Reverenciando a singularidade de Bratislava

Hlavné námestie (Praça Principal)

Hlavné námestie (Praça Principal), em Bratislava

Não faz muito tempo que ouvi falar de Bratislava pela primeira vez. Essa cidade me foi apresentada numa proposta de viagem há pouco mais de dois anos, quando o Élcio sugeriu que fôssemos a Praga, Viena e Budapeste (triângulo perfeito!). Ele também sugeriu que, de Viena, déssemos uma escapada de um dia até Bratislava, mostrando-me um blog que relatava um roteiro bate-volta com fotos pouco inspiradoras da capital eslovaca. Olhei para o meu amigo com um certo desdém, pois a impressão que tive é de que iria a um lugar “desbotado” e completamente desestruturado para o turismo, onde bondes antigos e sucateados e edifícios clássicos de pouca expressão seriam as imagens mais emblemáticas que eu traria no cartão de memória da minha máquina fotográfica. Nesse mesmo relato, vi que a pequena urbe se autointitulou Partyslava, numa tentativa de fomentar o turismo focando no viés de uma cidade festeira. Achei bacana o esforço, mas muito ingênuo. Mais que preconceituoso, fui ignorante.

Em março deste ano, eu e o Élcio não fizemos o roteiro do “triângulo perfeito”, mas estivemos em Viena numa viagem que já havia passado pelas cidades portuguesas de Lisboa, Sintra e Coimbra e seguiria dias mais tarde para Budapeste. Ainda na capital austríaca, reservamos um dia da estada e rumamos para Bratislava.

Dica balao 2Partindo de Viena, pode-se ir a Bratislava de três formas: trem, barco ou ônibus. Os trens saem da estação Wien Hbf de hora em hora, e a viagem dura em torno de 50 minutos. As passagens de ida e volta podem ser compradas pelo site da companhia ferroviária austríaca ÖBB (www.oebb.at). Ir de barco é mais caro, mas deve ser bem interessante, pois o trajeto é feito pelo Rio Danúbio. A Twin City Liner (www.twincityliner.com) e a Lod (www.lod.sk) são as duas principais companhias que oferecem esse tipo de serviço. A viagem é feita em barcos de alta velocidade e pode durar entre 1h15 e 1h40, dependendo da rota a ser seguida. Mas preferimos ir de ônibus, opção mais barata. O Élcio comprou as passagens de ida e volta antecipadamente pelo site da companhia Slovak Lines (www.slovaklines.sk). Embarcamos na rodoviária que fica na saída da estação de metrô Hauptbahnhof. O ônibus era bem confortável e tinha wi-fi grátis. Partimos de Viena às 8h e chegamos a Bratislava às 9h20.

A rodoviária da cidade chama-se Autobusová stanica Mlynské nivy. Assim que chegamos lá, começamos uma caminhada de seis quarteirões em direção à Kostol svätej Alžbety (Igreja de Santa Elizabeth), mais conhecida como Modrý kostolík (Igreja Azul).

Kostol svätej Alžbety, a Igreja Azul

Kostol svätej Alžbety, a Igreja Azul

Essa igreja católica foi a primeira grande surpresa que tivemos em Bratislava. Construída no estilo jugendstil, possui um desenho de fachada dos mais bacanas que já vi. Nem mesmo o céu azulado daquela manhã de terça-feira inibia a vivacidade de seu tom e de suas curvas. Uma pena estar fechada para visitação. Localiza-se na esquina das ruas Bezručova e Gajova.

Demos uma rápida pausa para tomar um espresso numa cafeteria próxima à Igreja Azul. Os funcionários falavam inglês muito bem, assim como a maioria da população de Bratislava, o que nos deu segurança para seguir o roteiro. Do café, rumamos para o Prírodovedné múzeum (Museu de História Natural), integrante do Slovenské národné múzeum (Museu Nacional Eslovaco).

Slovenské národné múzeum

Prírodovedné múzeum (Museu de História Natural) do Slovenské národné múzeum (Museu Nacional Eslovaco)

História natural não é meu tipo predileto de exposição, no entanto, valeu a visita àquele museu simples, mas bem estruturado. Confesso que poderíamos ter saltado essa atração e aproveitado os minutos ali despendidos em outro ponto turístico. Contudo, no final da jornada, não nos vimos prejudicados pela falta de tempo. Na verdade, seria melhor se tivéssemos mais um dia em Bratislava, assim conheceríamos suas atrações mais detalhadamente e fruiríamos de sua vida noturna.

O museu fica na Vajanského nábrežie, 2, de frente para o Danúbio. De lá, seguimos caminhando rente ao rio, na via Rázusovo.

Rio Danúbio, visto da Rázusovo nábrežie

Rio Danúbio, margeado pela Rázusovo nábrežie

Em um banco da Rázusovo, vi uma placa indicativa informando que o distrito da Staré Mesto (Cidade Velha) oferecia wi-fi gratuito. Tentei uma conexão, e o sinal surgiu mais que rapidamente. E poucos instantes depois, enquanto conferíamos algumas informações turísticas no smartphone e consultávamos nosso mapa impresso, dois cidadãos se aproximaram e perguntaram se éramos estrangeiros. Após nossa afirmativa, o mais jovem deles abriu um folder sobre a cidade e gentilmente começou a traçar uma sugestão de roteiro. Parecia que Bratislava havia feito um pacto com sua população, em que todo cidadão deveria prestar ajuda a qualquer tipo de turista, incondicionalmente. Ficamos impressionados com tanta atenção e cordialidade. Depois de fornecer informações preciosas, perguntaram se conhecíamos a palavra de Deus. Não somos hereges, ateístas, céticos ou satânicos, mas tivemos dificuldades para esconder nossos olhares constrangidos. Entretanto, saímo-nos muito bem. No mais, os devotos não nos assediaram como alguns daqueles fiéis perseverantes daqui no Brasil. Pelo contrário, foram sutis e sua ajuda foi extremamente bem-vinda. Por fim, deram-nos uma revista religiosa em português e seguiram seu caminho. Sentamos num banco ali perto e lemos a revista de cabo a rabo (só que não).

Continuamos nosso trajeto. Passamos diante do belo Slovenské národné divadlo (Teatro Nacional Eslovaco), edifício neorrenascentista construído entre 1885 e 1886, durante a era do Império Austro-Húngaro.

Slovenské národné divadlo

Slovenské národné divadlo (Teatro Nacional Eslovaco)

Entre um quarteirão e outro, nossas impressões de Bratislava iam se tornando cada vez melhores. Fico fascinado quando percebo certas peculiaridades nos locais que visito, e, naquela pequena cidade, não pude me conter diante da singularidade de algumas estátuas. Após a era comunista, Bratislava começou a varrer as cinzas desse período sombrio e decidiu animar suas praças e ruas pintando os edifícios com cores variadas e instalando esculturas interessantes em vários pontos da cidade. A primeira que chamou nossa atenção foi a Čumil, a mais célebre de todas.

Čumil, na Cidade Velha

Estátua Čumil, situada na esquina das ruas Laurinská e Rybárska brána

Essa estátua data de 1997 e está localizada na esquina das ruas Laurinská e Rybárska brána, a um quarteirão da Hlavné námestie (Praça Principal). Eu achava que a figura fosse de um soldado, mas representa um trabalhador que espia de dentro de um bueiro. O que ninguém sabe é se ele acabou de limpar o esgoto ou se está ali olhando debaixo das saias das moçoilas. Pela cara de pilantra, pode-se ter uma ideia. Crianças impiedosas abusam de sua posição e sentam-se em sua cabeça, a qual já foi arrancada mais de uma vez por motoristas imprudentes.

Outra estátua famosa é a de Schöner Náci, uma figura bem popular em Bratislava no início do século 20. Náci era um doente mental que desfilava elegantemente pela Cidade Velha usando uma cartola e trajando roupas de veludo. Sempre que passava por uma mulher, cortejava-a com um gentil “Beijo sua mão” nas línguas alemã, húngara e eslovaca. A escultura está situada na Praça Principal.

Estátua de Schöner Náci, situada na Hlavné námestie

Estátua de Schöner Náci, situada na Praça Principal

A Praça Principal é referida por muitos como o centro da cidade. Abriga a Stará radnica (Antiga Prefeitura), que é um complexo de edifícios do século 14, e a Maximiliánova fontána (Fonte de Maximiliano), a fonte mais famosa de Bratislava, erigida em 1572 por ordem de Maximiliano II, Sacro Imperador Romano-Germânico, para fornecer água à população.

Hlavné námestie (Praça Principal), em Bratislava

Hlavné námestie (Praça Principal) vista da torre da Stará radnica (Antiga Prefeitura)

Edifícios da Praça Principal vistos da torre da Antiga Prefeitura

Edifícios da Praça Principal vistos da torre da Antiga Prefeitura

Na Antiga Prefeitura, conhecemos o Bratislava City Museu, um museu que documenta a história da cidade desde seus primórdios até o século 20 e exibe, entre outras peças bem interessantes, alguns instrumentos de tortura. Vale a pena a visita.

Hlavné námestie vista de dentro do Bratislava City Museum

Praça Principal vista de dentro do Bratislava City Museum

A torre da Antiga Prefeitura, parte do Bratislava City Museum, foi construída por volta de 1370. Sua sacada, ainda que não seja muito alta, oferece um panorama magnífico!

Bratislava vista da torre da Antiga Prefeitura. Destaque para o Bratislavský hrad (Castelo de Bratislava)

Bratislava vista da torre da Antiga Prefeitura. Destaque para o Bratislavský hrad (Castelo de Bratislava)

Pátio da Stará radnica

Pátio da Antiga Prefeitura

Atrás do museu, há uma praça muito bonita chamada Primaciálne námestie (Praça Primacial). Nela estão localizados o edifício da municipalidade e um centro de informações turísticas.

Primaciálne námestie (Praça Primacial)

Primaciálne námestie (Praça Primacial)

Voltando à Praça Principal, adivinha o que mais vimos por lá! Estátuas. Uma versão gigante da excêntrica estatueta do Radio_Head Awards, prêmio concedido aos melhores da música eslovaca, destacava-se imponentemente. Certamente, a figura era temporária.

Estatueta do Radio_Head Awards, na Hlavné námestie. Torre da Antiga Prefeitura ao fundo

Estatueta do Radio_Head Awards, na Hlavné námestie. Torre da Antiga Prefeitura ao fundo

A poucos passos da enorme estatueta, deparamo-nos com a escultura de um soldado de Napoleão Bonaparte. Numa posição parecida com a que seu líder perdeu a guerra, o jovem militar possui a retaguarda exposta e vulnerável. Curiosamente, suas nádegas apontam para a Embaixada Francesa. Boatos históricos e maquinações à parte, a figura é uma alusão ao exército comandado pelo imperador francês, que invadiu a Eslováquia em 1809.

Eu junto à estátua de um dos soldados de Napoleão Bonaparte, na Hlavné námestie

Estátua de um dos soldados de Napoleão, na Praça Principal

Não muito longe do guerrilheiro de Napoleão e bem mais contido, um soldado encontra-se de pé dentro de uma guarita. Essa estátua representa uma casa de guarda que existiu na porção sudeste da praça nos anos 1860.

Estátua em homenagem à Casa de Guarda da cidade

Estátua em homenagem à Casa de Guarda da cidade, na Praça Principal

Ainda na Praça Principal, há uma estátua de um paparazzo que se posiciona discretamente em um dos cantos, mas, infelizmente, não a vimos.

Deixando a praça, passamos pela Kostol Najsvätejšieho Spasiteľa (Igreja do Santíssimo Redentor), porém estava fechada. Adiamos essa visita para mais tarde. Dando continuidade ao roteiro, subimos a charmosa Františkánske námestie (Praça Franciscana), onde vimos o Mirbachov palác (Palácio Mirbach), um edifício histórico no estilo barroco, construído entre 1768 e 1770. O palácio foi originalmente uma cervejaria, e em 1975 sofreu uma reforma completa para sediar a Galéria mesta Bratislavy (Galeria da Cidade de Bratislava), que expõe pinturas e esculturas barrocas da Europa Central, além de abrigar exposições temporárias. Como ainda tínhamos muita atração para conhecer na cidade, preferimos não entrar.

Edifício da Galéria mesta Bratislavy, na Praça Franciscana

Edifício da Galéria mesta Bratislavy (Galeria da Cidade de Bratislava), na Františkánske námestie (Praça Franciscana)

No outro lado da praça, está a Františkánsky kostol (Igreja Franciscana), onde demos uma rápida espiada. Construída no estilo gótico entre 1280 e 1297, foi redesenhada no estilo renascentista no século 17 e tornou-se barroca no século 18. Seu passado foi palco de eventos muito importantes. Ali, Fernando I, Sacro Imperador Romano-Germânico, elegeu-se rei da Hungria, em 1526.

Františkánsky kostol

Františkánsky kostol (Igreja Franciscana)

Também na Praça Franciscana, deparamo-nos com outra estátua: a do Buddy Bär (Urso Camarada), pertencente a um movimento que começou em 2001 na cidade de Berlim, onde diversos artistas pintaram aproximadamente 350 ursos à sua maneira, espalhando-os pelas ruas e praças da capital alemã. Em 2002, um projeto subsequente deu início ao United Buddy Bears, e os coloridos grandalhões de 2 metros começaram a viajar mundo afora, chegando a Bratislava em 2012.

Estátua de um Buddy Bär, do projeto United Buddy Bear, na

Estátua de um Buddy Bär, do projeto United Buddy Bear, na Praça Franciscana

Dica balao 2Enquanto caminhávamos, cruzamos com o Presporacik-Oldtimer, um minitrem superestiloso que circula pelos principais pontos turísticos da cidade, passando por lugares do centro histórico onde o tráfego de automóveis é proibido. O tour pode durar até uma hora. Para mais informações, acesse www.tour4u.sk.

Presporacik-Oldtimer

Presporacik-Oldtimer

Presporacik-Oldtimer (via Instagram)

Presporacik-Oldtimer (via Instagram)

Presporacik-Oldtimer (via Instagram)

Presporacik-Oldtimer (via Instagram)

Atravessamos o Michalská brána (Portão de Miguel), uma das edificações mais antigas de Bratislava. Foi construído por volta do ano 1300 como parte das fortificações medievais. É a única entrada da cidade que se encontra preservada. Sua atual fachada no estilo barroco foi definida em 1758, quando a estátua de São Miguel com um dragão foi colocada no topo de sua torre. Hoje, abriga o Museu de Armas.

Michalská brána

Michalská brána (Portão de Miguel)

Do portão, seguimos caminhando até a Hurbanovo námestie (Praça Hurban), onde procuramos um local para almoçar. Viramos à esquerda na Župné námestie (Praça Župné) e andamos até a Kapucínsky kostol sveta Štefana (Igreja dos Capuchinhos de Sveti Stefan).

Kapucínsky kostol sveta Štefana

Kapucínsky kostol sveta Štefana (Igreja dos Capuchinhos de Sveti Stefan)

Como não achamos um restaurante que nos agradasse, retornamos ao portão medieval e comemos em um lugar bem bacana e barato chamado Infiniti Rock Cafe, situado na rua Michalská. Ali, se come o quanto conseguir por uma pechincha, e o buffet é sensacional! Pelo que vi em sua página do Facebook, à noite, o local parece se transformar em um bar superbadalado.

Após o almoço, retornamos à Hurbanovo, pegamos a via Suché mýto e seguimos até o Grasalkovičov palác (Palácio Grassalkovic), residência do presidente da Eslováquia, onde fizemos uma breve visita por fora, tempo suficiente para assistir à tímida troca da guarda.

Grasalkovičov palác

Grasalkovičov palác (Palácio Grassalkovic)

Troca da guarda do Prezidentský palác

Troca da guarda do Prezidentský palác (Palácio Grassalkovic)

Em seguida, rumamos pela rua Banskobystrická em direção ao Letný arcibiskupský palác (Palácio de Verão do Arcebispo). Com a ocupação de Esztergom pelo Império Otomano em 1543, os arcebispos dessa cidade húngara foram transferidos para Bratislava, sendo lotados naquele palácio de verão de estilo renascentista. Hoje, o edifício abarca a sede do governo eslovaco. Não é aberto a visitação.

Letný arcibiskupský palác

Letný arcibiskupský palác (Palácio de Verão do Arcebispo)

De frente para o palácio, está a Námestie slobody (Praça da Liberdade), onde circulamos rapidamente. Na outra extremidade da praça, encontra-se a Slovenská technická univerzita (Universidade Técnica da Eslováquia).

Námestie slobody

Námestie slobody (Praça da Liberdade). Slovenská technická univerzita (Universidade Técnica da Eslováquia) ao fundo

Da Slobody retornamos à Hodžovo, praça situada de frente para o Palácio Grassalkovic.

Nosso tempo era escasso, mas o roteiro rendia bastante. As atrações de Bratislava são muito próximas umas das outras, então ficava fácil visitar vários pontos turísticos em um curto período. Nem sempre era possível conhecer os locais por dentro, mas o passeio estava de ótimo tamanho. Éramos surpreendidos positivamente a cada esquina, e Bratislava ia se revelando uma cidade cativante.

Sacada de apartamento residencial da rua Banskobystrická

Sacada de apartamento residencial na rua Banskobystrická

Numa primeira impressão, tendo em vista a extinta Tchecoslováquia, eu pressupunha que a cultura eslovaca fosse bem semelhante à da República Tcheca – de fato deve ser –, mas senti muita diferença entre Bratislava e Praga. Os eslovacos são mais simpáticos, receptivos e estão sempre dispostos em ajudar. Mesmo que Bratislava seja pequena e seus atrativos não possuam um quarto da expressividade percebida em Praga, ela possui um charme intrínseco e segue solidificando suas identidades cultural, turística e histórica, com vistas altíssimas para o futuro.

A próxima atração seria a mais esperada do dia: o Bratislavský hrad (Castelo de Bratislava). Mesmo que fosse possível avistá-lo da Hodžovo, teríamos que caminhar um bocado até ele. Perguntamos a uma jovem qual ônibus iria lá, mas ela se atrapalhou toda e nos mostrou uma passagem subterrânea a poucos metros de onde estávamos, a qual atravessamos e descobrimos ser completamente desnecessária no trajeto. Enfim, acho que o que a loirinha tentou nos dizer é “Vão a pé, turistas preguiçosos! O castelo é logo ali!”.

Descartando o conforto do ônibus, seguimos a pé pela Palisády, rua em que a Embaixada Brasileira se encontra. O Élcio até achou que estivéssemos enganados quanto ao percurso indicado pelo mapa do meu iPhone, mas estávamos no rumo certo e o Google confirma: partindo da Hodžovo, a Palisády é o caminho mais curto até o castelo. No mais, valeu a pena a caminhada.

Bratislavský hrad

Bratislavský hrad (Castelo de Bratislava)

O primeiro registro histórico do Castelo de Bratislava data de 907 d.C.. Imponentes no alto da colina, suas quatro torres são o símbolo da cidade. A Torre da Coroa, localizada na parte sudeste do castelo, foi construída no século 13 e mantém-se de pé até hoje. Durante o reinado de Sigismundo de Luxemburgo (1387 – 1437), o castelo passou por uma transformação radical, adotando o estilo gótico. Após 1526, tornou-se sede da monarquia húngara. Já no reinado da extravagante imperatriz Maria Teresa da Áustria (1740 – 1780), para quem luxo pouco é bobagem, o Bratislavský hrad foi convertido em uma suntuosa residência barroca. Infelizmente, foi destruído por um incêndio em 1811, sendo reconstruído somente em 1953.

Bratislavský hrad

Bratislavský hrad (Castelo de Bratislava)

Sua localização oferece panoramas espetaculares! Por estar no alto de uma colina, seus mirantes dão vistas para a Áustria e, em dias de céu mais limpo, partes da Hungria.

Most SNP (ponte Ovni), vista do Bratislavský hrad

Most SNP (Ponte Ovni), vista do Bratislavský hrad (Castelo de Bratislava)

Parque eólico austríaco, situado às margens da autoestrada Nordost, visto do Bratislavský hrad

Parque eólico austríaco, situado às margens da autoestrada Nordost, visto do Castelo de Bratislava

Katedrála svätého Martina (catedral de San Martín) vista do Bratislavský hrad

Katedrála svätého Martina (Catedral de San Martín) vista do Castelo de Bratislava

Most Apollo (Ponte Apolo) sobre o Danúbio, vista do Bratislavský hrad

Most Apollo (Ponte Apolo) sobre o Danúbio, vista do Castelo de Bratislava

Também dali de cima, é improvável não notar os multicoloridos paneláks. Esses edifícios de alvenaria estrutural são o resultado do déficit habitacional do pós-guerra e da ideologia comunista dos líderes da Tchecoslováquia, que vislumbraram uma enorme quantidade de moradias de baixo custo, unificando os projetos de construção em todo o país e induzindo a população a um comportamento coletivista. O bairro de Petržalka, que pode ser visto do castelo, possui a maior concentração de paneláks da Europa Central, com uma população de mais de 130.000 habitantes.

Most SNP (ponte Ovni), vista do Bratislavský hrad

Most SNP (Ponte Ovni) e edifícios do tipo panelák no bairro Petržalka, vistos do Castelo de Bratislava

No detalhe, estátua equestre de Svatopluk I, governante da Grande Morávia, instalada no Pátio Honorário do Bratislavský hrad

Estátua equestre de Svatopluk I, governante da Grande Morávia, instalada no Pátio Honorário do Castelo de Bratislava. Paneláks do Petržalka ao fundo

No interior do castelo, esperávamos encontrar um ambiente lendário, mas nos deparamos com uma decoração um tanto modernizada em algumas partes, incoerente em face dos vários séculos de história do Bratislavský hrad. Por mais que as inúmeras reformas sofridas pelo edifício dificultassem a manutenção de alguns detalhes arquitetônicos, um estudo histórico mais apurado deveria ter sido feito na sua última restauração para ao menos tentar replicar os elementos mais marcantes – penso eu.

Ali, visitamos o Museu de História do Slovenské národné múzeum (Museu Nacional Eslovaco), que, por meio de documentos, relíquias e obras de arte, expõe o desenvolvimento da Eslováquia desde a Idade Média até os dias atuais.

É permitido subir na parte mais alta da Torre da Coroa, de onde a vista da cidade não poderia ser menos bela.

Bratislava vista da Torre da Coroa, no Bratislavský hrad

Bratislava vista da Torre da Coroa, no Castelo de Bratislava

Bratislava vista da Torre da Coroa, no Bratislavský hrad

Bratislava vista da Torre da Coroa, no Castelo de Bratislava

Bairro residencial de Bratislava, visto do Bratislavský hrad

Bairro residencial de Bratislava visto da Torre da Coroa, no Castelo de Bratislava

Para mais informações como datas e horários de visitação, bem como tarifário e meios de transporte, acesse www.castles.sk/bratislava.php.

Deixamos o castelo pelo Žigmundova brána (Portão de Sigismundo) e descemos uma ruela chamada Beblavého, onde entramos em um centro de informações turísticas chamado Zulkafe. Na verdade, desejávamos apenas tomar um espresso, mas acabamos nos envolvendo em um bate-papo superagradável com a simpaticíssima Elena, proprietária do local. Apostando no turismo e abraçando os ideias de Bratislava, a jovem eslovaca estabeleceu-se ali por sua conta e risco, onde, além de fornecer informações aos visitantes, oferece um espaço com internet e vende alguns souvenirs e guloseimas, entre elas o tradicional medovník, um delicioso biscoito de especiarias feito com ¼ de mel.

Medovník, servido no Zulkafe

Medovník, servido no Zulkafe

A tinta fresca do modesto banquinho azul na calçada mostrava que o Zulkafe acabara de se instalar. Não sei se o pequeno negócio está localizado no melhor ponto da cidade ou se irá prosperar – pode ser que já tenha encerrado suas atividades –, mas torço pela Elena. Caso eu não estivesse empregado, e supondo a bancarrota do meu fictício bar de coquetéis, talvez eu tentasse me acertar num café como o dela. Fatalmente, fecharia as portas no primeiro mês, pois Belo Horizonte está anos luz de se tornar um polo turístico, mas faria uma das coisas que mais amo.

Elena, na entrada do Zulkafe

Elena, na entrada do Zulkafe

Deixamos o Zulkafe. Descemos a Beblavého até a via Staromestská, onde avistamos a Most SNP (Ponte Ovni), também conhecida como UFO Bridge. Essa ponte se destaca pela estrutura no formato de disco voador suspensa no topo dos pilares, que abarca um restaurante panorâmico chamado UFO.

Most SNP, vista da Staromestská

Most SNP, vista da Staromestská

No outro lado da Staromestská, está a Katedrála svätého Martina (Catedral de San Martín), onde demos uma olhada rápida. É um dos templos religiosos mais antigos de Bratislava, conhecido, principalmente, por ser a igreja onde as coroações do Reino da Hungria aconteciam entre 1563 e 1830. É a catedral da Arquidiocese Católica de Bratislava. Desde 2003, vem sediando os Korunovačné slávnosti (Festivais de Coroação), em que as cerimônias de coroação dos antigos monarcas são reencenadas.

Katedrála svätého Martina

Katedrála svätého Martina (Catedral de San Martín)

A Catedral de San Martín está aberta para visitantes de segunda a sábado das 9h às 11h30 e das 13h às 16h. Aos domingos, das 13h30 às 16h. Os rituais litúrgicos acontecem de segunda a sábado às 7h30 e 12h, e aos domingos às 7h45, 9h, 10h30, 12h e 17h. Nesses períodos, não é permitida a visitação.

Ao redor da igreja, encontramos alguns medalhões com o desenho de uma coroa afixados no chão. Não consegui identificar sua simbologia, mas acredito que seja por causa das cerimônias de coroação.

Medalhão afixado no entorno da Katedrála svätého Martina

Medalhão afixado no entorno da Catedral de San Martín

Da catedral, seguimos por dois quarteirões da bela via Kapitulská em direção à Kostol a kláštor klarisiek (Igreja e Mosteiro das Clarissas).

Kapitulská

Kapitulská

As freiras da Ordem das Clarissas chegaram a Bratislava em 1297, onde, com o apoio do rei, construiram a Kostol a kláštor klarisiek, um complexo góticorenascentista que abrigava uma igreja e um mosteiro. A igreja foi erguida entre 1297 e 1370, e o mosteiro entre 1637 e 1640. Em 1782, a ordem foi dissolvida, e a igreja se tornou uma escola. Atualmente, é utilizada para concertos e exposições.

Kostol a kláštor klarisiek

Kostol a kláštor klarisiek (Igreja e Mosteiro das Clarissas)

Da igreja das Clarissas, seguimos caminhando em direção ao coração do centro histórico de Bratislava, onde estivemos mais cedo.

Rua Farská, próximo à Kostol a kláštor klarisiek

Rua Farská, próximo à Igreja e Mosteiro das Clarissas

Rua Michalská, com Portão de Miguel ao fundo

Rua Michalská, com Portão de Miguel ao fundo

De volta à Praça Franciscana, visitamos a Kostol Najsvätejšieho Spasiteľa (Igreja do Santíssimo Redentor), também conhecida como Igreja Jesuíta, que estava fechada horas antes. Foi construída entre 1636 e 1638 para ser um local de cultos protestantes. Por decreto do rei, o templo não poderia se assemelhar a uma igreja católica sob hipótese alguma, então foi construída sem torre, sem presbitério e sua entrada não se dava pela rua principal. Hoje, o edifício pertence à Companhia de Jesus.

Kostol Najsvätejšieho Spasiteľa (Igreja Jesuíta)

Kostol Najsvätejšieho Spasiteľa (Igreja Jesuíta)

Da Igreja Jesuíta, continuamos passeando pelo centro histórico. Como já havíamos visto praticamente tudo por ali, demos uma pausa para uma cerveja. Dentro do bar, seduzidos pelo movimento de transeuntes de todos os tipos que passavam pela rua, lamentamos não poder ficar mais um dia na cidade. Entre um gole e outro, conjecturávamos sobre a vida noturna em Bratislava, que deve ser bem interessante. Preciso usufruir da tal Partyslava! A ingenuidade que ignorantemente eu ponderava a respeito desse título de lugar festeiro desceu pelo fio terra. Estive lá por poucas horas e quase nada sei sobre como efetivamente vivem os nativos, mas eles parecem saber se divertir.

Saímos do centro histórico e seguimos em direção à rodoviária beirando um pequeno trecho do Danúbio, afinal a última caminhada deveria ostentar um pouco de estilo. Não somos pessoas requintadas, mas, já que estávamos ali, sentimo-nos no direito de fazer o tipo fino. Mais adiante, demos uma passada no shopping center Eurovea, onde, logo na entrada, deparamo-nos com outra estátua, em que artistas de circo pareciam atuar numa festa de encerramento. Caiu como uma luva para aquele finalzinho de jornada em Bratislava.

Estátua na entrada do shopping center Eurovea

Estátua na entrada do shopping center Eurovea

Passeamos pelo Eurovea, comemos algo e procurei incessantemente por um par de botas. Saímos do shopping, cruzamos com outra escultura e rumamos para a rodoviária.

Estátua na saída do Eurovea pela Námestie M. R. Štefánik

Estátua na saída do Eurovea pela Námestie M. R. Štefánik

Aquele dia custou a passar, felizmente. Enquanto esperávamos o ônibus para retornar a Viena, nossos comentários não poupavam elogios a Bratislava. Que cidadezinha espetacular! Talvez o efeito momentâneo da surpresa (eu esperava por uma cidade acorrentada no tempo) avivava qualquer sentimento de admiração. Contudo, minhas impressões continuam exaltadas. Reconheço e estimo a singularidade da capital da Eslováquia. Preciso voltar lá.

Fui e vou voltar - Alessandro Paiva

contato@fuievouvoltar.com


Para ajudá-lo no planejamento do seu roteiro, marquei no mapa abaixo as atrações discorridas neste post e algumas não visitadas. Acesse o mapa e escolha os pontos turísticos desejados. Não se esqueça de calcular o tempo de permanência em cada local, levando em consideração se a visita é interna ou somente externa.

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Sobre Alessandro Paiva

A graphic designer who loves cocktail and travelling. Check my cocktail blog at pourmesamis.com, my travelling blog at fuievouvoltar.com and my graphic design portfolio at www.alessandropaiva.com.

  1. NORBERTO SUTILLO DE ARRUDA

    Copiei integralmente o seu roteiro. Só fiquei com uma dúvida. Quando vc comprou a passagem de onibus, ida e volta, o horário da volta já foi estipulado na compra, ou, vc pode escolher qualquer horário para retornar a Viena ?

    • Alessandro Paiva

      Olá, Norberto! Muito obrigado! Compramos as passagens adiantado, tanto ida quanto volta. Acredito que seja possível comprar a de volta momentos antes de embarcar, mas prefiro não arriscar, especialmente em altas temporadas. Qualquer dúvida, me escreve de novo que tento te ajudar. Abraço e ótima viagem!

  2. NORBERTO SUTILLO DE ARRUDA

    Alessandro, a compra da passagem ida e volta é sempre mais interessante. A minha curiosidade é se quando fizer a compra em Budapeste, já tenho que determinar o horário da volta, ou o horário da volta fica a meu critério quando estiver em Bratislava.

    • Alessandro Paiva

      Norberto, acho que tem que estar com o horário já definido. Não tenho certeza, mas creio que sim.

  3. Cristiano

    kra, mais uma vez parabéns pelas info, muito completo!

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