fato dele ter perdido aquele casarão para as dívidas. Espero que ele também não tenha se importado com as dezenas de fotos que fiz de suas obras. Felizmente, naquele museu era permitido fotografar.

Insumos para produção de tintas, no ateliê da Casa de Rembrandt

Insumos para produção de tinta, no ateliê da Casa de Rembrandt

Da Casa de Rembrandt, seguimos para o mercado de pulgas de Waterlooplein, a um quarteirão dali.

Mercado de pulgas da Waterlooplein

Mercado de pulgas de Waterlooplein

No quarteirão onde o mercado se encontra, existiam os canais Leprozengracht e Houtgracht, que foram aterrados em 1882 e deram lugar à feira. Na época, a prefeitura direcionou o local aos comerciantes judeus, que ali instalaram suas barracas. Durante a Segunda Guerra Mundial, o quarteirão foi esvaziado pelos nazistas, que enviaram os judeus para campos de concentração, dando um fim à feira em 1941. Hoje, Waterlooplein prospera como um mercado de pulgas, composto por 300 barracas que abrem todos os dias, exceto aos domingos. Destaque para as barracas que vendem casacos usados muito bacanas. Não compramos nada, a não ser um delicioso sanduíche no Bagels & Beans, que fica no meio da feira. Não me lembro do sabor, mas estava excelente!

A poucos metros do mercado, está o Museu Histórico Judaico (Joods Historisch Museum). Essa atração é bastante recomendada, mas preferimos não visitá-la. Retornamos então à Casa de Rembrandt, e dali seguimos em uma caminhada pelo canal Oudeschans até a Montelbaanstoren, uma torre construída originalmente em 1516 com o propósito de proteger a cidade.

Torre Montelbaanstoren

Torre Montelbaanstoren

Deixamos a torre e caminhamos por um trecho do canal Waalseilandsgracht. Em seguida, rumamos para a Nieuwmarkt, praça onde está localizado o Waag, edifício construído no século 15 para ser um dos portões da cidade. Fazia parte do muro de Amsterdam.

Canal Waalseilandsgracht

Canal Waalseilandsgracht

Waag, na Nieuwmarkt

Waag, na Nieuwmarkt

Da Nieuwmarkt, começamos nosso passeio diurno pelo Bairro da Luz Vermelha (De Wallen), uma das atrações mais procuradas na cidade, tanto por cavalheiros desejosos quanto por turistas curiosos, estes em maioria. Vale lembrar que existem outros dois bairros desse tipo em Amsterdam: um no Singel, entre a rua Raadhuistraat e a Estação Central, e outro atrás do Rijksmuseum. Aquele em que estávamos é o principal.

Canal, no Bairro da Luz Vermelha

Canal da via Oudezijds Achterburgwal, no Bairro da Luz Vermelha

Era por volta das 13h, e o local estava bem movimentado. A atmosfera era bem familiar, pois vi várias avós e tias… nas vitrines! Chuta que é macumba! Quanta mulher feia! Chegamos à conclusão de que, à tarde, o aluguel das cabines era mais barato, pois só tinha prostituta de terceira linha. Uma delas tinha cento-e-duzentos anos, com um sorriso de dar pena. A outra, tentando me seduzir, fez uma expressão erótica que me pôs a correr por cinco quarteirões. E não adiantava fugir! Elas estavam por todos os lados! É claro que estou exagerando, mesmo porque vi muita mulher do tipo modelo internacional. Uma pena ser proibido fotografar as vitrines, caso contrário, eu teria imagens chocríveis para exibir aqui.

Casa de shows eróticos, no Bairro da Luz Vermelha

Casa de shows eróticos, no Bairro da Luz Vermelha (via Instagram)

Seguimos pela rua Oudezijds Achterburgwal. Ali, visitamos a Cannabis College, um centro de informações voltado à maconha, que aconselha sobre o consumo seguro da erva e explica seus vários usos, além de oferecer um tour pelos jardins nos fundos do prédio, que estão repletos da plantinha.

Cannabis College

Cannabis College

Ainda na Oudezijds Achterburgwal, visitamos o Erotic Museum. A princípio, pensei que esse museu seria apenas  uma simples exposição de luxúria, mas vi muita coisa interessante, como algumas ilustrações eróticas originais feitas por John Lennon e Picasso – sem trocadilhos, por favor! – e uns desenhos animados – muito animados! – da Disney e de outros autores infantis. Que Branca de Neve safada!

Eu assistindo a desenhos "animados", no Erotic Museum

Eu assistindo a desenhos “animados”, no Erotic Museum

Erotic Museum

Erotic Museum

Depois de ver muita prostituição, drogas e exposições calcadas de muito erotismo, fomos rezar ali perto, na Igreja Velha (Oude Kerk).

Canal da via Oudezijds Achterburgwal, com Igreja Velha ao fundo

Canal da via Oudezijds Voorburgwal, com Igreja Velha ao fundo

Fundada por volta de 1213, a Igreja Velha é a construção mais antiga de Amsterdam. Em 1306, São Nicolau de Mira foi consagrado como seu santo padroeiro, e depois da Reforma, em 1578, tornou-se uma igreja calvinista, permanecendo assim até os dias atuais. Infelizmente, não rezamos. Visitamos a igreja somente por fora. Tomara que não queimemos no mármore do inferno.

Tínhamos tempo de sobra naquela tarde. Então, finalmente, conseguimos visitar Begijnhof, que fica a menos de um quilômetro da Igreja Velha. Para chegar lá, descemos a via Oudezijds Voorburgwal até virarmos à direita na Grimburgwal. Cruzamos a belíssima via Rokin e seguimos pela via Spui, em direção ao pátio. Que caminhada bacana! Sem falar no café e no sorvete que tomamos.

O pátio de Begijnhof foi construído no século 14. Ali, viveram as beguinas, um grupo de solteiras e viúvas que cuidavam de idosos. Embora levassem uma vida religiosa, não faziam votos monásticos. A última delas morreu em 1971. Mantendo a tradição, em 1987, a Princesa Juliana cedeu o pátio à Begijnhof Foundation, destinando suas moradias exclusivamente a mulheres.

Pátio Begijnhof

Pátio Begijnhof

O lugar é composto por belos jardins e edifícios históricos, dos quais destacam-se a Capela Bejinghof, a Igreja Inglesa (Engelse Kerk) e a casa n.º 34, também conhecida como Casa de Madeira (Houten Huis), construída em 1465. É a casa de madeira mais antiga da Holanda.

Por exigência das moradoras do local – provavelmente riquíssimas –, no pátio, não se podem fazer fotografias nem mesmo falar alto. Riquíssimos também são os que se casam na Engelse Kerk, afinal de contas, são poucos os que podem selar a união numa igreja presbiteriana de 1392, com painéis de Mondrian decorando o púlpito.

Casa de Madeira, em Begijnhof

Casa de Madeira, em Begijnhof

Deixamos Bejinghof. Atravessamos o Singel e viramos à direita no Herengracht. Seguimos por este canal até a rua Raadhuisstraat, onde viramos à esquerda e caminhamos até a Westerkerk, uma igreja protestante construída entre 1620 e 1631. Sua torre, com 85 metros, faz dela a igreja mais alta da cidade. Rembrandt foi enterrado ali em 8 de outubro de 1669. O local exato do túmulo é desconhecido, mas presume-se que está em algum lugar ao longo da parede norte. Sua amante e seu filho também estão sepultados ali. Infelizmente, a Westerkerk estava fechada. Pelo que pesquisei, naquele horário, a igreja deveria estar aberta. Não havia informação alguma explicando o porquê das portas cerradas.

Westerkerk

Westerkerk

Logo ao lado da Westerkerk, às margens do Keisersgracht, está o Homomonument, primeiro monumento do mundo concebido em homenagem aos gays e às lésbicas perseguidos e mortos pelos nazistas. Inaugurado em 5 de setembro de 1987, possui a forma de três grandes triângulos rosa em granito, dispostos de modo a formar um triângulo maior.

Homomonument, no canal Keizersgracht

Homomonument, no canal Keizersgracht

Depois da rápida visita ao Homomonument, fomos à atração que talvez tenha sido a mais bacana de Amsterdam: a Casa de Anne Frank. Fica logo ao lado da Westerkerk. Para quem não conhece a história de Anne Frank, ela foi uma adolescente alemã de origem judaica, que morreu aos 15 anos de idade, vítima do Holocausto. Ficou famosa com a publicação póstuma do seu diário.

Casa de Anne Frank

Casa de Anne Frank

Fundado em 3 de maio de 1960 em memória da adolescente, o museu está instalado no edifício onde ela, sua família e outros quatro judeus permaneceram escondidos durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Em seu diário, Anne relata o dia a dia desse grupo de pessoas. A exposição é de partir o coração, mas muito interessante, mesmo assim. Além de ver vários documentos e objetos, conhecemos o “anexo secreto”, que são os cômodos onde viveram, e o próprio diário, original e preservado. Aquele museu é visita mais do que obrigatória em Amsterdam.

Impressionados com a Casa de Anne Frank, retornamos ao hotel. Aquele dia havia rendido bastante, pois fomos da arte à tragédia, passando por muita bugiganga, luxúria, cânhamo e história. Por toda essa variedade, magnanimidade, expressividade e intensidade é que digo que Amsterdam é um dos lugares mais espetaculares do mundo. Há quem afirme que é muito, mas muito mais do que isso. Contudo, é preciso saber se essa declaração vem de algum cliente de coffeeshop.

Ainda não havíamos frequentado nenhum coffeeshop em Amsterdam. Estávamos bastante curiosos para entender a dinâmica desse tipo de estabelecimento, embora não pretendíamos fumar um “bronzeado”. É importante salientar que coffee é a última coisa que um cliente procura em um coffeeshop, a não ser que o local resolva vender café temperado, se é que você me entende. No mais, é de certa forma um pecado ir àquela cidade e não conhecer um de sues tantos bares especializados na venda da erva inspiradora. Nossa caretice – pelo menos a minha – impedia que entrássemos nesses lugares. Enquanto criávamos coragem para tanto – talvez estivéssemos sem graça um com o outro –, tomávamos cervejas holandesas nos bares e restaurantes “normais” da cidade. E foi o que fizemos naquela noite.

Prontos para se divertir

Prontos para a noite

Clarice e Élcio, no bar, em Leidseplein

Clarice e Élcio, no Café Kooper, em Leidseplein (via Instagram)

QUINTO DIA – quarta-feira

ATRAÇÃO  |  AVALIAÇÃO  |  CUSTO*
Dam |  :-) :-) :-) :-)  |  grátis
Nova Igreja (somente por fora)  |  :-) :-) :-)  |  grátis
Palácio Real de Amsterdam  |  :-) :-) :-) :-)  |  $ $
Torre Schreierstoren (visita por fora)  :-) :-)  |  grátis
Biblioteca Pública de Amsterdam  :-) :-) :-) :-)  |  grátis
NEMO :-) :-) :-) :-)  $ $ $
Moinho De Gooyer (visita por fora)  :-) :-) :-)  |  grátis
Cervejaria Brouwerij ‘t IJ  |  :-) :-) :-) :-)  |  $ $  (uma cerveja especial e um tira-gosto)
Coffeeshop The Bulldog  |  :-) :-) :-) :-)  |  $ $  (consumo interno)
Bairro da Luz Vermelha (visita noturna)  :-) :-) :-) :-) :-)  |  grátis
Bar The Old Sailor  :-) :-) :-) :-)  | $ $ $  (consumo interno)
Satellite Sports Café  |  :-) :-) :-) :-)   |  $ $ $  (costelinha ilimitada com batata e uma cerveja)

*(Em euros) 1 – 5: $ \ 6 – 10: $$ \ 11 – 15: $$$ \ 16 – 20: $$$$ \ acima de 20: $$$$$

Mais um dia de sol! E de bandeiras vibrantes ao vento de 2.789.765.890 quilômetros por hora. Que primavera era aquela, meu Deus?! Enfim, nada de reclamações, afinal, estávamos em Amsterdam e a viagem estava perfeita.

Começamos a manhã pela praça Dam. Seus prédios famosos e eventos diversos fazem dela um dos lugares mais importantes da cidade. Naquela temporada, existia ali um parque de diversões com alguns brinquedos de certa forma radicais. Poderíamos ter tentado dar a volta em um deles, mas estávamos com medo. Arregamos não pela adrenalina proporcionada pelos brinquedos, mas por ter que rodar a 30 metros de altura com um vento lancinante na face. Capaz!

Parque de diversões e Palácio Real de Amsterdam, na praça Dam

Parque de diversões e Palácio Real de Amsterdam, na praça Dam

Monumento Nacional, na praça Dam

Monumento Nacional, na praça Dam

Ali na Dam está a Nova Igreja (Nieuwe Kerk), templo religioso do século 15, onde estão enterradas algumas personalidades holandesas. Construída no estilo gótico, a igreja é maravilhosa, todavia, não é mais usada para missas. Hoje, funciona como um espaço para exposições e recitais de órgão. Demos uma volta por fora do templo e entramos, porém preferimos não visitar a exposição. O preço estava um pouco alto, e o tema não nos interessou.

Nieuwe Kerk, na praça Dam

Nieuwe Kerk, na praça Dam

Da Nieuwe Kerk, seguimos para o Palácio Real de Amsterdam (Koninklijk Paleis Amsterdam). No início deste post, eu havia dito que Amsterdam não era uma cidade de palácios gigantescos, portanto me enganei. O Palácio Real é enorme! É um dos quatro palácios oficiais dos Países Baixos à disposição do rei.

Salão da Cidade, no Palácio Real de Amsterdam.

Salão da Cidade, no Palácio Real de Amsterdam.

O luxuoso edifício foi construído durante a Idade de Ouro Holandesa para ser uma prefeitura. Em 1808, deixou de ser sede do município e tornou-se um palácio real. Desde 1939, é utilizado pela família real da Casa de Orange-Nassau não como sua residência, mas com fins de representação e como casa de hóspedes para as visitas oficiais.

Do palácio, atravessamos o Bairro da Luz Vermelha e seguimos em uma caminhada pela pequena Chinatown até a torre de Schreierstoren, uma construção do século 15 que fazia parte da muralha medieval da cidade. Essa torre foi o ponto de partida da viagem de Henry Hudson para a descoberta da ilha de Manhattan. Mais do que isso, Schreierstoren é conhecida por ser o local em que as esposas lamentavam as partidas dos maridos, que deixavam o porto para ir a guerras ou simplesmente pescar. Diz-se que isso é apenas uma lenda, mas existe uma peça na torre, datada de 1566, que diz que uma mulher chorou tanto, mas tanto a partida do marido, que ficou doida. Fico imaginando a cena.

Torre de Schreierstoren

Torre de Schreierstoren

Ao lado de Schreierstoren, está a Estação Central de Amsterdam. Seu prédio é muito bonito, mas não fomos conhecê-lo por dentro. Tiramos apenas algumas fotos de longe.

Estação Central de Amsterdam

Estação Central de Amsterdam

Depois da rápida passada por Schreierstoren, procuramos um lugar para almoçar, mas, naquela região, não encontramos um restaurante que nos agradasse ou que tivesse preços mais acessíveis. Decidimos continuar andando, mesmo com um pouco de fome.

A pouco mais de 600 metros dali, está a Biblioteca Pública de Amsterdam (Openbare Bibliotheek Amsterdam). Na verdade, eu havia planejado apenas uma passada por fora para conhecer o prédio, visto que livros não são meu forte, lamentavelmente. Pensei que meus amigos também não se interessariam pela atração, mas como esses jovens de Bom Despacho viveram em bibliotecas por toda a vida, aquele seria um passeio e tanto. E foi! Acho que mais para mim do que para eles.

Biblioteca Pública de Amsterdam

Biblioteca Pública de Amsterdam

Ao entrar na biblioteca, deparamo-nos com uma estrutura monstruosa de altíssimo nível, frequentada por todo tipo de cidadão. Eram zilhares de livros espalhados pelos sete andares do edifício, que tem por volta de 28 mil metros quadrados. Além disso, havia uma infinita coleção de CDs e DVDs à disposição. Os visitantes liam seus livros nos sofás, nos pufes ou mesmo sentados de frente para a vitrine frontal do prédio, que tem uma vista sensacional de Amsterdam.

Cidade vista da Biblioteca Pública de Amsterdam

Cidade vista da Biblioteca Pública de Amsterdam

Cidade vista da Biblioteca Pública de Amsterdam. Destaque para o restaurante chinês Sea Palace

Cidade vista da Biblioteca Pública de Amsterdam. Destaque para o restaurante chinês Sea Palace

Igreja de São Nicolau e restaurante chinês Sea Palace, vistos da Biblioteca Pública de Amsterdam

Igreja de São Nicolau e restaurante chinês Sea Palace, vistos da Biblioteca Pública de Amsterdam

O clima de concentração/relaxamento na biblioteca dava vontade de ler até em mim. Se eu tivesse uma estrutura daquela à minha disposição na época em que era concurseiro, passaria em primeiro lugar em qualquer prova, facinho, facinho. Sem falar nos terminais de consulta, instalados em centenas de iMacs. Era a mais pura ostentação!

Quando achávamos que já tínhamos visto de tudo, chegamos ao último andar do edifício, que abriga um restaurante excepcional. Por isso, preciso deixar uma superdica:

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaSe for a Amsterdam, amigo turista, planeje um roteiro pelas redondezas da Estação Central. Inclua uma visita à Biblioteca Pública, agendando a hora do almoço para quando estiver lá. Primeiro, você irá se encantar com a estrutura da biblioteca. Segundo, irá se esbaldar em uma gigantesca variedade de comida oferecida pelo seu restaurante. Confesso que ficamos bastante perdidos antes de nos servir, pois havia vários tamanhos de pratos e muitas opções de comida. Mesmo assim, fomos entrando nas filas e enchendo o vasilhame. Ali, havia saladas, carnes, massas, grãos e sobremesas, tudo sempre muito atraente, além de uma boa diversidade de bebidas. A comida estava deliciosa! E o melhor: foi um dos lugares em que pagamos menos. Os guias e sites de viagem não dão essa dica, pois o interior da biblioteca não é propriamente um ponto turístico, e seu restaurante nem é considerado tradicional. Mas eu e meus amigos insistimos: vá, e não vai se arrepender.

Fascinados e superbem alimentados, deixamos a Biblioteca Pública, atravessamos a bela ponte de Oosterdok e fomos ao NEMO, um divertido museu de ciência e tecnologia.

Museu NEMO e ponte de Oosterdok

Museu NEMO e ponte de Oosterdok

Impossível não admirar o formato do seu edifício, que mais lembra um navio. Entretanto, não acho que sua exposição seja direcionada a turistas estrangeiros. Em muitas partes, não existem legendas em inglês, e sua proposta é direcionada quase que exclusivamente ao público infantojuvenil.

Élcio brinca no NEMO

Élcio brinca no NEMO

Atração interativa do museu NEMO

Atração interativa do museu NEMO

De qualquer forma, valeu a visita ao NEMO, pois brincamos bastante. De lá, passamos diante do Museu Marítimo Nacional. Não visitamos sua exposição, mas pudemos avistar a belíssima réplica do Amsterdam, um navio de carga do século 18 pertencente à Companhia Holandesa das Índias Orientais, ancorado ao lado do prédio do museu.

Réplica do navio Amsterdam, no Museu de História Marítima

Réplica do navio Amsterdam, no Museu de História Marítima

Continuando nossa caminhada, seguimos para o De Gooyer, o último de um grande grupo de moinhos de vento que funcionaram ao longo da muralha de Amsterdam no século 17.

Moinho Le Moulin de Gooyer

Moinho De Gooyer

O moinho original foi construído no século 16, e sua estrutura atual foi concebida em 1814. Depois que entrou em desuso, foi comprado pela cidade de Amsterdam e restaurado. Devido à falta de energia elétrica durante a Segunda Guerra Mundial, o De Gooyer voltou às atividades para servir à cidade temporariamente. Muito bacana!

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaO De Gooyer é apenas um dos vários moinhos de vento para se visitar na cidade. Se você for a Amsterdam e tiver interesse em conhecer outros moinhos, sugiro uma ida ao Riekermolen, moinho localizado no Amstelpark, que fica no sul da cidade. Foi construído em 1636, às margens do rio Amstel. Ali, Rembrandt gostava de se sentar para fazer alguns esboços. Existe também o De Otter, moinho usado, ocasionalmente, nos dais atuais. Está situado na rua Gillis van Ledenberchstraat 78, um tanto longe do centro. Além dessa desvantagem, não é permitido chegar muito próximo de sua estrutura. Mas é bonito, mesmo assim. Caso você inclua no seu roteiro uma passada no Westerpark, parque público bem procurado pelos amsterdammers, dê uma esticada pela via Haarlemmerweg até o número 465, onde está localizado o moinho De Bloem. Diferentemente do De Otter, é possível um passeio no seu entorno. Por fim – e talvez o passeio por moinhos mais interessante –, existe a cidade de Zaanse Schans, a 20 minutos de trem do centro de Amsterdam. O local é uma espécie de galeria ao ar livre, às margens do rio Zaan. Os turistas podem explorar seus vários moinhos e respectivas engenhocas à vontade. Esses moinhos são originais e funcionam perfeitamente. Também, com um vento daqueles, até eu rodaria os braços! Não fomos a Zaanse Schans, mas dizem que é maravilhoso.

O moinho de Riekermolen estava previsto no nosso roteiro. Por estar muito distante do centro, havíamos decidido ir lá de bicicleta. Todavia, uma magrela era o último meio de transporte que gostaríamos de usar em Amsterdam. Se, ao caminhar, o vento já trincava nossos ossos, andar de bicicleta seria uma experiência criogênica do tipo nitrogênio líquido. Portanto, excluímos Riekermolen do nosso passeio. Se estivéssemos em uma estação mais quente, seria outra história, pois adoramos pedalar. Além da sensação de liberdade que proporciona, a bicicleta é prática, otimiza o tempo e leva a qualquer lugar.

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaEm Amsterdam, quase não se veem carros nas ruas. O trânsito é composto, praticamente, por ciclistas e trams. Lá, os cidadãos não têm frescura, e vão de bicicleta aonde precisar, seja à escola, ao trabalho, às compras, ao teatro. E, para isso, não usam trajes especiais. Mulher de salto alto e homens de terno não se envergonham de ir a uma festa em duas rodas. Aí você começa a imaginar as bikes mais ostensivas da Terra, mas engana-se, pois beleza e tecnologia são as últimas coisas que os amsterdammers procuram nas bicicletas, que são bem básicas e clássicas. Para eles, podem ser feitas até de garrafa PET, desde que os levem a qualquer lugar. Portanto, amigo turista, faça o mesmo. Se for a Amsterdam, alugue uma bike e vá a qualquer parte da cidade com segurança e praticidade. Procure por empresas como a Bike City (www.bikecity.nl), a Black Bikes (www.black-bikes.com), a Damstraat Rent-a-Bike (www.rentabike.nl), a MacBike (www.macbike.nl), a Mike’s Bike Tours (www.mikesbiketours.com), a Recycled Bicycles (www.recycledbicycles.org) e a Yellow Bike (www.yellowbike.nl) e alugue sua magrela. Agora, se você deseja um passeio guiado, a Orange Bike (www.orangebike.nl), a Mike’s Bike Tours e a Yellow Bike são as mais indicadas.

Anúncio da Damstraat Rent-a-Bike

Anúncio da Damstraat Rent-a-Bike (via Instagram)

Paralelo à sugestão acima, dou outra dica: não siga nosso exemplo! Andar de bicicleta naquele frio, por mais insuportável que parecesse, poderia ter nos rendido um precioso tempo de sobra. E se os milhares de cidadãos de lá transitavam para cima e para baixo de bicicleta, por que não nós três? No mais, somos brasileiros, e não desistimos nunca! Quero saber quem inventou essa falácia.

Cidadãos de bicicleta pela Leidsestraat

Cidadãos de bicicleta pela Leidsestraat

Bicicletas solitárias pela Leidsestraat.

Bicicletas solitárias pela Leidsestraat.

Bicicletas estacionadas pelas pontes dos canais

Bicicletas no canal de Geldersekade

Estorninhos-comuns descansam nas bicicletas, na Albert Cuypstraat

Estorninhos-comuns descansam nas bicicletas, na Albert Cuypstraat

Voltando ao nosso passeio daquele dia, ao lado do De Gooyer existe uma cervejaria bem tradicional chamada Brouwerij ‘t IJ (Cervejaria IJ). Nas suas instalações, funcionava uma antiga casa de banhos chamada Funen. A cervejaria foi aberta em outubro de 1985 pelo ex-músico Kaspar Peterson.

Brouwerij 't IJ

Brouwerij ‘t IJ

Brouwerij 't IJ

Brouwerij ‘t IJ

A Brouwerij ‘t IJ é uma das várias pequenas cervejarias da Holanda que foram abertas em resposta à insatisfação dos consumidores com as cervejas produzidas pelas grandes empresas. Atualmente, fabrica nove tipos de cerveja, sendo quatro delas sazonais, além das produzidas ocasionalmente. É claro que tomamos umas! Estavam excelentes! Aqueles salaminhos então deixaram nossa tarde melhor ainda.

Brouwerij 't IJ

Brouwerij ‘t IJ (via Instagram)

Da Brouwerij ‘t IJ era hora de voltar ao centro da cidade. Novamente, visitaríamos o Bairro da Luz Vermelha (De Wallen), dessa vez à noite, pois precisávamos ver as situações daquele lugar na sua forma mais picante. Estávamos a mais de 2 quilômetros de lá, mas, mesmo assim, preferimos ir a pé. Se essa nossa atitude não lhe causou orgulho, amigo leitor, saiba que, em Amsterdam, com exceção daquele inesperado passeio de barco ofertado pela Heineken, dois dias antes, não havíamos utilizado nenhum meio de transporte, senão nossas surradas solas de sapato. E foi assim até o último dia. Palmas para os mineiros andarilhos!

Chegamos ao De Wallen, e antes de começar a espiar as vitrines, decidimos, finalmente, entrar em um coffeeshop. Já que estávamos diante do The Bulldog, o mais famoso da cidade, por que não entrar?

Coffeeshop The Bulldog, na via Oudezijds Voorburgwal

Coffeeshop The Bulldog, na via Oudezijds Voorburgwal

Existem várias lojas do The Bulldog espalhadas por Amsterdam, mas aquela localizada a poucos metros da Igreja Velha, na via Oudezijds Voorburgwal, 90, parecia ser a mais interessante. O clima lá dentro era tenso! Mas só para nós três caretas, pois todos os clientes estavam hiper-relaxados, a maioria até de bode. O meus amigos pediram um cappuccino, e eu um suco. Olhávamos um para o outro no maior constrangimento do mundo. O local cheirava a incenso, mas o aroma era proveniente dos vários sabores de cigarrinho de artista vendidos ali.

Olha que coincidência: havia outros três sul-americanos no The Bulldog, na mesma tensão! Porém, um deles, de estatura mais baixa, resolveu pedir um bolinho de chocolate do tipo muffin, conhecido na Holanda como spacecake. E você já sabe: bolinho que é vendido ali é aditivado com ervas. A amiga do baixinho aceitou um pedacinho, e o outro amigo também. No final, todos os três tinham pedido um bolinho maldito cada um, mas o baixinho comeu o seu e o pouco do que restou dos bolinhos dos outros. E foram embora, um pouco frustrados por não terem sentido reação nenhuma. Mas a embalagem do bolo alertava: “Este spacecake contém 0,20 gramas de haxixe. Usuários inexperientes de marijuana não são aconselhados a comer o spacecake. Depois de comê-lo, levará algum tempo para que você sinta os efeitos. Antes de consumir haxixe novamente, nós o aconselhamos a esperar pelo menos 30 minutos após a ingestão do spacecake. O consumo do spacecake é por sua conta e risco. A Direção não assume nenhuma responsabilidade por qualquer dano que possa vir a ocorrer. Consuma com moderação!

Enfim, também deixamos o The Bulldog e começamos o nosso passeio pelo distrito das tias. A noite ainda não havia caído, mas as prostitutas já estavam bem melhores que os tribufus que vimos ali na tarde do dia anterior. O bairro estava bem mais bonito naquele horário, marcado pela imponência da Igreja Velha, que parecia abençoar as trabalhadoras que tentavam a vida lá perto.

Igreja Velha vista do Bairro da Luz Vermelha

Igreja Velha vista do Bairro da Luz Vermelha

Via Oudezijds Voorburgwal

Via Oudezijds Voorburgwal

Patos nadam no canal da Oudezijds Achterburgwal

Patos nadam no canal da Oudezijds Achterburgwal

Já havia anoitecido, e mesmo assim um grande grupo de turistas circulava pelo Bairro da Luz Vermelha. E não eram só homens mal – ou bem – intencionados. Tinha muita gente do tipo “familiar” como casais, idosos e até crianças. Todos estavam muito curiosos, e quando se aglomeravam nos corredores mais apertados do De Wallen, as prostitutas fechavam as cortinas das vitrines imediatamente, pois aquilo não era nenhum show de horrores. Estavam cobertas de razão. A curiosidade e as expressões exclamativas dos visitantes beiravam o desrespeito. E ai de quem se atrevesse a fotografar! Em cada vitrine, há um adesivo indicando que é proibido fazer fotos, mas, mesmo assim, alguns se arriscavam. Vimos inclusive uma cena em que uma prostituta saiu fervendo de dentro da cabine, acertou a cabeça de uma transeunte com uma garrafa d’água e gritou: “Por que você não pede para seu marido tirar fotos suas enquanto está tomando banho, sua %$#@*&!“. Fiquei perplexo, embora concordasse com a mulher de vida difícil.

Estranhamente, naquele passeio, eu sentia um frio dos pés aos joelhos, mesmo estando muito bem agasalhado. Nada melhor então do que uma bebida para dar uma esquentada. Foi quando resolvemos fazer uma parada no The Old Sailor, um pub muito bacana situado na Oudezijds Achterburgwal, 39. Como o próprio nome diz, o tema do lugar é voltado aos marinheiros, algo bem apropriado para aquele bairro. O astral de lá era muito bom. Eu achei a cerveja um pouco cara, embora os comentários que os visitantes postaram no TripAdvisor afirmem o contrário. Sentamos a uma mesa bem na janela, de frente para uma cabine de luz vermelha que fica no outro lado do canal. Da nossa posição, dava para ver de tudo! Menos sexo, é claro.

Cabine vista do The Old Sailor, no outro lado da Oudezijds Achterburgwal

Cabine vista do The Old Sailor, no outro lado da Oudezijds Achterburgwal

Avistamos uma senhora trançando para cima e para baixo na Oudezijds Achterburgwal com uma penca gigantesca de chaves. Talvez fosse proprietária de dezenas de cabines ou mesmo uma cafetina. Além dela, vimos vários grupos de turistas que participavam de visitas guiadas pelo bairro. Conforme a Clarice não parava de repetir, aquilo era um mico! Discordando um pouco da minha amiga, considero o passeio guiado até interessante, pois vai a lugares pontuais do De Wallen, como o sindicato das prostitutas.

Ponte no cruzamento das ruas Oudezijds Achterburgwal e Molensteeg

Ponte no cruzamento das ruas Oudezijds Achterburgwal e Molensteeg, vista do The Old Sailor

À medida em que o tempo passava, o bairro ficava mais interessante. Assistimos a pequenos shows de um doidão na calçada, que fazia estripulias bizarras em troca de cigarro, e presenciamos as mudanças de turno das mocinhas que trabalhavam no outro lado do canal. Aquela janela proporcionava um espetáculo antropológico!

Advinha quem apareceu no The Old Sailor! Os três sul-americanos que comeram o spacecake há cerca de uma hora e meia. Mais tarde, apresentaram-se como Juanita, Guillermo e Pablo (baixinho). Eram de Santiago do Chile. Eventualidades à parte, notei que o Pablo estava até normal, embora dissesse sentir os pés gelados, assim como eu. Já a Juanita e o Guillermo pareciam meio bodados. Dava até para notar uma neblina circundando suas vistas enquanto bebiam suas cervejas. De repente, o baixinho, que até então não havia bebido nada, resolve tomar um gole da cerveja do Guillermo. Foi quando o frio dos seus membros inferiores subiu até o último fio do cabelo. Aí os três riram bastante. Não me esqueço da crise de euforia que Pablito teve ao dizer que viu a Mulher Barata, ou de um outro surto de riso por estranhar a enorme quantidade de senhoras muçulmanas que invadiram o canal. A Mulher Barata nada mais era do que uma moça vestida de preto, com a roupa toda colada no corpo, franjinhas ao longo das mangas e um chapéu peludo. Já as senhoras muçulmanas, de muçulmanas não tinham nada. Eram apenas turistas com gorros e cachecóis, afinal, fazia um frio do cão.

E a menina do trio?! Jesus Cristo! Juanita parecia uma investigadora secreta! Com os olhos avermelhados fixos na janela, analisava o expediente das prostitutas no outro lado do canal. Usando um celular, ela cronometrava a duração de cada programa, porém dava só a partida na contagem, esquecendo-se, sempre, de marcar o tempo final.

Deixamos o The Old Sailor para dar outra volta pelo Bairro da Luz Vermelha. Os três chilenos nos acompanharam nesse tour. Eles andavam tranquilamente pelas ruas e corredores do distrito, mas notei que Pablito estava numa paranoia homérica. Dizia não querer utilizar sua máquina fotográfica com medo de tirá-la da bolsa e, com isso, deixar cair seus euros pelo chão. Tinha medo também de que uma prostituta acertasse sua testa com uma garrafa d’água, alegando que ele estava tentando fotografá-la. Além de toda essa psicose, o jacu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo, achando que nós seis estávamos perdidos, procurando pelo caminho certo para retornar ao hotel.

Parecia ser umas três da manhã. Como assim passamos sete horas ali no De Wallen?! Enfim, era hora de irmos embora. Os chilenos também estavam hospedados em Leidseplein, e retornaram a pé conosco. O Pablo dizia que andar a pé seria uma ótima ideia, pois o efeito do spacecake passaria mais rápido. Ele já não aguentava mais aquele desconforto psicológico causado pelo bolinho do capeta. De repente, a Juanita iniciou uma caminhada em passos rápidos praticamente trotados, e os dois foram no mesmo ritmo atrás dela. O mesmo fizemos até chegarmos à Leidseplein.

Leidseplein

Leidseplein

Nós seis já éramos quase hermanos, então para celebrar nossa nova amizade que daria saudades no verão, fomos todos juntos ao Satellite Sports Café, bar que conhecemos no primeiro dia em Amsterdam. Uma bela costelinha ilimitada cairia muito bem naquele final de noite. Ficamos abismados com o vigor com que nossos novos chegados devoravam sua comida. Naquele momento, entendemos por que os macérrimos japoneses que vimos lá na primeira vez comiam tanto: ou comeram spacecake ou fumaram um “bronzeado”.

Estávamos preocupados com o horário, pois deveria ser umas quatro da matina. Olhei para o relógio e quase levei um susto. Não passavam das 22 horas! Que dia intenso! Depois das deliciosas costelinhas, despedimo-nos dos amigos chilenos e voltamos para o hotel. Eu não passava de um bagaço, e precisava dormir imediatamente. No quarto, comi um cookie enorme e fui deitar.

SEXTO DIA – quinta-feira

ATRAÇÃO  |  AVALIAÇÃO  |  CUSTO*
Museu de Instrumentos de Tortura Medieval |  :-) :-) :-)  |  $ $ $
Passeio de barco pelos canais  |  :-) :-) :-) :-) :-)  |  $ $ $
*(Em euros) 1 – 5: $ \ 6 – 10: $$ \ 11 – 15: $$$ \ 16 – 20: $$$$ \ acima de 20: $$$$$

Enfim, chegamos ao último dia da nossa belíssima jornada por Amsterdam e pela Europa. Eu já nem me lembrava que tinha estado na Espanha e na República Tcheca, de tanta coisa que havíamos feito na capital dos Países Baixos.

Começamos o dia com um belo café da manhã na Leidsestraat. Eu pedi um waffle com muita calda, um cappuccino, um suco de laranja e mais alguma coisa de que não me lembro. E não via a hora de almoçar! Acho que as longas caminhadas do dia anterior abriram meu apetite por umas boas horas.

Waffle com calda no café da manhã

Waffle com calda no café da manhã

Do café da manhã, caminhamos pela Leidsestraat até virarmos à direita no Singel, precisamente no Bloemenmarkt. Ali, de frente para as barracas de flores, está o Museu de Instrumentos de Tortura Medieval, semelhante ao que tínhamos visitado em Praga. Achamos o de Praga meio chinfrim, embora as peças expostas nele sejam superinteressantes. Falta ao museu tcheco uma ambientação de arrepiar os cabelos, pois sua coleção é bem sinistra.

Museu da Tortura Medieval de Amsterdam

Museu de Instrumentos de Tortura Medieval, em Amsterdam

Já em Amsterdam, até eu arrepiei os cabelos. Embora seja pequeno, o museu é muito bem caracterizado, com luzes macabras e textos e imagens bastante informativos.

Museu de Instrumentos de Tortura Medieval, em Amsterdam

Museu de Instrumentos de Tortura Medieval, em Amsterdam

Ainda não entendo por que tanto o museu de Praga quanto o de Amsterdam não atraem muitos turistas. Seus instrumentos de tortura são originais e suas informações são verdadeiras. Compreendo que nem todo mundo tem interesse por assuntos tétricos, mas aquilo é história. Enfim, achamos que valeu a pena a visita.

Do museu da tortura, retornamos à Leidsekade, rua onde estávamos hospedados, para embarcar num passeio de uma hora pelos principais canais da cidade. Despedimo-nos do pato que nos ciceroneava na curta espera no ponto de embarque e seguimos viagem canais afora.

Pato no ponto de embarque do passeio de barco, na Leidsekade

Pato no ponto de embarque do passeio de barco, na Leidsekade

O passeio pelos canais foi muito interessante. Só não excedeu nossas expectativas porque já conhecíamos quase todos os locais por onde ele passou, afinal, estávamos no nosso último dia em Amsterdam. Foi, portanto, um flashback.

Clarice e Élcio, no início do passeio de barco pelos canais

Clarice e Élcio, no início do passeio de barco pelos canais

O barco seguiu pelo Singelgrachtkering até desembocar no rio Amstel, onde continuou por um longo percurso.

Ponte sobre o canal Nieuwe Prinsengracht, vista do Amstel

Ponte sobre o canal Nieuwe Prinsengracht vista do Amstel

Ponte Magere Brug, sobre o Amstel

Ponte Magere Brug, sobre o Amstel

Rio Amstel

Rio Amstel

Depois do Amstel, o barco virou à direita no canal Zwanenburgwal, cruzou a bacia de Oosterdok e entrou no lago IJ, onde fez uma parada rápida de frente para o teatro de música contemporânea Muziekgebouw aan ‘t IJ. Em seguida, continuou pelo IJ, onde avistamos o edifício Toren Overhoeks e a Estação Central, e fez o retorno.

Lago IJ

Lago IJ

Farol Torre Overhoeks

Edifício do Toren Overhoeks, também chamado de Twenty4Amsterdam, visto do IJ

Do IJ, o barco passou pelo canal da via Prins Hendrikkade, próximo à Estação Central. Ali de frente existe um dos estacionamentos de bicicletas da locadora MacBike. É enorme!

Estacionamento da MacBike

Estacionamento da MacBike

Da Prins Hendrikkade, retornamos ao cais onde embarcamos, navegando pelos principais canais da cidade.

Na minha opinião, o mais interessante desse cruzeiro foi poder ver de perto as casas-barcos, moradias flutuantes que se tornaram populares depois da Segunda Guerra Mundial, localizadas nas beiras dos canais.

Casas-barcos

Casas-barcos do Singelgrachtkering

Fachada de casa-barco

Fachada de casa-barco

Casas-barco

Casas-barco

O número de moradias em Amsterdam é limitado, pois a cidade não tem para onde expandir. Então a solução para quem deseja morar na região dos canais são as casas-barcos. Existem cerca de 3.300 delas espalhadas pela cidade. A não ser que você seja muito bem de vida, não se iluda! Você não tem condições de comprar uma casa dessas. Não custam tão caro como uma casa convencional, mas, mesmo assim, são para poucos. Cogitei em adquirir posses à beira de um canal de Amsterdam, mas tive que me colocar no meu devido lugar: no bairro Carlos Prates. E se você ouvir dizer que estou morando em um canal, provavelmente será no rio Arrudas.

Singelgrachtkering

Singelgrachtkering

Singelgrachtkering (via Instagram)

Singelgrachtkering (via Instagram)

Dica - Fui e Vou Voltar - Alessandro PaivaAlém desse tour de barco que fizemos, existem outros tipos em Amsterdam. Podem ser feitos de dia ou de noite. Se não me engano, passeamos pela Blue Boat Company (www.blueboat.nl). Para o turista que prefere navegar com um número reduzido de pessoas, a empresa mais indicada é a St. Nicolaas Boat Club (www.amsterdamboatclub.com), que possui barcos descobertos de apenas dez lugares. São pequenos e conseguem navegar pelos canais mais estreitos. Já a Canal Bus (www.canal.nl) é a única do tipo hop on hop off, em que os turistas podem embarcar e desembarcar à vontade em vinte cais perto das principais atrações da cidade. Não sei se existem outras companhias, mas essas são as principais.

Nosso passeio pela adorabilíssima Amsterdam estava quase no fim. Embora estivéssemos na metade do dia, ainda precisávamos comprar algumas muambitchas. Fora que não tínhamos a mínima ideia de como organizar nossas sete toneladas de bagagem. A arrumação das malas demandaria por um megaplanejamento e algumas horas de execução. Mas, como acontece com todo turista bonzinho, no final, deu tudo certo. Fizemos as compras com calma e satisfação, e as malas ficaram impecáveis. Como recompensa, presenteamo-nos com uma noitada mais caprichada.

Noite de despedida

Noite de despedida

Partiríamos de volta para o Brasil na manhã seguinte. Contudo, não nos sentíamos tão amuados com isso. Já estávamos fora de casa há 22 dias, e queríamos muito contar aos parentes e amigos sobre esta viagem, que foi uma das melhores de nossas vidas. Eu não via a hora de comer uma comida mineira, e acredito que o Élcio também não. A Clarice estava morrendo de saudades do Lenir, ansiosa por entregá-lo as garrafas de azeite compradas em cada cidade em que estivemos. Ela certamente pagaria por excesso de bagagem. E mesmo com todo o peso das nossas malas, trazíamos algo que jamais pesaria e que ninguém nunca mais poderá nos tirar: a contrastante experiência vivida naqueles poucos mais de 20 dias pela Europa, encerrada com brilhantismo na cidade holandesa dos canais.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com


Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. Gerson

    Olá, Alessandro,

    Parabéns por mais um belo relato.

    Gerson

  2. ola, parabéns, adorei a postagem, ano que vem pretendo conhecer msterdam, excepcionalmente Amsterdam, porém vou sozinho, pude ter uma noção de como funcionam as coisas lá, já favoritei a página pra ler de novo depois. rs

    • Alessandro Paiva

      Ôpa, valeu Rafael! No mais, em Amsterdam é facinho andar. É cheio de atrações e é tudo muito bacana. Eles são extremamente desenvolvidos, a cabeça é outra. Abraço!

  3. Rogelia

    Olá, gostei muito de ler o que escreveram e penso que me vai ser muito útil, porque vou voltar a Amsterdão no Carnaval. Já lá estive 2 dias num Verão, mas só visitamos apenas o que guia quis mostrar, agora vamos por nossa conta e a vossa descrição é preciosa. Obrigada!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Rogelia! Muito obrigado pelo comentário! Em Amsterdão, é fácil passear a pé, pois é tudo perto. O importante é ler sobre as atrações antes de partir, assim, quando se chega lá, a informação está na ponta da língua. E preciso que você me faça um favor: vá ao Rijksmuseum e ao Van Gogh Museum, que eu não pude conhecer por estarem em reforma 🙂

      Pela sua escrita, percebo que você é portuguesa, certo? Daqui a um mês, parto para Lisboa, e não vejo a hora de conhecer as maravilhas dessa cidade!

      Abraço e uma ótima viagem!

  4. Carolina

    Excelentes dicas! Já anotei tudo! Muito obrigada!

  5. Rogelia

    Olá,
    Adorei novamente Amesterdão, segui muitas das vossas dicas e visitei os museus Rijks e Van Gogh, que são fabulosos, sobretudo o primeiro. Como disse que em Março ia a Lisboa, lembrei-me de vir ver se já tinha colocado aqui o roteiro e saber se tinha gostado, mas não vi nada… Eu gosto muito de Lisboa, mas vivo no sul de Portugal, na região do Algarve.
    Rogélia

    • Alessandro Paiva

      Olá, Rogelia! Que bom que você gostou de Amesterdão! Fico contente em poder ter ajudado :-). Quanto a Lisboa, amei sua terra! Amei! Portugal é espetacular! Estou tão encantado que pretendo voltar lá no final deste ano. Visitei somente Lisboa, Sintra e Coimbra. Algarve certamente deve ser tão belo quanto ao que vi nessas cidades. E, coincidentemente, começo a escrever hoje sobre minha estadia lá.

      Abraço!

  6. Indo para Amsterdã na semana que vem para uma viagem solo de 8 dias. Adorei o relato! E as fotos? Perfeitas demais… Espero aproveitar tanto quanto vocês! Separei 2 dias para a Bélgica, pois figuram na minha lista de comidas preferidas chocolate, batata-frita e waffles rsrsrs…

    • Alessandro Paiva

      Nossa, que vontade de ir também, rsrsrs! Amsterdam é excelente! Volto lá em março do ano que vem. Quanto à Bélgica, preciso voltar e ficar mais dias. Passei por Bruxelas muito rapidinho.

      Muito obrigado pelo comentário. Uma ótima viagem, e tome as cervejas que não consegui tomar, por favor, rsrsrs! Abraço!

  7. Danusa

    Mais uma narrativa maravilhosa e super útil para mim!! obrigada

  8. Roberta

    Olá, que delícia ler os textos do seu blog! Viajei junto com vocês… Vou para Amsterdam em julho! Depois de ler sua postagem fiquei ainda mais estimulada em ir! Vou para Paris de lá vamos dar uma passadinha de 2 dias na bélgica ( Bruxelas e bruges) e depois vamos para Amsterdam onde ficaremos 3 dias. Gostaria de sugestões de hotel, se você indica o que você ficou ou uma região boa para ficar que facilite as “andanças”!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Roberta! Muito obrigado 🙂 Assim que você chegar lá, verá que é algo muito melhor do que eu relatei. Só estando em Amsterdam para entender isso. Quanto ao hotel, o Quentin é simples, mas o ponto é excelente. Foi o mais barato que meu amigo encontrou. Valeu muito a pena. No mais, Amsterdam é pequena, e andar a pé é muito fácil. Acho que a melhor região para se hospedar é na Leidsplein. Abraço e ótima viagem!

  9. Stéphanie

    Alessandro, você estava afiadíssimo nesse post!!! hahahahahahahha… Amei!!! Muito bom!!!
    Estou viciada!! Meu passatempo entre um estudo e outro é viajar com vocês. Isso me anima, pois fico pensando e planejando minhas futuras viagens, aquelas que poderão ser custeadas depois que passar num concurso.kkkkkkkkkkkkk… “Chocrível!!” …hahahahhahaha…
    Que biblioteca FANTÁSTICA!! Ah, se minha cidade tivesse uma pelo menos parecida…rs
    Parabéns mais uma vez! Você tem uma maneira muito leve e descontraída de escrever. Além disso, é tão detalhista que nos permite imaginar que estamos batendo perna lado a lado. hahahah… Obrigada por compartilhar suas vivências conosco.
    Beijo grande!

    • Alessandro Paiva

      Ahahahaha! Amsterdam é inspiradora, Stéphanie! Mais uma vez, obrigado pelos belos comentários 🙂 Torço para que você passe num concurso o mais rápido possível. Estude muito e, sempre que possível, dê uma lidinha no blog, rsrsr!

      Até a próxima 🙂

  10. Paula

    Oi Alessandro!!! Nossa, incrível seu relato!! Venho acompanhando alguns blogs e váááários sites sobre Amsterdam e achei fantástica a maneira como vc descreveu sua viagem! Acho que vc retratou Amsterdam da maneira mais mágica de todos os lugares que já li… Estou com viagem marcada p lá na segunda quinzena de abril me hospedando num studio no hotelboat ideaal no bairro Di Pijip. Como vc não citou esse bairro no seu relato gostaria de saber o que vc acha da localização? Também queria uma opinião sua sobre a temperatura nessa época do ano… Estive em Paris nessa mesma época e tbm na Itália e achei bastante agradável o clima..chegando até mesmo a fazer calor com picos de mais de vinte e cinco graus durante alguns momentos do dia!!! Calor até mesmo para mim que sou nordestina de PE, estado que mau se consegue diferenciar o inverno do verão a não ser pela quantidade de chuvas!!!! Também já estive no período de inverno em Portugal a 3 graus e suportei bem… Estou particularmente assustada com as temperaturas de Amsterdam, principalmente depois do que li através de vc… Pois, suponho eu que o outono ( período que vc foi ),é uma época de temperaturas agradáveis assim como a primavera ( período que eu vou)….Pois bem, já me estendi horrores!! Assim vc não vai nem querer ler meu comentário! abraços!!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Paula! Muuuuito obrigado pelo comentário 🙂 Falar de Amsterdam foi um pouco difícil, pois é tanta coisa para relatar, admirar, indicar etc., que seria injusto deixar algo de fora. Fiz o meu possível 🙂

      Quanto ao De Pijp, é o bairro onde a Heineken Experience se localiza. Não é cortado por nenhum canal, muita gente diz que parece uma ilha, pois é meio que separado do restante da cidade. Mas isso é só uma impressão. O ponto é ótimo, como tudo em Amsterdam, que é bem pequena. O De Pijp Está a poucos minutos da Museumplein. Se você curte uma batida de bar em bar (eu adoro, rsrsr!), lá é um bom lugar. A noite não é cheia de turistas, o que deixa o bairro mais interessante.

      Já a temperatura, sofri um pouco, rsrsr! Embora a primavera já tivesse começado quando estive lá, fazia um frio do cão! Não nevou ou choveu, mas que eu bati queixo algumas vezes, eu bati. Mas é claro que isso não atrapalhou em nada! Abril estará certamente mais quente e agradável, mas não deixe de levar um bom casaco e acessórios como gorro, cachecol, luvas etc.

      Não se acanhe, escreva o quanto quiser. Terei o prazer em responder 🙂 Abraço e uma excelente viagem!

  11. Cati

    sensacional o relato! rico em detalhes! parabens e obrigada por compartilhar! 😉

  12. NORBERTO SUTILLO DE ARRUDA

    Estávamos preparando o nosso roteiro para 4 dias em Amsterdam, quando deparamos com o seu blog. Encontramos tudo pronto e o que precisávamos. Relatos minuciosos e muitas dicas.Parabéns.

    • Alessandro Paiva

      Ôpa! Que bom que pude ajudar, Norberto! Abraço, muito obrigado e uma ótima viagem para vocês!

  13. Helena

    Ótimo relato, vai nos ajudar muito. Pena que o descobrimos um pouco tarde. Ficaremos somente 4 dias e um dia será dedicado a Keukenhof.
    Em que região se hospedaram?

    • Alessandro Paiva

      Oi, Helena! Muito obrigado 🙂 Não se preocupe, mesmo com 3 dias, seu passeio vai ser ótimo! Ficamos bem próximo à Leidseplein. Abraço e ótima viagem! 🙂

  14. Helena

    Alessandro, gostei muito do seu relato e por conta disso, estou lendo o de Paris. Pode me orientar onde consigo os mapas das cidades, para montar o roteiro? Infelizmente não poderemos seguir todos os seus passos, deste relato.
    Muito obrigada por compartilhar suas experiências e a dica de almoçar na Biblioteca, É dez!!!

    • Alessandro Paiva

      Helena, vou postar os mapas no final dos posts de Amsterdam e Paris. Te aviso. Abraço!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Helena!

      Postei os mapas no final deste relato e nos que fiz sobre Paris (“Sete dias inesquecíveis em Paris” e “O tão esperado retorno a Paris”).

      Abraço e ótima viagem 🙂

  15. Helena

    Valeu!! Obrigada,

  16. Paulo

    Amigo, primeiramente parabéns, muito top, eu já fui e vou voltar hehehe sem clichê. Deixa eu te fazer uma pergunta, o Shuttle vc contratou la na hora ou fechou pela NET? Sai mais barato se reservar antes? Tem algum problema se for na hora?

    • Alessandro Paiva

      Oi, Paulo! Muito obrigado pelo comentário! O shuttle pagamos na hora mesmo. Na verdade, nem pesquisamos os preços. Convém você dar uma pesquisada. Olhando agora no site da Schiphol Hotel Shuttle, não vejo menção a redução de tarifa por ser comprado pela internet. Mas lembro que custei a achar o guichê. Se eu tivesse que comprar hoje, o faria pela internet. Abraço e ótima viagem!

  17. Marianna

    Parabéns pelo relato, foi o melhor que li de Amsterdam!
    Fiquei na cidade por apenas três dias e o modo de vida holandês realmente impressiona!
    Quero voltar em breve e agora com essas dicas o passeio ficará mais completo!

    • Alessandro Paiva

      Obrigado, Marianna! Amsterdam tem tanta coisa pra se fazer e tanta comida para se comer que você verá que sempre faltará uns dias, rsrs! Abraço!

  18. Marcia

    Querido Alessandro
    Já agradeci no post de Paris e não poderia deixar de agradecer também pela sua gentileza em compartilhar Amsterdam, que contribuiu imensamente para nossa viagem.
    Estivemos em Maio (1 a 3) e ficamos no Quentin, localização perfeita pra explorar a cidade a pé.
    Chegamos até ele. vindo do aeroporto, de ônibus 197 com tarifa 5 euros, nossa bagagem era cada um com sua mochila e uma mala de mão. Existem monitores indicando as paradas de ônibus, mas o que pegamos não estava funcionando, somente o auto falante e estranhamos no início a pronuncia das paradas, mas aos poucos fomos nos acostumando e saltamos sem problemas.
    Comemos costela no Sports Cafe, 12,95 euros, um espetáculo de carne em porção inicial bem generosa que o maridão bom de garfo (digo, carnívoro ao extremo) não conseguiu comer além de uma repetição.
    Fomos a Keukenhof e que experiência visual e olfativa extraordinária.
    Os queijos comprados no supermercado, para o meu gosto, foram os melhores que já comi.
    Valeu muito estar em Amsterdam, Penso em voltar para ver o tanto de coisas que não vi.
    Mais uma vez, muito, muito obrigada Alessandro e como sempre desejo muitas viagens.
    Abração

    • Alessandro Paiva

      Oi, Márcia!!! Eu é que agradeço 🙂 E valeu pelas dicas! Tomara que os leitores vejam seu comentário e tirem proveito de suas sugestões. Abraço e ótimas viagens para você também 🙂

  19. Ivana

    Eu simplesmente amei esse blog. Vou pra Europa no final do ano e passarei o Natal em Amsterdan. As dicas sao otimas e ate me emocionei lendo, pois ir pra Europa e um sonho pra mim e Amsterdan mais ainda !! Obrigada por dividir conosco tantas informacoes uteis. Ja salvei em meus favoritos !!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Ivana! Muito obrigado 🙂 E vou te contar: só estando na Europa para entender o quanto é bacana. Você vai alucinar, especialmente com o Natal.

      Abraço e ótima viagem 🙂

  20. Helena

    Oi, Alessandro! Estive em Amsterdam e foi ótimo. Seguimos algumas de suas sugestões como almoçar na biblioteca mas o restaurante tem um endereço no centro tb. Uma noite jantamos no estaurante Bark, perto do Museuplein. Refeição deliciosa mas é bom fazer reserva. Para hospedagem, achei que perto do Leidsplein é melhor que no Quentin, inclusive tive um problema com esse hotel. Fiz a reserva, cancelaram porque não localizaram o meu cartão, e debitaram uma diária, no cartão. Foi um sufoco, em pleno dia 01/05, hotéis lotados porque a cidade lotada, e as tarifas estavam caríssimas.
    Agora, tem gostinho de quero mais…
    Obrigada!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Helena!

      Eu é que agradeço 🙂 Muito obrigado pelas dicas. Até entrei no site do Bark, realmente parece ser muito bom! Até deixo o link aqui para quem ler sua dica: http://www.bark.nl

      Quanto ao Quentin, que coisa, hem! Ninguém é perfeito, mas isso não pode acontecer, pois turista longe de casa que enfrenta problemas com hotel é igual cachorro perdido, rsrsr! Ainda bem que você resolveu o problema.

      Abraço e ótimas viagens sempre!

  21. Mari Ramos

    Alessandro,apenas hoje tive contato com seu blog (não sei por quais links) e adorei seu relato sobre Amsterdam. Já estive em Ams por 4 vezes e a cada vez descubro um canto novo, um bar apenas de cervejas, um museu escondido, um novo enfoque para foto. Claro que já fiz tudo o que vcs fizeram e muito mais. Amo a Holanda e os holandeses. São cultos, educados, prestativos (talvez eu tenha tido sorte com eles, mas acredito que a impressão que deixam é esta mesmo). Volte lá. Volte com muito tempo e volte na primavera. Vai descobrir uma nova Holanda e vc vai ter a impressão de que está em outro lugar! Conheço boa parte da Europa (amo a Itália tb) e a Holanda é um dos meus países preferidos. Vc escreve muito bem e nos faz viajar junto com vc. Parabéns e boa viagem (sei que quando a gente é picado pelo mosquito do turismo é impossível parar, rs). Mari

    • Alessandro Paiva

      Oi, Mari! Muitíssimo obrigado! Pois é, Amsterdam é tudo isso que você falou e um pouco mais. Também ficamos fascinados com a educação dos holandeses, sempre tranquilos e com um sorriso no rosto. Claro, voltarei lá sim 🙂 Seguirei sua sugestão de ir na primeira, mas mais pra maio ou junho, porque no início dessa estação, quando fui, fazia um frio do cão! Ventava horrores! Mas amamos mesmo assim 🙂

      Abraço e ótimas viagens sempre!

  22. Ana

    JURO…. eu amo seu blog… não viajo mais pra nenhum lugar sem antes dar uma bela lida nos seus posts!!! PARABENS!!!
    E como vou realaxar na ferias com os amigos resolvemos ir até Amsterdam e depois ir para Israel..
    Eu gostariad e saber se esse Hotel que vcs se hospedaram é bom e se vale a pena???

    Mais uma vez parabens!!!
    Bjos!!
    Ana

    • Alessandro Paiva

      Oi, Ana!!! Muitíssimo obrigado 🙂 O Quentin é um hotel bem simples, mas nos atendeu perfeitamente, pois fica ao lado da Leidsplein. Não tinha café da manhã incluído, que, à parte, custava 10 euros. Mas valeu a pena, principalmente se considerarmos os altos preços das hospedagens em Amsterdam. Enfim, eu indico. Abraço, ótima viagem e, mais uma vez, muito obrigado 🙂

  23. Luisa Scalzo

    Alessandro,
    Seu Blog é sensacional!!! Parabéns. Voltarei a Amsterdã pela segunda vez agora em agosto. também amo a cidade e suas dicas serão de grande valia.
    Obrigada!!!

    • Alessandro Paiva

      Obrigado, Luisa!!! Que bom que pude ajudar 🙂 Quando você voltar ao Brasil, poste suas impressões/dicas aqui.

      Abraço e ótima viagem!

  24. Nathalia

    Alessandro,
    muito bom seus relatos! estou guardando todas as dicas.. gostaria de saber em que mes voce foi,pois estou indo em janeiro e pelo jeito o frio sera igual ou maior ao que voces pegaram la rs
    Parabens pelo blog!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Nathalia! Muito obrigado 🙂 Fomos no final de março, inicinho da primavera, que é menos frio que janeiro, rsrsrs! Mas não se preocupe! A Holanda não para por causa do frio. O importante é se agasalhar bem. E talvez você sinta menos frio do que a gente, porque sofremos mesmo foi por causa dos ventos. Enfim, com pouco ou muito frio, você vai adorar Amsterdam! Abraço e uma ótima viagem! 🙂

  25. Nathalia

    Ahh legal !! Enquanto a viagem nao chega,sigo acompanhando seu blog e pegando todas as dicas rs.
    Abracos

  26. celia

    O seu blog é o melhor que já vi por aqui….adorei seu relato mas fiquei curiosa em saber qual foi o hotel que vcs ficaram. Achou muito complicado essa coisa de procurar hotel em Amsterdam: ou possuem escadas super íngremes, ou são muito velhos, ou são muito caros ou são muito longe….

    • Alessandro Paiva

      Oi, Célia! Obrigado pela visita ao blog! O hotel chamava-se Quentin. Era pequeno, de escadas íngremes, velho e tudo mais, como todas as construções em Amsterdam. Faz parte 🙂 , não se deixe abalar por isso. Uma coisa é inevitável: são caros… Tente AirBnb, talvez você encontre boas opções. Abraço e ótima viagem!

  27. ROBSON DE ALBUQUERQUE PORTO

    Parabéns pelo seu blog… muito bem elaborado e detalhado. Estou programando uma viagem para Amsterdam para junho do próximo ano, e com certeza irei utilizar muitas das informações que aqui foram colocadas. Para mim com certeza um dos melhores blogs que li até hoje. Continue assim, e quem sabe este dom não dará origem a um ebook.

    • Alessandro Paiva

      Ôpa!!! Muito obrigado, Robson! Confesso que estou superatrasado nas postagens! Tem viagem que fiz em fevereiro de 2016 e até hoje nem comecei a escrever… Tá faltando tempo, mas comentários como o seu me dão um gás, rsrs! Em breve me viro e retomo os relatos 🙂 Quanto ao e-book, boa ideia! vou compilar esses textos, dá uma reorganizada e vou ver como publico isso. Abraço e aproveita Amsterdam bastante!

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