Entre belos ocasos, Budapeste ensina e entretém

No trem que ia de Viena a Budapeste, eu e o Élcio já percebíamos as diferenças entre as culturas austríaca e húngara. Naquele ponto da viagem, eu sentia uma certa vontade de me imergir em ares menos formais do que aqueles que respirei na capital da Áustria, e a cada quilômetro de trilho percorrido, meus pulmões iam se enchendo de uma atmosfera menos protocolar e cerimoniosa. Conhecer Viena não foi ruim, pelo contrário, foi um passeio e tanto, mas já era hora de fazer uso da licença que turista tem para ser despojado, com direito a trejeitos que infringem certos padrões de etiqueta e permissão tácita para usar indumentárias levemente maltrapilhas.

Élcio degusta uma cerveja no trem de Viena a Budapeste (via Instagram)

Élcio degusta uma cerveja no trem de Viena a Budapeste (via Instagram)

Despojamento era a palavra de ordem naquele comboio. Dos viajantes que aos poucos embarcavam pelo caminho, uns entravam falando alto e outros se instalavam em poltronas alheias. Teve até mocinha que descalçou seu tênis esportivo, exalando aromas de roquefort com notas avinagradas. Entre uma estação e outra, assistíamos a cenas de rapazinhos sendo convidados a se retirar do trem. Numa manobra astuta, viajavam gratuitamente até serem descobertos pelos seguranças de bordo. Não duvido nada que os velhacos embarcariam novamente em outro comboio e seguiriam sendo expulsos até chegarem ao destino pretendido.

Obviamente, as coisas não aconteciam tão intensamente conforme meu relato dramatizado, mas juro que presenciamos um bocado dessa desordem. Confesso que estávamos até gostando. No início, observávamos tudo um pouco ressabiados, pois tínhamos acabado de passar uma pequena temporada em Viena, cidade de extrema polidez e formalismo, mas não demorou até entrarmos no clima. De mais a mais, no Brasil, isso é atividade corriqueira, tantas vezes venerada por cidadãos que honram o jeitinho brasileiro como um patrimônio cultural imaterial tombado.

Aerogerador visto na viagem de trem de Viena a Budapeste (via Instagram)

Aerogerador visto na viagem de trem de Viena a Budapeste (via Instagram)

PRIMEIRO DIA – Quinta-feira, 20/3/2014

Museu Nacional Húngaro, Praça Universitária, Igreja da Universidade, Praça Franciscana, Váci utca, Vörösmarty tér, caminhada pelas margens do Danúbio

A viagem durou cerca de três horas. Chegamos ao terminal ferroviário Budapest-Keleti por volta das 15h10.

Estação ferroviária Budapest-Keleti (via Instagram)

Estação ferroviária Budapest-Keleti (via Instagram)

Orientados pelo atendente do guichê de informações sobre como chegar ao hotel, pegamos a linha de metrô M2 (linha vermelha) na estação Keleti pályaudvar. Diferentemente de muitos países europeus, a fiscalização no metrô de Budapeste é vigorosa. Não passamos por catracas, mas tivemos que apresentar os bilhetes para os guardas que estavam de prontidão no início das escadas rolantes. De início, presumi que ali o cidadão tenta viajar “de graça” mais frequentemente do que nas nações vizinhas, mas em cidades como Paris, Roma, Lisboa e Viena, vi gente literalmente pulando a catraca ou irrompendo pelas portas automáticas. E não foram poucas vezes! Em Budapeste, não presenciei essa cena. Os seguranças húngaros estavam fazendo um ótimo trabalho.

Descemos na estação Astoria, de onde arrastamos as malas por 800 metros até o hotel. Ficamos hospedados no Kálvin Ház. Pagamos uma mixaria pela acomodação! A entrada e a recepção são bem modestas, mas os quartos são enormes e possuem uma certa pompa. Ficamos horrorizados com a altura do pé direito! Tinha até uma planta gigante no canto. Se fôssemos crianças, certamente teríamos pulado na cama de empolgação.

Nosso quarto, no hotel Kálvin Ház

Nosso quarto, no hotel Kálvin Ház

Não recebo um centavo para falar dos estabelecimentos comerciais que cito neste blog. Se os indico, é porque realmente fico satisfeito com seus serviços, preços ou produtos. O kávin Ház, que também é conhecido como Inn Side Hotel Kalvin House, é classificado como três estrelas, mas no nosso céu de constelação limitada e norteado por gastos otimizados, ele vale brilhantes e tilintantes cinco estrelas.

Como hotel é só para dormir e tomar banho, mal nos acomodamos e corremos para a rua.

Via Múzeum körút

Via Múzeum körút

Perto do nosso hotel, na via Múzeum körút 14, está o Magyar Nemzeti Múzeum (Museu Nacional Húngaro), onde fizemos nossa primeira parada.

Magyar Nemzeti Múzeum (Museu Nacional Húngaro)

Magyar Nemzeti Múzeum (Museu Nacional Húngaro)

Não tinha atração melhor para começar o roteiro em Budapeste! Aquele museu, como qualquer outro do tipo, conta a história do país por meio de documentos, peças arqueológicas e obras de arte. Nada tão interessante, até eu começar a assimilar sua “versão” dos fatos, o que foi sendo confirmado em outras atrações de Budapeste. Nos museus de Viena, percebe-se um sentimento inflado no que diz respeito ao Império Austro-Húngaro, em que a Hungria, nessa monarquia dualista, parece ter sido uma mocinha muito satisfeita e subserviente em relação à Áustria. Contada no lado magiar, essa mesma história mostra que a mocinha não estava tão contente assim. Embora constituíssem dois estados iguais, com capitais e sistemas políticos próprios e alternância da sede de governo entre suas capitais, os elementos que os dois países tinham em comum estavam praticamente nas mãos dos austríacos. Enfim, sei pouco de história e longe de mim tentar traçar entrelinhas. Quero apenas dizer que, no Museu Nacional Húngaro, pude observar a “verdade” sobre o império contada pela parcela magiar através de obras de arte, principalmente. Graças à sua exposição, visitar museus e galerias deixou de ser algo apenas fascinante para ser também intrigante, com possibilidades de extrapolação dos aspectos estéticos e históricos para entranhar num microcosmo surpreendente. Aliás, tal é a pretensão de todo museu. Eu é que demorei a tirar proveito disso.

O Museu Nacional Húngaro está longe de ser o melhor que conheci, mas foi o ponto de partida para uma jornada de cinco dias cheia de curiosidades e expectativas em relação à Hungria e à belíssima Budapeste. De lá, rumamos pela Rua Kecskeméti até a Egyetem tér (Praça Universitária), onde demos uma rápida passada na belíssima Egyetemi Templom (Igreja da Universidade), uma construção no estilo barroco, erigida entre 1725 e 1748.

Egyetemi Templom (Igreja da Universidade)

Egyetemi Templom (Igreja da Universidade)

Deixamos a igreja e seguimos caminhando pela Rua Károlyi até a Ferenciek tere (Praça Franciscana), onde nossos anjos da guarda foram forçados a redobrar a atenção. Tomados pelo melhor dos feitiços, caminhávamos atônitos e distraídos de tanta admiração com as redondezas, o que nos tornou figuras vulneráveis a atropelamentos e ataques cardíacos. Qualquer descuido poderia nos levar a sofrer da Síndrome de Stendhal, doença que causa transtornos psíquicos e fisiológicos quando o indivíduo é exposto a uma sobredose de beleza. Ok, nem tanto, mas meu queixo não ficava caído daquela forma desde minha infância acometida pela bronquite asmática.

Rua Kossuth Lajos, próximo à Ferenciek tére (Praça Franciscana). Erzsébet híd (Ponte Elizabeth) ao fundo

Rua Kossuth Lajos, próximo à Ferenciek tére (Praça Franciscana). Erzsébet híd (Ponte Elizabeth) ao fundo

Eram 17h40, e acredito que a justaposição da iluminação urbana que começava a surgir com o princípio do anoitecer foi responsável pela criação de um cenário tão bacana. Estávamos no lugar certo no momento certo.

Ferenciek tere (Praça Franciscana)

Ferenciek tere (Praça Franciscana)

Ferenciek tere (Praça Franciscana)

Ferenciek tere (Praça Franciscana)

Da Praça Franciscana, andamos um quarteirão pela Rua Kígyó até o trecho pedonal da Váci utca, famosa rua que possui um grande número de lojas, restaurantes, cafés, entre outros estabelecimentos. Muito bonita, mas é atração pega turista. Comprar souvenir ali, nem pensar! É muito caro.

Váci utca

Váci utca

No final da Váci utca, está a Vörösmarty tér, praça assim chamada em homenagem ao poeta húngaro Mihály Vörösmarty, para quem foi erguida uma estátua bem ao centro. Aos pés do poeta, os budapestenses costumam se reunir para jogar conversa fora.

Vörösmarty tér

Vörösmarty tér

O transeunte que desejar comprar o último modelo do iPhone desbloqueado, poderá encontrá-lo ali a um preço bem atraente, presumivelmente sem acessórios, documentos ou algum tipo de certificação. No meio da Vörösmarty, quase que discretamente e com um sorriso parecido com o da bruxa da Branca de Neve, um rapaz me ofereceu um. Se ao ar livre tinha smartphone bacana sendo vendido clandestinamente, a mercadoria era de fato roubada. Na mesma hora, protegi meu telefone e passei a andar mais atento, embora dizem que a cidade é bastante segura. Enfim, procuro não estrelar nas estatísticas.

À parte esse pequeno incidente, a Vörösmarty tér é belíssima, e num ritmo perfeitamente sincronizado, mais uma vez nos encontramos no lugar certo e no momento certo. Impossível descrever os tons vermelhos e azuis em que o céu ia se colorindo.

Vörösmarty tér

Vörösmarty tér

O trajeto até então percorrido foi suficiente para que ficássemos alucinados com Budapeste. Nosso curto passeio havia abrangido somente um trechinho do lado de Peste, parcela oriental da cidade, portanto havia muito a ser explorado.

Quando estivemos em Praga, três brasileiros nos disseram que a capital húngara é mais charmosa do que a capital da República Tcheca. Para mim, isso era improvável, porque achei Praga estonteante. Todavia, não subestimei a afirmação dos conterrâneos, o que elevou minhas expectativas em relação a Budapeste. Vale destacar que, em termos arquitetônicos, são cidades bem diferentes, e cada uma é bela à sua maneira. No entanto, o crepúsculo daquela quinta-feira tornou-se uma atração à parte.

Deixamos a Vörösmarty em direção ao Rio Danúbio. Passamos pela sala de concertos Vigadó e, já próximos ao rio, fomos premiados com uma das vistas mais sensacionais do planeta. Simultaneamente ao proferir de cada sílaba de um sussurrado e arrastado “pu-ta-que-pa-riu”, meus olhos percorreram um ângulo de 167º pela orla do rio, desde a Colina Gellért até a Ponte Széchenyi Lánchíd, varrendo boa parte de Buda, porção ocidental da cidade. No meio desse panorama, o Budai vár (Castelo de Buda) reinava absoluto, e a ele dediquei outro palavrão, dessa vez firme, bradado e cabeludo.

Castelo de Buda, visto da margem oriental do Danúbio

Castelo de Buda, visto da margem oriental do Danúbio

Castelo de Buda, visto da margem oriental do Danúbio (via Instagram)

Castelo de Buda, visto da margem oriental do Danúbio (via Instagram)

É ÓBVIO que Budapeste já figurava entre nossas cidades favoritas! A vontade que eu tinha era de encabeçar uma campanha pelo tombamento daquele céu colorido e texturizado pelo sol que já havia se posto. Além desse espetáculo natural, a iluminação simples e despretensiosa de milhares de lâmpadas alaranjadas fazia Buda parecer uma maquete natalina.

Bonde elétrico trafega na margem oriental do Danúbio

Bonde elétrico trafega na margem oriental do Danúbio

Empolgadíssimos, rumamos caminhando até a Ponte Széchenyi Lánchíd, também conhecida como Ponte das Correntes. Construída em 1840 e aberta em 1849, foi a primeira ponte permanente sobre o Danúbio a ligar os lados Buda e Peste.

Rio Danúbio e Ponte Széchenyi Lánchíd (Ponte das Correntes)

Rio Danúbio e Ponte Széchenyi Lánchíd (Ponte das Correntes)

Daquele ponto, após apreciar a vista do conjunto formado pela Mátyás-templom (Igreja de São Matias) e pelo Halászbástya (Bastião dos Pescadores), retornamos caminhando em direção ao hotel, sempre margeando o rio. Passamos pela Erzsébet híd (Ponte Elizabeth), nomeada em honra de Elisabeth da Baviera. Sua construção original data de 1903. No entanto, assim como muitas pontes da Hungria, foi destruída no final da Segunda Guerra Mundial. Sua construção atual data de 1964.

Conjunto formado pela Mátyás-templom (Igreja de Matias) e pelo Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Conjunto formado pela Mátyás-templom (Igreja de Matias) e pelo Halászbástya (Bastião dos Pescadores), em Buda

Erzsébet híd (Ponte Elizabeth)

Erzsébet híd (Ponte Elizabeth)

Bonde elétrico trafega às margens do Danúbio

Bonde elétrico trafega às margens do Danúbio

Finalizamos a caminhada na Szabadság híd (Ponte da Liberdade), localizada próxima ao hotel. Foi erguida entre 1894 e 1896, sendo inaugurada pelo Imperador Francisco José I, que, simbolicamente, colocou o último rebite prateado. Também destruída pela Segunda Guerra, foi reconstruída entre 1945 e 1946. É simplesmente maravilhosa! Minha ponte preferida sobre o Danúbio.

Szabadság híd (Ponte da Liberdade)

Szabadság híd (Ponte da Liberdade)

Amigo turista, caso você vá a Budapeste, desejo que sinta a mesma emoção que eu e o Élcio sentimos ao presenciar o show natural às margens do Danúbio. Certamente, o espetáculo do anoitecer ocorre o ano inteiro, mas da forma como vimos naquele mês de março, não posso lhe assegurar. Então deixo uma dica superestranha, mas bem pontuada, pois, assim como nós, quero que você esteja no lugar certo, no momento certo:

Dica balao 2no mês de março, escolha um dia de céu claro com algumas nuvens para um passeio que deverá ter início na Praça Franciscana, precisamente às 17h40. Permaneça ali por alguns minutos apreciando as redondezas. Atento ao movimento dos carros, hem! Poupe seu anjo da guarda. Em seguida, dirija-se à Váci utca, onde começará uma caminhada por volta das 17h55 até a Vörösmarty tér. Já nessa praça, fique tempo suficiente para sentir seu astral (não compre um iPhone, por favor!) e contemplar o céu já se colorizando em tons de fogo. Sugiro que deixe a Vörösmarty por volta das 18h10, no máximo. Então siga para o Danúbio. Às margens do rio, segure o queixo, limpe a baba, evite palavrões e tire fotos maravilhosas. Vire à direita e, sempre rente à orla, vá até a Ponte das Correntes. Dê uma pausa, olhe para o topo da colina à direita e perca o fôlego com o conjunto formado pela Igreja de São Matias e o Bastião dos Pescadores. Depois, no seu tempo e ritmo e sempre às margens do Danúbio, retorne e ande até a espetacular Ponte da Liberdade. Essa foi uma das caminhadas mais bonitas da minha vida.

Voltamos ao hotel para um banho e, em seguida, saímos para jantar e tomar umas. Caminhando pela Rua Kecskeméti, encontramos um restaurante bem simples chamado Alföldi Vendéglő, situado entre a Kálvin tér (Praça Kalvin) e a Praça Universitária. Com exceção da pogácsa, pão tradicionalmente assado em lareira e mais tarde em um forno comum, não me lembro das refeições que comemos lá, mas estavam deliciosas e com um sabor bastante familiar. Conforme o Élcio costuma lembrar, a culinária húngara tem um tempero bem parecido com o brasileiro, o que diminui a saudade da comida de casa.

Porção de pogácsa

Porção de pogácsa

Após o jantar, finalizamos a noite com uma leve enchida de cara no GoodBar, situado logo ao lado do Alföldi Vendéglő.

SEGUNDO DIA – Sexta-feira, 21/3/2014

Colina de Várhegy, Castelo de Buda, Bastião dos Pescadores, Igreja de São Matias, Hospital in the Rock, Ponte das Correntes, Sapatos no Danúbio, Parlamento Húngaro, Praça Kossuth Lajos, Bairro Judeu, Szimpla Kert

Após um honesto café da manhã, fomos conhecer o complexo do Castelo de Buda, localizado no topo da Colina de Várhegy. Para chegar lá, pegamos o metrô até a estação Deák Ferenc tér, onde descemos e embarcamos no ônibus 16.

Castelo de Buda

Castelo de Buda

O castelo, que em húngaro é conhecido como Budai vár, é a sede histórica dos reis da Hungria. Sua parte mais antiga foi construída no século 14 pelo Príncipe Estevão, Duque da Eslavônia, sendo grandemente ampliado entre as décadas de 1410 e 1420 pelo rei Sigismundo Luxemburgo da Hungria, que necessitava de uma residência megaimponente para expressar sua primazia entre os demais governantes europeus. Juro que essa ânsia por magnificência e ostentação me cansam, mas o Castelo de Buda é definitivamente fenomenal.

Prática recreativa de arco e flecha no complexo do Castelo de Buda

Prática recreativa de arco e flecha no complexo do Castelo de Buda

Há muita coisa para ser visitada no castelo, portanto precisamos editar o passeio de acordo com nossas preferências. Primeiro, fomos à Magyar Nemzeti Galéria (Galeria Nacional Húngara), onde tive outra grande aula de história por meio da arte. A minha coleção favorita é a de artes do século 20 antes de 1945, que me encantou com as obras que retratam o cotidiano melancólico da população magiar após a dissolução do Império Austro-Húngaro.

Para mais informações sobre a galeria, acesse www.mng.hu.

Uma coisa que me incomodou no café da galeria e em outras atrações de Budapeste, foi o oportunismo. Ali, não basta tomar um espresso para poder utilizar as instalações sanitárias. Se o visitante quiser fazer um simples número 1, tem que adquirir o bilhete para a exposição. Isso dá uma preguiça…

Eram por volta das 12h10 quando deixamos a Galeria Nacional. Rumamos para outra atração do Budai vár, o Budapesti Történeti Múzeum (Museu de História de Budapeste), mas estava fechado até as 13h20 por “problemas técnicos”, conforme anunciou um recepcionista. Decidimos então dar um passeio pelas imediações. Se ver Buda no dia anterior foi uma experiência incrível, contemplar Peste dos mirantes do castelo não foi menos excepcional.

Ponte das Correntes vista dos mirantes do Castelo de Buda

Danúbio e Ponte das Correntes, vistos dos mirantes do Castelo de Buda

Dali da Colina de Várhegy, a paisagem é de um encanto fora do comum! O Danúbio com suas pontes é a estrela do panorama, mas o Parlamento é certamente a imagem mais marcante.

Edifício do Parlamento Húngaro, visto dos mirantes do Castelo de Buda

Edifício do Parlamento Húngaro, visto dos mirantes do Castelo de Buda

Pontes Elizabeth, da Liberdade e Petőfi, vistas dos mirantes do Castelo de Buda

Pontes Elizabeth, da Liberdade e Petőfi, vistas dos mirantes do Castelo de Buda

Ponte das Correntes, vista dos mirantes do Castelo de Buda

Ponte das Correntes, vista dos mirantes do Castelo de Buda. Basílica de Santo Estêvão ao fundo

Depois de uma overdose de belas vistas, dirigimo-nos ao Sándorpalota (Palácio de Alexandre), residência do presidente da Hungria desde 2003. Entretanto, devido à presença dos ministros da Lituânia no edifício, o local estava isolado e não nos restou outra alternativa senão almoçar nas redondezas. Sair dali foi uma aventura, pois, por onde quer que tentássemos caminhar, as passagens estavam bloqueadas por seguranças mal informados e indispostos em ajudar. Era a Lituânia pondo o pé na nossa janta, digo, no nosso almoço.

Fomos a um restaurante na Praça Dísz, onde, mais uma vez, tive que desembolsar uma leve quantia para ir ao banheiro. Se eu já tivesse pago pelo prato de comida, a história teria sido diferente. No entanto, eu havia acabado de entrar e estava trançando as canelas. Era certo que eu almoçaria lá, mas a malvada cobradora do banheiro não estava nem aí para minha urgência fisiológica. Ali, só mija quem já pagou pelo rango. Enfim, não dava para esperar. Era pagar ou molhar as calças. Ficar irritado com o sistema do restaurante ou com a senhora sisuda só iria inflar ainda mais a minha bexiga.

De acordo com o roteiro que eu havia planejado, a visita ao Castelo de Buda levaria um dia inteiro. Mas, como saltamos algumas de suas atrações e em outras fomos impedidos de entrar devido a certos contratempos, aproveitamos o tempo de sobra e fomos conhecer outros pontos turísticos nas proximidades.

A poucos metros do castelo, estão o Halászbástya (Bastião dos Pescadores) e a Mátyás-templom (Igreja de São Matias). Compramos o ingresso que dá direito aos dois lugares com um pequeno desconto.

O Bastião dos Pescadores é atração imprescindível de Budapeste. Foi construído entre 1895 e 1902 para celebrar o 1000º aniversário do Estado Húngaro. Suas sete torres representam as sete tribos magiares que se instalaram na Planície da Panônia em 896. Seu nome é uma referência à comunidade de pescadores que defendia aquele trecho da cidade na Idade Média.

Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Passamos pela roleta da entrada do bastião, andamos por alguns metros do seu terraço, apreciamos a indubitavelmente bela vista e, pouquíssimos minutos depois, demos de cara com a roleta da saída. Foi um tour de estranha brevidade. Logo em seguida, descobrimos que o passeio pela outra parte da fortaleza, mais abrangente e mais bonito, era gratuito. Danei a coçar a cabeça de indignação. Era muito oportunismo para um dia só! Ou eu estava sendo ranzinza à toa?!

Eu, no Halászbástya Bastião dos Pescadores

Eu, no Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Dica balao 2Enfim, amigo turista, se for ao Bastião dos Pescadores, fuja da roleta! NÃO pague pela entrada, pois o acesso à melhor parte dessa fortaleza é gratuito. Na bilheteria, adquira somente o ingresso para a Igreja de São Matias.

Meu faniquito passou rápido. No Bastião dos Pescadores, é impossível ficar puto por muito tempo. Nem mesmo um chá de camomila, dois comprimidos de Dorflex ou ¼ de Lexotan têm poder calmante maior do que o de ver o Danúbio e toda a Budapeste dali de cima.

Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Halászbástya (Bastião dos Pescadores)

Seguimos para a Igreja de São Matias, uma igreja católica construída em 1015 no estilo românico. Era chamada originalmente de Igreja de Nossa Senhora, e sua denominação popular se deve a Matias Corvino, um dos reis mais importantes da Hungria. O edifício atual, erguido na segunda metade do século 14, possui o estilo gótico tardio, tendo sofrido uma grande restauração no final do século 19. Foi cenário de várias coroações, entre elas a de Carlos I da Áustria, o último governante do Império Austro-Húngaro, em 1916.

Mátyás-templom (Igreja de Matias)

Mátyás-templom (Igreja de São Matias)

Detalhe do telhado da Igreja de Matias

Detalhe do telhado da Igreja de São Matias

Por fora, a igreja é maravilhosa, com destaque para o desenho criativo do telhado. Não menos magnífico é seu interior, em que me perdi entre texturas, cores, curvas, elementos pontiagudos e tudo mais que uma bela construção gótica pode oferecer.

Interior da Igreja de São Matias

Interior da Igreja de São Matias

Detalhe da decoração interna da Igreja de São Matias (via Instagram)

Detalhe da decoração interna da Igreja de São Matias (via Instagram)

Deixamos a São Matias e nos dirigimos para uma das atrações top 5 de Budapeste: o Sziklakórház Múzeum, ou Hospital in the Rock, como também é conhecido. Foi construído durante a Segunda Guerra Mundial, sendo extensamente utilizado durante o Cerco de Budapeste (1944 a 1945) e na Revolução Húngara de 1956. No início da década de 1960, temendo as consequências da Guerra Fria, suas instalações foram ampliadas e transformadas em um bunker nuclear. Hoje, o local é um museu que expõe, por meio de um tour guiado, a história do antigo hospital. O passeio dura por volta de uma hora e mostra documentos variados, cômodos, mobiliário, instrumentos, artefatos e maquinário ainda em condições de funcionamento, além de personagens de cera que dramatizam a exposição.

Eu e o Élcio junto ao grupo de visitantes no Sziklakórház Múzeum (Hospital in the Rock) - Foto em www.hospitalontherock.hu

Élcio e eu junto ao grupo de visitantes no Hospital in the Rock (foto disponível em http://www.sziklakorhaz.eu)

Fiquei alucinado com sua lojinha, que vende, entre outros, máscaras de gás, uniformes, acessórios e uma série de artigos que foram produzidos para serem utilizados durante o período de funcionamento do hospital. São tão genuínos que cheiram a mofo. Juro! Por uma pechincha, comprei uma camisa camuflada e uma pequena bolsa tiracolo para o meu pai.

Loja de souvenirs do Hospital in the Rock

Loja de souvenirs do Hospital in the Rock

Para mais informações sobre o Hospital in the Rock, acesse www.sziklakorhaz.eu.

Bastante satisfeitos com o passeio pelo museu do hospital, retornamos ao Castelo de Buda para finalizar a visita ao seu complexo. Lá, de frente para o Palácio de Alexandre, havia uma feirinha de artigos típicos. Quase tive orgasmos múltiplos e sucessivos ao ver que uma das barraquinhas vendia o delicioso kürtőskalács, uma espécie de pão doce cilíndrico assado no forno à brasa, confeitado com canela, açúcar ou tantas outras especiarias saborosas que podem levar ao delírio ou à diabetes. Conheci essa belezura em Praga, onde ela se chama trdelník, e não via a hora do reencontro. Até achei que em Bratislava, cidade em que estivemos três dias antes, fartaria-me do tal pão, mas não vi nem sinal da formosa guloseima em formato de bracelete. Contudo, em Budapeste, tive minha apoteose. Passei por um momento, como diria minha amiga Kátia, de luxo, resplendor e glória. Ah, se meu kürtőskalács tivesse acabado de sair do forno…

Eu comendo um kürtőskalács no Castelo de Buda

Comendo um kürtőskalács no Castelo de Buda

Deixamos o Castelo de Buda e rumamos para Peste, atravessando a lindíssima Ponte das Correntes.

Ponte Széchenyi Lánchíd (Ponte das Correntes)

Ponte Széchenyi Lánchíd (Ponte das Correntes)

Viramos à esquerda na Antall József e seguimos caminhando às margens do Danúbio.

Buda vista do outro lado do Danúbio. Destaque para a torre da Igreja de Matias

Buda vista do outro lado do Danúbio. Destaque para a torre da Igreja de São Matias

Pouco mais de 450 metros adiante, encontramos o Cipők a Duna-parton (Sapatos no Danúbio), um monumento em memória aos judeus mortos pelo Partido da Cruz Flechada durante a Segunda Guerra Mundial. Composto por esculturas de 60 pares de sapato enfileirados por 40 metros da orla do Danúbio, esse emocionante memorial lembra os judeus que foram executados na beira do rio pelos militantes do partido. Após receberem a ordem de tirar os sapatos, as vítimas levavam um tiro e seus corpos caíam no rio, sendo levados pela correnteza.

Cipők a Duna-parton (Sapatos no Danúbio)

Cipők a Duna-parton (Sapatos no Danúbio)

O Sapatos no Danúbio é atração obrigatória para quem vai a Budapeste. Embora o local seja imbuído de tristeza, é de uma poesia sem igual. De lá, caminhamos mais alguns metros até o inigualável edifício do Parlamento Húngaro.

Detalhe do edifício do Parlamento Húngaro

Detalhe do edifício do Parlamento Húngaro

Não há quem se mantenha indiferente diante daquela maravilha arquitetônica. Da Colina de Várhegy, o edifício é esplendoroso, e de perto, é tão magnífico quanto. Ao passo que nos aproximávamos de sua fachada, as sutilezas de suas extremidades pontiagudas revelavam detalhes hipnotizantes! Construído no estilo neogótico com cúpulas neorrenascentistas, o edifício do Parlamento começou a ser erigido em 1885 e foi concluído em 1904. Embora não tivéssemos visitado seu interior – não sei se isso é permitido –, conhecê-lo por fora valeu muito a pena.

Porção esquerda do edifício do Parlamento Húngaro

Lateral esquerda do edifício do Parlamento Húngaro

Contornamos o edifício até a Kossuth Lajos tér (Praça Kossuth Lajos). Naquele momento, acontecia a troca da guarda do Parlamento. Aproveitei a ocasião e fiz um filminho imbecil dos meus pés marchando ao som dos tambores, até perceber que estava prestes a ser atropelado pelos soldados.

Cerimônia da troca da guarda do Parlamento, na Kossuth Lajos tér

Cerimônia da troca da guarda do Parlamento, na Kossuth Lajos tér

Praça Kossuth Lajos

Praça Kossuth Lajos

Linha 2 do bonde elétrico, às margens do Danúbio

Linha 2 do bonde elétrico, às margens do Danúbio

Szimpla Kert (via Instagram)

Szimpla Kert (via Instagram)

Para nossa felicidade, os vários estabelecimentos vendiam todo tipo de bebida. Para nossa tristeza, não aceitavam cartão de crédito. Com pouca pecúnia em espécie, tivemos que regrar os goles, que foram suficientes para entrar no clima e desejar voltar ali ardentemente.

Para mais informações sobre esse fantástico espaço de entretenimento, acesse www.szimpla.hu.

Deixamos o Szimpla e seguimos pelas redondezas à procura de um local que aceitasse cartões. Andando pela Kazinczy, encontramos uma miríade de bares e restaurantes superinteressantes. Nessa rua convidativa de perdições moderadas e gente interessante, fizemos bom uso de nossas tarjas magnéticas e seguimos noite afora entre um drinque e outro. Suficientemente bêbados, fomos embora a pé para o hotel.

Dica balao 2Com base nessa curta experiência com os beberrões, é de se pensar que há um grande ressentimento em relação às posições política e social da Hungria, o que acontece em qualquer país. Mas, naquela noite, nos deparamos com um caso pontual: a necessidade de afirmar a democracia. Talvez o passado conturbado tenha deixado um rastro negativo e uma imagem que não reflete os anseios e opiniões daqueles jovens. O Élcio achou isso muito estranho, e assim que chegou ao hotel, pesquisou sobre o assunto na internet. Encontrou um blog que dizia que, em Budapeste, é comum a abordagem inconveniente dos drunk youngsters (jovens bêbados), e o melhor a fazer é ignorá-los.

TERCEIRO DIA – Sábado, 22/3/2014

Ponte da Liberdade, Colina Gellért, Citadella, Estátua da Liberdade, Ponte Elizabeth, Grande Sinagoga de Budapeste, Basílica de Santo Estêvão, Parque Millenáris, Exposição Invisível, For Sale Pub

Ponte da Liberdade (via Instagram)

Ponte da Liberdade (via Instagram)

Começamos o dia atravessando o Danúbio pela belíssima Ponte da Liberdade. Já em Buda, viramos à direita na Raoul Wallenberg e seguimos caminhando às margens do rio até a Ponte Elizabeth, onde demos início a uma escalada pela Gellért-hegy (Colina Gellért).

Gellért-hegy (Colina de Gellért)

Gellért-hegy (Colina Gellért)

Olhando pelo mapa do Google, parece ser possível subir a colina por uma trilha que tem início na Ponte da Liberdade, ao lado dos Banhos Termais de Gellért (hum, não vejo a hora de falar dos banhos termais!), bem próximo ao hotel onde nos hospedamos. Todavia, a recepcionista nos disse que teríamos que começar a subida pela entrada da Ponte Elizabeth, o que nos fez andar um bocado. Enfim, valeu a pena a caminhada.

Andar até a base da Gellért foi fácil, difícil foi subir por sua trilha sinuosa. Se não fossem as doses homeopáticas da fabulosa paisagem que aos poucos surgia, eu teria infartado.

Vista da Colina de Gellért

Vista da Colina Gellért. Destaque para a Ponte Elizabeth

Vista da Colina Gellért. Destaque para o Castelo de Buda

Vista da Colina Gellért. Destaque para o Castelo de Buda

Depois de alguns minutos, chegamos ao topo da colina, a 235 metros de altura. Ali, está situada a Citadella (Cidadela), uma fortaleza construída entre 1851 e 1854 por húngaros em regime de trabalho forçado, a mando de Julius Jacob von Haynau, comandante da Monarquia de Habisburgo. Seu edifício em forma de “U” ocupa uma área de 220 metros de comprimento por 60 de largura, apetrechado por 60 canhões. Em 1974, após uma longa história marcada por batalhas, revoluções, destruições e restaurações, o local tornou-se uma atração turística.

Topo da Colina de Gellért

Topo da Colina Gellért

Na Citadella, destaca-se a Estátua da Liberdade, um monumento dedicado à luta pela independência no país. Foi erigida em 1947 em comemoração à ocupação soviética, incursão responsável pela libertação da Hungria do domínio nazista na Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, havia uma inscrição sob o monumento que dizia “À memória dos heróis soviéticos libertadores, erguido pelo grato povo húngaro em 1945“. Vale lembrar que, no início da guerra, os magiares eram aliados dos alemães contra a URSS. Esta, vitoriosa, tomou a Hungria, que virou a casaca e passou para o lado soviético. Entretanto, com o passar dos anos, a insatisfação dos húngaros contra as imposições de Moscou aumentou bastante, a ponto de se revoltarem contra o regime comunista em 1956. Fracassados nessa revolução, tiveram a tão sonhada liberdade somente em 1989, com a queda do comunismo, quando a inscrição no monumento foi alterada para “À memória daqueles que sacrificaram suas vidas pela independência, liberdade e prosperidade da Hungria.” É, agora ficou claro porque os jovens bêbados da noite anterior perseveravam em seu discurso a favor da democracia.

Estátua da Liberdade, na Colina de Gellért

Estátua da Liberdade, na Colina Gellért

Descemos a Colina Gellért, atravessamos o Danúbio pela Ponte Elizabeth e seguimos alguns quarteirões até a Dohány utcai zsinagóga (Sinagoga da Rua Dohány).

Erzsébet híd (Ponte Elizabeth)

Erzsébet híd (Ponte Elizabeth)

Dohány utcai zsinagóga (Sinagoga da Rua Dohány)

Dohány utcai zsinagóga (Sinagoga da Rua Dohány)

Também conhecida como a Grande Sinagoga de Budapeste, é a maior sinagoga da Europa, com capacidade para mais de 3.000 pessoas no seu interior. Como era sábado, dia de oração e de descanso para os judeus, estava fechada. Uma pena, pois dizem que é lindíssima. Tivemos que nos contentar apenas com uma visita por fora.

Depois de tomar um espresso na cafeteria do outro lado da rua, caminhamos cinco quarteirões até a Szent István Bazilika (Basílica de Santo Estêvão).

Szent István Bazilika (Basílica de Santo Estêvão)

Szent István Bazilika (Basílica de Santo Estêvão)

A Santo Estêvão é a maior igreja do país, comportando 8.500 pessoas. Juntamente com o Parlamento, forma o par de edifícios mais altos da cidade. Seu nome se deve ao Rei Estêvão, primeiro rei da Hungria, cujo corpo, relíquia mais importante da cristandade húngara, encontra-se mumificado numa capela atrás do santuário.

Interior da Basílica de Santo Estêvão

Interior da Basílica de Santo Estêvão

Após visitar o interior da basílica, subimos até a cúpula. Preferimos pagar uma pequena quantia para ir de elevador, dispensando a escalada de 364 degraus. A vista lá de cima é um espetáculo!

Vista da cúpula da Basílica de Santo Estêvão

Vista da cúpula da Basílica de Santo Estêvão

Deixamos a Santo Estêvão, seguimos pela Rua Zrínyi e viramos à direita na Rua Nádor, onde andamos feito pobre na chuva até encontrar um lugar para almoçar.

Depois de nos fartar em um restaurante próximo ao Parlamento, era hora de conhecer a Láthatatlan Kiállítás (Exposição Invisível), uma atração situada no Parque Millenáris, pouco frequentada por turistas, mas que vale a pena ser visitada.

Entrada da Láthatatlan Kiállítás (Exposição Invisível)

Entrada da Láthatatlan Kiállítás (Exposição Invisível)

Dica balao 2Para chegar lá, pegamos a linha 4 do bonde elétrico no ponto Jászai Mari tér, logo no início da Margit híd (ponte Margaret), em Peste. Atravessamos o Danúbio e, em Buda, descemos no ponto Merchwart liget, localizado na via Marchit körút. A linha 6 faz o mesmo trajeto. Subimos até a Rua Kis Rókus, onde viramos à direita e caminhamos até a Rua Fény, endereço de uma das entradas do Parque Millenáris.

O próximo passeio guiado para conhecer a Exposição Invisível em inglês começaria às 17h15. Eram 15h45, portanto tivemos que esperar uma hora e meia. Para passar o tempo, fomos a uma feira que acontecia no Millenáris. Ninguém sabia nos informar o que era exatamente aquele comércio de artesanato e comidas típicas conjugado com entretenimento familiar. O Élcio cogitou a hipótese de ser uma comemoração à primavera que acabara de chegar.

Feira no Parque Millenáris

Feira no Parque Millenáris

Ali, pais e filhos se divertiam enquanto nós nos arrependíamos de ter enchido a pança no almoço. Havia muita comida cheirosa sendo preparada em enormes panelas, mas pouco – ou quase nenhum – espaço nos nossos estômagos. Recusei até um kürtőskalács, que era assado na hora na maneira mais tradicional.

Comida servida na feira do Parque Millenáris

Comida servida na feira do Parque Millenáris

kürtőskalács sendo preparado na feira do Parque Millenáris

Kürtőskalács sendo preparado na feira do Parque Millenáris

Passados os intermináveis 90 minutos, demos início ao tour pela Exposição Invisível. Essa atração não está ligada à história ou à cultura húngaras, mas é bastante reconhecida pela experiência que proporciona. Trata-se de um percurso feito em um ambiente de completa escuridão, em que os visitantes vivem parte da rotina de um deficiente visual. No início, é bastante perturbador. O Élcio sentiu um certo sufoco e eu estava sempre alerta, temendo bater a cabeça ou tropeçar em alguma coisa. No entanto, com o passar do tempo, fica menos difícil de se locomover. O tour dura uma hora e é guiado por um deficiente visual, que leva os visitantes a uma casa, a um museu, a um passeio ao ar livre pela cidade e pelo campo e termina a trajetória em um bar. Gradativamente, a escuridão toma formas e cores e a interatividade ameniza a tensão de se imaginar numa situação real de completa cegueira.

Dica balao 2A Exposição Invisível nunca será divertida, porém é extremamente interessante e, de certa forma, emocionante. Eu e o Élcio a consideramos atração top 5 de Budapeste. Para informar-se sobre horários e datas de visita, tarifário, entre outros, acesse www.lathatatlan.hu.

Decidimos passar a noite próximo ao hotel. Fomos ao For Sale Pub, situado na Vámház körút, 2, próximo à Ponte da Liberdade. A decoração do bar é muito bacana. Suas paredes são revestidas de papéis com recados escritos pelos fregueses e o chão é coberto pelas cascas dos amendoins oferecidos gratuita e abundantemente como tira-gosto. Ao abrir o cardápio, levamos um susto com os preços. Eram inclusive mais baixos do que os dos restaurantes daqui de Belo Horizonte, mas comparados aos dos outros estabelecimentos de Budapeste, eram consideravelmente altos. Já que estávamos ali, nada de sovinice! A ordem era curtir a noite e se empanturrar de comida boa. Quando os pratos chegaram, levamos outro susto. Eram imensos! De caras, as refeições se tornaram bem em conta. São tão grandes que o restaurante avisa: “Por favor, note que nossas porções são maiores que a média, portanto sugerimos que vocês, prezadas senhoras e crianças, peçam porções menores, pelas quais cobramos 75% do valor total.

For Sale Pub

For Sale Pub

QUARTO DIA – Domingo, 23/3/2014

Ópera Estatal Húngara, Avenida Andrássy, Casa do Terror, Praça dos Heróis, Museu de Belas Artes, City Park, piscinas termais do Széchenyi Gyógyfürdő

Naquela manhã, pegamos o metrô e fomos direto ao edifício da Magyar Állami Operaház (Ópera Estatal Húngara), situado na charmosa Avenida Andrássy. Sua construção foi financiada pelo governo de Budapeste e pelo Imperador Francisco José I, sendo erguido entre 1875 e 1884, quando recebeu o nome de Ópera Real Húngara. Rapidamente, esse palácio de estilo neorrenascentista tornou-se um dos principais teatros da Europa, tendo recebido cerca de 130 performances anuais no período seguinte à sua inauguração.

Magyar Állami Operaház (Ópera Estatal Húngara)

Magyar Állami Operaház (Ópera Estatal Húngara)

Eu não havia planejado uma visita às instalações do teatro, e mesmo que quiséssemos fazê-la, não conseguiríamos, pois, aos domingos, encontra-se fechado pela manhã.

Para mais informações sobre a Ópera Estatal Húngara, acesse www.opera.hu.

Após conhecer o teatro somente por fora, demos continuidade ao roteiro. Rumamos caminhando pela Andrássy, avenida margeada por belos casarões e suavemente pulverizada de lojas pomposas como as célebres Louis Vuitton, Ermenegildo Zegna, Burberry, Gucci e Roberto Cavalli. Pobre que sofre de recalque, ali, deve procurar andar de queixo erguido e com o olhar mirando apenas o horizonte. Assim, a dor de cotovelo é mais branda.

Avenida Andrássy

Avenida Andrássy

Avenida Andrássy (via Instagram)

Avenida Andrássy (via Instagram)

Felizmente, a Andrássy não é feita só de soberba. Possui mais uma das atrações que eu e o Élcio consideramos top 5 em Budapeste: a Terror Háza (Casa do Terror). Esse magnífico museu é voltado à atuação do comunismo e do fascismo na Hungria no século 20. É também um memorial às vítimas desses regimes, muitas das quais foram detidas, interrogadas, torturadas ou mortas naquele edifício, que se situa no número 60 da avenida.

Edifício da Terror Háza (Casa do Terror)

Edifício da Terror Háza (Casa do Terror)

Além da coleção de materiais e de documentos sobre a relação do país com o nazismo alemão e com a União Soviética, a Casa do Terror abriga uma rica exibição sobre o Partido da Cruz Flechada e sobre a Államvédelmi Hatóság, também conhecida como ÁVH, que foi a polícia secreta da Hungria entre 1945 e 1956, similar à KGB.

Tanque de guerra exposto na Terror Háza (Casa do Terror)

Tanque de guerra exposto na Terror Háza (Casa do Terror)

A Casa do Terror é sensacional! Uma aula de história e tanto! A intensidade e a complexidade de sua exposição evidenciam um passado de fato conturbado. As alianças, os dissídios e as viradas de casaca que aterrorizaram os húngaros são tratados de forma clara e assustadora. Alguns historiadores liberais e esquerdistas, jornalistas e cientistas políticos argumentam que o museu retrata a Hungria mais na posição de vítima dos regimes ditatoriais do que reconhece a contribuição que ela mesma deu a esses governos autoritários. Controvérsias a parte, a história do país é fascinante, assim como a Terror Háza, atração imprescindível em Budapeste.

Após a visita ao museu, retomamos nossa caminhada pela Andrássy até a famosa Hősök tere (Praça dos Heróis).

Hősök tere (Praça dos Heróis)

Hősök tere (Praça dos Heróis)

No centro da praça, está o Memorial do Milênio, que começou a ser construído em 1896 durante a celebração dos 1.000 anos do Estado Húngaro, sendo concluído somente em 1929. É marcado pelas estátuas dos líderes das sete tribos magiares que fundaram o país e de outras personalidades da história húngara.

Letreiro na Praça dos Heróis

Letreiro na Praça dos Heróis

Em um dos lados da praça, está o Szépművészeti Múzeum (Museu de Belas Artes). A pintura europeia da fase entre os séculos 13 e 18 é documentada em cerca de 300 quadros desse museu, com destaque para expoentes como Rafael, Rembrandt, El Greco, Velasquez, Goya, Dürer, Brueghel e Leonardo da Vinci. Entre as obras dos séculos 19 e 20, estão peças magníficas de Eugène Delacroix, Manet, Monet, Camille Pissaro, Renoir, Toulouse-LautrecCamille Corot, Courbet, Rodin e Constantin Meunier. Além disso tudo, a instituição possui a segunda maior coleção de arte egípcia da Europa. Ou seja, não é pouca mer*&$#@!

Edifício do Szépművészeti Múzeum (Museu de Belas Artes)

Edifício do Szépművészeti Múzeum (Museu de Belas Artes)

Depois de visitar essa maravilhosa exposição, atravessamos a Praça dos Heróis e fomos ao Városliget, ou City Park, como também é conhecido. Confesso que não pus muita fé nesse lugar, que fui lá mais para cumprir roteiro. Bela quebrada de cara! O parque é belíssimo! Foi o principal palco das comemorações do 1.000º aniversário do Estado Húngaro.

Dentro do parque, existe um complexo arquitetônico dos mais fabulosos que já vi. Para o Élcio, é o mais bonito da Europa. As fotos que seguem estão longe de mostrar a real beleza do lugar. É preciso estar lá para entender o que estou dizendo.

Városliget

Városliget (City Park), com destaque para o Vajdahunyad vára (Castelo de Hunedoara), à Direita

O complexo é formado pelo edifício do Magyar Mezőgazdasági Múzeum (Museu Húngaro da Agricultura), pelo Vajdahunyad vára (Castelo de Hunedoara) e pela Jáki kápolna (Capela Jaki).

À esquera está a Magyar e à direita o Mezőgazdasági Múzeum (Museu Húngaro da Agricultura)

Jáki kápolna (Capela Jaki) e Magyar Mezőgazdasági Múzeum (Museu Húngaro da Agricultura), no City Park

City Park

City Park

O City Park possui várias outras atrações, entre elas o Fővárosi Állat- és Növénykert (fundação zoobotânica), o Fővárosi Nagycirkusz (circo), o Városligeti Műjégpálya (ringue de patinação) e a melhor de todas na minha opinião: as piscinas termais do Széchenyi Gyógyfürdő. Eu não via a hora de falar sobre esse lugar!

Piscina com tanque giratório, no Széchenyi Gyógyfürdő

Piscina com tanque giratório, no Széchenyi Gyógyfürdő

Jacu que sou, cheguei a ter dúvidas de como “vestir” para me banhar nas águas terapêuticas do mais badalado spa de Budapeste. Já fui atleta de natação e de saltos ornamentais, frequentei praias no Brasil e no exterior e mesmo assim não sei o que usar quando o assunto é piscina pública. Sim, ali no Széchenyi, eu era turista e tinha licença poética para pagar esse tipo de mico, mas temia que implicassem comigo por usar bermuda ou outro traje impróprio para o local. E além da bermuda, eu deveria usar camiseta? E se eu me enfiasse numa sunga? Iriam reparar na largura dela? Estaria longa demais ou curta demais? Santa jequice! Enfim, como você é uma pessoa bem mais esclarecida do que eu, entendeu logo que não tem nada disso. Aliás, pelas piscinas do Széchenyi, desfilam homens e mulheres com todos os tipos de trajes de banho e de todas as idades.

A única coisa que não tive vergonha foi da minha brancura, pois minha tez apresentava dois tons acima da média dos frequentadores do spa. Senti-me um surfista, um menino do rio, sem dragão tatuado no braço ou calção corpo aberto no espaço, mas de sunga vermelha, sentindo arrepio de frio.

Sem medo de ser feliz, no Széchenyi Gyógyfürdő

Sem medo de ser feliz, no Széchenyi Gyógyfürdő

Caipirices à parte, o Széchenyi é bom demais! Suas águas são quentinhas e possuem cálcio, magnésio, bicarbonato, sulfato de sódio e um teor significativo de fluoreto e de ácido metabórico. Qual o efeito disso tudo no organismo? Não faço a mínima ideia! Só sei que nadei até enrugar as mãos. Na parte externa do complexo, rodei bastante no tanque giratório e esnobei os quatro nados na imensa piscina de raia, mesmo que estivesse fazendo um frio do capeta.

Piscina de raia, no Széchenyi Gyógyfürdő

Piscina de raia, no Széchenyi Gyógyfürdő

Já na parte interna, dei uma rápida passada nas saunas, que mais pareciam tabernas medievais, onde homens e mulheres aprontavam uma algazarra da melhor qualidade – com muito pudor, é claro. Também mergulhei em cada uma das 15 piscinas cobertas. Não, não peguei micose! Felizmente, o local é bem higienizado.

Dica balao 2Os spas são bem tradicionais em Budapeste. Além do Széchenyi, destacam-se o Gellért Gyógyfürdő, situado na base da Colina Gellért, próximo à Ponte da Liberdade, e o não menos bacana Rudas Gyógyfürdő, que fica ao lado da Ponte Elizabeth, ambos no lado de Buda.

Para mais informações sobre o Széchenyi Gyógyfürdő, acesse www.szechenyibath.hu.

Deixamos o spa e pegamos a linha M1 do metrô (linha amarela) na estação Széchenyi fürdő, sentido Vörösmarty tér. Aliás, que metrô peculiar! Fiquei encantado com a delicadeza do aviso de fechar portas, conforme se vê no vídeo abaixo.

Colocando o sarcasmo de lado, o transporte público de Budapeste é muito bom. Não é moderno, mas possui uma boa abrangência. Alguns dos vagões do metrô são bem antigos, e confesso que achei isso um charme. E como você deve ter percebido ao longo deste post, não poupei cliques aos fotogênicos bondes elétricos que circulam por toda a cidade.

Vagão de metrô da linha M3

Vagão de metrô da linha M3 (linha azul)

No metrô de Budapeste

No metrô de Budapeste

Aproveitando, deixo uma dica sobre o transporte público da capital magiar:

Dica balao 2além do bilhete unitário para uma corrida, o usuário do transporte tem à disposição várias opções: bilhete para trecho do metrô com três paradas, bilhete de transfer, bloco com 10 bilhetes para 10 corridas, cartão para um dia (one-day travel card), cartão turístico para 72 horas, cartão para uma semana (seven-day travel card), bilhete com foto para 14 dias e bilhete com foto para um mês. Para conferir essas combinações e seus valores, acesse www.bkk.hu/en/prices. É importante lembrar que um único bilhete é válido apenas para uma corrida, sem troca de um meio de transporte para outro. No caso de troca, uma nova validação deverá ser feita, com exceção do metrô, em que o usuário pode mudar de linha com um único bilhete. E nada de malandragem! A fiscalização é super-rigorosa. Espertão que viaja sem validar bilhete e é pego paga uma multa bem salgada. Quanto aos trens suburbanos (HÉV), os bilhetes são válidos apenas nos limites de Budapeste. Para além dessa área é necessário um bilhete complementar. Para mais informações, acesse www.bkv.hu/english.

À noite, não fomos muito longe. Jantamos e tomamos um drinque perto do hotel. Enquanto caminhávamos pela Praça Universitária, precisamente no início da Rua Henszlmann Imre, que ladeia o Petőfi Irodalmi Múzeum (Museu de Literatura), passamos por um monumento muito bacana. É uma fonte instalada numa escultura que possui o formato de um livro aberto. O movimento da água esguichada simula páginas que passam. Embora já tivéssemos estado ali, não havíamos notado essa atração.

QUINTO DIA – Segunda-feira, 24/3/2014

Mercado central, Museu de Aquinco, Bairro Judeu (ruas Dohány e Kazinczy)

Enfim, chegamos ao último dia da nossa viagem por Budapeste e pela Europa. Obviamente, já estávamos bem cansados, então aquele foi um dos dias em que nos demos o direito de acordar mais tarde. O café da manhã do hotel já estava encerrado, portanto fomos comer algo no Nagycsarnok (mercado central), que, como eu já disse, fica a apenas um quarteirão de onde estávamos hospedados. Eram 11 da matina, e, oportunamente, uma cerveja complementou o cardápio do nosso desjejum.

Nagycsarnok (mercado central)

Nagycsarnok (mercado central)

O Nagycsarnok é fantástico! No subsolo, encontram-se, principalmente, açougues, peixarias e lojas de produtos em conserva. Já o segundo piso (térreo) oferece especiarias, frutas, verduras, bolos, biscoitos, doces, caviar e bebidas. O terceiro piso, onde a turistada enlouquece, é voltado para a comilança e para os souvenirs. Não acredite em quem lhe disser que passou ali e saiu de barriga vazia e sem sacolas lotadas de artesanatos e bugigangas em geral.

Terceiro piso do Nagycsarnok

Terceiro piso do Nagycsarnok

O mercado vive abarrotado de gente com apetite descomedido e atormentada pelo encosto da gastança. Em plena segunda-feira, tivemos dificuldades de nos locomover pelos corredores dos estabelecimentos gastronômicos, em que pratos típicos, tira-gostos e bebidas eram servidos sem afetação. Delícia de mercado!

Dica balao 2O mercado central é atração top 5 em Budapeste! Reserve um dia de sua estadia na capital húngara e dê uma passada ali para almoçar ou comer um tira-gosto acompanhado de ótimas cervejas (esse foi nosso café da manhã). E não se decepcione com os altos preços das lembrancinhas vendidas pela cidade. No Nagycsarnok, eles são bem em conta e a variedade de artesanato é muito boa. O mercado funciona de segunda a sábado. Abre às 6h e encerra suas atividades às 17h nas segundas-feiras, às 18h de terça a sexta e às 15h nos sábados. Para mais informações, acesse www.piaconline.hu.

Saímos do mercado, deixamos a sacolada no hotel e rumamos para a maior cagada do roteiro: atravessar a cidade até o Aquincumi Múzeum (Museu de Aquinco). Ali, encontram-se as ruínas de Aquinco, cidade que existiu durante o Império Romano. O museu em si é muito interessante, mas, por razões que desconheço, funciona somente de abril a outubro. Portanto, demos de cara com as portas fechadas. Na verdade, esse ponto turístico nem estava previsto no nosso roteiro, pois fica bem afastado do centro de Budapeste. Como tivemos uma sobra de tempo, sugeri que déssemos uma esticada até lá. E como esticamos! Esticamos até arrebentar as canelas! Para chegar às ruínas, numa decisão displicentemente tomada – mea culpa –, pegamos a linha M3 do metrô e descemos na estação Újpest-Városkapu. Dali, conforme conferi no mapa, bastaria atravessar a ponte Újpesti vasúti sobre o Danúbio e caminhar reto até a Avenida Szentendrei, onde o museu se encontra. Assim o fizemos. O que não calculei é que esse trajeto renderia angustiosos 2,9 quilômetros. Imagina fazer essa rota – horrorosa, por sinal – com uma vontade homérica de urinar e sem nenhum estabelecimento comercial por perto! Pequei por não me informar antes de sair. O Élcio, bom rapaz que é, manteve-se tranquilo o tempo todo, compreendendo minha boa intenção de levar-nos a uma atração reconhecidamente importante.

O passeio pelas ruínas de Aquinco nos rendeu apenas algumas fotografias por fora e uma bexiga prestes a explodir, sensação que foi aliviada por ambos no Auchan, hipermercado que fica a poucos metros dali.

Ruínas de Aquinco, no Aquincumi Múzeum (Museu de Aquinco)

Ruínas de Aquinco, no Aquincumi Múzeum (Museu de Aquinco)

Dica balao 2Para voltar ao centro da cidade, pegamos o ônibus 34 (poderia ter sido o 106) de frente para o hipermercado, no ponto Aquincum H, que fica no outro lado da avenida. O ônibus seguiu rente ao Danúbio na margem de Buda, atravessou o rio pela Árpad híd (Ponte Arpad) e rumou poucos metros pela via Róbert Károly, onde desembarcamos no ponto da estação Árpad híd. Ali, pegamos o metrô M3 até o hotel. Portanto, para ir ao Museu de Aquinco, nada de caminhar 2,9 quilômetros com a bexiga nervosa! Basta pegar o metrô M3 no sentido Újpest-Központ e descer na estação Árpad híd. Lá, pegue o ônibus 34 no sentido Békásmegyer, Újmegyeri tér e desça no ponto Aquincum H. O 106 faz o mesmo trajeto e tem parada no mesmo ponto. Pegue-o no sentido Római úti lakótelep. Para mais informações sobre o museu, acesse www.aquincum.hu.

Não víamos a hora de retornar ao Bairro Judeu para cair matando na boemia. Para quem gosta de uma vadiagem comedida, as ruas Dohány e Kazinczy são excelentes opções. Encerrando nossa classificação das cinco mais de Budapeste, esse local é atração top 5 (para quem gosta de uma noitada, é claro!). Ali tem muito bar, muita gente bonita, muita gente descolada, muita gente bêbada e muita gente doida. Se melhorar, estraga. Encarnamos todos esses tipos e arquétipos e nos despedimos de Budapeste de bar em bar, encerrando – ou iniciando, não me lembro – a gandaia no Szimpla Kert.

Despedindo de Budapeste no Szimpla Kert

Despedindo de Budapeste, no Szimpla Kert

Deixamos a cidade na manhã seguinte. Chamamos um minibus da AirportShuttle-Minibusz (ASM) e rapidinho estávamos no aeroporto, já rachando de saudades dessa bela estadia.

Budapeste tornou-se uma das minhas cidades favoritas. Como não se encantar com um lugar em que tudo é muito singular e muito bonito e quase tudo é muito barato? Onde quer que eu estivesse, senti-me bem à vontade, pois a informalidade é uma de suas grandes virtudes, que contrasta com suas décadas de Império Austro-Húngaro, período em que até um espirro era dado de modo ostentoso. Tomado por tal sensação de liberdade, andei bastante, diverti-me pacas, comi horrores e bebi moderadamente. E mais do que liberal, Budapeste é uma escola e tanto! Em cinco dias, o que aprendi de história foi mais substancial do que alguns meses de atividade acadêmica; a forma como a arte me foi apresentada inspirou-me para os próximos passeios, que serão orientados por olhares mais curiosos e atentos às entrelinhas, e as diferenças culturais sentidas, boas e ruins, exigiram de mim uma atitude mais tolerante e abriram minha mente para caminhos mais livres e engrandecedores. Torço para que um deles seja o retorno à capital húngara.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com


Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa. Para visualizar o mapa no Google Maps, clique em “View Larger Map“.

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. Budapeste realmente é fantastico!

    Só uma dica, no Szimpla não aceita cartão mas, lá e na maioria dos ruin pubs, tem ATM! Da pra sacar dinheiro, na hora do aperto!

    Cuidado apenas com os ‘zeros’ na hora da conversão, com umas cidras a mais na cabeça, acabei tirando mais do que queria/devia!

    • Alessandro Paiva

      Ôpa! Valeu pela dica, caríssimo Argentino! Eu tinha certeza que você havia passado no Szimpla. Não tem como deixar de lado 🙂 E é verdade: tem que estar atento aos zeros e à quantidade de cidra, rsrsrssr!

      Abraço e muuuito obrigado!

  2. Que legal que você deu sorte com o hotel! Eu paguei por um 4 estrelas e recebi um de no máximo 2… (rede Mercure). Fiquei super chateada. Mas foi só dar uma voltinha pelo Danúbio que todos meus problemas acabaram: que cidade maravilhosa!!! Infelizmente meu tempo em Budapeste foi curto (graças à Ryanair, que resolveu antecipar o horário do meu vôo) e minha viagem ficou com gosto de “quero mais”. Parabéns novamente pelo belo post e fotos. Ah, qual seu Instagram? Beijos!!

    • Alessandro Paiva

      Oi, Rafaella!

      Que chato, hem… Talvez eu tenha dado sorte, rsrssr! De fato, o hotel nos atendeu muito bem, e juntando o entusiasmo da viagem, tudo fica bom, rsrsrs! Mas, como você mesmo apontou, esses contratempos dão um gostinho de “quero mais”, aí a gente se esforça para voltar aos locais e curar a frustração.

      Muito obrigado pelo comentário 🙂 Meu Instagram é fuievouvoltar.

      Abraços e ótima viagem sempre!

  3. Stéphanie

    Parabéns mais uma vez, Alessandro!! Que maravilha de post!! Nunca fui a Budapeste, e estava já arrumando as malas e pegando o primeiro avião só pra poder conferir de pertinho as belezas que você relatou…rs
    Muito obrigada! Com certeza, Budapeste estará no meu próximo roteiro!! =D
    Parabéns pelas imagens!!! Belíssimas fotos! Que pôr-do-sol é esse??? OMG!! kkkkkkk… Lindo demais!!
    Beijo grande! Tudo de bom e ótimas viagens para você e o Élcio!

    • Alessandro Paiva

      Stéphanie, eu é que agradeço! Fico super satisfeito quando os leitores do blog curtem meus relatos. 🙂 E não pense duas vezes antes de ir a Budapeste! Eu até achei que dei sorte com o por do sol de cada dia em que estivemos lá, mas tenho visto diversas fotos de diversas épocas em que o ocaso é sempre o mesmo. Por isso o considero atração em Budapeste. Abraço e, mais uma vez, muuuuuito obrigado! 🙂

  4. Jussara Damin

    Olá Alessandro!
    Pesquisando para minha próxima viagem Praga-Bratislava-Budapeste (planos ainda) cheguei ao seu blog e sou obrigada a deixar um recadinho. Que fotos são essas? Que entardecer é esse? Se eu tinha alguma dúvida sobre Budapeste… Acho que vou seguir seu roteiro na íntegra. Parabéns pela narrativa, tão bem humorada, interessante e agradável que não consegui parar antes do fim do 5º dia. E olha que eu só estava pesquisando atrações para decidir o número de dias em Budapeste… Obrigada pelo relato.

    • Alessandro Paiva

      🙂 Oi Jussara! Na sua viagem, você verá que, não somente em Budapeste, mas também em Praga e Bratislava, qualquer máquina fotográfica faz fotos bonitas, de tão fotogênicas que essas cidades são. O entardecer de Budapeste é fenomenal, e a arquitetura de Praga é algo fora do comum, vista tanto de dentro das ruas quanto das regiões mais altas.

      Muitíssimo obrigado pelo comentário e uma ótima viagem para você 🙂

  5. Sandra

    Alessandro, seu post é fantástico. Vou no final de outubro a Budapeste e adorei suas dicas e alertas!

  6. Alessandro seu site é ótimo!!! Estou usando muito como referência para minha próxima viagem marcada para setembro, pelo Leste Europeu!! – E um adendo, meu namorado se matou de rir do relato de vcs sobre a saga da cervejaria em Munique, kkkk… estivemos lá ano passado, e apesar de ter conhecido Praga, Bruxelas, Antuérpia, entre outras cidades, Munique foi minha preferida disparada, por todo ambiente, pela hospitalidade…

    • Alessandro Paiva

      Oi, Renata! Muito obrigado 🙂 E não pense que minha saga da cerveja de Munique não foi a única. Em Bruxelas, uma das capitais cervejeiras mais fantásticas do mundo, não tomei sequer uma gota de álcool. Ai ai… Mas adoro contar isso, rsrsrs! São frustrações que mantenho guardadinhas, assim, quando eu voltar a essas cidades, vou descontar todo o meu recalque bebendo muuuuuita cerveja 🙂

      Uma ótima viagem para vocês!

  7. Alessandro, mais uma vez muuuito obrigada! Que relato delicioso! Já estou apaixonada por Budapeste e contando os meses pra chegar lá! Já virei fã do “Fui e vou voltar”.
    Beijo!

    • Alessandro Paiva

      Ah, que joia, Julia! Muito obrigado 🙂 Estou superatrasado com as postagens, mas um dia termino os textos, rsrsr! No momento, estou escrevendo sobre Vilnius, capital da Lituânia. Em seguida, postarei sobre Riga (Letônia), Tallin (Estônia), Dubrovnik (Croácia), Mostar e Sarajevo (Bósnia), Montenegro, Belgrado e Malta. É, tenho muito serviço, rsrsrs!

      Tenha uma ótima estadia em Budapeste, você vai adorar, com certeza!

      Abraço 🙂

  8. Fernando Ferreira

    Conheço quase toda a Europa. Gosto naturalmente de muitas cidades, mas paixão, paixão mesmo, só nutro por duas delas – Lisboa e Budapeste. E paixão não se discute nem justifica, simplesmente sente-se.

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